{"id":3009,"date":"2021-02-20T21:50:43","date_gmt":"2021-02-20T21:50:43","guid":{"rendered":"http:\/\/aep61-74.org\/?p=3009"},"modified":"2021-02-20T21:50:46","modified_gmt":"2021-02-20T21:50:46","slug":"dossie-ice-o-marcelismo-e-a-deterioracao-do-regime-1968-1974","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2021\/02\/20\/dossie-ice-o-marcelismo-e-a-deterioracao-do-regime-1968-1974\/","title":{"rendered":"DOSSI\u00ca ICE |  O marcelismo e a deteriora\u00e7\u00e3o do regime, 1968-1974"},"content":{"rendered":"\n<p><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\"><strong>SEM  FRONTEIRAS <\/strong><\/span>| 20 de fevereiro 2021 | Dossi\u00ea Imprensa clandestina e do ex\u00edlio. 1968-1974 (Per\u00edodo V)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>5. O MARCELISMO E A DETERIORA\u00c7\u00c3O DO REGIME, 1968 \u2013 1974<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>por <strong>Jos\u00e9 Manuel Cordeiro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A chegada ao poder de Marcelo Caetano, em Setembro de 1968, e a pol\u00edtica da \u201cevolu\u00e7\u00e3o na continuidade\u201d por ele anunciada suscitou grande expectativa num pa\u00eds ansioso por mudan\u00e7as. No entanto, a esperan\u00e7a rapidamente se desvaneceu, tanto mais que o regime se revelava incapaz de resolver o principal problema que afectava a sociedade portuguesa, a guerra colonial. <\/p>\n\n\n\n<p>Pouco depois das elei\u00e7\u00f5es para a Assembleia Nacional de Outubro de 1969, fustigadas pelas habituais irregularidades, registou-se o ocaso da \u201cprimavera marcelista\u201d, com o enclausuramento do regime e o endurecimento da repress\u00e3o. Contudo, o pa\u00eds tinha mudado. Uma d\u00e9cada de significativas transforma\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas, sociais e culturais, o surgimento de novas gera\u00e7\u00f5es, mais radicalizadas perante os impasses que o regime n\u00e3o conseguia ultrapassar, criaram as condi\u00e7\u00f5es para o florescimento de in\u00fameros grupos e organiza\u00e7\u00f5es de uma esquerda revolucion\u00e1ria, predominantemente maoistas, cuja imprensa se multiplicar\u00e1 nos anos finais do regime. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ades\u00e3o a novas pr\u00e1ticas pol\u00edticas<\/h2>\n\n\n\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 tamb\u00e9m favorecida pelas transforma\u00e7\u00f5es ocorridas no plano internacional, como os acontecimentos de Maio de 1968 em Fran\u00e7a, a Revolu\u00e7\u00e3o Cultural na Rep\u00fablica Popular da China, a oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 Guerra do Vietname e \u00e0 interven\u00e7\u00e3o norte-americana, assim como \u00e0 invas\u00e3o da ent\u00e3o Checoslov\u00e1quia pelas tropas do Pacto de Vars\u00f3via, as quais fizeram despertar no seio da juventude, particularmente na juventude estudantil universit\u00e1ria, cada vez mais politizada, a ades\u00e3o a novas pr\u00e1ticas pol\u00edticas e \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es que ent\u00e3o surgiram em grande medida como resultado da conjuga\u00e7\u00e3o de todos estes factores.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-3 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"446\" height=\"582\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/o-com.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3010\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/o-com.png 446w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/o-com-230x300.png 230w\" sizes=\"(max-width: 446px) 100vw, 446px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\">Em Dezembro de 1968 surgiu o jornal <em>O Comunista<\/em>, publicado pelos N\u00facleos \u201cO Comunista\u201d, criados em Paris por ex-militantes do CM-LP, do PCP e outros elementos sem partido, do qual se publicaram treze n\u00fameros at\u00e9 Julho de 1972.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p>Em 1969, iniciou-se a publica\u00e7\u00e3o do <em>Estrela Vermelha<\/em> e do <em>Unidade Popular<\/em>, editados em Paris pelo CM-LP, que no ano seguinte se transformar\u00e1 em Partido Comunista de Portugal (marxista-leninista) [PCP (m-l)], dando continuidade \u00e0 edi\u00e7\u00e3o daquelas publica\u00e7\u00f5es. Do primeiro, ser\u00e3o editados quinze n\u00fameros at\u00e9 ao 25 de Abril, e do segundo, dezanove n\u00fameros tamb\u00e9m at\u00e9 Abril de 1974.