{"id":2372,"date":"2020-11-25T16:31:31","date_gmt":"2020-11-25T16:31:31","guid":{"rendered":"http:\/\/aep61-74.org\/?p=2372"},"modified":"2021-02-05T12:15:04","modified_gmt":"2021-02-05T12:15:04","slug":"historia-com-h-participacao-civica-e-politica-nunca-mais-me-abandonou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2020\/11\/25\/historia-com-h-participacao-civica-e-politica-nunca-mais-me-abandonou\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria com H |Participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica e pol\u00edtica, nunca mais me abandonou"},"content":{"rendered":"\n<p><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\"><strong>SEM FRONTEIRAS<\/strong><\/span> | 25 de novembro de 2020 | Hist\u00f3rias com H grande| Eduardo Gra\u00e7a<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">H\u00e1 epis\u00f3dios que marcam toda uma gera\u00e7\u00e3o. S\u00e3o contextos que aparentam ser meramente conjunturais e ocasionais, mas a sua carga pol\u00edtica, econ\u00f3mica, social, cultural inverte o discreto caminho da Hist\u00f3ria, acelerando v\u00e1rios fatores cr\u00edticos em presen\u00e7a. <\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 bem o efeito da borboleta do Edward Lorenz mas podemos certamente atribuir \u00e0s cheias de 1967 um atributo de acelerador, nem que tenha sido, s\u00f3 das consci\u00eancias. Eduardo Gra\u00e7a relata-nos aqui a sua experi\u00eancia daquele domingo inesquec\u00edvel de novembro.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\"><strong>As tr\u00e1gicas cheias de 25\/26 novembro 1967<\/strong><\/span><\/h4>\n\n\n\n<p>por <strong>Eduardo Gra\u00e7a<\/strong>*<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 25 de novembro de 1967, era s\u00e1bado, lembro-me de sair, era j\u00e1 tarde\/noite, do ISCEF, pouco mais de um ano ap\u00f3s ter iniciado os estudos naquela escola. Teria ido, certamente, participar numa reuni\u00e3o ou, mais prosaicamente, jantar na cantina da Associa\u00e7\u00e3o de Estudantes. Ao sair devo ter feito o caminho de casa, um quarto alugado, ao cimo da Cal\u00e7ada da Estrela. (hoje, passados tantos anos, este percurso e sua envolvente, est\u00e1, praticamente, igual). Chovia muito, mas n\u00e3o estranhei porque \u00e9 normal chover nesta \u00e9poca do ano. N\u00e3o levava qualquer resguardo para a chuva, que nem me pareceu excessiva, e caminhei colado \u00e0s paredes at\u00e9 chegar ao destino. A minha perce\u00e7\u00e3o da chuva que ca\u00eda naquela hora n\u00e3o me permitiu sequer imaginar as consequ\u00eancias que haveria de provocar. Chovia, simplesmente. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\">No T\u00e9cnico<\/span><\/h4>\n\n\n\n<p>Na manh\u00e3 do dia seguinte, domingo, devo ter feito o caminho oposto, corriam as not\u00edcias de inunda\u00e7\u00f5es em diversos s\u00edtios de Lisboa e arredores, e devo ter-me dirigido ao T\u00e9cnico para me juntar \u00e0 gigantesca mobiliza\u00e7\u00e3o estudantil que se organizou para avan\u00e7ar para as zonas mais atingidas em socorro das vitimas e no apoio \u00e0 repara\u00e7\u00e3o dos estragos. O quartel general, que me lembre, havia sido montado no T\u00e9cnico e deve ter sido a primeira vez que, \u00e0 margem dos poderes instalados, com autonomia e mobilizando recursos pr\u00f3prios, se promoveu uma a\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria juvenil de grande envergadura \u00e0 margem da pol\u00edtica oficial do regime. Foi um processo organizado que enquadrou a vontade espont\u00e2nea de uma multid\u00e3o de jovens estudantes \u00e1vidos de participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica e pol\u00edtica. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\">Alhandra<\/span><\/h4>\n\n\n\n<p>Fui numa brigada para Alhandra munidos de meios rudimentares e lembro-mo com nitidez de nos afadigarmos a limpar ruas no meio da maior destrui\u00e7\u00e3o que se possa imaginar. Retenho na mem\u00f3ria o ambiente de caos e de tens\u00e3o pois, afinal, est\u00e1vamos a participar numa a\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria n\u00e3o autorizada que, naquela \u00e9poca, comportava riscos pessoais. N\u00e3o havia medo, mas necessidade, e vontade de a\u00e7\u00e3o.Os meios para o socorro eram escassos, mas o que contava, de verdade, era participar, prestar solidariedade, ver com os pr\u00f3prios olhos in loco o que, de s\u00fabito, nos surgiu como uma calamidade de enormes propor\u00e7\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"403\" height=\"634\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/life.