{"id":2925,"date":"2021-02-10T12:42:20","date_gmt":"2021-02-10T12:42:20","guid":{"rendered":"http:\/\/aep61-74.org\/?p=2925"},"modified":"2021-02-10T12:42:22","modified_gmt":"2021-02-10T12:42:22","slug":"opiniao-o-25-de-abril-fez-se-tambem-daqueles-que-disseram-nao-a-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2021\/02\/10\/opiniao-o-25-de-abril-fez-se-tambem-daqueles-que-disseram-nao-a-guerra\/","title":{"rendered":"OPINI\u00c3O |O 25 de abril fez-se tamb\u00e9m daqueles que disseram \u201cn\u00e3o \u00e0 guerra\u201d!"},"content":{"rendered":"\n<p><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\"><strong>SEM FRONTEIRAS<\/strong><\/span> | 10 de fevereiro 2021 | Opini\u00e3o | Carlos Neves<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Carlos Neves, que cuida de forma dedicada e persistente da nossa Agenda principalmente cultural, sentou-se \u00e0 frente da televis\u00e3o anteontem dia 8 de fevereiro e acompanhou com alguma emo\u00e7\u00e3o as imagens do document\u00e1rio <em>Fui Desertor<\/em>. Quem viveu situa\u00e7\u00f5es de ex\u00edlio tem uma maneira peculiar de relatar o que observa nestes dom\u00ednios. Vamos atr\u00e1s do seu olhar atrav\u00e9s deste texto que nos recorda que <\/strong><em><strong>&#8220;O 25 de abril fez-se tamb\u00e9m destes homens e mulheres que disseram \u201cn\u00e3o \u00e0 guerra\u201d<\/strong>!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>por <\/em><strong>Carlos Neves<\/strong><em>, ex-exilado na Holanda, Vice-Presidente da AEP61-74<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cGuerra: a aventura cruel e rid\u00edcula a que os homens se dedicam quando alimentados pela insanidade\u201d<\/em> Siegfried Lenz<\/p>\n\n\n\n<p>Ant\u00f3nio Baltazar e Fernando Cardeira levam-nos numa viagem sobre a deser\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito colonial em Agosto de 1970. Esta hist\u00f3ria de deser\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas portuguesas, teve grande impacto em Portugal e al\u00e9m-fronteiras, denunciando a Guerra Colonial e o Fascismo, com o pr\u00f3prio ministro da defesa de Salazar, S\u00e1 Viana Rebelo, a acus\u00e1-los de \u201ctraidores \u00e0 P\u00e1tria\u201d, uma mensagem que assumiu especial impacto na imprensa noticiosa do regime.<\/p>\n\n\n\n<p>Os inc\u00f3modos nos quart\u00e9is manifestavam-se com o conhecimento dos relatos daqueles que regressavam das campanhas em \u00c1frica e chegados da guerra. Regressavam como \u201cher\u00f3is\u201d, contando hist\u00f3rias b\u00e1rbaras, campanhas de mortic\u00ednio, assass\u00ednios e torturas. Era este o caldo emocional que se vivia inclusive na Academia Militar, onde Ant\u00f3nio Baltazar e Fernando Cardeira se formavam. A contesta\u00e7\u00e3o \u00e0 Guerra Colonial dentro e fora do pa\u00eds adensava-se em crescendo.<\/p>\n\n\n\n<p>Volvidos 50 Anos das suas vidas, Ant\u00f3nio e Fernando regressam ao s\u00edtio onde o \u201csalto\u201d aconteceu, aquele exato momento onde se ganhava a consci\u00eancia de que n\u00e3o havia regresso, um verdadeiro murro no est\u00f4mago de realidade e tristeza, a incerteza de voltar a ver os amigos, a fam\u00edlia, os s\u00edtios onde se nasceu e viveu, aquele exato momento onde se sentia que se dizia adeus a uma vida inteira.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o vale do Rio Homem como companhia, caminhando pela desconhecida Serra do Ger\u00eas com as bagagens \u00e0s costas, com a esperan\u00e7a de chegarem a Paris sem serem detidos pela Guarda Civil espanhola, naquela altura n\u00e3o se olhava para as belezas naturais da paisagem que decoram o Parque Nacional, porque as emo\u00e7\u00f5es eram outras. Chegar ao destino e fugir do controlo da pol\u00edcia espanhola, que muitos prendia e muitos devolvia \u00e0 fronteira portuguesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Para chegar a Fran\u00e7a era preciso atravessar a perigosa Espanha. Depois de Fran\u00e7a outros destinos eram poss\u00edveis. Para estes dois camaradas o objectivo era chegar \u00e0 Su\u00e9cia. Assim aconteceu, foram bem recebidos, com direito ao estatuto de \u201cRefugiados Humanit\u00e1rios\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Com esse dia magnifico de Abril de 1974, alguns regressaram ao pa\u00eds de onde sa\u00edram a \u201csalto\u201d, outros, por op\u00e7\u00e3o, continuaram a vida familiar e profissional que tinham iniciado noutros pa\u00edses que os acolheram.