{"id":2123,"date":"2020-10-18T01:52:43","date_gmt":"2020-10-18T01:52:43","guid":{"rendered":"http:\/\/aep61-74.org\/?p=2123"},"modified":"2020-12-29T00:05:39","modified_gmt":"2020-12-29T00:05:39","slug":"argelia-o-massacre-de-17-de-outubro-1961-em-paris","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2020\/10\/18\/argelia-o-massacre-de-17-de-outubro-1961-em-paris\/","title":{"rendered":"ARG\u00c9LIA | O massacre de 17 de outubro 1961 em Paris"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\">SEM FRONTEIRAS<\/span> | 18 de outubro 2020 | ARG\u00c9LIA | O fotojornalista Georges Azenstarck que documentou exaustivamente a vida dos pobres e dos trabalhadores em Fran\u00e7a foi tamb\u00e9m quem, na noite de 17 de outubro de 1961, presenciou o massacre no qual, sob as ordens de Maurice Papon, a pol\u00edcia parisiense matou v\u00e1rias dezenas de argelinos, dos quais muitos foram lan\u00e7ados ao rio Sena. <\/h4>\n\n\n\n<p>O recente falecimento do discreto mas super eficaz fot\u00f3grafo da vida oper\u00e1ria gaulesa levou-nos a recuperar apontamentos dessa reportagem do in\u00edcio dos anos sessenta para iniciar no SEM FRONTEIRAS uma abordagem \u00e0s quest\u00f5es argelinas suscitadas pelo <strong>Encontro de Grenoble<\/strong> previsto para setembro passado e que acabou por ser adiado para 2021 devido \u00e0 pandemia de Covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>O ODTI &#8211; Observat\u00f3rio sobre as Descrimina\u00e7\u00f5es e os Territ\u00f3rios Interculturais  e a associa\u00e7\u00e3o 4 ACG (Anciens Appel\u00e9s en Alg\u00e9rie et leurs Ami(e)s Contre la Guerre em parceria com a AEP61-74 &#8211; Associa\u00e7\u00e3o de Exilados Pol\u00edticos Portugueses  programaram uma realiza\u00e7\u00e3o em Grenoble para reviver os tra\u00e7os memoriais dos movimentos de resist\u00eancia e seu papel hist\u00f3rico. O evento previa a realiza\u00e7\u00e3o de uma exposi\u00e7\u00e3o baseada em fontes documentais e publica\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis sobre o tema, a exibi\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos e de filmes contendo depoimentos de atores ainda vivos e ainda uma confer\u00eancia com a participa\u00e7\u00e3o de historiadores especializados.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Fot\u00f3grafo dos trabalhadores<\/h4>\n\n\n\n<p>Georges Azenstarck trabalhava para o jornal L&#8217;Humanit\u00e9 entre 1956 e 1968, morreu recentemente aos 85 anos, em Marselha. O nome dele era menos conhecido que Robert Doisneau ou Willy Ronis, de quem era pr\u00f3ximo. Embora fosse rep\u00f3rter fotogr\u00e1fico as suas imagens circulavam pouco e n\u00e3o se encontram nos grandes bancos de imagens assinados pela media para ilustrar as reportagens. Mais do lado dos pobres e das oficinas da f\u00e1brica, fotografou tamb\u00e9m os trabalhadores em maio de 68. Colaborava com a imprensa sindical, e em particular um jornal como La Vie Ouvri\u00e8re.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"415\" height=\"425\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ALG2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2127\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ALG2.png 415w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ALG2-293x300.png 293w\" sizes=\"(max-width: 415px) 100vw, 415px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><br>Como rep\u00f3rter, tamb\u00e9m documentou o que pode ser considerado como um grande buraco negro na hist\u00f3ria da Fran\u00e7a: o 17 de outubro de 1961. O seu trabalho naquela noite nas ruas de Paris foi decisivo para que hoje se conhe\u00e7a aquele tr\u00e1gico epis\u00f3dio. As suas fotos tiradas enquanto que um cord\u00e3o humano de argelinos protestava contra recolher obrigat\u00f3rio \u00e0s 20h que o prefeito Maurice Papon acabara de lhes impor doze dias antes, ajudaram a construir a mem\u00f3ria dos acontecimentos. Em 1961, as instala\u00e7\u00f5es do L&#8217;Humanit\u00e9 ainda davam para os Grands Boulevards em Paris. A partir das varandas do jornal do terceiro andar, naquela noite,  foi poss\u00edvel ter uma vis\u00e3o panor\u00e2mica da repress\u00e3o que ca\u00eda sobre a marcha dos argelinos, sobre as mulheres e crian\u00e7as que foram afastadas enquanto que os homens continuam a marchar e eram baleados. Naquela noite v\u00e1rias dezenas de argelinos foram lan\u00e7ados ao Sena.