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery alignwide columns-2 is-cropped wp-block-gallery-5 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"396\" height=\"572\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/estrekla-ver-1.png\" alt=\"Um desenho antigo a l\u00e1pis de Don Quixote e Sancho Panza montados nos seus cavalos, por Wilhelm Marstrand.\" data-id=\"3013\" data-full-url=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/estrekla-ver-1.png\" data-link=\"http:\/\/aep61-74.org\/?attachment_id=3013\" class=\"wp-image-3013\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/estrekla-ver-1.png 396w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/estrekla-ver-1-208x300.png 208w\" sizes=\"(max-width: 396px) 100vw, 396px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"412\" height=\"544\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/unidde-popi.png\" alt=\"\" data-id=\"3012\" data-full-url=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/unidde-popi.png\" data-link=\"http:\/\/aep61-74.org\/?attachment_id=3012\" class=\"wp-image-3012\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/unidde-popi.png 412w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/unidde-popi-227x300.png 227w\" sizes=\"(max-width: 412px) 100vw, 412px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Em Portugal, na sequ\u00eancia da mobiliza\u00e7\u00e3o suscitada pelas elei\u00e7\u00f5es de 1969 surge, em Lisboa, em 18 de Setembro de 1970, o Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (MRPP), que editou o jornal te\u00f3rico <em>Bandeira Vermelha<\/em> \u2013 um \u00fanico n\u00famero publicado em Dezembro de 1970 \u2013, e o <em>Luta Popular<\/em>, o seu \u201c<em>\u00f3rg\u00e3o de massas\u201d<\/em>, com 16 n\u00fameros publicados entre Fevereiro de 1971 e Fevereiro de 1974.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery alignwide columns-2 is-cropped wp-block-gallery-7 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"381\" height=\"536\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ogrito-do-povo-1.png\" alt=\"\" data-id=\"3015\" data-full-url=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ogrito-do-povo-1.png\" data-link=\"http:\/\/aep61-74.org\/?attachment_id=3015\" class=\"wp-image-3015\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ogrito-do-povo-1.png 381w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ogrito-do-povo-1-213x300.png 213w\" sizes=\"(max-width: 381px) 100vw, 381px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"392\" height=\"548\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/lutapo.png\" alt=\"\" data-id=\"3016\" data-full-url=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/lutapo.png\" data-link=\"http:\/\/aep61-74.org\/?attachment_id=3016\" class=\"wp-image-3016\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/lutapo.png 392w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/lutapo-215x300.png 215w\" sizes=\"(max-width: 392px) 100vw, 392px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p>Em Dezembro de 1971 constituiu-se, no Porto, a organiza\u00e7\u00e3o que iniciou a publica\u00e7\u00e3o do jornal <em>O Grito do Povo<\/em>, o qual, a partir do n.\u00ba 10, de Mar\u00e7o de 1973, passar\u00e1 a constituir o \u00f3rg\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Comunista Marxista-Leninista Portuguesa (OCMLP), do qual se publicaram 22 n\u00fameros at\u00e9 ao 25 de Abril. Esta Organiza\u00e7\u00e3o tentou lan\u00e7ar o embri\u00e3o de uma central sindical clandestina, a Organiza\u00e7\u00e3o Sindical Vermelha, que nas v\u00e9speras do 25 de Abril, em Mar\u00e7o de 1974, editou o primeiro n\u00famero do seu boletim <em>Classe contra Classe<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">No ex\u00edlio<\/h2>\n\n\n\n<p>A imprensa marxista-leninista cresceu acentuadamente a partir dos finais da d\u00e9cada de 1960 e in\u00edcio da seguinte, tanto no ex\u00edlio como no interior do pa\u00eds, como resultado da mobiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica suscitada pelas elei\u00e7\u00f5es de 1969 e da influ\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o internacional, o que originou o surgimento de novas organiza\u00e7\u00f5es, ou cis\u00f5es nas at\u00e9 ent\u00e3o existentes, cada uma publicando um ou v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os de imprensa. <\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o caso dos diversos N\u00facleos do \u201cO Comunista\u201d com a publica\u00e7\u00e3o do <em>Luta Oper\u00e1ria<\/em>, que inicialmente constituiu o \u201c<em>\u00f3rg\u00e3o dos Trabalhadores Revolucion\u00e1rios Portugueses na Su\u00e9cia<\/em>\u201d, com dez n\u00fameros publicados entre Mar\u00e7o de 1971 e o 25 de Abril, <em>As Armas do Povo, <\/em>dos \u201c<em>Trabalhadores Portugueses da F\u00e1brica da Renault-Billancourt<\/em>\u201d (1971), ou o <em>Ergue-te e Luta, <\/em>\u201c<em>Jornal Oper\u00e1rio Comunista Para os Trabalhadores Portugueses de Boulogne<\/em>\u201d (1972), ambos com v\u00e1rios n\u00fameros e suplementos.