{"id":2977,"date":"2021-02-18T20:28:38","date_gmt":"2021-02-18T20:28:38","guid":{"rendered":"http:\/\/aep61-74.org\/?p=2977"},"modified":"2021-02-18T20:28:42","modified_gmt":"2021-02-18T20:28:42","slug":"dossie-ice-a-crise-da-guerra-e-o-fim-das-ilusoes-1941-1958","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2021\/02\/18\/dossie-ice-a-crise-da-guerra-e-o-fim-das-ilusoes-1941-1958\/","title":{"rendered":"DOSSI\u00ca ICE |  A crise da guerra e o fim das ilus\u00f5es, 1941-1958"},"content":{"rendered":"\n<p><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\"><strong>SEM FRONTEIRAS<\/strong><\/span> | 18 de fevereiro 2021 | Dossi\u00ea Imprensa Clandestina e do Ex\u00edlio (Per\u00edodo III)<\/p>\n\n\n\n<p>3 \u2013 A CRISE DA GUERRA E O FIM DAS ILUS\u00d5ES, 1941-1958<\/p>\n\n\n\n<p>por <strong>Jos\u00e9 Manuel Cordeiro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a grave crise por que passou no final da d\u00e9cada de 1930 o Partido Comunista vir\u00e1 a ser reorganizado em 1941, reiniciando-se a publica\u00e7\u00e3o do <em>Avante!<\/em> a partir de Agosto desse ano, impresso numa casa da Avenida Capit\u00e3o Mele\u00e7as, em Alverca do Ribatejo, onde viviam Jos\u00e9 Greg\u00f3rio, Am\u00e9lia Fonseca do Carmo e Joaquim Correia, respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o dos n\u00fameros 1 a 10 da nova s\u00e9rie do \u00f3rg\u00e3o central do PCP, que por lapso se numerou erradamente como VI S\u00e9rie, em vez de IV S\u00e9rie, desde ent\u00e3o sido assumida como tal e tendo tido continuidade na VII S\u00e9rie, iniciada com o 25 de Abril. <\/p>\n\n\n\n<p>A reorganiza\u00e7\u00e3o tinha sido feita \u00e0 margem do PCP existente \u2013 dirigido por Cansado Gon\u00e7alves, Vasco de Carvalho, Velez Grilo e Francisco Sacav\u00e9m \u2013, no qual os reorganizadores n\u00e3o confiavam e suspeitavam de se encontrar infiltrado pela pol\u00edcia, o que para eles constitu\u00eda a \u00fanica explica\u00e7\u00e3o para as sucessivas pris\u00f5es dos dirigentes e militantes do partido. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Dois Avante!<\/h2>\n\n\n\n<p>Nesse mesmo m\u00eas de Agosto de 1941 inicia-se tamb\u00e9m a III S\u00e9rie do <em>Avante!<\/em>, da responsabilidade do partido existente, da qual se publicaram pelo menos tr\u00eas n\u00fameros em 1941 (n.\u00ba 1, Agosto, n.\u00ba 2, Novembro, e n.\u00ba 3, Dezembro), coexistindo a partir de ent\u00e3o e at\u00e9 1945 dois jornais com o mesmo t\u00edtulo e ambos reclamando-se constitu\u00edrem o <em>\u00f3rg\u00e3o central do PCP (SPIC),<\/em> n\u00e3o obstante este tivesse sido suspenso pela Internacional Comunista em finais de 1938. <\/p>\n\n\n\n<p>O partido existente publicar\u00e1 ainda uma IV S\u00e9rie do <em>Avante!<\/em>, iniciada em Novembro de 1943 com o n.\u00ba 10, que dava continuidade \u00e0 numera\u00e7\u00e3o da S\u00e9rie anterior, e que se publicou at\u00e9 ao n.\u00ba 20, de Janeiro-Fevereiro de 1945, quando o \u201cgrupelho provocat\u00f3rio\u201d, como os reorganizadores denominavam o partido existente, cessou a actividade.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda antes do reinicio da edi\u00e7\u00e3o do <em>Avante!<\/em> pelos reorganizadores, estes iniciaram a publica\u00e7\u00e3o, a partir de Junho de 1941, a III S\u00e9rie do <em>O Militante: boletim de Organiza\u00e7\u00e3o do PCP<\/em>, inicialmente policopiado mas que ap\u00f3s o n.\u00ba 17, de Fevereiro de 1943, passar\u00e1 a ser impresso. A partir do n.\u00ba 89, de Dezembro de 1956, haver\u00e1 uma altera\u00e7\u00e3o do subt\u00edtulo, passando a figurar como <em>Boletim do Comit\u00e9 Central do PCP<\/em>. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-1 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"473\" height=\"663\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ICE3_1.png\" alt=\"\" data-id=\"2978\" data-full-url=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ICE3_1.png\" data-link=\"http:\/\/aep61-74.org\/?attachment_id=2978\" class=\"wp-image-2978\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ICE3_1.png 473w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ICE3_1-214x300.png 214w\" sizes=\"(max-width: 473px) 100vw, 473px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p>Em 1941 iniciou-se tamb\u00e9m a publica\u00e7\u00e3o de uma nova s\u00e9rie do S<em>.V.I.: boletim de organiza\u00e7\u00e3o do Socorro Vermelho Internacional<\/em>, pelo menos at\u00e9 ao n.