{"id":2316,"date":"2020-11-15T11:18:27","date_gmt":"2020-11-15T11:18:27","guid":{"rendered":"http:\/\/aep61-74.org\/?p=2316"},"modified":"2021-01-07T23:04:57","modified_gmt":"2021-01-07T23:04:57","slug":"acolhimento-holanda-o-cacaroleiro-do-hilton","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2020\/11\/15\/acolhimento-holanda-o-cacaroleiro-do-hilton\/","title":{"rendered":"ACOLHIMENTO | Holanda, o ca\u00e7aroleiro do Hilton"},"content":{"rendered":"\n<p><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\">SEM FRONTEIRAS<\/span> | 14  de novembro de 2020 | ACOLHIMENTO | Holanda<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Ir \u00e0 descoberta dos processos e dos meios de acolhimento de exilados, desertores, refract\u00e1rios e imigrantes na Holanda, nos anos 60-70 do s\u00e9culo passado, guiados pela m\u00e3o do Carlos Neves que nos leva at\u00e9 Amsterd\u00e3o, para o bem e para o mal, vale a pena segui-lo porque o p\u00e9riplo termina em Santa Apol\u00f3nia.<\/h4>\n\n\n\n<p>por Carlos Neves*<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O sonho holand\u00eas<\/h4>\n\n\n\n<p>A informa\u00e7\u00e3o que tinha era de amigos que trabalhavam na TAP, viajavam com regularidade falavam-me da Holanda e diziam maravilhas. Bom sistema de sa\u00fade e de educa\u00e7\u00e3o, f\u00e1cil arranjar emprego, um bem-estar social consolidado e uma sociedade mais humana. Nas ruas holandesas grandes manifesta\u00e7\u00f5es sobre os mais variados interesses. Uma liberdade  que um jovem, que n\u00e3o a tinha no seu pa\u00eds, sonhava.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sa\u00ed de Portugal a salto, fui de avi\u00e3o. Ao meu lado um jovem holand\u00eas tentou falar comigo em ingl\u00eas e franc\u00eas, mas eu n\u00e3o sabia l\u00ednguas. O holand\u00eas tinha estado em Portugal durante 3 meses e conhecia o suficiente da l\u00edngua portuguesa para mantermos uma conversa. Era um bom falante. Na conversa, disse-lhe inocentemente que estava a fugir da Guerra Colonial. Esta confiss\u00e3o salvou-me, foi gra\u00e7as ao meu amigo holand\u00eas que as portas da Holanda se abriram.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O holand\u00eas an\u00f3nimo<\/h4>\n\n\n\n<p>Cheg\u00e1mos ao aeroporto de Schiphol. Na mochila levava 1.200$00, valor muito insuficiente para entrar na Holanda . Ainda por cima eu s\u00f3 tinha bilhete de ida. N\u00e3o me carimbaram o passaporte. Sem falar l\u00ednguas senti-me perdido. Tentei explicar que o regresso seria de comboio. A pol\u00edcia estava inflex\u00edvel. O amigo holand\u00eas veio em meu socorro. Dos seus quase 2 metros,   abriu o vozeir\u00e3o e disparou para os meus interlocutores v\u00e1rias afirma\u00e7\u00f5es categ\u00f3ricas. Mais tarde, ele traduziu-me o que lhas disse. Nunca soube o seu nome<\/p>\n\n\n\n<p>O meu salvador nesta situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica declarou \u00e0 pol\u00edcia do aeroporto que estava a regressar de um pa\u00eds fascista onde nunca lhe levantaram problemas e que sempre andou livremente pelo pa\u00eds. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\">Adiantou, entre outras coisas,  que n\u00e3o percebia que na Holanda, um baluarte das liberdades e da social-democracia,  tivesse barreiras piores que o fascismo. <\/span><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Sei que a conversa foi longa. Por fim, ele assinou um papel no qual declarava   responsabilizar-se por mim. Entr\u00e1mos os dois na Holanda. Pedi-lhe a morada. Era de Roterd\u00e3o. Procurei-o mas nunca o encontrei.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A propaganda do Rui Alberto<\/h4>\n\n\n\n<p>Foi assim que entrei na Holanda. Inexperiente, sem saber l\u00ednguas e quase sem dinheiro.  Era filho \u00fanico e tinha beneficiado de todos os cuidados da m\u00e3e. Tinha um saco e uma mochila e verti algumas l\u00e1grimas. Foi uma tropa sem farda e sem armas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Amesterd\u00e3o a primeira noite passei-a num albergue. No dia seguinte fui \u00e0 \u00fanica morada que levava de Lisboa onde uma fam\u00edlia acolheu-me duas semanas. Conheci o Sr. Pereira, velho militante do PCP que por sua vez me apresentou ao Rui Alberto o seu l\u00edder local. Na casa do Rui Alberto vivi mais duas ou tr\u00eas semanas. Enchi-me de propaganda da URSS.