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas destas organiza\u00e7\u00f5es que se reclamavam do marxismo-leninismo, influenciavam associa\u00e7\u00f5es e outras entidades que desenvolviam actividade junto da emigra\u00e7\u00e3o portuguesa em v\u00e1rios pa\u00edses europeus, como era o caso da Associa\u00e7\u00e3o Resist\u00eancia e Trabalho, de Amesterd\u00e3o, que publicava o boletim informativo <em>Novo Rumo<\/em>, com mais de duas dezenas de n\u00fameros editados entre 1970 e o 25 de Abril, do Centro de Conv\u00edvio Portugu\u00eas &#8220;Outubro&#8221;, que editou o jornal <em>Alavanca<\/em>, com doze n\u00fameros entre Abril de 1972 e Janeiro de 1973, ou da Comiss\u00e3o Cultural Recreativa de Bruxelas, que de Outubro de 1973 a Janeiro de 1974 publicou dois n\u00fameros do boletim <em>Rumo \u00e0 Uni\u00e3o.<\/em> <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Revistas e jornais<\/h2>\n\n\n\n<p>A actividade editorial no dom\u00ednio cultural foi tamb\u00e9m assumida por estas organiza\u00e7\u00f5es, traduzindo-se na edi\u00e7\u00e3o de revistas, como a <em>Seara Vermelha<\/em>, com dois n\u00fameros editados em 1973, a <em>Sementeira<\/em>, \u201c<em>Revista de Cultura Popular<\/em>\u201d, com tr\u00eas n\u00fameros editados em 1973 e 1974, ou a <em>Spartacus<\/em>, \u201c<em>Revista dos Trabalhadores Portugueses<\/em>\u201d, com um n\u00famero publicado com a data de Maio de 1974, mas preparado ainda antes do 25 de Abril. A OCMLP criou tamb\u00e9m os <em>Cadernos Teatro Oper\u00e1rio<\/em>, para acompanhar os espect\u00e1culos do seu grupo teatral, dirigido por H\u00e9lder Costa, dos quais se editaram tr\u00eas n\u00fameros durante o ano de 1973.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-11 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"382\" height=\"584\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/SALTO.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3017\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/SALTO.png 382w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/SALTO-196x300.png 196w\" sizes=\"(max-width: 382px) 100vw, 382px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Um aspecto significativo da actividade destas organiza\u00e7\u00f5es marxistas-leninistas no Exterior era a edi\u00e7\u00e3o de jornais legais, dirigidos fundamentalmente aos emigrantes portugueses, como <em>O Salto<\/em>, com o subt\u00edtulo \u201c<em>Jornal dos Trabalhadores Portugueses Emigrados<\/em>\u201d, que conheceu 24 edi\u00e7\u00f5es entre Novembro de 1970 e Mar\u00e7o de 1974,<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p>ou o <em>Alarme<\/em>, \u201c<em>Jornal dos Portugueses da Regi\u00e3o de Grenoble<\/em>\u201d, cujo director, para respeitar a legisla\u00e7\u00e3o francesa, era Jean-Paul Sartre, e que publicou dezanove n\u00fameros entre Agosto de 1972 e Abril de 1974. Destacam-se, ainda, o <em>Jornal do Emigrante<\/em>, com doze n\u00fameros entre Janeiro de 1968 e 1972, assim como o <em>Jornal Portugu\u00eas<\/em>, que publicou sete n\u00fameros entre Abril de 1973 e Abril de 1974.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-1 is-cropped wp-block-gallery-13 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"446\" height=\"599\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ALARME.png\" alt=\"\" data-id=\"3018\" data-full-url=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ALARME.png\" data-link=\"http:\/\/aep61-74.org\/?attachment_id=3018\" class=\"wp-image-3018\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ALARME.png 446w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/ALARME-223x300.png 223w\" sizes=\"(max-width: 446px) 100vw, 446px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 guerra<\/h2>\n\n\n\n<p>A oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 guerra colonial suscitou o aparecimento, principalmente durante o per\u00edodo final do regime, de in\u00fameros jornais, publicados no ex\u00edlio mas tamb\u00e9m no interior do pa\u00eds. <\/p>\n\n\n\n<p>Entre estes contam-se o <em>Resist\u00eancia<\/em>, \u201cJornal da Resist\u00eancia Popular Anticolonial\u201d (RPAC), que seguia a orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do MRPP, do qual se editaram seis n\u00fameros entre Agosto de 1971 e Mar\u00e7o de 1974, o <em>Anti-Colonialista<\/em>, do Movimento Popular Anti-Colonial (MPAC), afecto igualmente ao MRPP, com doze n\u00fameros entre Fevereiro de 1973 e Abril de 1974, o boletim <em>Os Povos das Col\u00f3nias Vencer\u00e3o!