{"id":2483,"date":"2020-12-14T21:50:20","date_gmt":"2020-12-14T21:50:20","guid":{"rendered":"http:\/\/aep61-74.org\/?p=2483"},"modified":"2021-02-25T19:45:41","modified_gmt":"2021-02-25T19:45:41","slug":"tribuna-como-se-banaliza-o-holocausto-shoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2020\/12\/14\/tribuna-como-se-banaliza-o-holocausto-shoa\/","title":{"rendered":"TRIBUNA |Como se banaliza o Holocausto (Sho\u00e1)"},"content":{"rendered":"\n<p><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\">SEM FRONTEIRAS<\/span> | 14 de dezembro 2020 | Tribuna | Irene Pimentel<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Transcrevemos o mais recente artigo de Irene Pimentel no jornal P\u00fablico sobre o Holocausto (Sho\u00e1). N\u00e3o queremos ser redundantes mas admitimos proporcionar a sua leitura a quem n\u00e3o teve oportunidade de o consultar no seu espa\u00e7o original como um refor\u00e7o de informa\u00e7\u00e3o e de esclarecimento sobre um tema de import\u00e2ncia maior. Julgamos mesmo que a redund\u00e2ncia neste tipo de mat\u00e9ria \u00e9 bem-vinda e at\u00e9 aconselhada, trata-se de descuido editorial totalmente tolerado.<\/p>\n\n\n\n<p>por <strong>Irene Flusner Pimentel<\/strong>, historiadora<\/p>\n\n\n\n<p>\u00ab<em>A certa altura, h\u00e1 algu\u00e9m que diz: &#8211; Eh, p\u00e1, est\u00e3o nos guetos, est\u00e3o a morrer de fome, n\u00e3o podemos aliment\u00e1-los. Se \u00e9 para morrer, mais vale morrer de uma forma mais humana. E porque n\u00e3o com g\u00e1s<\/em>?\u00bb (Jos\u00e9 Rodrigues dos Santos, entrevista \u00e0 RTP, 18\/11\/2020)<\/p>\n\n\n\n<p>Esta frase, que tem levantado objec\u00e7\u00f5es \u2013 por boas raz\u00f5es \u2013, pois induz num tremendo erro, parece ter origem numa interpreta\u00e7\u00e3o errada do autor de leituras certamente realizadas sobre o Holocausto (ou a Sho\u00e1). Trata-se de um dos temas mais estudados pela historiografia, lembrado em mem\u00f3rias e testemunhos, bem como representado no cinema e na literatura.<\/p>\n\n\n\n<p>Ora, na muito abundante historiografia sobre a Sho\u00e1, tende-se a considerar que a chamada \u00absolu\u00e7\u00e3o final do problema judaico\u00bb (termo dos pr\u00f3prios nazis) procedeu por etapas, num processo em espiral de radicaliza\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia impar\u00e1vel. Numa primeira etapa, entre 1933 e Setembro de 1939, o regime nazi isolou os judeus, definiu-os racialmente, proibiu-lhes o exerc\u00edcio de certas profiss\u00f5es, \u201carianizou\u201d a sua propriedade e expulsou-os dos territ\u00f3rios alem\u00e3es. Depois, consoante o local e provavelmente devido a decis\u00f5es dos escal\u00f5es interm\u00e9dios nazis, a partir do in\u00edcio da II Guerra Mundial, em regra, o processo que levou ao Holocausto passou por diversas fases: expuls\u00e3o e primeira deporta\u00e7\u00e3o, guetiza\u00e7\u00e3o e trabalhos for\u00e7ados, deporta\u00e7\u00e3o final e genoc\u00eddio.<\/p>\n\n\n\n<p>Como exemplo da pol\u00edtica de expuls\u00e3o, refira-se, ap\u00f3s a anexa\u00e7\u00e3o formal ao Reich da Als\u00e1cia e a Lorena, a de 24.000 judeus franceses para a futura \u00abzona livre\u00bb de Vichy, \u00e0s m\u00e3os de Eichmann. Este \u00faltimo planificara tamb\u00e9m, em Setembro de 1939, o plano Nisko, de cria\u00e7\u00e3o de uma \u00abreserva\u00bb judaica perto de Lublin, para a qual foram deportados 100.000 judeus, at\u00e9 ao final desse ano. Essa opera\u00e7\u00e3o fracassou, tal como aconteceria ao plano territorial de Madagascar, abandonado tamb\u00e9m na primavera de 1941.