{"id":2946,"date":"2021-02-16T21:08:21","date_gmt":"2021-02-16T21:08:21","guid":{"rendered":"http:\/\/aep61-74.org\/?p=2946"},"modified":"2021-02-16T21:08:24","modified_gmt":"2021-02-16T21:08:24","slug":"dossie-ice-a-contestacao-a-ditadura-1926-1933","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2021\/02\/16\/dossie-ice-a-contestacao-a-ditadura-1926-1933\/","title":{"rendered":"DOSSI\u00ca ICE | A contesta\u00e7\u00e3o \u00e0 ditadura 1926 \u2013 1933"},"content":{"rendered":"\n<p><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\"><strong>SEM FRONTEIRAS <\/strong><\/span>| 16 de fevereiro 2021 | Dossi\u00ea Imprensa Clandestina e do ex\u00edlio (Per\u00edodo 1)<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A contesta\u00e7\u00e3o \u00e0 ditadura 1926 \u2013 1933 <\/h2>\n\n\n\n<p>por J<strong>os\u00e9 Manuel Cordeiro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os \u00faltimos anos da I Rep\u00fablica foram marcados por uma profunda crise econ\u00f3mica e financeira, que agravou as condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o portuguesa suscitando um aumento da contesta\u00e7\u00e3o social e uma permanente instabilidade pol\u00edtica. <\/p>\n\n\n\n<p>A incapacidade dos sucessivos governos republicanos em fazer face \u00e0 situa\u00e7\u00e3o levou a que os sectores mais conservadores da sociedade portuguesa recorressem ao ex\u00e9rcito como solu\u00e7\u00e3o para a resolu\u00e7\u00e3o da crise. Em 26 de Maio de 1926, ap\u00f3s v\u00e1rias tentativas de golpe, um movimento militar p\u00f4s cobro \u00e0 experi\u00eancia republicana decretando uma ditadura militar.<\/p>\n\n\n\n<p>A institui\u00e7\u00e3o de um regime de censura pr\u00e9via, a par com a dissolu\u00e7\u00e3o do Parlamento e a suspens\u00e3o das liberdades pol\u00edticas e individuais, constituiu uma das primeiras medidas promulgadas pela ditadura militar. Logo em 22 de Junho de 1926, uma nota da Pol\u00edcia enviada \u00e0s redac\u00e7\u00f5es dos jornais de Lisboa determinava a obrigatoriedade de serem apresentados quatro exemplares de cada jornal a publicar, ao Comando-Geral da GNR no Quartel do Carmo, a fim de ser previamente examinado e de a sua edi\u00e7\u00e3o ser, ou n\u00e3o, autorizada. <\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m disso, os jornais n\u00e3o podiam apresentar espa\u00e7os em branco, revelando a exist\u00eancia de cortes, como tinha sido corrente durante a I Rep\u00fablica. Estas medidas, apresentadas como transit\u00f3rias e resultantes da suspens\u00e3o das garantias constitucionais da Rep\u00fablica, foram dois dias depois complementadas com a imposi\u00e7\u00e3o, na primeira p\u00e1gina dos jornais, da frase \u201c<em>este n\u00famero foi visado pela Comiss\u00e3o de Censura<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\">Censura pr\u00e9via<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-1 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"715\" height=\"340\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ICE_ART2_IM1.png\" alt=\"\" data-id=\"2947\" data-full-url=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ICE_ART2_IM1.png\" data-link=\"http:\/\/aep61-74.org\/?attachment_id=2947\" class=\"wp-image-2947\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ICE_ART2_IM1.png 715w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ICE_ART2_IM1-300x143.png 300w\" sizes=\"(max-width: 715px) 100vw, 715px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><figcaption class=\"blocks-gallery-caption\"><em>Di\u00e1rio de Lisboa <\/em>de 24 de Junho de 1926: insere pela primeira vez, na 1.\u00aa p\u00e1gina, a frase \u201cEste n\u00famero foi visado pela Comiss\u00e3o de Censura\u201d.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A censura pr\u00e9via \u00e0 imprensa ser\u00e1 oficializada pelo Decreto n.\u00ba 11 839, de 5 de Julho de 1926, substitu\u00eddo pelo decreto n.