<\/p>\n\n\n\n<p>O desertor ainda hoje \u00e9 visto como algu\u00e9m que foge aos \u201cdeveres da P\u00e1tria\u201d, ideia promovida pela narrativa dominante sobre o colonialismo, que durante d\u00e9cadas acentua este imperativo dos \u201cdeveres \u00e0 P\u00e1tria\u201d. Poucos ainda falam dos desertores enquanto homens e mulheres cuja consci\u00eancia se recusava participar determinantemente na Guerra Colonial e que, com as suas ideias e com o seu ativismo, resistiam a servir um governo obsoleto que fazia daquela Guerra um acto her\u00f3ico e um s\u00edmbolo de afirma\u00e7\u00e3o de poder.<\/p>\n\n\n\n<p>Ant\u00f3nio Baltazar e Fernando Cardeira para falarem da sua \u201cvida de desertores\u201d, precisam de regressar sempre aquele dia exato &#8211; 25 de Agosto de 1970.<\/p>\n\n\n\n<p>Com emo\u00e7\u00e3o partilham um desejo. Depois da pandemia, querem voltar \u00e0quele lugar, entendendo que h\u00e1 hist\u00f3rias que precisam de ser contadas na primeira pessoa, registando caminhos, pedras e percursos rumo \u00e0 liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p>O 25 de abril fez-se tamb\u00e9m destes homens e mulheres que disseram \u201cn\u00e3o \u00e0 guerra\u201d!<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-1 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"571\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ddd-1-1024x571.png\" alt=\"\" data-id=\"2926\" data-full-url=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ddd-1.png\" data-link=\"http:\/\/aep61-74.org\/?attachment_id=2926\" class=\"wp-image-2926\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ddd-1-1024x571.png 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ddd-1-300x167.png 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ddd-1-768x429.png 768w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ddd-1.png 1136w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\">Foto \u00a9 Fernando Cardeira<\/figcaption><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SEM FRONTEIRAS | 10 de fevereiro 2021 | Opini\u00e3o | Carlos Neves Carlos Neves, que&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2927,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[99],"tags":[172,173],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/cn.png",394,278,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/cn-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/cn-300x212.png",300,212,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/cn.png",394,278,false],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/cn.png",394,278,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/cn.png",394,278,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/cn.png",394,278,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/cn.png",394,278,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/cn.png",394,278,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/cn.png",394,278,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/cn.png",394,278,false],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/cn.png",354,250,false]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/opiniao\/\" rel=\"category tag\">OPINI\u00c3O<\/a>","tag_info":"OPINI\u00c3O","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2925"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2925"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2925\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2929,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2925\/revisions\/2929"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2927"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2925"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2925"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2925"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}