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00absolu\u00e7\u00e3o final\u00bb estava pronta para ser transformada em realidade genocid\u00e1ria, atrav\u00e9s de uma primeira \u00abreinstala\u00e7\u00e3o\u00bb (deporta\u00e7\u00e3o) e da \u00abguetiza\u00e7\u00e3o\u00bb, acompanhada de trabalhos for\u00e7ados para judeus. Enquanto para alguns respons\u00e1veis nazis o gueto judeu era um instrumento para liquidar judeus, para outros tratava-se de um meio de explora\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra escrava. No chamado Governo-Geral da Pol\u00f3nia, o Gauleiter Hans Frank ordenara, desde finais de 1939, a concentra\u00e7\u00e3o dos judeus num bairro da cidade \u2013 Vars\u00f3via ou Crac\u00f3via. Nesses guetos, teve lugar uma primeira \u201cselec\u00e7\u00e3o natural\u201d dos prisioneiros, ao morrerem muitos a fome, doen\u00e7a e exaust\u00e3o f\u00edsica, em especial as crian\u00e7as. Quanto aos judeus saud\u00e1veis, Frank utilizou-os como m\u00e3o-de-obra escrava, nos<em> Zwangarbeitslager f\u00fcr Juden<\/em> (ZAL), administrados pela SS.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Berlim, o marechal do Reich Hermann G\u00f6ring ordenou, ao SS Reinhard Heydrich, adjunto do chefe da SS e das pol\u00edcias alem\u00e3s, Heinrich Himmler, que, \u00abde acordo com instru\u00e7\u00f5es do <em>F\u00fchrer<\/em>\u00bb, procedesse aos preparativos \u00abconcretos para uma solu\u00e7\u00e3o geral do problema judaico na zona europeia de influ\u00eancia alem\u00e3\u00bb tanto no Ocidente como no Oriente. Em 2 de Maio de 1941, o mesmo G\u00f6ring anunciou um \u00abplano de fome\u00bb nos guetos, consistindo na sub-alimenta\u00e7\u00e3o de 20 a 30 milh\u00f5es de pessoas da popula\u00e7\u00e3o da URSS, dos quais 3,3 milh\u00f5es de prisioneiros de guerra sovi\u00e9ticos. Ou seja, a fome foi um instrumento da \u00absolu\u00e7\u00e3o final do problema judaico\u00bb (termo dos pr\u00f3prios nazis), provocada pelos nazis.<\/p>\n\n\n\n<p>Estava em prepara\u00e7\u00e3o a invas\u00e3o da URSS, ocorrida em 22 de Junho de 1941, que deu in\u00edcio a uma terceira fase da pol\u00edtica nazi. Os grupos m\u00f3veis (<em>Einsatzgruppe<\/em>n), presentes na Pol\u00f3nia e que seguiam as tropas da Wehrmacht na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica come\u00e7aram a matar, a c\u00e9u aberto (ou Holocausto por armas), resistentes e comiss\u00e1rios pol\u00edticos sovi\u00e9ticos, considerados comunistas e judeus pelos nazis. At\u00e9 Agosto desse ano, tinham j\u00e1 assassinado 60.000 civis, sobretudo judeus entre os 15 e os 45 ano, mas a \u00abpartir de ent\u00e3o, come\u00e7aram tamb\u00e9m a matar mulheres, idosos e crian\u00e7as judeus.<\/p>\n\n\n\n<p>Para fiscalizar a forma como os judeus da Pol\u00f3nia e URSS estavam a ser dizimados, atrav\u00e9s de um plano que deveria terminar com a morte de todos eles no \u00abespa\u00e7o vital\u00bb a Leste, em final de 1942, Himmler deslocou-se ao terreno. No dia 1 de Agosto de 1941, segundo Martin Gilbert- outros historiadores datam esse epis\u00f3dio no dia 15 \u2013 Himmler assistiu, em Minsk, \u00e0 execu\u00e7\u00e3o de cem judeus, pelo <em>Einsatzkommando 8<\/em>. Teve o \u201cazar\u201d, como veio mais