{"id":2888,"date":"2021-02-07T11:42:56","date_gmt":"2021-02-07T11:42:56","guid":{"rendered":"http:\/\/aep61-74.org\/?p=2888"},"modified":"2021-02-07T12:04:49","modified_gmt":"2021-02-07T12:04:49","slug":"dossie-guerra-colonial-nada-existe-ate-ser-contado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2021\/02\/07\/dossie-guerra-colonial-nada-existe-ate-ser-contado\/","title":{"rendered":"DOSSI\u00ca | Guerra colonial, nada existe at\u00e9 ser contado"},"content":{"rendered":"\n<p><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\"><strong>SEM FRONTEIRAS<\/strong><\/span>  | 7 de fevereiro 2021 | DOSSI\u00ca | Guerra Colonial &#8211; 60 anos depois 1961-2021 | Enquadramento (II)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Miguel Cardina no <a href=\"http:\/\/aep61-74.org\/index.php\/2021\/02\/04\/dossie-guerra-colonial-60-anos-depois-1961-2021\/\">primeiro artigo<\/a> que public\u00e1mos neste dossi\u00ea, cujo ponto de partida s\u00e3o os 60 anos do in\u00edcio da Guerra Colonial, abordou o tema em <em>vol d\u00b4oiseau<\/em>, fazendo-nos aterrar nos diversos agrupamentos politico-partid\u00e1rios que combateram o regime e a guerra, explicitando os diversos posicionamentos face \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0 participa\u00e7\u00e3o no conflito. Neste artigo, Maria Manuela Cruzeiro convida-nos para um primeiro exerc\u00edcio sobre as mem\u00f3rias, as emo\u00e7\u00f5es, a linguagem, a identidade, o sofrimento, a solidariedade, no fundo para uma incurs\u00e3o dram\u00e1tica, no sentido tr\u00e1gico da Gr\u00e9cia Antiga, da guerra colonial. Lenine, Mao e Che cedem o lugar a Eduardo Louren\u00e7o, Malaparte e a Foucault para um percurso tem\u00e1tico singular que nos conduz at\u00e9 ao direito \u00e0 mem\u00f3ria.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>por <strong>Maria Manuela Cruzeiro<\/strong>, investigadora<\/p>\n\n\n\n<p>Diz-se que os povos felizes n\u00e3o t\u00eam hist\u00f3ria. \u00c9 talvez porque nos queremos imaginar um povo feliz, que lidamos mal com a hist\u00f3ria, o que faz de n\u00f3s uma sociedade distra\u00edda e de curta mem\u00f3ria. Sobretudo para os epis\u00f3dios mais traum\u00e1ticos, como aquele que Eduardo Louren\u00e7o chamou a \u2018mais refinada e incomunic\u00e1vel das nossas trag\u00e9dias actuais: a guerra colonial\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>O recalcamento \u00e9 a resposta directa a esta incomunicabilidade, mas apresenta-se em graus e formas bem diversos, desde a pura nega\u00e7\u00e3o da trag\u00e9dia, at\u00e9 \u00e0 dispers\u00e3o do seu sentido mais fundo e real, em mil pequenos sentidos reconfiguradores dessa dura realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto se produziu todo um complexo gloss\u00e1rio feito de express\u00f5es obl\u00edquas, enredadas de subtilezas, met\u00e1foras, ambiguidades, analogias, e at\u00e9 estranhos jogos de ironia e de sarcasmo que, impostas pela Censura no pr\u00f3prio decurso do conflito, persistem como precioso mas contradit\u00f3rio reservat\u00f3rio de experi\u00eancias vividas e, como tal, marca identit\u00e1ria de sobreviv\u00eancia individual e grupal. Veja-se, por exemplo, os regulares encontros de batalh\u00f5es e companhias que cumprem um estranho ritual de \u2018catarse em grupo\u2019, escape para muitos sil\u00eancios, que s\u00f3 \u2018quem l\u00e1 esteve\u2019 pode entender. O que significa que, no limite, n\u00e3o falamos da mesma coisa quando falamos de&nbsp;<strong>Guerra Colonial<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A come\u00e7ar pelo regime pol\u00edtico que a imp\u00f4s e que sempre se recusou a nome\u00e1-la assim, mas antes&nbsp;<strong>Guerra do Ultramar<\/strong>. Para ele n\u00e3o havia guerra, mas uma revolta cruel, b\u00e1rbara e ileg\u00edtima, a exigir uma resposta exemplar. Os militares, portanto, n\u00e3o iam para uma guerra, mas em \u2018miss\u00e3o de soberania\u2019, e combatiam n\u00e3o movimentos nacionalistas de liberta\u00e7\u00e3o, mas bandidos desprez\u00edveis ou terroristas.