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"823\" height=\"547\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ALG1-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2129\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ALG1-1.png 823w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ALG1-1-300x199.png 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ALG1-1-768x510.png 768w\" sizes=\"(max-width: 823px) 100vw, 823px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O Le Figaro anunciou 2 mortes na primeira p\u00e1gina de seu 18 de outubro de 1961. O n\u00famero oficial subiu para tr\u00eas mortes e muitos anos mais mais tarde, do lado da Frente Nacional, continu\u00e1mos a ouvir que teriam sido sete argelinos ao todo a perder a vida -e que se suicidaram.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Como sacos de batatas<\/h4>\n\n\n\n<p>Quando Fran\u00e7ois Hollande reconheceu a responsabilidade da Rep\u00fablica naquele massacre, cinquenta e um anos ap\u00f3s os acontecimentos, os historiadores concordaram que a repress\u00e3o sangrenta causou pelo menos mais de duzentas mortes.<\/p>\n\n\n\n<p>Num v\u00eddeo, um outro fot\u00f3grafo descreveu a noite passada com o seu colega  no \u201cL&#8217;Huma\u201d, recorda os cad\u00e1veres que viu da varanda do jornal, que se amontoavam na rua, \u00e0 beira do Rex, \u201ccomo sacos de batata \u201d. Descreveu  ainda os argelinos que foram arrastados pela gola pela pol\u00edcia, vivos ou mortos para os carros da for\u00e7a policial. O tiroteio era silencioso, Azenstarck desceu \u00e0 rua e tentou fotografar um policia que, de balde de \u00e1gua na m\u00e3o, tenta em v\u00e3o limpar o sangue na cal\u00e7ada. Acabou por ser impedido de o fazer, naquele caso concreto.  <\/p>\n\n\n\n<p>Este cap\u00edtulo da Guerra da Arg\u00e9lia, o massacre de argelinos em Paris, ainda n\u00e3o tem p\u00e1ginas na Hist\u00f3ria com a dimens\u00e3o proporcional \u00e0 gravidade dos acontecimentos. Mas teremos que admitir que isso acabar\u00e1 por acontecer.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte France Culture | <em>\u00a0Cr\u00e9dits :\u00a0Gamma Keystone\u00a0&#8211;\u00a0Getty<\/em> | Foto de Georges Azenstarck <em>Cr\u00e9dits :\u00a0Pierre Trovel via Archives d\u00e9partementales de Seine-Saint-Denis<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SEM FRONTEIRAS | 18 de outubro 2020 | ARG\u00c9LIA | O fotojornalista Georges Azenstarck que&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2128,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[79,80],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ALG3.png",807,546,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ALG3-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ALG3-300x203.png",300,203,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ALG3-768x520.png",640,433,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ALG3.png",640,433,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ALG3.png",807,546,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ALG3.png",807,546,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ALG3.png",807,546,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ALG3.png",739,500,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ALG3.png",807,546,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ALG3.png",503,340,false],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ALG3.png",370,250,false]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/memorias-vivas\/centro-documentacao\/\" rel=\"category tag\">CENTRO DOCUMENTA\u00c7\u00c3O<\/a>","tag_info":"CENTRO DOCUMENTA\u00c7\u00c3O","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2123"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2123"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2123\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2130,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2123\/revisions\/2130"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2128"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2123"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2123"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2123"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}