{"id":3083,"date":"2021-02-25T19:56:28","date_gmt":"2021-02-25T19:56:28","guid":{"rendered":"http:\/\/aep61-74.org\/?p=3083"},"modified":"2021-02-25T19:56:32","modified_gmt":"2021-02-25T19:56:32","slug":"combatentes-da-liberdade-zeca-acompanharam-no-milhares-de-formigas-no-carreiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2021\/02\/25\/combatentes-da-liberdade-zeca-acompanharam-no-milhares-de-formigas-no-carreiro\/","title":{"rendered":"COMBATENTES DA LIBERDADE  |  Zeca,  acompanharam-no milhares de formigas no carreiro"},"content":{"rendered":"\n<p>SEM FRONTEIRAS | 25 de fevereiro 2021 |Combatentes da liberdade | Zeca Afonso<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O \u00faltimo passeio do m\u00fasico da Liberdade<\/h3>\n\n\n\n<p>por<strong> Martha Mendes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sempre que se falava no Zeca Afonso, a Av\u00f3 Florinda contava-nos, comovida, o dia do seu funeral, em Set\u00fabal \u201cNunca tinha visto tanta gente junta\u201d. Um mar de gente, munida de cravos vermelhos, tomou conta da Avenida Lu\u00edsa Todi &#8211; o que, dizia a minha av\u00f3, \u201cpara o tanto que ele nos deu, foi pouco\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Acompanharam-no, naquele \u00faltimo passeio, milhares de formigas no carreiro. Gra\u00e7as a ele, iam todas em sentido contr\u00e1rio<\/strong> e infinitamente gratas ao combatente e ao m\u00fasico da Liberdade, aquele que nos deu a &#8220;Gr\u00e2ndola, Vila Morena&#8221;. <\/p>\n\n\n\n<p>O corpo do m\u00fasico foi velado no interior da antiga Escola Industrial e Comercial de Set\u00fabal, onde Jos\u00e9 Afonso foi professor de muitos jovens setubalenses e de onde a ditadura o expulsou, como castigo pela sua luta contra o regime. As pessoas encheram as ruas \u00e0 volta da escola a cantar a &#8220;Trova do vento que passa&#8221; (&#8220;h\u00e1 sempre algu\u00e9m que resiste, h\u00e1 sempre algu\u00e9m que diz n\u00e3o\u201d) e, <strong>quando o caix\u00e3o apareceu, ao cimo das escadas da escola comercial, suspenso sobre ombros amigos do Zeca, sem que ningu\u00e9m combinasse, o mar de gente come\u00e7ou a cantar a senha do 25 de Abril. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>E nunca mais pararam de cantar a Liberdade, at\u00e9 chegarem ao cemit\u00e9rio.Os seus \u00faltimos desejos foram cumpridos: Zeca Afonso n\u00e3o queria nenhum s\u00edmbolo sobre o caix\u00e3o (que desfilou pela cidade apenas coberto com um pano vermelho e rodeado de cravos e p\u00e3o) e n\u00e3o queria que ningu\u00e9m fizesse luto. N\u00e3o houve s\u00edmbolos, n\u00e3o houve preto. S\u00f3 vermelho: sobre o caix\u00e3o, nos cravos e no cora\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>Durante as duas horas e o quil\u00f3metro e meio que durou o cortejo, alternaram no transporte do corpo oper\u00e1rios da antiga cintura industrial de Lisboa; pescadores setubalenses; antigos alunos; amigos e familiares do cantor; companheiros de luta e de palco, como S\u00e9rgio Godinho ou Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Muitas f\u00e1bricas deram o dia aos trabalhadores para acompanharem o funeral; a C\u00e2mara Municipal fez o mesmo aos seus funcion\u00e1rios.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma multid\u00e3o de homens, mulheres, crian\u00e7as, cravos, m\u00fasica e Liberdade encheram as avenidas e pararam o tr\u00e2nsito, numa comovente cerim\u00f3nia de despedida \u2013 juntos, iguais, semelhantes num coro uno de despedida a um dos nossos maiores. <\/p>\n\n\n\n<p>Estiveram presentes v\u00e1rios pol\u00edticos: Ramalho Eanes, Vasco Gon\u00e7alves, Maria de Lourdes Pintasilgo, Jos\u00e9 Manuel Tengarrinha, Jer\u00f3nimo de Sousa, Teresa Gouveia &#8211; que era, ent\u00e3o, secret\u00e1ria de Estado da Cultura &#8211; entre outros. Escritores, atores, futebolistas e muitos m\u00fasicos: Jos\u00e9 Niza, Carlos Paredes, Carlos do Carmo, Os Trovante, Vitorino, Janita Salom\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>A realiza\u00e7\u00e3o do vel\u00f3rio, na escola onde Zeca tinha sido professor, n\u00e3o foi bem vista pela governadora civil da cidade, que tentou impedir que fosse naquele local, por temer \u201cperturbar os estudantes\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mas foram, justamente, os jovens os primeiros a encher o recinto da escola para a \u00faltima homenagem a um dos mais transparentes rostos da Liberdade em Portugal.