{"id":2509,"date":"2020-12-17T09:49:49","date_gmt":"2020-12-17T09:49:49","guid":{"rendered":"http:\/\/aep61-74.org\/?p=2509"},"modified":"2021-02-25T19:48:43","modified_gmt":"2021-02-25T19:48:43","slug":"livros-2020-a-noite-mais-longa-de-todas-as-noites","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2020\/12\/17\/livros-2020-a-noite-mais-longa-de-todas-as-noites\/","title":{"rendered":"LIVROS 2020 | A Noite Mais Longa de Todas as Noites"},"content":{"rendered":"\n<p>SEM FRONTEIRAS | 17 de dezembro 2020 | Livros de dezembro 2020<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Noite Mais longa de Todas as Noites, Helena Pato. Editora Colibri, 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o, Janeiro 2020.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cover alignwide has-background-dim-20 has-background-dim is-position-center-center\" style=\"background-image:url(http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/hpato.png);background-position:40% 26%;min-height:375px\"><div class=\"wp-block-cover__inner-container is-layout-flow wp-block-cover-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-text-align-center has-text-color\" style=\"line-height:1.1;font-size:74px;color:#fffffa\"><strong>Helena Pato<\/strong><\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size\"><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\"><strong>Resumo<\/strong><\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>Mem\u00f3rias do per\u00edodo da Ditadura do Estado Novo. N\u00e3o se tratando de uma autobiografia, deixam aos leitores alguns elementos autobiogr\u00e1ficos, decorrentes das descri\u00e7\u00f5es de situa\u00e7\u00f5es vividas pela autora, na Resist\u00eancia. O livro \u00e9 constru\u00eddo \u00e0 volta de \u00abhist\u00f3rias\u00bb (em sequ\u00eancia numerada), narradas na primeira pessoa e continuamente contextualizadas por pequenos textos de cariz hist\u00f3rico, social e pol\u00edtico.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size\"><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\"><strong><strong>Olhar para o passado, a pensar no presente<\/strong> <\/strong><\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;A preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria do regime fascista, que continua t\u00e3o descurada (e, n\u00e3o raramente, desprezada) pelas diversas entidades do Estado, \u00e9, a meu ver, uma quest\u00e3o cada vez mais oportuna na nossa cidadania. Desde logo, para impedir que se escamoteiem os progressos obtidos com a implanta\u00e7\u00e3o da democracia. Custa-me ler frases como \u201cagora o Tarrafal est\u00e1 entre n\u00f3s\u201d e ouvir refer\u00eancias a que actualmente se est\u00e1 pior do que dantes \u2013 o que reflecte um desconhecimento profundo do que era o pa\u00eds antes do 25 de Abril. Considero de extraordin\u00e1ria import\u00e2ncia tudo o que seja produzido com o objectivo de carrear mem\u00f3ria e mem\u00f3rias do per\u00edodo de 1926 a 1974 para a Hist\u00f3ria que se desenha, se escreve e vai construindo nas Universidades. Importam, a meu ver, quer a divulga\u00e7\u00e3o de trabalhos dispersos de pesquisa, quer artigos, fotografias, document\u00e1rios, biografias e, na \u00e1rea da fic\u00e7\u00e3o, romances, pe\u00e7as de teatro, v\u00eddeos, filmes. S\u00e3o valiosos contributos para a informa\u00e7\u00e3o e a consciencializa\u00e7\u00e3o de jovens e daqueles que n\u00e3o viveram esse per\u00edodo da Hist\u00f3ria de Portugal, ou cujas vidas se desenvolveram, ent\u00e3o, \u00e0 margem ou na ignor\u00e2ncia da realidade do regime. A hist\u00f3ria do regime de ditadura do Estado Novo, ainda demasiado circunscrita \u00e0s academias, tem de ser levada \u00e0s actuais gera\u00e7\u00f5es, com a objectividade poss\u00edvel. O tempo urge, pois que o seu desconhecimento se tem revelado factor de retrocesso no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size\"><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>1. At\u00e9 ao aparecimento do Museu do Aljube, em 2010, a