{"id":2056,"date":"2020-09-27T09:47:38","date_gmt":"2020-09-27T09:47:38","guid":{"rendered":"http:\/\/aep61-74.org\/?p=2056"},"modified":"2022-07-03T23:34:39","modified_gmt":"2022-07-03T23:34:39","slug":"cancao-de-protesto-e-exilio-cancao-politica-deveria-retomar-o-filao-da-ironia-e-do-escarnio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2020\/09\/27\/cancao-de-protesto-e-exilio-cancao-politica-deveria-retomar-o-filao-da-ironia-e-do-escarnio\/","title":{"rendered":"CAN\u00c7\u00c3O DE PROTESTO E EX\u00cdLIO | Can\u00e7\u00e3o pol\u00edtica deveria retomar o fil\u00e3o da ironia e do esc\u00e1rnio"},"content":{"rendered":"\n<p>SF | 27 setembro 2020 | DOSSI\u00ca Can\u00e7\u00e3o de protesto e ex\u00edlio | Irene Pimentel brinda-nos no encerramento do nosso percurso tem\u00e1tico sobre a Can\u00e7\u00e3o de Protesto e o Ex\u00edlio com um texto sobre Jos\u00e9 Afonso que vai totalmente ao encontro da inten\u00e7\u00e3o inicial do SEM FRONTEIRAS com a organiza\u00e7\u00e3o deste dossi\u00ea. No essencial esta iniciativa visou suscitar a reflex\u00e3o e o debate sobre uma experi\u00eancia incontorn\u00e1vel da hist\u00f3ria do Portugal contempor\u00e2neo cujos protagonistas enchem os nossos cora\u00e7\u00f5es e povoam as nossas mem\u00f3rias. Quando lemos no texto da historiadora que Zeca Afonso defendia, entre outras opini\u00f5es,  que a <em>arte panflet\u00e1ria n\u00e3o \u00e9, necessariamente, revolucion\u00e1ria<\/em> e que a <em><strong>can\u00e7\u00e3o pol\u00edtica deveria retomar o fil\u00e3o da <\/strong><\/em>ironia<em><strong>, do <\/strong>esc\u00e1rnio<strong>, que era uma atitude tradicionalmente ib\u00e9rica e, sobretudo, galaico-portuguesa, um pouco \u00e0 maneira como havia feito Nat\u00e1lia Correia<\/strong><\/em>, temos um excelente ponto de partida para ir mais longe numa reflex\u00e3o que importa realizar ou aprofundar. @ <em>Carlos Ribeiro<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Zeca Afonso, a can\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00e3o e Gr\u00e2ndola<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por Irene Pimental<\/p>\n\n\n\n<p>\u00abAqui em Portugal, a can\u00e7\u00e3o de protesto &#8211; a chamada can\u00e7\u00e3o de protesto, ou social ou de interven\u00e7\u00e3o, ou pol\u00edtica &#8211; foi um elemento de perturba\u00e7\u00e3o, de agita\u00e7\u00e3o no bom sentido\u00bb &#8211; disse Zeca Afonso, ao lembrar que, antes de 25 de Abril de 1974, esse tipo de m\u00fasica tinha sido \u00abobjecto de grandes persegui\u00e7\u00f5es, proibi\u00e7\u00f5es de transmiss\u00e3o, proibi\u00e7\u00f5es de venda, coac\u00e7\u00f5es at\u00e9 sobre os pr\u00f3prios cantores\u00bb. A partir de meados dos anos 60, foi um cantor <strong>comprometido<\/strong> (e<em>ngag\u00e9<\/em>, \u00e0 maneira de Sartre), mas sofreu sempre com a contradi\u00e7\u00e3o de atingir um p\u00fablico real, que n\u00e3o era aquele que na realidade pretendia atingir. \u00abEu gostaria de cantar para as pessoas para quem a can\u00e7\u00e3o poder\u00e1 representar alguma coisa\u00bb &#8211; confidenciou- \u00abmas isso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel\u2026essa minha interfer\u00eancia, essa minha interrup\u00e7\u00e3o soaria como um acto de paternalismo\u00bb<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Gr\u00e2ndola, a can\u00e7\u00e3o<\/h4>\n\n\n\n<p>O ano de 1964 foi crucial para Jos\u00e9 Afonso, n\u00e3o s\u00f3 porque partiu para \u00c1frica, como porque foi ent\u00e3o que escreveu o poema <strong>Gr\u00e2ndola, Vila