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><\/h2>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O esquema da Van Tiel<\/h4>\n\n\n\n<p>Na f\u00e1brica onde o Sr. Pereira trabalhava consegui um emprego. Tratava-se  da f\u00e1brica de tecidos Van Tiel. Foram 2 meses de trabalho mas logo a seguir surgiu o despedimento. O esquema da empresa assentava num per\u00edodo \u00e0  experi\u00eancia de dois meses com o trabalhador contratado a ganhar metade do sal\u00e1rio e a ser despedido para entrarem outros, tamb\u00e9m \u00e0 experi\u00eancia. Para manter a apar\u00eancia a fabrica tinha \u00bc de efectivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto j\u00e1 frequentava o ponto de encontro dos portugueses, Associa\u00e7\u00e3o Resist\u00eancia e Trabalho. Come\u00e7o a conhecer gente nova, muitos emigrantes e alguns como eu, exilados. Conheci o Rui Mota e abriram-se outros caminhos.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Vida de esfregona<\/h4>\n\n\n\n<p>Tinha urg\u00eancia em resolver os problemas da habita\u00e7\u00e3o e do trabalho, integrar a sociedade e aproximar-me das institui\u00e7\u00f5es. Mas as ilus\u00f5es deste pa\u00eds maravilha, do sonho holand\u00eas iam caindo. Depois de ter autoriza\u00e7\u00e3o de perman\u00eancia no pa\u00eds passada pela Pol\u00edcia de Estrangeiros, fui ao <em>Arbeidsbureau<\/em> (Centro de Emprego). <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\">Vaidoso com o meu diploma de um Curso T\u00e9cnico de Serralheiro Mec\u00e2nico estava convencido que um emprego nesta \u00e1rea estava garantido.<\/span><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p> Tanta ingenuidade e ilus\u00e3o. Arranjaram-me emprego nas limpezas, uma esfregona e um balde a come\u00e7ar \u00e0s 5h da manh\u00e3 at\u00e9 \u00e0s 8h ou 9h. Companhias de seguros, bancos, empresas, todas eram passadas \u00e0 esfregona. Estes eram os empregos para estrangeiros. N\u00e3o era esta a social-democracia que eu ouvia falar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 hora a que terminava o trabalho nada acontecia, o frio da manh\u00e3 era duro, algumas vezes refugiava-me nas igrejas que estavam aquecidas, lia e dormitava, \u00e0 espera da tarde para me juntar \u00e0 malta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><\/h2>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Engraxador e bagageiro<\/h4>\n\n\n\n<p>Onde trabalhei mais tempo foi como <em>Gevelreiniging<\/em> (limpar com jatos de \u00e1gua \u00e0 press\u00e3o as fachadas dos pr\u00e9dios). As paredes dos  edif\u00edcios s\u00e3o em tijolos que ficam escuros com o tempo e com a polui\u00e7\u00e3o. Passei mais de um ano em cima de andaimes, vestido com grossos imperme\u00e1veis e botas de borracha, a esfregar com \u00e1cido e depois com \u00e1gua \u00e0 press\u00e3o para deixar as tijoleiras dos pr\u00e9dios mais limpas. Em Amsterd\u00e3o todas as casas s\u00e3o de tijoleiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o meu \u00faltimo emprego foi no Hotel Hilton, fui engraxador e bagageiro em hor\u00e1rio nocturno. Al\u00e9m de transportar bagagens tamb\u00e9m engraxava os sapatos dos clientes. Depois fui para a limpeza da cozinha e passei a ca\u00e7aroleiro. Hor\u00e1rio diurno, muito melhor. Panelas, cobres e ca\u00e7arolas, tinha uma arte para os deixar a brilhar.<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7ava a trabalhar \u00e0s 7h da manh\u00e3 e ouvia sempre as not\u00edcias em Franc\u00eas vindas da B\u00e9lgica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery alignwide columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"721\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/arquivo-1-1024x721.jpg\" alt=\"\" data-id=\"2319\" data-full-url=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/arquivo-1.jpg\" data-link=\"http:\/\/aep61-74.org\/?attachment_id=2319\" class=\"wp-image-2319\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/arquivo-1-1024x721.jpg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/arquivo-1-300x211.jpg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/arquivo-1-768x541.jpg 768w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/arquivo-1.jpg 1150w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"985\" height=\"725\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/arquivo-2.jpg\" alt=\"\" data-id=\"2320\" data-full-url=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/arquivo-2.jpg\" data-link=\"http:\/\/aep61-74.org\/?attachment_id=2320\" class=\"wp-image-2320\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/arquivo-2.jpg 