\u00ba 16, de Junho de 1943.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Frente antifascista<\/h2>\n\n\n\n<p>Em Dezembro de 1943, num momento de viragem da II Guerra Mundial a favor dos Aliados, constituiu-se o Movimento Nacional de Unidade Anti-Fascista (MUNAF), uma organiza\u00e7\u00e3o clandestina com um amplo car\u00e1cter frentista onde se encontravam representados o Partido Republicano Portugu\u00eas, a rec\u00e9m-fundada Uni\u00e3o Socialista, o Partido Comunista Portugu\u00eas, a Ma\u00e7onaria, o grupo da revista <em>Seara<\/em> Nova, cat\u00f3licos, mon\u00e1rquicos, anarquistas, personalidades sem filia\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria, e cujo Conselho Nacional era presidido pelo general Norton de Matos. <\/p>\n\n\n\n<p>O MUNAF desenvolveu uma intensa actividade oposicionista, como se pode apreender pelos in\u00fameros t\u00edtulos de imprensa que publicou a partir de 1944, entre os quais a <em>Voz<\/em> <em>do Povo: integrado nos objectivos do Conselho Nacional Anti-Fascista<\/em> \u2013 a partir do n.\u00ba 5 (?) o subt\u00edtulo foi alterado para \u201cContra o fascismo, pela democracia\u201d \u2013, o qual se publicou pelo menos at\u00e9 ao n.\u00ba 31, de Julho de 1946, o jornal <em>Liberta\u00e7\u00e3o Nacional: porta-voz do Conselho Nacional de Unidade Anti-Fascista<\/em>, que se iniciou em Novembro de 1944 e cujo \u00faltimo n\u00famero conhecido \u00e9 o de Setembro de 1948 (Ano III, n.\u00ba 2).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-4 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"597\" height=\"682\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ICE_2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2979\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ICE_2.png 597w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ICE_2-263x300.png 263w\" sizes=\"(max-width: 597px) 100vw, 597px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\"><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Elei\u00e7\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<p>Com o aproximar do fim da II Guerra Mundial come\u00e7aram a editar-se in\u00fameros jornais de car\u00e1cter anti-fascista. No ambiente de entusiasmo suscitado pelo final do conflito e a derrota do nazismo, ao qual se somavam as manifesta\u00e7\u00f5es que vitoriavam os Aliados, o movimento grevista, e a reclama\u00e7\u00e3o de Elei\u00e7\u00f5es Livres, o regime assumiu uma postura defensiva, tanto mais que se encontrava momentaneamente isolado no plano externo. <\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto, em Agosto de 1945, Salazar prometeu elei\u00e7\u00f5es livres, \u201c<em>t\u00e3o livres como na livre Inglaterra<\/em>\u201d, declara\u00e7\u00e3o hip\u00f3crita, mas que foi de imediato aproveitada por um sector importante da Oposi\u00e7\u00e3o para for\u00e7ar a constitui\u00e7\u00e3o de uma organiza\u00e7\u00e3o legal, o Movimento de Unidade Democr\u00e1tica (MUD), em Outubro de 1945, inicialmente tolerado pelo regime, mas que terminou ap\u00f3s a campanha eleitoral do general Norton de Matos, em 1949. <\/p>\n\n\n\n<p>O MUD contou com o apoio dos republicanos, socialistas, comunistas, anarquistas, cat\u00f3licos independentes e de alguns mon\u00e1rquicos, vindo a adquirir muito rapidamente um car\u00e1cter de massa, principalmente nas cidades, onde as respectivas comiss\u00f5es difundiam variada propaganda contra a ditadura, atraindo \u00e0 ac\u00e7\u00e3o anti-fascista largos sectores da popula\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>Tal como se verificara com o MUNAF \u2013 que manteve a sua ac\u00e7\u00e3o, em simult\u00e2neo, ainda durante algum tempo \u2013 o MUD desenvolveu uma intensa actividade editorial, com a publica\u00e7\u00e3o de diversos boletins e jornais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Jovens <\/h2>\n\n\n\n<p>A actividade editorial do MUD foi, de facto, particularmente prol\u00edfera, o que tamb\u00e9m traduzia a ampla aceita\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o por vastos sectores da popula\u00e7\u00e3o e, particularmente, da juventude, conduzindo \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do MUD Juvenil em Abril de 1946, o qual chegou a agrupar mais de 20 000 jovens, entre a sua funda\u00e7\u00e3o e 1948, quando foi ilegalizado. <\/p>\n\n\n\n<p>A fim de congregar o