Morena<\/strong>. A Sociedade Musical Fraternidade Oper\u00e1ria Grandolense (SMFOG) convidou-o para actuar, juntamente com Carlos Paredes, em 17 de Maio de 1964. Jos\u00e9 Afonso contou, mais tarde, ter ficado \u00abbrutalmente satisfeito com o convite\u00bb da \u00abM\u00fasica Velha\u00bb (SMFOG), descrevendo a \u00abFraternidade Grandolense\u00bb como um \u00ablocal obscuro, quase sem estruturas nenhumas, com uma biblioteca de evidentes objectivos revolucion\u00e1rios, uma disciplina generalizada e aceite entre todos os membros, o que revelava j\u00e1 uma grande consci\u00eancia e maturidade pol\u00edticas\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>Quatro dias depois do espect\u00e1culo, Jos\u00e9 da Concei\u00e7\u00e3o recebeu de Zeca Afonso, ent\u00e3o director da SMFOG, que o tinha convidado, uma carta, com um poema dedicado \u00e0 colectividade: tratava-se de <strong>Gr\u00e2ndola, Vila Morena<\/strong>. A can\u00e7\u00e3o propriamente dita teve quatro vers\u00f5es, a primeira das quais com tr\u00eas quadras: <em>Gr\u00e2ndola Vila Morena\/Terra da Fraternidade\/O povo \u00e9 quem mais ordena\/Dentro de ti \u00f3 cidade; Em cada esquina um amigo\/Em cada rosto igualdade\/Gr\u00e2ndola Vila Morena\/Terra da Fraternidade; Capital da cortesia\/N\u00e3o se teme de oferecer\/Quem for a Gr\u00e2ndola um dia\/Muita coisa h\u00e1-de trazer<\/em>. A \u00faltima quadra desapareceu, na segunda vers\u00e3o editada no livro <em>Cantares de Jos\u00e9 Afonso<\/em>, em 1967. Depois, surgiu, numa nova edi\u00e7\u00e3o, em 1971, uma terceira quadra: <em>\u00c0 sombra de uma azinheira\/Que j\u00e1 n\u00e3o sabia a idade\/Jurei ter por companheira\/Gr\u00e2ndola, a tua vontade<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando, em Outubro desse ano, Jos\u00e9 Afonso gravou, em Paris, o disco <em>Cantigas de Maio<\/em>, onde incluiu <strong>Gr\u00e2ndola<\/strong>, Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco sugeriu-lhe que repetisse cada quadra por ordem inversas dos versos, como faziam os coros masculinos alentejanos, e foi assim que a can\u00e7\u00e3o ficou gravada, com seis quadras, que, na realidade, eram tr\u00eas. Refira-se que, de forma prof\u00e9tica, Jos\u00e9 Afonso afirmou, em 1973, que \u00abGr\u00e2ndola\u00bb j\u00e1 n\u00e3o lhe pertencia e que se ia habituando \u00e0 ideia de j\u00e1 era \u00abuma can\u00e7\u00e3o colectiva\u00bb, sem que ele pr\u00f3prio esperasse jamais que ela viesse a \u00abser utilizada para o fim que foi\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><em>Musica Nova<\/em>, no Coliseu dos Recreios, em Mar\u00e7o de 1974<\/h4>\n\n\n\n<p>Segundo uma vers\u00e3o, o facto de alguns elementos do MFA terem assistido ao espect\u00e1culo do Coliseu dos Recreios, em Lisboa, em 29 de Mar\u00e7o de 1974, menos de um m\u00eas antes do golpe de Estado que levou \u00e0 queda da ditadura.<strong> <\/strong>Esse importante espect\u00e1culo, chamado <strong>M\u00fasica Nova<\/strong>, revelador de que o regime ditatorial j\u00e1 havia perdido a hegemonia, a favor da oposi\u00e7\u00e3o de esquerda foi vigiado pelo agente da DGS Jo\u00e3o Baptista Cabral da Costa, segundo o qual a segunda parte tinha sido preenchida pela distribui\u00e7\u00e3o dos pr\u00e9mios da Casa da Imprensa de 1970, cujo principal galard\u00e3o fora entregue ao <strong>Dr. Jos\u00e9 Afonso<\/strong>, <em>aplaudido por toda a assist\u00eancia delirantemente durante cerca de 5 minutos<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m o c\u00e9lebre Am\u00e9rico