tarde a recordar o seu oficial de liga\u00e7\u00e3o, general SS Karl Wolff, \u00abde ficar com o casaco, e julgo que tamb\u00e9m a cara, sujos dos miolos de uma ou outra das pessoas que foram mortas com um tiro na cabe\u00e7a\u00bb. O chefe supremo da SS ter\u00e1 empalidecido e \u00abagoniado, virou logo costas, cambaleou\u00bb, dizendo depois aos homens encarregados dos fuzilamentos que deviam mostrar-se \u00abduros e firmes\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>Laurence Rees, por seu lado, referiu a data de 15 de Agosto, para situar esse fuzilamento, em Minsk, onde o <em>SS Obergruppenf\u00fchrer<\/em> Erich von dem Bach-Zelewski, chefe da pol\u00edcia nazi na R\u00fassia Central teria dito a Himmler: \u00abolhe para os olhos dos homens deste comando, como eles est\u00e3o destro\u00e7ados e acabados para o resto das suas vidas\u00bb. No dia 16 de Agosto, ainda em Minsk, num encontro com Bach-Zelewski, Otto Bradfisch, comandante do <em>Einsatzkommando 8<\/em>, e Arthur Nebe, comandante do <em>Einsatzgruppe B<\/em>, Himmler ter\u00e1 sugerido a este \u00faltimo, segundo Martin Gilbert, para encontrar um m\u00e9todo <strong>\u00abmais humano\u00bb<\/strong> de massacre em massa.<\/p>\n\n\n\n<p>Na primeira metade desse m\u00eas de Agosto de 1941, Arthur Nebe ordenou a morte de mulheres e crian\u00e7as judias e, no final da guerra, viria a ser encontrado no seu apartamento em Berlim um filme amador onde se via uma c\u00e2mara de g\u00e1s alimentada pelo fumo de escape de um cami\u00e3o. Estava prestes a surgir uma nova pol\u00edtica em mat\u00e9ria de massacres de massa pelo g\u00e1s, em Chelmno, o que aconteceria em in\u00edcio de Dezembro, dando in\u00edcio a uma quarta etapa do Holocausto. Tratou-se da \u00abreinstala\u00e7\u00e3o<strong>\u00bb<\/strong> final, eufemismo nazi para deporta\u00e7\u00e3o planificada nos mais altos escal\u00f5es nazis para os outros centros da morte (Belzec, Treblinka, Sobibor, Auschwitz-Birkenau e Majdanek). \u00c9 dessa forma que deve ser encarada a \u00abforma mais humana de assass\u00ednio pelo g\u00e1s\u00bb: isto \u00e9, \u00abmais humana\u00bb para os assassinos.<\/p>\n\n\n\n<p>Escolhi colocar em causa apenas a frase coloquial apresentada acima, mas desde j\u00e1 lembro que, ao contr\u00e1rio do que \u00e9 dito na mesma entrevista, n\u00e3o havia piscina em Auschwitz-Birkenau \u2013 havia um reservat\u00f3rio em Auschwitz I, mascarado de piscina para os guardas dos campos e elementos da SS &#8211; e o bordel era reservado a estes e aos chamados Kapos, presos que colaboravam com os nazis. Deve-se lembrar que Auschwitz, que se tornou num paradigma do Holocausto, era um conjunto de tr\u00eas grandes campos (e respectivos subcampos): um campo de concentra\u00e7\u00e3o (Auschwitz I); um centro de exterm\u00ednio (Auschwitz-Birkenau) e um campo de trabalho-escravo para judeus, Auschwitz II, ou Buna Monowitz. A enorme maioria dos deportados judeus chegados a Birkenau era logo enviada para as c\u00e2maras de g\u00e1s, com a excep\u00e7\u00e3o de uma minoria de jovens saud\u00e1veis, \u201cseleccionados\u201d para o trabalho escravo. Estes morriam habitualmente de exaust\u00e3o ou eram assassinados, ao fim de uns meses, tal como aconteceu aos membros das fam\u00edlias judaicas checas e ciganas, temporariamente no <em>Familienlager <\/em>de Birkenau, antes de serem mortos nas c\u00e2maras de g\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>Irene Flusner Pimentel, historiadora<\/p>\n\n\n\n<p>Para ler mais<\/p>\n\n\n\n<ul><li>Browning, Christopher R.