maior n\u00famero de jovens e ampliar a actua\u00e7\u00e3o do MUD Juvenil, o PCP decidiu dissolver a FJCP nesse ano de 1946, passando os seus militantes a actuar no \u00e2mbito da nova estrutura juvenil. O MUD Juvenil desempenhou um importante papel na mobiliza\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o dos jovens para a resist\u00eancia ao fascismo, uma experi\u00eancia que marcou fortemente todos os que nele participaram. <\/p>\n\n\n\n<p>A sua produ\u00e7\u00e3o editorial foi intens\u00edssima, mesmo ap\u00f3s a ilegaliza\u00e7\u00e3o, com in\u00fameros boletins publicados em v\u00e1rias localidades do pa\u00eds \u2013 Lisboa, Porto, Braga, Faro, Set\u00fabal, Barreiro, Regi\u00e3o Norte, Regi\u00e3o Oeste, Alentejo, Distrito de Faro \u2013<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-8 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"449\" height=\"580\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ICE_4-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2983\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ICE_4-2.png 449w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ICE_4-2-232x300.png 232w\" sizes=\"(max-width: 449px) 100vw, 449px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\"><\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p style=\"font-size:18px\">destacando-se o <em>MUD Juvenil: Boletim da Comiss\u00e3o Central<\/em>, cujo primeiro n\u00famero surgiu em Agosto de 1946, tendo-se editado, pelo menos, at\u00e9 Agosto de 1949, n\u00e3o obstante a feroz persegui\u00e7\u00e3o que o regime lhe moveu, vindo a ilegaliz\u00e1-lo em 1948.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Novos jornais<\/h2>\n\n\n\n<p>Com o objectivo de multiplicar as ac\u00e7\u00f5es de massas que contribu\u00edssem para a desagrega\u00e7\u00e3o do regime, ap\u00f3s a II Guerra Mundial o PCP criou um conjunto de novos jornais, para diversas frentes de luta, como <em>O Campon\u00eas<\/em> \u2013 tendo o seu cabe\u00e7alho sido desenhado por \u00c1lvaro Cunhal \u2013, dirigido aos oper\u00e1rios agr\u00edcolas do Sul, cuja publica\u00e7\u00e3o se iniciou em Maio de 1947, tendo sido editados 122 n\u00fameros, at\u00e9 Junho de 1969, <em>O Ferrovi\u00e1rio<\/em> (1956), para os oper\u00e1rios dos caminhos de ferro, e a <em>Uni\u00e3o no Andaime<\/em>(1957) para os trabalhadores da constru\u00e7\u00e3o civil. <\/p>\n\n\n\n<p>Para o mundo rural, lan\u00e7ou <em>O Campon\u00eas das Beiras<\/em>, destinado aos camponeses dessa regi\u00e3o, iniciado em Setembro de 1947, mas do qual n\u00e3o s\u00e3o conhecidos exemplares, <em>A Terra<\/em>, para os pequenos e m\u00e9dios agricultores do Norte e Centro, que conheceu duas S\u00e9ries, a primeira com in\u00edcio em Janeiro de 1949, da qual n\u00e3o se conhece quantos n\u00fameros foram publicados<em>.<\/em> Para os sectores oper\u00e1rios lan\u00e7ou, em Junho de 1955, <em>O Corticeiro<\/em>, que se publicou at\u00e9 ao n.\u00ba 44, de Janeiro de 1967.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-1 is-cropped wp-block-gallery-10 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"454\" height=\"616\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ICE_5.png\" alt=\"\" data-id=\"2984\" data-full-url=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ICE_5.png\" data-link=\"http:\/\/aep61-74.org\/?attachment_id=2984\" class=\"wp-image-2984\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ICE_5.png 454w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ICE_5-221x300.png 221w\" sizes=\"(max-width: 454px) 100vw, 454px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p>A reorganiza\u00e7\u00e3o do Partido Comunista Portugu\u00eas em 1941 dotou-o de um bem estruturado aparelho clandestino que lhe permitiu desenvolver uma actividade regular at\u00e9 ao 25 de Abril e fazer face \u00e0s cont\u00ednuas investidas da PIDE. <\/p>\n\n\n\n<p>Um dos aspectos que nos revela a preocupa\u00e7\u00e3o que a partir de ent\u00e3o foi prestada ao aparelho partid\u00e1rio, conferindo-lhe uma melhor estrutura, traduz-se na cria\u00e7\u00e3o de publica\u00e7\u00f5es internas destinadas a quebrar o isolamento dos militantes clandestinos e refor\u00e7ar-lhes o \u00e2nimo nas dif\u00edceis condi\u00e7\u00f5es que defrontavam. <\/p>\n\n\n\n<p>Assim, em Janeiro de 1946 surgiu o <em>3 P\u00e1ginas<\/em>, \u201c<em>boletim interno para as camaradas das casas do Partido<\/em>\u201d, com o objectivo melhorar o n\u00edvel pol\u00edtico e cultural das militantes clandestinas das casas ilegais, o qual ser\u00e1 publicado, embora com algumas interrup\u00e7\u00f5es, de Janeiro de 1946 a Janeiro de 1956, num total de 68 n\u00fameros, e que entre outras contou com Maria Helena Magro, como redactora. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A caixa de f\u00f3sforos<\/h2>\n\n\n\n<p>Em 1956, a responsabilidade do boletim passou para Margarida Tengarrinha, que o transformou no <em>A Voz das Camaradas das Casas do Partido<\/em>, dirigindo-o desde a sua cria\u00e7\u00e3o at\u00e9 1960. Maria Helena Magro, foi outra das redactoras, usando o pseud\u00f3nimo de \u201cManuela\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>O novo boletim tinha como objectivo estimular o estudo, aumentar o n\u00edvel cultural e pol\u00edtico das funcion\u00e1rias do partido e encoraj\u00e1-las a escrever, para al\u00e9m de divulgar uma troca de experi\u00eancias, ajudando a quebrar o isolamento da clandestinidade. <\/p>\n\n\n\n<p>Publicava tamb\u00e9m cartas e dava conselhos pr\u00e1ticos. Margarida Tengarrinha celebrizou o pseud\u00f3nimo &#8220;Leonor&#8221; com um artigo sobre a import\u00e2ncia das funcion\u00e1rias terem uma caixa de f\u00f3sforos junto aos documentos, para que estes fossem rapidamente queimados em caso da casa ser assaltada pela PIDE (n.\u00ba 41, Maio de 1956).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-1 is-cropped wp-block-gallery-12 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"395\" height=\"607\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ICE_6.png\" alt=\"\" data-id=\"2985\" data-full-url=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ICE_6.png\" data-link=\"http:\/\/aep61-74.org\/?attachment_id=2985\" class=\"wp-image-2985\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ICE_6.png 395w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ICE_6-195x300.png 195w\" sizes=\"(max-width: 395px) 100vw, 395px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p>Dando continuidade a um objectivo que j\u00e1 tinha concretizado na d\u00e9cada de 1930 com a cria\u00e7\u00e3o da Liga dos Amigos da URSS, o PCP lan\u00e7ar\u00e1 em 1958 um novo boletim para divulgar a realidade da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, o <em>Portugal-URSS<\/em>, o qual se publicou at\u00e9 1960, cujo cabe\u00e7alho foi concebido por Jos\u00e9 Dias Coelho.<\/p>\n\n\n\n<p>No ambiente de Guerra Fria que marcou o final da d\u00e9cada de 1940 e se prolongou pela seguinte, e no contexto de divis\u00e3o que a mesma instalou no seio da Oposi\u00e7\u00e3o entre os comunistas e os n\u00e3o comunistas, o PCP procurou combater a ruptura existente com os outros sectores oposicionistas e evitar o seu isolamento atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o do Movimento Nacional Democr\u00e1tico (MND), que surgiu no Porto em 13 de Fevereiro de 1949 aproveitando as estruturas de apoio \u00e0 candidatura de Norton de Matos que n\u00e3o tinham aceitado a dissolu\u00e7\u00e3o determinada pelo candidato, o qual contou com a participa\u00e7\u00e3o de Rui Lu\u00eds Gomes \u2013 que foi seu Presidente \u2013 e Virg\u00ednia de Moura, entre outros. O MND publicou diversos boletins, entre os quais <em>o Unidade!<\/em>, boletim da sua Comiss\u00e3o Central, que se publicou entre Junho de 1951 e, pelo menos, Agosto de 1953.\u00b4<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Legal s\u00f3 no ex\u00edlio<\/h2>\n\n\n\n<p>O rompimento da unidade antifascista levou a que outros sectores da Oposi\u00e7\u00e3o, ensaiassem a cria\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es legais, como foi o caso da Causa Republicana, em Novembro de 1954, promovida pelo Eng.\u00ba Cunha Leal, Dr. Eduardo Ralha, Dr. Ad\u00e3o e Silva, Dr. Rodrigues dos Santos, Dr. Gustavo Soromenho, entre outros, que publicou o boletim <em>Causa Republicana <\/em>(sendo on.\u00ba 5, de Fevereiro de 1956 o \u00fanico conhecido), mas cuja legaliza\u00e7\u00e3o veio a ser proibida pelo regime em Junho de 1955. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-16 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"454\" height=\"647\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ICE3_7.