Paulo Maltez Soares, que dirigia a tropa de choque da PSP, elaborou, em 30 de Mar\u00e7o de 1974, um relat\u00f3rio sobre o espect\u00e1culo, enviado ao Governo Civil de Lisboa e \u00e0 DGS, onde assinalou o predom\u00ednio da juventude. Na segunda parte da sess\u00e3o, tinham actuado os cantores Jos\u00e9 Jorge Letria e Manuel Freire, que disseram ter \u201c\u00abperdido\u00bb as can\u00e7\u00f5es que gostariam de cantar. O \u00faltimo acrescentou \u00abque toda a plateia sabia muito bem onde as podia encontrar\u00bb, tendo esses \u00abapartes\u00bb provocado in\u00fameros aplausos da assist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>A jornalista Regina Louro, que cobriu o espect\u00e1culo para o <em>Di\u00e1rio de Lisboa<\/em>, deu no seu artigo evidentes recados nas entrelinhas, descrevendo com humor o evento. \u00c0 sua prosa deliciosa n\u00e3o faltou uma alus\u00e3o \u00e0 presen\u00e7a da PSP e da DGS:<\/p>\n\n\n\n<p><em>J\u00e1 o Coliseu estava guardado. As ruas pr\u00f3ximas invadidas de ve\u00edculos azuis, e muitas fardas nos corredores, mais os estranhos rostos onde n\u00e3o morava o desejo de assistir ao espect\u00e1culo. Havia ainda os bombeiros, porque, entre cinco mil pessoas, \u00e9 extremamente f\u00e1cil fazer saltar a fa\u00edsca, e da fa\u00edsca chegar ao inc\u00eandio (\u2026)<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s Jos\u00e9 Jorge Letria ter deixado cair a piada: \u00abVamos cantar todos juntos, sen\u00e3o n\u00e3o nos aguentamos\u00bb, Manuel Freire, Jos\u00e9 Barata Moura, Fernando Tordo, o conjunto Intr\u00f3ito, Adriano Correia de Oliveira e Jos\u00e9 Afonso irromperam pelo palco, cantando, primeiro, individualmente, as \u00abcan\u00e7\u00f5es (poucas) que conseguiram fazer passar na alf\u00e2ndega\u201d. Ao chegar a vez de Jos\u00e9 Afonso cantar a sua \u00abtamb\u00e9m \u00fanica (em princ\u00edpio) can\u00e7\u00e3o, \u00e9 que se sentiu como o calor tinha invadido a sala\u00bb:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Era como se em Gr\u00e2ndola estivessem, no pino do Var\u00e3o. (\u2026) O p\u00fablico foi quem mais ordenou. \u00c0 falta de cantigas, Zeca Afonso teve de repetir a que do Alentejo veio. Nessa altura, as luzes apagaram-se, Mas, quando a luz regressou \u00e0 sala, viam-se, na plateia e na geral, os corpos cerrados acompanhando o ritmo. Ao lado da de Zeca Afonso, muitas vozes se elevavam. Mas n\u00e3o era apenas um conjunto de vozes. Era como que um grande canto colectivo<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Gr\u00e2ndola, o hino<\/h4>\n\n\n\n<p>Um m\u00eas depois desse espect\u00e1culo, ocorreu um golpe de Estado do MFA, precedido por dois sinais de sa\u00edda das tropas revoltosas. \u00c0s 22,20 horas, fez-se ouvir a voz de Jo\u00e3o Paulo Dinis, dos Emissores Associados de Lisboa, com o primeiro sinal, a can\u00e7\u00e3o <strong>Depois do adeus<\/strong>, de Paulo Carvalho. A segunda senha deveria ter sido <strong>Venham mais cinco<\/strong>, tamb\u00e9m de Jos\u00e9 Afonso. Um dos membros do MFA na Marinha, o comandante Almada Contreiras contou que, na segunda-feira anterior ao dia do golpe, se encontrara com o jornalista \u00c1lvaro Guerra, para preparar a \u00faltima emiss\u00e3o do sinal de aviso \u00e0s for\u00e7as armadas, mas confrontara-se com o facto de <strong>Venham mais cinco<\/strong> estar proibida pela Censura, na R\u00e1dio Renascen\u00e7a (RR).