\u00ba 12 008, de 29 de Julho de 1926, institucionalizando-se assim um mecanismo de controlo e repress\u00e3o que se revelar\u00e1 fundamental para a consolida\u00e7\u00e3o do novo regime. Embora nos primeiros anos do novo regime \u2013 o per\u00edodo da Ditadura Militar e da Ditadura Nacional \u2013 ainda fosse poss\u00edvel \u00e0 Oposi\u00e7\u00e3o continuar a publicar alguns dos jornais j\u00e1 existentes, aquela viu-se cada vez mais cerceada na sua liberdade de express\u00e3o, levando ao surgimento dos primeiros exemplares de imprensa clandestina.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\">Raul Proen\u00e7a<\/span><\/h2>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p style=\"font-size:18px\">Cinco meses ap\u00f3s o golpe de Estado, em 31 de Outubro de 1926, surgir\u00e1 o primeiro jornal clandestino, <em>O Libelo<\/em>, cujo subt\u00edtulo inicial \u201c<em>Pela Rep\u00fablica! Pela Liberdade!<\/em>\u201d ser\u00e1 pouco depois substitu\u00eddo por \u201c<em>O jornal clandestino de maior circula\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d, publicado em Lisboa, o qual contou com a colabora\u00e7\u00e3o (n\u00e3o assinada) de Raul Proen\u00e7a, que ainda nesse ano participar\u00e1 tamb\u00e9m noutro jornal de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 ditadura militar, <em>O Pelourinho<\/em>, do qual se publicaram dois n\u00fameros, de 21 de Novembro a 9 de Dezembro,  <strong><em>e que era impresso clandestinamente <\/em><\/strong><em><strong><em>nas oficinas<\/em><\/strong><\/em> gr\u00e1ficas<em> da Biblioteca Nacional<\/em><\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-1 is-cropped wp-block-gallery-4 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"598\" height=\"833\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/O-LIBELO.png\" alt=\"\" data-id=\"2948\" data-full-url=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/O-LIBELO.png\" data-link=\"http:\/\/aep61-74.org\/?attachment_id=2948\" class=\"wp-image-2948\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/O-LIBELO.png 598w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/O-LIBELO-215x300.png 215w\" sizes=\"(max-width: 598px) 100vw, 598px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p><span class=\"has-inline-color has-black-color\"><em>por seu turno,<\/em> O<em> Libelo<\/em> cessar\u00e1 a publica\u00e7\u00e3o em 23 de Agosto de 1927, tendo Raul Proen\u00e7a sido obrigado a exilar-se em Paris, a fim de fugir a um mandato de captura.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\">1927 ser\u00e1 prol\u00edfero no que respeita \u00e0 publica\u00e7\u00e3o de jornais<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p>Ainda em 1926 surgiu mais um jornal clandestino, <em>A Revolta. Folha clandestina de ataque \u00e0 ditadura militar<\/em>, ligado \u00e0 Liga de Defesa da Rep\u00fablica, do qual s\u00f3 se publicaram tr\u00eas n\u00fameros, de 2 de Novembro a 5 de Dezembro, o qual contou com a colabora\u00e7\u00e3o do major \u00c1lvaro de Castro \u2013 que por duas vezes exercera o cargo de presidente do Minist\u00e9rio (1.\u00ba ministro), durante a I Rep\u00fablica \u2013, e que tinha sido acusado de conspirar contra a ditadura militar sendo, por essa raz\u00e3o, detido no Hospital Militar do Porto, em 17 de Outubro de 1926.<\/p>\n\n\n\n<p>O ano de 1927 ser\u00e1 prol\u00edfero no que respeita \u00e0 publica\u00e7\u00e3o de jornais clandestinos, evidenciando a vontade do sector republicano em derrubar a ditadura. Em 4 de Janeiro surgiu em Lisboa <em>A Revolu\u00e7\u00e3o: \u00f3rg\u00e3o do povo republicano<\/em>, do qual s\u00f3 se conhece o primeiro n\u00famero. A 4 de Fevereiro, tamb\u00e9m em Lisboa, surgir\u00e1 o <em>\u00c1vante, <\/em>do qual tamb\u00e9m s\u00f3 se conhece tamb\u00e9m o primeiro n\u00famero, editado por Carlos Mendes da Mota e dirigido por Jo\u00e3o Pedro dos Santos, ambos membros do Comit\u00e9 Executivo dos Partid\u00e1rios da I.S.V. (Internacional Sindical Vermelha), a qual ainda conseguia editar o seu \u00f3rg\u00e3o <em>A Internacional,<\/em> embora irregularmente, mas n\u00e3o por muito mais tempo pois cessar\u00e1 em 1931.