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2986\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ICE3_7.png 454w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ICE3_7-211x300.png 211w\" sizes=\"(max-width: 454px) 100vw, 454px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\"><\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p style=\"font-size:18px\">A \u00fanica possibilidade de editar imprensa legal era no ex\u00edlio, onde surgiu em Julho de 1956 o <em>Portugal Democr\u00e1tico, <\/em>fundado por um n\u00facleo de portugueses emigrados e de oposi\u00e7\u00e3o ao salazarismo residentes em S. Paulo, tendo publicado 205 n\u00fameros at\u00e9 1975, ou o <em>Portugal Livre<\/em>, editado igualmente em S. Paulo, que se editou entre 1959 e 1961.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p>A corrente anarquista, bastante debilitada, ensaiou durante este per\u00edodo uma tentativa de reorganiza\u00e7\u00e3o, tendo publicado entre 1947 e 1949 uma V S\u00e9rie da <em>A Batalha<\/em>, com o subt\u00edtulo \u00f3rg\u00e3o Confedera\u00e7\u00e3o Geral do Trabalho aderente \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores, num total de doze n\u00fameros.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-1 is-cropped wp-block-gallery-18 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"583\" height=\"378\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/JMC.png\" alt=\"\" data-id=\"2943\" data-full-url=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/JMC.png\" data-link=\"http:\/\/aep61-74.org\/index.php\/2021\/02\/16\/dossie-ice-uma-perspectiva-cronologica\/jmc-2\/\" class=\"wp-image-2943\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/JMC.png 583w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/JMC-300x195.png 300w\" sizes=\"(max-width: 583px) 100vw, 583px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 Manuel Lopes Cordeiro, autor do artigo Imprensa clandestina e do ex\u00edlio 1926-1974 (sendo o texto acima publicado um excerto correspondente ao per\u00edodo espec\u00edfico de 1941-1958).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/aep61-74.org\/index.php\/2021\/02\/16\/dossie-ice-a-contestacao-a-ditadura-1926-1933\/\">Artigo anterio<\/a><a href=\"http:\/\/aep61-74.org\/index.php\/2021\/02\/17\/dossie-ice-repressao-e-resistencia-1933-1941\/\">r&nbsp;<\/a>&nbsp;do tema pelo autor |&nbsp;<em>Imagens, fonte @ JM Cordeiro<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SEM FRONTEIRAS | 18 de fevereiro 2021 | Dossi\u00ea Imprensa Clandestina e do Ex\u00edlio (Per\u00edodo&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2988,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[5,174],"tags":[175],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/periodo31.png",1024,478,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/periodo31-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/periodo31-300x140.png",300,140,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/periodo31-768x359.png",640,299,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/periodo31.png",640,299,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/periodo31.png",1024,478,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/periodo31.png",1024,478,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/periodo31.png",1024,478,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/periodo31.png",800,373,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/periodo31.png",1024,478,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/periodo31.png",540,252,false],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/periodo31.png",400,187,false]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/memorias-vivas\/centro-documentacao\/\" rel=\"category tag\">CENTRO DOCUMENTA\u00c7\u00c3O<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/especial-sf\/dossies\/\" rel=\"category tag\">DOSSI\u00caS<\/a>","tag_info":"DOSSI\u00caS","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2977"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2977"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2977\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2989,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2977\/revisions\/2989"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2988"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2977"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2977"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2977"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}