<\/em>, \u00f3rg\u00e3o dos Comit\u00e9s de Luta Anti-Colonial e Anti-Imperalista, que seguiam a orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do PCP (m-l), do qual se publicaram oito n\u00fameros entre Fevereiro de 1972 e Janeiro de 1974, <em>A Luta dos Povos<\/em> e <em>Os Povos em Armas<\/em>, editados respectivamente em Coimbra e no Porto pela Organiza\u00e7\u00e3o dos Comit\u00e9s \u201cServir o Povo\u201d, que seguia a orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos CRECs [Comit\u00e9s Revolucion\u00e1rios de Estudantes Comunistas, a organiza\u00e7\u00e3o estudantil da OCMLP], tendo-se publicado a partir de Maio de 1973, nove n\u00fameros do primeiro e tr\u00eas do segundo. <\/p>\n\n\n\n<p>Em Outubro de 1972, o sector dos cat\u00f3licos progressistas iniciou tamb\u00e9m a publica\u00e7\u00e3o do <em>Boletim Anti-Colonial<\/em>, que conheceu nove n\u00fameros at\u00e9 Outubro de 1973. Este sector publicou igualmente, em 1969-1970, onze n\u00fameros dos <em>Cadernos GEDOC<\/em>, do Grupo de Estudos e Interc\u00e2mbio de Documentos, Informa\u00e7\u00e3o, Experi\u00eancias, dinamizado por Nuno Teot\u00f3nio Pereira, Mendes Mour\u00e3o e pelos padres Felicidade Alves e Ab\u00edlio Cardoso.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery alignwide columns-2 is-cropped wp-block-gallery-15 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"452\" height=\"663\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/LUTA.png\" alt=\"\" data-id=\"3019\" data-full-url=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/LUTA.png\" data-link=\"http:\/\/aep61-74.org\/?attachment_id=3019\" class=\"wp-image-3019\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/LUTA.png 452w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/LUTA-205x300.png 205w\" sizes=\"(max-width: 452px) 100vw, 452px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"435\" height=\"639\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/A-VOZ-DO-DESERRTTO.png\" alt=\"\" data-id=\"3020\" data-full-url=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/A-VOZ-DO-DESERRTTO.png\" data-link=\"http:\/\/aep61-74.org\/?attachment_id=3020\" class=\"wp-image-3020\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/A-VOZ-DO-DESERRTTO.png 435w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/A-VOZ-DO-DESERRTTO-204x300.png 204w\" sizes=\"(max-width: 435px) 100vw, 435px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p>A imprensa dos comit\u00e9s de desertores, sedeados em v\u00e1rias cidades europeias, constituiu outra componente significativa da oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 guerra colonial. Entre os mais importantes, contam-se o jornal <em>Luta<\/em>, publicado em Paris e Grenoble, com tr\u00eas n\u00fameros e v\u00e1rios suplementos, entre Abril de 1972 e Agosto de 1973, o <em>Insurrei\u00e7\u00e3o<\/em>, editado na Dinamarca, com tr\u00eas n\u00fameros publicados durante o ano de 1972, o <em>Deser\u00e7\u00e3o<\/em>, publicado na Holanda, que editou seis n\u00fameros de Agosto de 1972 a Mar\u00e7o de 1974, o <em>Guerra \u00e0 Guerra<\/em>, publicado em Malm\u00f6-Lund, Su\u00e9cia, com oito n\u00fameros entre Maio de 1972 e Mar\u00e7o de 1974, ou <em>A Voz do Desertor<\/em>, editado em Fran\u00e7a, e que conheceu tr\u00eas n\u00fameros entre Fevereiro e Outubro de 1973.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Do Porto a Bad M\u00fcnstereifel<\/h2>\n\n\n\n<p>Em 1969 iniciou-se a publica\u00e7\u00e3o, no Porto, dos <em>Cadernos Necess\u00e1rios<\/em>, animados por M\u00e1rio Brochado Coelho, que conheceram cinco n\u00fameros durante esse ano, e em 1970 surgiu a revista <em>Pol\u00e9mica<\/em>, do Grupo \u201cRevolu\u00e7\u00e3o Socialista\u201d, exilado em Genebra, publicada por Ant\u00f3nio Barreto, Medeiros Ferreira, Eurico Figueiredo, Valentim Alexandre e Ana Benavente, entre outros, que editou quatro n\u00fameros at\u00e9 1973. Em Paris, o antigo militante do PCP e do <em>O Comunista<\/em>, J. A. Silva Marques, publicou seis n\u00fameros dos <em>Cadernos<\/em> do C\u00edrculo de Iniciativa Pol\u00edtica, entre Novembro de 1972 e Mar\u00e7o de 1974.