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m no interior do universo militar surgiram h\u00e1beis e criativas opera\u00e7\u00f5es sem\u00e2nticas para n\u00e3o chamar as coisas pelos nomes. Os mobilizados que chegavam de novo eram, por exemplo,&nbsp;<em>ma\u00e7aricos<\/em>&nbsp;para Angola, os&nbsp;<em>checa-checa<\/em>&nbsp;para Mo\u00e7ambique e os&nbsp;<em>piriquitos<\/em>&nbsp;para a Guin\u00e9 (\u2018piriquito \u00e9 pior do que terrorista\u2019, dizia-se em jeito de boas vindas\u2026). Os oficiais do Estado-Maior eram&nbsp;<em>oficiais de alcatifa<\/em>&nbsp;ou&nbsp;<em>ar condicionado<\/em>, a metralhadora do inimigo era a&nbsp;<em>costureirinha<\/em>\u2026 e por a\u00ed fora\u2026 Guerra a s\u00e9rio, n\u00e3o havia, pois o significado, paradoxalmente, era deslocado do seu verdadeiro contexto, para zonas perif\u00e9ricas. Havia, assim, pequenas guerras: nas reparti\u00e7\u00f5es, nas messes, nos hospitais, nas lojas e mesmo nos espa\u00e7os de conv\u00edvio p\u00fablicos ou privados, onde o apelo \u00e0 normalidade mais se fazia sentir. A\u00ed sim, fazia-se a guerra, pequena, banalizada, e at\u00e9 parodiada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2018<em>As pr\u00f3prias mulheres ficavam com a sua guerra, que era a gravidez, a amamenta\u00e7\u00e3o, algum pequeno emprego pelas horas da fresca. Uma loja de indiano e de chin\u00eas era uma guerra. Como vai aqui a sua guerra? \u2013 j\u00e1 tinha o noivo perguntado a um paquistan\u00eas que vendia pilhas el\u00e9ctricas, de mistura com galochas e canela<\/em>.\u2019 (L\u00eddia Jorge,&nbsp;<em>A Costa dos Murm\u00farios<\/em>, 1988:74)<\/p>\n\n\n\n<p>Pequenas guerras, m\u00faltiplas raz\u00f5es. A raz\u00e3o do soldado de Quadr\u00edcula (tropa&nbsp;<em>fandanga<\/em>&nbsp;ou tropa&nbsp;<em>paca\u00e7a,<\/em>&nbsp;segundo o gloss\u00e1rio referido) n\u00e3o \u00e9 a mesma das Tropas Especiais. A raz\u00e3o dos chefes militares (muitas vezes a guerra da cadeira ou do prest\u00edgio) n\u00e3o \u00e9 a mesma dos colonos (cuja solu\u00e7\u00e3o em muitos casos era uma opera\u00e7\u00e3o de exterm\u00ednio de todos os terroristas), nem sequer a do poder pol\u00edtico e econ\u00f3mico dominantes. A raz\u00e3o dos oficiais do Quadro n\u00e3o \u00e9 a mesma dos Milicianos. E, de entre estes, a raz\u00e3o dos que, ideologicamente amorfos, iam \u00e0 guerra para comprar o&nbsp;<em>Mini<\/em>, ou cumprir a rotineira&nbsp;<em>guerra dos pap\u00e9is<\/em>, n\u00e3o era a mesma dos que iam por assumidas op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de defesa da P\u00e1tria pluri-continental e da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental (que os havia, e muitos, sobretudo na primeira fase do conflito) ou ent\u00e3o por contr\u00e1rias convic\u00e7\u00f5es de esquerda: lutar contra a guerra na guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, verifica-se qu\u00e3o dif\u00edcil tem sido a recupera\u00e7\u00e3o de um sentido de trag\u00e9dia colectiva, assim desconstru\u00eddo atrav\u00e9s dessas mil pequenas raz\u00f5es que irromperam na aus\u00eancia de uma grande Raz\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez resida aqui, neste d\u00e9fice de legitimidade pol\u00edtica e moral da guerra, a principal causa dessa pulveriza\u00e7\u00e3o de sentidos que, no entanto, s\u00e3o a corrente subterr\u00e2nea que alimenta as m\u00faltiplas mem\u00f3rias da guerra que circulam em romances, di\u00e1rios, ou simples escritos roubados ao sil\u00eancio de gavetas que nunca se conseguiram fechar, porque como escreveu Malaparte \u2018<em>a guerra n\u00e3o tem fim para aqueles que se bateram\u2019.