<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, a escolha da can\u00e7\u00e3o da senha recaiu sobre <strong>Gr\u00e2ndola<\/strong>, por sugest\u00e3o do jornalista Carlos Albino, que a deveria passar, na noite de dia 24 de Abril, no seu programa <strong>Limite<\/strong>, transmitido por essa esta\u00e7\u00e3o radiof\u00f3nica. Carlos Albino encarregou o jovem locutor Paulo Coelho de passar a can\u00e7\u00e3o e, finalmente, acabou por ser Manuel Tom\u00e1s a gravar o programa, no dia 24, com a ajuda do locutor Leite de Vasconcelos, \u00e0s 24 horas Jos\u00e9 Afonso afirmaria que s\u00f3, mais tarde, \u00abcom o 28 de Setembro, o 11 de Mar\u00e7o, quando recome\u00e7aram os ataques fascistas e a Gr\u00e2ndola era cantada nos momentos de maior perigo ou entusiasmo\u00bb, se apercebeu do seu significado e teve, naturalmente, \u00abuma certa satisfa\u00e7\u00e3o\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele pr\u00f3prio concordou com a escolha, pois a can\u00e7\u00e3o \u00abera aquela a que mais condi\u00e7\u00f5es reunia para ser uma esp\u00e9cie de lugar geom\u00e9trico, de pontap\u00e9 de sa\u00edda\u00bb, pois era a \u00fanica que se cantava em conjunto, de bra\u00e7o dado e de p\u00e9. Ap\u00f3s Abril de 1974, Zeca Afonso viria a ser <em>obrigado <\/em>a cantar vezes sem conta essa can\u00e7\u00e3o, chegando mesmo a queixar-se de que, sendo ela de uma certa \u00e9poca espec\u00edfica, corria o risco de se vir a transformar num canto \u00abrevivalista\u00bb. Por isso, afirmou que gostaria de ver \u00abultrapassado\u00bb o facto de essa composi\u00e7\u00e3o se ter transformado num hino. Conforme lamentou, a can\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s 1974, passou a ser \u00abum elemento, j\u00e1 n\u00e3o tanto de agita\u00e7\u00e3o, mas de mobiliza\u00e7\u00e3o\u00bb, que, infelizmente, acabou por ser \u00abinstrumentalizada\u00bb, \u00abde tal forma que se lhe tirou a efic\u00e1cia\u00bb e ela deixou de ser de \u00abinterven\u00e7\u00e3o\u00bb. Ao aludir ao \u00abenterro do canto de interven\u00e7\u00e3o\u00bb, afirmou que tudo se resumia na seguinte pergunta: \u00abpara quem \u00e9 que n\u00f3s cantamos e em que circunst\u00e2ncias cantamos?\u00bb<\/p>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 Afonso reconheceu que ele pr\u00f3prio procurara \u00abdespir a can\u00e7\u00e3o de um certo n\u00famero de subterf\u00fagios\u00bb e, \u00abtalvez em preju\u00edzo da m\u00fasica e do texto, utilizar um processo narrativo mais directamente popular\u00bb, para que a realidade vivida pelos trabalhadores envolvidos no processo pol\u00edtico viesse ao de cima, sem ser \u00abafogada por letras e m\u00fasica demasiado apuradas\u00bb. Afirmou que, no PREC, a can\u00e7\u00e3o, de certo modo, havia ficado reduzida a \u00abum instrumento de combate antifascista\u00bb sem qualidade, que se limitava a dizer coisas da forma mais \u00f3bvia poss\u00edvel, para que o povo n\u00e3o tivesse o m\u00ednimo de trabalho de reflex\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Noutra ocasi\u00e3o, afirmou que o canto de interven\u00e7\u00e3o era \u00abuma tentativa de infiltra\u00e7\u00e3o na marcha social, ou melhor, na luta de classes\u00bb, mas constitu\u00eda tamb\u00e9m \u00abuma rela\u00e7\u00e3o entre a can\u00e7\u00e3o em si pr\u00f3pria e as massas populares a quem se deve dirigir\u00bb, originada, n\u00e3o apenas pela m\u00fasica, mas por uma din\u00e2mica que \u00abse estabelece no preciso momento em que se canta\u00bb. A can\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00e3o implicava, segundo ele, um envolvimento e uma identifica\u00e7\u00e3o crescente do