985w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/arquivo-2-300x221.jpg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/arquivo-2-768x565.jpg 768w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/arquivo-2-80x60.jpg 80w\" sizes=\"(max-width: 985px) 100vw, 985px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O Bureau do Blanke<\/h4>\n\n\n\n<p>Quando cheguei, em setembro de 1971, existiam organiza\u00e7\u00f5es que nos apoiavam. O Angola Comit\u00e9 apoiava a luta dos movimentos MPLA, FRELIMO e PAIGC em a\u00e7\u00f5es na den\u00fancia da Guerra Colonial. Desenvolvia uma grande a\u00e7\u00e3o no boicote aos produtos vinham das col\u00f3nias, em especial o Caf\u00e9 de Angola. Recebia e apoiava desertores e refract\u00e1rios, que chegavam para o ex\u00edlio, na defesa dos seus direitos na sociedade holandesa. Ajudava na procura de alojamento e trabalho, apoio legal, idas \u00e0 pol\u00edcia de estrangeiros e apoios sociais.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\">Nunca conseguimos o estatuto de exilados pol\u00edticos, mas sim autoriza\u00e7\u00e3o de perman\u00eancia ao abrigo de raz\u00f5es humanit\u00e1rias.<\/span><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m conhecido como o <em><strong>Bureau do Blanke <\/strong><\/em>(nome do funcion\u00e1rio), a Amnistia Internacional e outras organiza\u00e7\u00f5es criaram um gabinete que dava grande apoio na legaliza\u00e7\u00e3o dos refugiados que chegavam. Apoio jur\u00eddico com a documenta\u00e7\u00e3o enviada \u00e0 pol\u00edcia a justificar o pedido de perman\u00eancia e apoiava com algum dinheiro at\u00e9 se conseguir trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Comit\u00e9 de desertores<\/h4>\n\n\n\n<p>Mas havia a necessidade de criar uma estrutura espec\u00edfica para a defesa dos desertores e refract\u00e1rios da Guerra Colonial. Foi ent\u00e3o criado o <strong>Comit\u00e9 de Refugiados Portugueses na Holanda<\/strong>, o nosso Comit\u00e9 de Desertores com o boletim \u201cDESER\u00c7\u00c3O\u201d.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\">Aconteceu em 1972, tendo sido um primeiro grande apoio na Holanda para outros, como eu, que fugiam \u00e0 guerra. Outros Comit\u00e9s j\u00e1 existiam na Su\u00e9cia, Dinamarca, B\u00e9lgica e Fran\u00e7a.<\/span><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O Comit\u00e9 de Desertores passou a ser um ponto de encontro, de debates, de visionamento de filmes, de conv\u00edvios e de jantares. Foram organizadas v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es, coordenadas com organiza\u00e7\u00f5es holandesas, de den\u00fancia da Guerra Colonial, sobre o assassinato de Am\u00edlcar Cabral e sobre os boicotes \u00e0s empresas que comercializavam produtos das col\u00f3nias. Quando equipas de futebol portuguesas jogavam e o jogo era transmitido para Portugal, faz\u00edamos grandes cartazes que tent\u00e1vamos colocar em pontos estrat\u00e9gicos para as c\u00e2maras apanharem e nossa mensagem e faz\u00ea-la chegar a Portugal. Todas as oportunidades eram espa\u00e7o para fazer den\u00fancia da Guerra Colonial e do fascismo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery alignwide columns-2 is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"740\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Holanda-4-740x1024.jpg\" alt=\"\" data-id=\"2317\" data-full-url=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Holanda-4.jpg\" data-link=\"http:\/\/aep61-74.org\/?attachment_id=2317\" class=\"wp-image-2317\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Holanda-4-740x1024.jpg 740w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Holanda-4-217x300.jpg 217w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Holanda-4-768x1063.jpg 768w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Holanda-4-1110x1536.jpg 1110w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Holanda-4.jpg 1198w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"664\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Holanda-2-664x1024.jpg\" alt=\"\" data-id=\"2318\" data-full-url=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Holanda-2.jpg\" data-link=\"http:\/\/aep61-74.org\/?attachment_id=2318\" class=\"wp-image-2318\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Holanda-2-664x1024.jpg 664w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Holanda-2-195x300.jpg 195w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Holanda-2-768x1184.jpg 768w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Holanda-2-996x1536.jpg 996w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Holanda-2.jpg 1232w\" sizes=\"(max-width: 664px) 100vw, 664px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p>Em 1974, com outros refrat\u00e1rios fal\u00e1vamos em vir para Portugal, fazer o servi\u00e7o militar e no momento do embarque para a Guerra Colonial, desertar e tentar faz\u00ea-lo com outros soldados. Era assim a nossa luta contra a Guerra e o fascismo: Agitar, Mobilizar e Desertar.