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2375\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/life.png 403w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/life-191x300.png 191w\" sizes=\"(max-width: 403px) 100vw, 403px\" \/><figcaption>Cheias de 1967 &#8211; foto \u00a9 LIFE<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><\/h2>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\">Uma for\u00e7a coletiva, sem medo<\/span><\/h4>\n\n\n\n<p>Uma p\u00e1 na lama, os destro\u00e7os, uma palavra de conforto e incentivo, uma for\u00e7a coletiva que enfrentava sem medo a situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica de popula\u00e7\u00f5es desprotegidas e, afinal, um regime decadente acobertado na ignor\u00e2ncia, na censura e na repress\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>No que me respeita ficou uma experi\u00eancia sem dissabores. N\u00e3o poderia imaginar que est\u00e1vamos nas v\u00e9speras da queda de Salazar e da emerg\u00eancia, em 27 de setembro de 1968, do governo de Marcelo Caetano, menos de um ano depois daquelas tr\u00e1gicas inunda\u00e7\u00f5es. Afinal aquela gigantesca a\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria havia de contribuir, de forma relevante, para o in\u00edcio do processo politico que desembocou no 25 de abril de 1974. <\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o foi a minha primeira participa\u00e7\u00e3o num movimento c\u00edvico, com voca\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, (havia participado antes nas \u201celei\u00e7\u00f5es\u201d de 1965) mas foi a a\u00e7\u00e3o mais impressiva e intensa que jamais esqueci e que muito contribuiu para configurar uma vontade de participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica e pol\u00edtica que nunca mais me abandonou.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-thumbnail\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/egrac\u0327apic-150x150.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2373\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Eduardo Gra\u00e7a nasceu em Faro. Licenciado em Organiza\u00e7\u00e3o e Gest\u00e3o de Empresas pelo ISCEF\/Lisboa. Fundador e dirigente do MES. Desde Fevereiro de 2010 presidente da dire\u00e7\u00e3o Cooperativa Ant\u00f3nio S\u00e9rgio para a Economia Social (CASES).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SEM FRONTEIRAS | 25 de novembro de 2020 | Hist\u00f3rias com H grande| Eduardo Gra\u00e7a&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2374,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[118],"tags":[116,117],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/cheias67.png",394,312,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/cheias67-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/cheias67-300x238.png",300,238,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/cheias67.png",394,312,false],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/cheias67.png",394,312,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/cheias67.png",394,312,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/cheias67.png",394,312,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/cheias67.png",394,312,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/cheias67.png",394,312,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/cheias67.png",394,312,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/cheias67.png",394,312,false],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/cheias67.png",316,250,false]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/memorias-vivas\/historia-com-h-grande\/\" rel=\"category tag\">HIST\u00d3RIA-H<\/a>","tag_info":"HIST\u00d3RIA-H","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2372"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2372"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2372\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2379,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2372\/revisions\/2379"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2374"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2372"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2372"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2372"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}