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos finais de Abril de 1927 surgiu a segunda s\u00e9rie da <em>A Revolta<\/em>, agora com o subt\u00edtulo <a href=\"http:\/\/hemerotecadigital.cm-lisboa.pt\/Periodicos\/ARevolta\/ARevolta.htm\"><em>\u201cPela reorganiza\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, pela legalidade contra a tirania<\/em><\/a><em>\u201d<\/em>, editada em Lisboa, mas que passar\u00e1 a ser publicado em Paris a partir do n.\u00ba 6 (Agosto de 1927), onde estava sedeada a Liga de Defesa da Rep\u00fablica, a qual integrava grande parte dos seus redactores. Contou com a colabora\u00e7\u00e3o de Ant\u00f3nio S\u00e9rgio, \u00c1lvaro de Castro, Lopes Martins, Gumercindo Soares, Afonso Costa, Jaime Morais, Bernardino Machado, Pina de Morais, Am\u00e9rico Bu\u00edsel, Raul Brand\u00e3o, tendo terminado a publica\u00e7\u00e3o com o n.\u00ba 7-8, de Outubro de 1927.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery alignwide columns-2 is-cropped wp-block-gallery-9 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"600\" height=\"746\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/A-REVOLTA.png\" alt=\"\" data-id=\"2949\" data-full-url=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/A-REVOLTA.png\" data-link=\"http:\/\/aep61-74.org\/?attachment_id=2949\" class=\"wp-image-2949\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/A-REVOLTA.png 600w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/A-REVOLTA-241x300.png 241w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"212\" height=\"250\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/asergio.png\" alt=\"\" data-id=\"2950\" data-full-url=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/asergio.png\" data-link=\"http:\/\/aep61-74.org\/?attachment_id=2950\" class=\"wp-image-2950\"\/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\">Ant\u00f3nio S\u00e9rgio<\/figcaption><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\">Repress\u00e3o sobre o movimento  oper\u00e1rio<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p>Em 1928, ano em que o novo regime passar\u00e1 a denominar-se Ditadura Nacional, e contrariamente ao ano anterior, durante o qual se assistiu ao surgimento de in\u00fameros t\u00edtulos, regista-se somente a edi\u00e7\u00e3o de tr\u00eas jornais clandestinos, dos quais se conhece apenas um n\u00famero de cada, o que evidencia um refluxo do movimento oposicionista republicano e um endurecimento da repress\u00e3o do regime ditatorial.<\/p>\n\n\n\n<p>O Partido Comunista Portugu\u00eas, ilegalizado ap\u00f3s o golpe de 28 de Maio, vivia ent\u00e3o sob uma forte repress\u00e3o que tinha provocado a sua desarticula\u00e7\u00e3o e a interrup\u00e7\u00e3o da sua imprensa. Fruto da reorganiza\u00e7\u00e3o efectuada em Abril de 1929, encabe\u00e7ada por Bento Gon\u00e7alves, e da decis\u00e3o de se criar um aparelho clandestino de propaganda, logo no m\u00eas seguinte surgiu o <em>P\u00e1ginas Vermelhas: Boletim mensal, te\u00f3rico e informativo da CCE Provis\u00f3ria do PCP<\/em>. <em>Sec\u00e7\u00e3o Portuguesa da IC (Internacional Comunista)<\/em>, que conheceu tamb\u00e9m os subt\u00edtulos \u201c<em>Boletim mensal da Comiss\u00e3o Central da Organiza\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d e \u201c<em>Boletim mensal<\/em>&#8220;, do qual se publicaram pelo menos oito n\u00fameros. Tamb\u00e9m em 1929 ser\u00e1 publicado em Lisboa, em Maio, o <em>Boletim Informativo da CGT,<\/em> do qual se conhece apenas o n.\u00ba 1, provavelmente exemplar \u00fanico dadas as implac\u00e1veis condi\u00e7\u00f5es de repress\u00e3o que se exerciam sobre o movimento oper\u00e1rio, da qual a central anarcossindicalista n\u00e3o se eximiu, tendo sido ilegalizada e a sua sede, localizada na Cal\u00e7ada do Combro, em Lisboa, assaltada e destru\u00edda pela pol\u00edcia em 26 de Maio de 1927. <\/p>\n\n\n\n<p>Ainda em 1929 ter\u00e1 in\u00edcio a publica\u00e7\u00e3o em Lisboa do <em>Solidariedade. Boletim de Informa\u00e7\u00e3o e Propaganda<\/em>, da Sec\u00e7\u00e3o Portuguesa do Socorro Vermelho Internacional, cujo \u00faltimo n\u00famero conhecido, o n.