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos finais de 1972 \u2013 in\u00edcios de 1973, surge pela primeira vez em Portugal a imprensa trotskista, inicialmente no Exterior com o <em>Revolu\u00e7\u00e3o Prolet\u00e1ria<\/em>, do Comit\u00e9 de Liga\u00e7\u00e3o dos Militantes Revolucion\u00e1rios Portugueses, que conheceu tr\u00eas n\u00fameros entre Janeiro de 1973 e Mar\u00e7o de 1974. Tamb\u00e9m no Exterior, entre Abril de 1973 e Fevereiro de 1974, publicou-se o <em>Combate Oper\u00e1rio<\/em>, suplemento do jornal <em>Rouge<\/em>, da Ligue Communiste. <\/p>\n\n\n\n<p>Em Portugal, a rec\u00e9m-constitu\u00edda Liga Comunista Internacionalista editou o <em>Ac\u00e7\u00e3o Comunista<\/em>, com dois n\u00fameros em Outubro de 1973 e Fevereiro de 1974, e o <em>Luta Prolet\u00e1ria<\/em>, com um n\u00famero em Novembro de 1973. Com a transforma\u00e7\u00e3o da Ac\u00e7\u00e3o Socialista Portuguesa em Partido Socialista (PS), em Abril de 1973, na cidade alem\u00e3 de Bad M\u00fcnstereifel, o <em>Portugal Socialista<\/em> passou a constituir o \u00f3rg\u00e3o central do PS, tendo nessa qualidade publicado tr\u00eas n\u00fameros at\u00e9 ao final desse ano.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Jos\u00e9 Manuel Lopes Cordeiro, autor do artigo Imprensa clandestina e do ex\u00edlio 1926-1974 (sendo o texto acima publicado um excerto correspondente ao per\u00edodo espec\u00edfico de 1968-1974)<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-1 is-cropped wp-block-gallery-17 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"514\" height=\"292\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/joslopes.png\" alt=\"\" data-id=\"2536\" data-full-url=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/joslopes.png\" data-link=\"http:\/\/aep61-74.org\/index.php\/2020\/12\/20\/livros-2020-a-imprensa-clandestina-e-do-exilio-no-periodo-1926-1974\/joslopes\/\" class=\"wp-image-2536\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/joslopes.png 514w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/joslopes-300x170.png 300w\" sizes=\"(max-width: 514px) 100vw, 514px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/aep61-74.org\/index.php\/2021\/02\/19\/dossie-ice-o-terramoto-delgado-e-a-contestacao-da-guerra-colonial-1958-1968\/\">Artigo anterior&nbsp;<\/a>&nbsp;do tema pelo autor |&nbsp;<em>Imagens, fonte @ JM Cordeiro<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SEM FRONTEIRAS | 20 de fevereiro 2021 | Dossi\u00ea Imprensa clandestina e do ex\u00edlio. 1968-1974&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3024,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[5,174],"tags":[175],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/jmc56.png",800,406,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/jmc56-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/jmc56-300x152.png",300,152,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/jmc56-768x390.png",640,325,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/jmc56.png",640,325,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/jmc56.png",800,406,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/jmc56.png",800,406,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/jmc56.png",800,406,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/jmc56.png",800,406,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/jmc56.png",800,406,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/jmc56.png",540,274,false],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/jmc56.png",400,203,false]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/memorias-vivas\/centro-documentacao\/\" rel=\"category tag\">CENTRO DOCUMENTA\u00c7\u00c3O<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/especial-sf\/dossies\/\" rel=\"category tag\">DOSSI\u00caS<\/a>","tag_info":"DOSSI\u00caS","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3009"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3009"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3009\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3025,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3009\/revisions\/3025"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3024"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3009"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3009"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3009"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}