{"id":2682,"date":"2021-01-01T15:51:17","date_gmt":"2021-01-01T15:51:17","guid":{"rendered":"http:\/\/aep61-74.org\/?p=2682"},"modified":"2021-02-27T21:50:56","modified_gmt":"2021-02-27T21:50:56","slug":"opiniao-2021-um-ano-para-voltar-a-respirar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2021\/01\/01\/opiniao-2021-um-ano-para-voltar-a-respirar\/","title":{"rendered":"OPINI\u00c3O |  2021, um ano para voltar a  respirar"},"content":{"rendered":"\n<p><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\"><strong>SEM FRONTEIRAS <\/strong><\/span>| 1 de janeiro 2021 | OPINI\u00c3O | Editado <em>CR,SF<\/em>. <\/p>\n\n\n\n<p>por <strong>\u00c1lvaro Vasconcelos<\/strong>, Fundador do <a href=\"https:\/\/forumdemosnet.wordpress.com\/\">Forum Demos<\/a>. <\/p>\n\n\n\n<p>Se 2020 foi o ano da Pandemia que englobou a Humanidade na mesma trag\u00e9dia, foi tamb\u00e9m o ano em que come\u00e7\u00e1mos a vencer o v\u00edrus da desumanidade, do \u00f3dio pelo outro, da intoler\u00e2ncia, e da indiferen\u00e7a perante a desigualdade que infiltrou as democracias e as amea\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Respondendo ao <strong><em>n\u00e3o posso respirar<\/em><\/strong> de George Floyd, assassinado pela Am\u00e9rica do \u00f3dio racial, de um Presidente apoiado pelos supremacistas brancos, milh\u00f5es, no mundo inteiro, gritaram a sua indigna\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-huge-font-size\"><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\">Em Portugal<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-huge-font-size\"><\/p>\n\n\n\n<p>Em Portugal, do negacionismo racista e colonial, emergiu um influente, inesperado para muitos, movimento c\u00edvico, que deu voz a uma comunidade afro-portuguesa, que deixou de ser invis\u00edvel e tem presen\u00e7a na Assembleia da Rep\u00fablica. A dimens\u00e3o das manifesta\u00e7\u00f5es de protesto contra a viol\u00eancia racial na sequ\u00eancia do assassinato de Bruno Cond\u00e9 mostrou que em Portugal, em plena pandemia, tamb\u00e9m a sociedade civil se vai autonomizando da hegemonia dos partidos pol\u00edticos e quebrando o consenso c\u00famplice com a narrativa de um Portugal n\u00e3o racista e para sempre livre do perigo da extrema-direita. Por outro lado, o assassinato de Ihor Homenyuk, um imigrante Ucraniano, por agentes do SEF, confirma a urg\u00eancia do combate pelos direitos humanos em Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-huge-font-size\"><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\">No mundo<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-huge-font-size\"><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da pandemia ou por causa dela, a for\u00e7a dos movimentos c\u00edvicos faz de 2020 o ano em que o refluxo democr\u00e1tico come\u00e7ou a ser revertido. Foi a mobiliza\u00e7\u00e3o, desde o primeiro dia da administra\u00e7\u00e3o Trump, da marcha das mulheres ao movimento do Black Lives Matter, que permitiu a elei\u00e7\u00e3o de Biden e Harris. No Chile, grandes manifesta\u00e7\u00f5es populares for\u00e7aram a revis\u00e3o da constitui\u00e7\u00e3o herdada da ditadura de Pinochet. No mundo \u00c1rabe a indigna\u00e7\u00e3o voltou a ocupar ruas e pra\u00e7as, com o Hirak, lembrando que as aspira\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas de 2011, apesar da viol\u00eancia e da guerra, continuam a ser, hoje, as da maioria da popula\u00e7\u00e3o. A mesma aspira\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade soprou , apesar da brutal repress\u00e3o, em Hong Kong e na Belorussia. J\u00e1 no fim do ano, na Argentina, a sociedade civil foi determinante na despenaliza\u00e7\u00e3o da interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-huge-font-size\"><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\">A sociedade civil<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-huge-font-size\"><\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos, partidos da direita democr\u00e1ticos, por esta Europa fora, mostraram-se prontos a facilitar a chegada ao poder da extrema-direita, como aconteceu em Portugal, em 2020 nos A\u00e7ores, com a forma\u00e7\u00e3o de um governo liderado pelo PSD com apoio do Chega. L\u00e1 onde muitos partidos democr\u00e1ticos se mostraram timoratos, calculistas, prontos, por ambi\u00e7\u00e3o do poder, a fazer alian\u00e7as com a extrema-direita, quem afirma com for\u00e7a os valores da nossa Humanidade Comum, \u00e9 a sociedade civil. Desde logo, na mobiliza\u00e7\u00e3o da sociedade em defesa do imperativo \u00e9tico da hospitalidade, dos direitos dos migrantes e dos refugiados. Na contesta\u00e7\u00e3o das desigualdades sociais ou de g\u00e9nero e na for\u00e7a do movimento ecologista, onde se inserem as greves ambientais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-huge-font-size\"><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\">O <em>soft power<\/em><\/span><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-huge-font-size\"><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A influ\u00eancia dos pa\u00edses n\u00e3o se mede apenas pela dimens\u00e3o do seu PIB, ou das suas for\u00e7as armadas, o <em>soft power<\/em>, o poder de atrac\u00e7\u00e3o de um dado Estado \u00e9, numa sociedade de cidad\u00e3os interconectados, uma componente essencial do poder. Ora, o <em>soft power<\/em> depende em larga medida da vitalidade da sociedade civil de um dado Estado, da capacidade do seu sistema de governo em integrar as suas reivindica\u00e7\u00f5es, essencial para aparecer aos olhos do Mundo como comprometido com o bem comum. O opr\u00f3brio mundial dos Estados Unidos \u00e9 a heran\u00e7a dos anos Trump que agora chegam ao fim.