divulga\u00e7\u00e3o da Resist\u00eancia ficou praticamente fechada no Partido Comunista. Foi por isso que, h\u00e1 8 anos, abrimos uma p\u00e1gina no Facebook para inclus\u00e3o de biografias de resistentes antifascistas com ideologias diversas. \u00abAntifascistas da Resist\u00eancia\u00bb \u00e9 um espa\u00e7o de mem\u00f3ria plural, que vimos alimentando com modestas notas biogr\u00e1ficas, e cujo n\u00famero se aproxima j\u00e1 do milhar. Ultimamente, a colabora\u00e7\u00e3o do historiador Jo\u00e3o Esteves, nessa P\u00e1gina, com uma lista infinda de dezenas e dezenas de biografias de cidad\u00e3os sem nome, mortos \u00e0s m\u00e3os da PVDE e da PIDE ou v\u00edtimas das maiores torturas, tem vindo a revelar-nos uma resist\u00eancia oculta, her\u00f3ica, surpreendente. Cri\u00e1mos, tamb\u00e9m no Facebook, um grupo destinado a dar voz a resistentes an\u00f3nimos e a divulgar testemunhos, lutas, e atrocidades do regime, evocando momentos duros e, tamb\u00e9m, momentos empolgantes da resist\u00eancia: \u00abFascismo Nunca Mais\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size\"><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>2. Todavia, nesse contexto de mem\u00f3ria que, com o apoio de amigos, incentivamos no Facebook, muito raramente tenho uma interven\u00e7\u00e3o personalizada, aludindo ou escrevendo acerca da minha viv\u00eancia, como v\u00edtima ou testemunha directa do fascismo. Talvez por isso \u2013 e tamb\u00e9m porque me fui apercebendo dos enormes buracos negros, que existem nas escolas sobre o regime em que a minha gera\u00e7\u00e3o nasceu, cresceu e se tornou adulta \u2013 eu tive vontade de me lan\u00e7ar num passo diferente. Senti um outro dever de mem\u00f3ria. Sem pretens\u00f5es autobiogr\u00e1ficas, mas pessoal. Em 2018, sentei-me em frente das teclas do computador, a correr atr\u00e1s de lembran\u00e7as, a desfiar nomes, datas e lugares; a ler cartas (com, e de, familiares) j\u00e1 esquecidas: umas in\u00fateis, outras f\u00fateis, outras apaixonadas, e tantas, tantas delas, em raiva ou em drama. Saltitava no Google, a confirmar acontecimentos hist\u00f3ricos, que me ocorriam, entrela\u00e7ados com diversos factos pessoais adormecidos. O computador sempre aberto, enquanto eu via fotografias e consultava notas esquecidas\/escondidas, dos anos secretos da minha vida. A folha &#8220;word&#8221; em branco e eu sem saber por que ponta puxar. Como come\u00e7ar. Foram meses de espera. Um dia, sem qu\u00ea nem porqu\u00ea, de repente, a primeira frase irrompeu: \u00abForam precisos muitos anos, muita vida, muitas vidas para vermos com clareza a raz\u00e3o de ser\u2026\u00bb. A partir dessa frase, saltaram-me das pontas dos dedos, as ideias, as recorda\u00e7\u00f5es, os factos, tudo a atropelar-se numa escrita compulsiva, numa \u00e2nsia de n\u00e3o me perder de mim, nem da verdade. Queria que a minha hist\u00f3ria, que era a hist\u00f3ria de tantos homens e tantas mulheres da minha gera\u00e7\u00e3o sa\u00edsse, tanto quanto poss\u00edvel, rigorosa e r\u00e1pida, agora que n\u00e3o me restava muito tempo de vida para falar do que vivi, do que muitos de n\u00f3s vivemos. Desejava que a minha escrita pudesse n\u00e3o se tornar uma seca para os jovens, mas que o conte\u00fado do livro lhes fosse oferecido com o rigor de um testemunho, dado com seriedade e sem demagogia. O meu livro nasceu assim e \u00e9 isto; ou eu gostaria que fosse isto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-large-font-size\"><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>3. Sobre ele, a escritora Maria Teresa Horta escreveu um longo pref\u00e1cio, de que destacamos este generoso par\u00e1grafo: <em>\u00abA Noite Mais Longa de Todas as Noites \u00e9 um livro que deve ser lido, degustado devagar com cuidados de saber, a tomarmos o travo do gosto \u00e0 escrita luminosa de Helena Pato, que p\u00e1gina ap\u00f3s p\u00e1gina nos vai contando-mostrando o longo e corajoso caminho da resist\u00eancia portuguesa, de que fez parte activa, contra a ditadura