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A estes \u00faltimos a Internet tem servido de ve\u00edculo privilegiado e a prov\u00e1-lo a enorme quantidade de&nbsp;<em>sites<\/em>&nbsp;da responsabilidade de ex-combatentes para quem, independentemente das diferen\u00e7as sociais, de sensibilidades ou ideologia, a experi\u00eancia da guerra foi fundadora de uma segunda identidade nascida numa situa\u00e7\u00e3o limite n\u00e3o somente de horror e sofrimento, mas tamb\u00e9m da mais pura solidariedade, inacess\u00edveis aos que a n\u00e3o viveram.<\/p>\n\n\n\n<p>Num desses sites, escrito por Jos\u00e9 Teixeira pode ler-se:&nbsp;<em>Passaram 40 anos. Pensava eu que a Guin\u00e9 fora uma etapa para esquecer e que a vida continuava. Como estava errado. A Guin\u00e9 grudou-se em mim, vive comigo todos os dias e ir\u00e1 comigo para a cova. O meu esp\u00edrito vagueia por aquelas tabancas, olha de frente aquela gente terna e meiga que me acolheu quando eu era agressor e me acolhe agora com terno carinho, sempre que vou at\u00e9 l\u00e1 matar saudades.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Emo\u00e7\u00f5es, viv\u00eancias, mem\u00f3rias contradit\u00f3rias e at\u00e9 paradoxais, imposs\u00edveis de enquadrar na narrativa racionalizadora da hist\u00f3ria, o que faz dela, segundo Foucault, uma contra-mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses rastos e restos inscritos na mem\u00f3ria mais fiel e \u00edntima, como \u2018corpo marcado pela hist\u00f3ria e hist\u00f3ria que devasta o corpo\u2019 (ainda Foucault) perturbar\u00e3o certamente a rigidez da narrativa hist\u00f3rica, pelo elemento de excesso, de ilimitado, de tr\u00e1gico (mesmo se negado ou mascarado) que desarruma e subverte as suas categorias e procedimentos metodol\u00f3gicos normais. Mas contribuir\u00e3o decisivamente para instituir um elo precioso entre&nbsp;<em>mem\u00f3ria<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>hist\u00f3ria<\/em>, abrindo uma reflex\u00e3o sobre a&nbsp;<em>mem\u00f3ria tr\u00e1gica da guerra<\/em>, que se torne por sua vez um imperativo \u00e9tico-pol\u00edtico para uma sociedade que defenda e promova o&nbsp;<em>direito \u00e0 mem\u00f3ria.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Extracto da comunica\u00e7\u00e3o apresentada no Congresso \u00abGuerra colonial e descoloniza\u00e7\u00e3o\u00bb, Lisboa, 15 e 16 de Abril de 2010, Organiza\u00e7\u00e3o da Assoc. 25 de Abril, IHC da Univ. Nova de Lisboa e ISCTE.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery alignwide columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"528\" height=\"731\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/expo.png\" alt=\"\" data-id=\"2891\" data-full-url=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/expo.png\" data-link=\"http:\/\/aep61-74.org\/?attachment_id=2891\" class=\"wp-image-2891\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/expo.png 528w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/expo-217x300.png 217w\" sizes=\"(max-width: 528px) 100vw, 528px\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\">Cartaz da Exposi\u00e7\u00e3o Bibliogr\u00e1fica<\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"637\" height=\"439\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ma.png\" alt=\"\" data-id=\"2889\" data-full-url=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ma.png\" data-link=\"http:\/\/aep61-74.org\/?attachment_id=2889\" class=\"wp-image-2889\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ma.png 637w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ma-300x207.png 300w\" sizes=\"(max-width: 637px) 100vw, 637px\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\">Maria Manuela Cruzeiro<\/figcaption><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Maria Manuela Cruzeiro<\/strong> <em>Mestre em Filosofia Social e Pol\u00edtica,  investigadora do Centro de Estudos Sociais, onde integra o N\u00facleo de Estudos Culturais Comparados<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SEM FRONTEIRAS | 7 de fevereiro 2021 | DOSSI\u00ca | Guerra Colonial &#8211; 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