<\/p>\n\n\n\n<p>Os balan\u00e7os catastr\u00f3ficos de 2020 tendem a fazer dele, neste s\u00e9culo, o ano zero da nossa Humanidade. Seria uma nega\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a n\u00e3o ver que no meio da cat\u00e1strofe emergiram as for\u00e7as que podem reverter o refluxo democr\u00e1tico e construir um Mundo melhor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-huge-font-size\"><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\">Um outro futuro \u00e9 poss\u00edvel<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-huge-font-size\"><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o houve nacionalismo, nem<em> America first<\/em>, que protegesse os americanos do v\u00edrus. Ao mesmo tempo, a globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal, com a pandemia e a consci\u00eancia aguda da desigualdade que cria, deixou de ser uma pol\u00edtica vi\u00e1vel. Um outro futuro \u00e9 poss\u00edvel, em que uma sociedade civil conectada, portadora dos valores da Humanidade comum, seja capaz de controlar a globaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e garantir a segunda globaliza\u00e7\u00e3o, de que fala Edgar Morin, capaz de proteger a vida na Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da imprevisibilidade e apesar da trag\u00e9dia da pandemia, paradoxalmente, termino 2020 mais otimista do que terminei 2019, quando a vaga populista vaticinava destruir tudo por que t\u00ednhamos lutado, antes e depois de 25 de Abril de 1974. Hoje penso que em 2021, com o fim do Governo Trump, com a vacina\u00e7\u00e3o em massa &#8211; esperemos de forma universal &#8211; as condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o favor\u00e1veis a um renascimento democr\u00e1tico. Para isso \u00e9, desde logo, necess\u00e1rio garantir que o fundo de recupera\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia ser\u00e1 um instrumento para combater a desigualdade social e o aquecimento global. Mais, para haver a mudan\u00e7a desejada, \u00e9 urgente que as vozes da sociedade civil, que exigem uma sociedade mais justa, mais hospitaleira e ecol\u00f3gica, n\u00e3o se calem e sejam ouvidas.&nbsp; Assumir a dimens\u00e3o europeia \u00e9 um imperativo para a nossa sociedade civil.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2021, ser\u00e1 poss\u00edvel e necess\u00e1rio construir alternativas s\u00f3lidas a Bolsonaro, Orban, Salvini, Le Pen , Modi e impedir, em Portugal, a alian\u00e7a entre a direita democr\u00e1tica e a extrema-direita. Estes s\u00e3o os meus votos democr\u00e1ticos para o novo ano.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>\u00c1lvaro Vasconcelos,  Fundador do Forum Demos<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"676\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/alvaro2-1024x676.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2684\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/alvaro2-1024x676.png 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/alvaro2-300x198.png 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/alvaro2-768x507.png 768w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/alvaro2.png 1102w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>\u00c1lvaro Vasconcelos no Cairo &#8211; 2011<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Fotos \u00a9 \u00c1lvaro Vasconcelos<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SEM FRONTEIRAS | 1 de janeiro 2021 | OPINI\u00c3O | Editado CR,SF. por \u00c1lvaro Vasconcelos,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2683,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[99],"tags":[154,153],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/alvaro6.png",1463,755,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/alvaro6-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/alvaro6-300x155.png",300,155,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/alvaro6-768x396.png",640,330,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/alvaro6-1024x528.png",640,330,true],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/alvaro6.png",1463,755,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/alvaro6.png",1463,755,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/alvaro6.png",1115,575,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/alvaro6.png",800,413,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/alvaro6.png",1024,528,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/alvaro6.png",540,279,false],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/alvaro6.png",400,206,false]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/opiniao\/\" rel=\"category tag\">OPINI\u00c3O<\/a>","tag_info":"OPINI\u00c3O","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2682"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2682"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2682\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2687,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2682\/revisions\/2687"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2683"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2682"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2682"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2682"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}