{"id":2432,"date":"2020-12-08T01:09:17","date_gmt":"2020-12-08T01:09:17","guid":{"rendered":"http:\/\/aep61-74.org\/?p=2432"},"modified":"2021-02-07T12:10:39","modified_gmt":"2021-02-07T12:10:39","slug":"tribuna-jrs-revisionista-do-nazizmo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2020\/12\/08\/tribuna-jrs-revisionista-do-nazizmo\/","title":{"rendered":"Tribuna SF |  JRS, revisionista do nazizmo"},"content":{"rendered":"\n<p>SEM FRONTEIRAS | 8 de dezembro 2020 | Tribuna|Editado CR-SF T\u00edtulo e subt\u00edtulos<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">por <strong>Lu\u00edsa Semedo<\/strong>*<\/h4>\n\n\n\n<p>Sois todos uns invejosos do aprazimento do escritor e tirais conclus\u00f5es precipitadas a partir de uma frase de apar\u00eancia miser\u00e1vel tirada do contexto. <\/p>\n\n\n\n<p>Eu que n\u00e3o sou invejosa fui ver o contexto da entrevista da RTP a Jos\u00e9 Rodrigues dos Santos (ou J.R. dos Santos, Dallas style, como \u00e9 conhecido em Fran\u00e7a) e afinal a frase \u00e9 mesmo miser\u00e1vel porque o contexto tamb\u00e9m o \u00e9. Ao ver enfim essa e outras entrevistas lembrei-me do efeito Dunning-Kruger, da discrep\u00e2ncia entre o n\u00edvel de autoconfian\u00e7a no seu saber sobre um dado assunto no in\u00edcio da aprendizagem e o verdadeiro n\u00edvel de conhecimento. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"584\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/curvaefeito-1024x584.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2433\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/curvaefeito-1024x584.png 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/curvaefeito-300x171.png 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/curvaefeito-768x438.png 768w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/curvaefeito.png 1186w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size\"><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\">Os segredos de JRS<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>JRS parece ter lido umas coisas durante uns meses sobre a mat\u00e9ria e ter atingido o pin\u00e1culo do \u201cmonte da estupidez\u201d, acreditando piamente saber mais do que investigadora.e.s que a esse tema dedicaram a vida (historiadora.e.s especialistas que n\u00e3o est\u00e3o a par, n\u00e3o sabem dos segredos a que s\u00f3 ele teve acesso, ou que tiveram acesso, mas n\u00e3o ousam como o destemido autor dizer as verdades). Mas que n\u00e3o se goze muito com o valente porque ningu\u00e9m est\u00e1 imune a esse efeito, apesar de existirem terrenos favor\u00e1veis. <\/p>\n\n\n\n<p>Ora, \u00e9 verdade que podemos debater at\u00e9 que ponto um autor pode adulterar a verdade, at\u00e9 onde pode ir a sua liberdade art\u00edstica, sobretudo quando o que est\u00e1 em causa s\u00e3o eventos hist\u00f3ricos de uma tal atrocidade que a fic\u00e7\u00e3o nunca os poder\u00e1 superar, mas a quest\u00e3o \u00e9 que este autor faz da verdade uma ess\u00eancia do seu trabalho dizendo em entrevistas que \u201ca mim s\u00f3 me interessa a fic\u00e7\u00e3o enquanto instrumento para contar a verdade\u201d ou \u201c\u00e9 a verdade que faz a grandeza da literatura\u201d. E \u00e9 tamb\u00e9m por este tipo de declara\u00e7\u00f5es que JRS se \u201cp\u00f5e a jeito\u201d para recolher a reprova\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size\"><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\">A &#8220;piedade&#8221; dos nazis<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>Que os agentes que se ocupam da sua carreira internacional escondam estas entrevistas dos editores e jornalistas franceses, porque este tipo de revisionismo de J.R. dos Santos passaria aqui muito mal. Jean-Marie Le Pen foi mais de uma vez condenado em tribunal por dizer que as c\u00e2maras de g\u00e1s foram um detalhe da Hist\u00f3ria, para JRS s\u00e3o a prova de um sentimento de piedade dos nazis para com os Judeus, isto n\u00e3o tem nada a ver com a verdade, isto \u00e9 pura interpreta\u00e7\u00e3o\/inven\u00e7\u00e3o da sua parte. Uma vis\u00e3o extremamente problem\u00e1tica porque resulta num relativismo desculpabilizante. <\/p>\n\n\n\n<p>Nas mais variadas legisla\u00e7\u00f5es a n\u00e3o inten\u00e7\u00e3o de fazer o mal d\u00e1 azo a redu\u00e7\u00e3o de pena. Se como afirma JRS os nazis queriam fazer o bem e se at\u00e9 num impulso de humanidade passaram \u00e0s c\u00e2maras de g\u00e1s, proporcionando nos <em>entretantos<\/em> escolas para as crian\u00e7as e bordeis para os adultos nos campos de exterm\u00ednio, parecem merecer uma redu\u00e7\u00e3o de pena. Afinal n\u00e3o eram assim t\u00e3o maus. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/hrs.