pr\u00f3prio cantor com o que se estava a passar nas diversas lutas, em que ele intervinha, n\u00e3o apenas ao n\u00edvel da can\u00e7\u00e3o, mas ao n\u00edvel do seu compromisso como homem pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 Afonso procurou um equil\u00edbrio entre a qualidade est\u00e9tica e a efic\u00e1cia interventiva da can\u00e7\u00e3o, embora, consoante as circunst\u00e2ncias, tivesse dado mais ou menos import\u00e2ncia a cada um desses dois p\u00f3los. Ao mesmo tempo que assinalava que a \u00abarte panflet\u00e1ria n\u00e3o \u00e9, necessariamente, revolucion\u00e1ria\u00bb, afirmou que a can\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00e3o n\u00e3o se deveria esgotar \u00abnum perfeccionismo que reduz a sua capacidade mobilizadora\u00bb, defendeu que a can\u00e7\u00e3o pol\u00edtica deveria retomar o fil\u00e3o da \u00abironia\u00bb, do \u00abesc\u00e1rnio, que era \u00abuma atitude tradicionalmente ib\u00e9rica e, sobretudo, galaico-portuguesa\u00bb, um pouco \u00e0 maneira como havia feito Nat\u00e1lia Correia. Recusando a autonomia da forma, por considerar que esta nada podia significar, independentemente do conte\u00fado, ao servi\u00e7o do qual devia estar, Jos\u00e9 Afonso afirmou por\u00e9m, como Sartre, que era a partir da arte ou da literatura que o artista e escritor criavam uma dimens\u00e3o pol\u00edtica, e n\u00e3o o contr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Este texto baseia-se no livro de Irene Pimentel, <em>Jos\u00e9 Afonso. <\/em>Fotobiografias S\u00e9culo XX, dir, J. Vieira, Lisboa, C\u00edrculo de Leitores\/Temas &amp; Debates, 2010 (1.\u00aa ed.)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SF | 27 setembro 2020 | DOSSI\u00ca Can\u00e7\u00e3o de protesto e ex\u00edlio | Irene Pimentel&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2057,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[371],"tags":[58],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/IP.png",865,611,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/IP-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/IP-300x212.png",300,212,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/IP-768x542.png",640,452,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/IP.png",640,452,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/IP.png",865,611,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/IP.png",865,611,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/IP.png",865,611,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/IP.png",708,500,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/IP.png",865,611,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/IP.png",481,340,false],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/IP.png",354,250,false]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/cancao-de-protesto\/\" rel=\"category tag\">CAN\u00c7\u00c3O DE PROTESTO<\/a>","tag_info":"CAN\u00c7\u00c3O DE PROTESTO","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2056"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2056"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2056\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2058,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2056\/revisions\/2058"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2057"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2056"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2056"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2056"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}