fascista. Luta de tantos e tantos anos, que acabaria por nos levar at\u00e9 ao 25 de Abril\u2026 \u00e0 liberdade. Obra de uma precis\u00e3o exemplar e simultaneamente de uma beleza l\u00edmpida no seu veio narrativo, enquanto tessitura de recorda\u00e7\u00f5es assumidamente pessoais embora arreigadamente pol\u00edticas, j\u00e1 que Helena Pato nelas se debru\u00e7ou para narr\u00e1-las, quer atrav\u00e9s da sua pr\u00f3pria experi\u00eancia, quer da mem\u00f3ria colectiva das \u00faltimas d\u00e9cadas do fascismo em Portugal. A Noite Mais Longa de Todas as Noites \u00e9 pois uma obra tecida com o fio do j\u00fabilo dos ideais, mas igualmente com os acontecimentos vividos no nosso pa\u00eds, ent\u00e3o asfixiado por uma longa, cruel e impiedosa ditadura\u00bb.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Helena Pato<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>10\/12\/2020 | Editado 17\/12\/2020<\/p>\n\n\n\n<p>Pode ser adquirido numa das grandes livrarias ou encomendado em <a href=\"https:\/\/www.wook.pt\/livro\/a-noite-mais-longa-de-todas-as-noites-helena-pato\/22007433\">https:\/\/www.wook.pt\/livro\/a-noite-mais-longa-de-todas-as-noites-helena-pato\/22007433<\/a>, recebendo-se comodamente em casa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"890\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/131006530_3936157073060977_1910188889926687732_n-1024x890.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2511\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/131006530_3936157073060977_1910188889926687732_n-1024x890.jpg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/131006530_3936157073060977_1910188889926687732_n-300x261.jpg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/131006530_3936157073060977_1910188889926687732_n-768x668.jpg 768w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/131006530_3936157073060977_1910188889926687732_n-1536x1335.jpg 1536w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/131006530_3936157073060977_1910188889926687732_n.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SEM FRONTEIRAS | 17 de dezembro 2020 | Livros de dezembro 2020 A Noite Mais&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2512,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[134],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/hp_destaque.png",1049,524,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/hp_destaque-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/hp_destaque-300x150.png",300,150,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/hp_destaque-768x384.png",640,320,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/hp_destaque-1024x512.png",640,320,true],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/hp_destaque.png",1049,524,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/hp_destaque.png",1049,524,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/hp_destaque.png",1049,524,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/hp_destaque.png",800,400,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/hp_destaque.png",1024,512,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/hp_destaque.png",540,270,false],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/hp_destaque.png",400,200,false]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/memorias-vivas\/centro-documentacao\/\" rel=\"category tag\">CENTRO DOCUMENTA\u00c7\u00c3O<\/a>","tag_info":"CENTRO DOCUMENTA\u00c7\u00c3O","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2509"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2509"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2509\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2519,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2509\/revisions\/2519"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2512"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2509"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2509"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2509"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}