\u00ba 23, tem a data de Maio de 1932.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\">Publicar regularmente um \u00f3rg\u00e3o de imprensa clandestino<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p>A reorganiza\u00e7\u00e3o das Juventudes Comunistas em 1930 permitiu o rein\u00edcio da sua imprensa, ainda que em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, com a edi\u00e7\u00e3o policopiada do <em>O Jovem. Boletim do CCE da SP da IJC (Internacional Comunista da Juventude)<\/em>, em Abril de 1930, com uma tiragem inicial de 250 exemplares, sendo a sua publica\u00e7\u00e3o temporariamente suspensa a partir do n.\u00ba 19, de Julho de 1932.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos mais duradouros frutos da reorganiza\u00e7\u00e3o do Partido Comunista Portugu\u00eas resultante da Confer\u00eancia de 1929, foi a decis\u00e3o de publicar regularmente um \u00f3rg\u00e3o de imprensa clandestino, que expressasse as suas posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, com boa apresenta\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica, cuja tarefa recaiu sobre os militantes Manuel Pilar, Manuel Alpedrinha e Jaime Morais (Bento Gon\u00e7alves n\u00e3o p\u00f4de participar na sua concretiza\u00e7\u00e3o em virtude de ter sido preso em 29 de Setembro de 1930 e deportado para os A\u00e7ores em 8 de Outubro do mesmo ano), que escolheram entre <em>Unidade<\/em> e <em>Avante!<\/em> o t\u00edtulo do novo peri\u00f3dico, numa reuni\u00e3o na rua da Bica Duarte Belo n.\u00ba 66 \u2013 4\u00ba Esq., em Lisboa, tendo acabado por optar pelo segundo. <\/p>\n\n\n\n<p>A impress\u00e3o do primeiro n\u00famero foi bastante atribulada pois uma tipografia no Largo S\u00e3o Jo\u00e3o Nepomuceno n.\u00ba 8 r\/c, em Lisboa, que inicialmente tinha aceite a encomenda, com receio, acabou por desistir. Jos\u00e9 de Sousa, o \u00fanico elemento do Comit\u00e9 Central Executivo eleito na Confer\u00eancia de Abril de 1929 em liberdade e que tinha assumido a lideran\u00e7a do PCP ap\u00f3s a pris\u00e3o de Bento Gon\u00e7alves, tentou instalar um prelo na caixa de ar do r\u00e9s-do-ch\u00e3o de um pr\u00e9dio da Av. Sacadura Cabral, mas o assalto da pol\u00edcia \u00e0s instala\u00e7\u00f5es impossibilitou a sua concretiza\u00e7\u00e3o. Finalmente, o problema foi resolvido atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o de uma tipografia clandestina, vindo o primeiro n\u00famero do <em>Avante! \u00d3rg\u00e3o central do Partido Comunista (SP da IC) a <\/em>sair dos prelos em 15 de Fevereiro de 1931.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery aligncenter columns-1 is-cropped wp-block-gallery-11 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"553\" height=\"628\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/AVANTE.png\" alt=\"\" data-id=\"2951\" data-full-url=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/AVANTE.png\" data-link=\"http:\/\/aep61-74.org\/?attachment_id=2951\" class=\"wp-image-2951\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/AVANTE.png 553w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/AVANTE-264x300.png 264w\" sizes=\"(max-width: 553px) 100vw, 553px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\">Sindicatos, jovens e URSS<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a reorganiza\u00e7\u00e3o de 1929, e n\u00e3o obstante a intensa repress\u00e3o que sobre ele se abatia, o PCP conseguiu desenvolver uma intensa actividade sindical, da qual se destaca a cria\u00e7\u00e3o, em Mar\u00e7o de 1930, da Comiss\u00e3o Inter-Sindical (CIS) e de v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os de imprensa, sendo o mais importante o boletim policopiado <em>O Trabalho Sindical. Boletim quinzenal da COMSIND<\/em>, do qual se publicaram dez n\u00fameros, durante o ano de 1931. Em meados desse ano, o PCP lan\u00e7ara os Grupos de Defesa Sindical que, de certa forma, complementavam a actividade da CIS, para os quais iniciou a publica\u00e7\u00e3o do boletim\/circular mensal intitulado<em> Comiss\u00e3o Inter-Sindical<\/em>, do qual se conhecem os publicados em Setembro e Dezembro de 1931. Para os seus militantes, criou tamb\u00e9m o boletim <em>Informa\u00e7\u00f5es. Secretariado Pol\u00edtico do Partido Comunista Portugu\u00eas<\/em>, do qual se conhece apenas o n.