\u00abThe Holocaust as By-product? A critique of Arno Mayer\u00bb, <em>The Path to Genocide<\/em>, Canto editions, 1995<\/li><li>Bruttmann, Tal, <em>Auschwitz<\/em>, Paris, La D\u00e9couverte, coll.&nbsp;\u00ab&nbsp;Rep\u00e8res&nbsp;: histoire&nbsp;\u00bb (n<sup>o<\/sup>&nbsp;647), 2015<\/li><li>Bruttmann, Tal, Tarricone, Christophe, <em>Les 100 mots de la Shoah<\/em>, Paris, PUF, \u00e9d. \u00abQue sais-je\u00bb, 2016, 2.\u00aa ed. corr., 2018<\/li><li>Himmler in Minsk\u00bb\u00bb, <a href=\"http:\/\/www.holocaustresearchproject.org\/einsatz\/himmlerinminsk.html\">http:\/\/www.holocaustresearchproject.org\/einsatz\/himmlerinminsk.html<\/a><\/li><li>Ingrao, Christian, <em>Croire et D\u00e9truire, Les intellectuels dans la machine de guerre SS<\/em>, Paris, Pluriel, 2010.<\/li><li>Rees, Laurence, <em>The Holocaust. A New History<\/em>, UK, Viking\/ Penguin Books\/Random Books, 2017<\/li><li>Wachsmann, Nikolaus,<em> KL, Hist\u00f3ria dos Campos de Concentra\u00e7\u00e3o Nazis<\/em>, Lisboa: Dom Quixote, 2015<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><em>Transcri\u00e7\u00e3o do artigo autorizada pela autora.<\/em> <em>Sem edi\u00e7\u00e3o SF para respeitar formato j\u00e1 publicado.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SEM FRONTEIRAS | 14 de dezembro 2020 | Tribuna | Irene Pimentel Transcrevemos o mais&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2417,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[5,121],"tags":[132,133],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/irena7.png",508,329,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/irena7-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/irena7-300x194.png",300,194,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/irena7.png",508,329,false],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/irena7.png",508,329,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/irena7.png",508,329,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/irena7.png",508,329,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/irena7.png",508,329,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/irena7.png",508,329,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/irena7.png",508,329,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/irena7.png",508,329,false],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/irena7.png",386,250,false]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/memorias-vivas\/centro-documentacao\/\" rel=\"category tag\">CENTRO DOCUMENTA\u00c7\u00c3O<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/causas\/tribuna\/\" rel=\"category tag\">TRIBUNA<\/a>","tag_info":"TRIBUNA","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2483"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2483"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2483\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2486,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2483\/revisions\/2486"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2417"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2483"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2483"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2483"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}