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2434\" width=\"310\" height=\"353\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/hrs.png 619w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/hrs-263x300.png 263w\" sizes=\"(max-width: 310px) 100vw, 310px\" \/><figcaption>JRS &#8211; Jos\u00e9 Rodrigues dos Santos<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size\"><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\">E&#8230;<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>A leviandade com que JRS trata este assunto \u00e9 de facto perturbante, mistura tudo, as cabe\u00e7as pensantes, os executantes, a popula\u00e7\u00e3o. Este tema \u00e9 altamente complexo e inspira mais questionamentos do que respostas categ\u00f3ricas, n\u00e3o basta convocar <em>vite-fait<\/em> a Arendt de forma deturpada, n\u00e3o basta dizer que n\u00e3o eram psicopatas e que aspiravam a um Bem superior, falta tanto. <\/p>\n\n\n\n<p>E a rela\u00e7\u00e3o \u00e0 autoridade? E Milgram? E Reich? E a inibi\u00e7\u00e3o da empatia que transforma pessoas banais em executantes pr\u00f3ximos da psicopatia? E as mesquinhezes? E as ambi\u00e7\u00f5es? E os ego\u00edsmos? E os medos? E as indiferen\u00e7as? <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size\"><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\">Preparar o terreno<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p>Enfim, o tema \u00e9 t\u00e3o vasto e complexo. Isto tudo poderia parecer aned\u00f3tico se n\u00e3o surgisse num momento em que a ressurrei\u00e7\u00e3o em for\u00e7a da extrema-direita no mundo e em Portugal n\u00e3o fosse t\u00e3o preocupante, em que o terrorismo da supremacia branca que se inspira desta ideologia constitui hoje uma das maiores amea\u00e7as para a seguran\u00e7a no mundo, em que \u201cintelectuais\u201d com exposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica sentem-se cada vez mais descomplexados para fazer limpezas hist\u00f3ricas e lavagens ideol\u00f3gicas convenientes preparando o terreno para a aceita\u00e7\u00e3o do pior, em que aprendizes fascistas utilizam todas as artimanhas antigas e novas para chegar ao poder.<\/p>\n\n\n\n<p>JRS repete v\u00e1rias vezes a frase, que serve de ep\u00edgrafe a um dos seus livros, de Aleksandr Soljen\u00edtsin \u201c<em>Para fazer o mal a primeira coisa que \u00e9 necess\u00e1ria \u00e9 acreditar que se est\u00e1 a fazer o bem\u201d<\/em>. JRS pensar\u00e1 tamb\u00e9m estar a fazer bem, mas a relativiza\u00e7\u00e3o, o revisionismo do nazismo \u00e9 sempre mal e constitui n\u00e3o somente uma indignidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Mem\u00f3ria e \u00e0s viv\u00eancias de quem foi exterminado e de quem sobreviveu, mas tem ainda consequ\u00eancias na promo\u00e7\u00e3o do ressurgimento destas ideologias e das suas ramifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O &#8220;vale do desespero&#8221; \u00e9 caminhada longa&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"925\" height=\"932\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/luisa-seme.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2436\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/luisa-seme.png 925w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/luisa-seme-298x300.png 298w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/luisa-seme-150x150.png 150w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/luisa-seme-768x774.png 768w\" sizes=\"(max-width: 925px) 100vw, 925px\" \/><figcaption>Lu\u00edsa Semedo<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>*<em>Lu\u00edsa Semedo, professora na  <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/universite.clermont.auvergne\/\">Universit\u00e9 Clermont Auvergne<\/a> | Fotos \u00a9 Luisa Semedo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SEM FRONTEIRAS | 8 de dezembro 2020 | Tribuna|Editado CR-SF T\u00edtulo e subt\u00edtulos por Lu\u00edsa&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2435,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[121],"tags":[127,126,150],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/luisa-semedo.png",931,464,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/luisa-semedo-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/luisa-semedo-300x150.png",300,150,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/luisa-semedo-768x383.png",640,319,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/luisa-semedo.png",640,319,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/luisa-semedo.png",931,464,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/luisa-semedo.png",931,464,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/luisa-semedo.png",931,464,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/luisa-semedo.png",800,399,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/luisa-semedo.png",931,464,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/luisa-semedo.png",540,269,false],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/luisa-semedo.png",400,199,false]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/causas\/tribuna\/\" rel=\"category tag\">TRIBUNA<\/a>","tag_info":"TRIBUNA","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2432"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2432"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2432\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2438,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2432\/revisions\/2438"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2435"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2432"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2432"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2432"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}