\u00ba 3, de 9 de Julho de 1931. Em Setembro de 1931 iniciou-se a publica\u00e7\u00e3o do <em>O Jovem Militante: boletim de organiza\u00e7\u00e3o da FJCP<\/em>, que depois alterou o subt\u00edtulo para <em>\u00d3rg\u00e3o de Teoria e Pr\u00e1tica da Juventude Revolucion\u00e1ria<\/em>. Em Abril de 1931 ser\u00e1 publicado o <em>Verdades sobre a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica: boletim de Informa\u00e7\u00e3o e Propaganda da Associa\u00e7\u00e3o dos Amigos da URSS<\/em>, do qual apenas se conhece o primeiro n\u00famero.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\">Metal\u00fargicos e rurais<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p>Em Julho de 1931 surgiu em Lisboa o <em>Alian\u00e7a Libert\u00e1ria de Lisboa<\/em>, boletim clandestino policopiado, do qual se publicaram dois n\u00fameros, \u00f3rg\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o hom\u00f3nima que tinha sido ent\u00e3o criada por iniciativa dos militantes anarquistas Em\u00eddio Santana, Manuel Joaquim e Germinal de Sousa, a qual veio a ser desmantelada pela repress\u00e3o cerca de dois anos mais tarde. <\/p>\n\n\n\n<p>Por seu turno, os metal\u00fargicos libert\u00e1rios, membros do Grupo Libert\u00e1rio Metal\u00fargico, editaram em Lisboa o \u00fanico n\u00famero do seu jornal, <em>Luta de Classes<\/em>. Para os trabalhadores rurais, a CGT deliberou apoiar a proposta que lhe fora apresentada pela clandestina Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores Rurais (vulgo <em>Federa\u00e7\u00e3o Rural<\/em>), oficialmente ent\u00e3o designada por Comiss\u00e3o Nacional de Rela\u00e7\u00f5es, Estudo e Defesa Rural, com sede em \u00c9vora, de cria\u00e7\u00e3o de um boletim intitulado <em>O Trabalhador Rural<\/em> \u2013 o qual, na realidade, j\u00e1 se publicava clandestinamente sem t\u00edtulo desde 1929, passando a partir de ent\u00e3o a assumir aquela denomina\u00e7\u00e3o \u2013 dando conta da situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica em que viviam muitos rurais como consequ\u00eancia da crise econ\u00f3mica de 1929 e da necessidade de apoiar a organiza\u00e7\u00e3o..<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><span class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\">Marinheiros<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o obstante a feroz repress\u00e3o, tanto o PCP como a FJCP desenvolviam neste in\u00edcio da d\u00e9cada de 1930 uma intensa actividade, que se traduzia nas in\u00fameras publica\u00e7\u00f5es que editavam, embora muitas delas fossem de car\u00e1cter ef\u00e9mero como, ali\u00e1s, acontecia ent\u00e3o com a generalidade dos jornais editados na situa\u00e7\u00e3o de clandestinidade. <\/p>\n\n\n\n<p>Assim, em virtude da repress\u00e3o e da falta de condi\u00e7\u00f5es para editar a sua imprensa central, a partir de Fevereiro de 1932 o PCP suspendeu temporariamente a publica\u00e7\u00e3o do <em>Avante!<\/em> e do <em>O Jovem<\/em>, editando em sua substitui\u00e7\u00e3o o <em>Frente Vermelha: \u00f3rg\u00e3o central do PCP e da FJCP<\/em>, do qual se publicaram dois n\u00fameros, em Outubro e Novembro desse ano, ambos impressos na \u201cImprenta Cosmopolita\u201d, em Sevilha.<\/p>\n\n\n\n<p> <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-15 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"538\" height=\"801\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/MARINHEIRO-VERMELHO.