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p> Os mesmos jovens que, de cravo vermelho na m\u00e3o, pintaram numa faixa gigante um grito de eternidade: &#8220;Zeca, n\u00e3o morrer\u00e1s entre n\u00f3s&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi h\u00e1 34 anos. Jos\u00e9 Manuel Cerqueira Afonso dos Santos faleceu a 23 de fevereiro e foi sepultado no dia seguinte, no cemit\u00e9rio de Nossa Senhora da Piedade, em Set\u00fabal. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Acompanharam-no, at\u00e9 \u00e0 campa rasa n\u00ba 1606, milhares de formigas no carreiro. Gra\u00e7as a ele, iam todas em sentido contr\u00e1rio. Em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Liberdade.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cover alignwide has-background-dim-20 has-background-dim is-position-center-center\" style=\"background-image:url(http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Martha-Mendes.png);min-height:375px;background-position:40% 26%\"><div class=\"wp-block-cover__inner-container is-layout-flow wp-block-cover-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-text-align-center has-text-color\" style=\"color:#fffffa;font-size:74px;line-height:1.1\"><\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Martha Mendes <\/strong>| <em>Martha Mendes \u00e9 licenciada em Jornalismo, mestre em Comunica\u00e7\u00e3o e Jornalismo e doutoranda em Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o. Tem 35 anos e trabalha h\u00e1 cerca de 15 na \u00e1rea da Comunica\u00e7\u00e3o. \u00c9 m\u00e3e de duas meninas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Foto destaque @ jornal <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/ojornalosetubalense\/?__cft__[0]=AZUvQ7wFV8N81u4ePbe47J0SYQrGdEnG0meiG-Orox-PH0Z2PwxQn18dI63N1NCYJLvCLiFBInVGyYq7MxXEE3ZwGqzto-KHibT8am8rvi0vk5ereG2K_70NHtH9cSGuP25zaFqx9AuHgOlXHBAYuaFc&amp;__tn__=kK-R\">O Setubalense<\/a> | <em>autor n\/i<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SEM FRONTEIRAS | 25 de fevereiro 2021 |Combatentes da liberdade | Zeca Afonso O \u00faltimo&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3084,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[93,99],"tags":[179],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/marha.png",485,340,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/marha-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/marha-300x210.png",300,210,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/marha.png",485,340,false],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/marha.png",485,340,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/marha.png",485,340,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/marha.png",485,340,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/marha.png",485,340,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/marha.png",485,340,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/marha.png",485,340,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/marha.png",485,340,false],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/marha.png",357,250,false]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/memorias-vivas\/combatentes-da-liberdade\/\" rel=\"category tag\">Combatentes da Liberdade<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/opiniao\/\" rel=\"category tag\">OPINI\u00c3O<\/a>","tag_info":"OPINI\u00c3O","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3083"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3083"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3083\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3086,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3083\/revisions\/3086"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3084"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3083"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3083"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3083"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}