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">R\u00e1dio belga em Abril<\/h4>\n\n\n\n<p>Por ser em franc\u00eas ouvia sempre a r\u00e1dio belga quando me preparava para ir trabalhar.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 25 de Abril de 1974, passava das 6h da manh\u00e3, ouvi, <em>coup d&#8217;\u00e9tat au Portugal<\/em>. Pareceu-me imposs\u00edvel. Mil d\u00favidas, outros tantos sorrisos. Quando cheguei ao hotel, j\u00e1 com os outros portugueses,  questionei o que tinha ouvido. Ningu\u00e9m sabia de nada. Fiquei ansioso para que o dia de trabalho terminasse e chegar ao Comit\u00e9 para saber o que se passava.<\/p>\n\n\n\n<p>As primeiras imagens que vimos suscitaram grandes d\u00favidas. Ach\u00e1vamos que tinha sido um golpe de direita. Aqueles militares, alguns conhecidos por serem fascistas, com \u00f3culos escuros a recordarem-nos as Juntas Militares da Am\u00e9rica Latina. Tamb\u00e9m afirmavam que eram uma Junta. Bem, a coisa n\u00e3o podia ser boa. Sab\u00edamos dos movimentos de militares ultraconservadores contra Marcelo Caetano por este ser muito liberal e as tentativas de Ka\u00falza e de Sp\u00ednola quererem fazer uma guerra mais <em>limpa <\/em>com uma intensa t\u00e1tica de exterm\u00ednio. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\">Ver Sp\u00ednola naquela Junta s\u00f3 podia ser mais fascismo. Longe de mim pensar que o golpe tinha o sinal contr\u00e1rio. <\/span><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>\u00c0 medida que fomos conhecendo a evolu\u00e7\u00e3o da revolta sentimos que o nosso regresso a Portugal estava iminente. O povo estava na rua, os apelos da Junta Salva\u00e7\u00e3o Nacional foram rapidamente ultrapassados.<\/p>\n\n\n\n<p>Felizmente estava errado e em Junho de 1974 cheguei a Santa Apol\u00f3nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi o fim do ex\u00edlio.<\/p>\n\n\n\n<p>Carlos Neves<\/p>\n\n\n\n<p>Ex-exilado na Holanda. Vice-Presidente da AEP61-74 &#8211; Associa\u00e7\u00e3o de Exilados Pol\u00edticos Portugueses<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SEM FRONTEIRAS | 14 de novembro de 2020 | ACOLHIMENTO | Holanda Ir \u00e0 descoberta&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2321,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[87,105,106],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Holanda-1.jpg",1388,936,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Holanda-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Holanda-1-300x202.jpg",300,202,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Holanda-1-768x518.jpg",640,432,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Holanda-1-1024x691.jpg",640,432,true],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Holanda-1.jpg",1388,936,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Holanda-1.jpg",1388,936,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Holanda-1.jpg",1060,715,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Holanda-1.jpg",741,500,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Holanda-1.jpg",1024,691,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Holanda-1.jpg",504,340,false],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Holanda-1.jpg",371,250,false]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/uncategorized\/\" rel=\"category tag\">Uncategorized<\/a>","tag_info":"Uncategorized","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2316"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2316"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2316\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2323,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2316\/revisions\/2323"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2321"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2316"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2316"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2316"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}