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2952\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/MARINHEIRO-VERMELHO.png 538w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/MARINHEIRO-VERMELHO-201x300.png 201w\" sizes=\"(max-width: 538px) 100vw, 538px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">Em meados de 1932, fruto da iniciativa de um grupo de marinheiros ligados ao PCP \u2013 um grumete, tr\u00eas 1\u00bas Marinheiros e um Sargento \u2013 <\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p style=\"font-size:18px\"> surgiu um movimento que veio a desembocar na cria\u00e7\u00e3o da ORA \u2013 Organiza\u00e7\u00e3o Revolucion\u00e1ria da Armada, a qual veio a editar <em>O<\/em> <em>Marinheiro Vermelho: Porta-Voz da ORA \u2013 Sec\u00e7\u00e3o Militar do Partido Comunista na Marinha de Guerra<\/em>\u00a0 \u2013 qual n\u00e3o se conhecem exemplares dos tr\u00eas primeiros n\u00fameros \u2013, sido publicado at\u00e9 Abril de 1936 (n.\u00ba 14), uma vez que em 8 de Setembro desse ano eclodiu a malograda \u201cRevolta dos Marinheiros\u201d, impossibilitando temporariamente a continuidade da ORA e da sua imprensa. O jornal conheceu uma grande popularidade, tendo alcan\u00e7ado a tiragem de 1 500 exemplares, um n\u00famero bastante significativo, n\u00e3o apenas pelas condi\u00e7\u00f5es em que era publicado, mas principalmente porque os efectivos totais da Marinha de Guerra n\u00e3o chegavam ent\u00e3o aos 5 000 marinheiros.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Imprensa republicana<\/h2>\n\n\n\n<p>A imprensa republicana tem nesta \u00e9poca cada vez mais dificuldade em editar-se no interior do pa\u00eds, como o atesta a publica\u00e7\u00e3o por este sector da Oposi\u00e7\u00e3o, no Rio de Janeiro, entre 1932 e 1936, do <em>Portugal Republicano: \u00f3rg\u00e3o do Centro Republicano Portugu\u00eas Dr. Afonso Costa<\/em>, dirigido por Eug\u00e9nio Martins, e que apresentava tamb\u00e9m como subt\u00edtulo \u201c<em>Ser pela Rep\u00fablica \u00e9 ser pela P\u00e1tria<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery aligncenter columns-1 is-cropped wp-block-gallery-17 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"574\" height=\"805\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/PORTUGAL-REP.png\" alt=\"\" data-id=\"2953\" data-full-url=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/PORTUGAL-REP.png\" data-link=\"http:\/\/aep61-74.org\/?attachment_id=2953\" class=\"wp-image-2953\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/PORTUGAL-REP.png 574w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/PORTUGAL-REP-214x300.png 214w\" sizes=\"(max-width: 574px) 100vw, 574px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 manuel Cordeiro, autor do artigo Imprensa clandestina e do ex\u00edlio 1926.1974 (sendo o texto acima publicado um excerto correspondente ao per\u00edodo espec\u00edfico de 1926-1933)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/aep61-74.org\/index.php\/2021\/02\/16\/dossie-ice-uma-perspectiva-cronologica\/\">Artigo anterior de enquadramento<\/a> do tema pelo autor<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-1 is-cropped wp-block-gallery-19 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"583\" height=\"378\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/JMC.png\" alt=\"\" data-id=\"2943\" data-full-url=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/JMC.png\" data-link=\"http:\/\/aep61-74.org\/index.php\/2021\/02\/16\/dossie-ice-uma-perspectiva-cronologica\/jmc-2\/\" class=\"wp-image-2943\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/JMC.png 583w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/JMC-300x195.png 300w\" sizes=\"(max-width: 583px) 100vw, 583px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Imagens, fonte @ JM Cordeiro<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SEM FRONTEIRAS | 16 de fevereiro 2021 | Dossi\u00ea Imprensa Clandestina e do ex\u00edlio 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