{"id":3200,"date":"2021-03-08T19:22:54","date_gmt":"2021-03-08T19:22:54","guid":{"rendered":"http:\/\/aep61-74.org\/?p=3200"},"modified":"2021-10-05T13:06:16","modified_gmt":"2021-10-05T13:06:16","slug":"uma-pandemia-feminina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2021\/03\/08\/uma-pandemia-feminina\/","title":{"rendered":"Uma pandemia feminina"},"content":{"rendered":"\n<p><code><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\"><strong>SEM FRONTEIRAS<\/strong><\/span><\/code> | Opini\u00e3o | Dia Internacional da Mulher<\/p>\n\n\n\n<p>por <strong>Martha Mendes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Num mundo onde, todos os dias, assistimos a atropelos aos direitos das mulheres o combate pela igualdade de g\u00e9nero nunca est\u00e1 terminado. A pandemia da Covid-19 \u00e9 um bom exemplo de como esta luta nunca acaba: mulheres esmagadas pela concilia\u00e7\u00e3o da vida profissional com a familiar, do teletrabalho com o ensino \u00e0 dist\u00e2ncia, dos filhos com os objetivos profissionais. <\/p>\n\n\n\n<p>Mulheres atoladas em cuidados parentais e trabalho dom\u00e9stico \u2013 um trabalho invis\u00edvel e desvalorizado \u2013 v\u00edtimas de precariedade laboral e de desigualdade salarial. O peso do mundo sobre os ombros femininos. Mulheres na linha da frente de muitos dos setores considerados essenciais: na sa\u00fade, na educa\u00e7\u00e3o, nos servi\u00e7os, nos supermercados e lojas, nas limpezas e na frente do combate \u00e0 Covid-19, nos hospitais, nos lares, nos diversos servi\u00e7os que nunca encerraram durante a pandemia. Cerca de 75% destas fun\u00e7\u00f5es \u2013 consideradas essenciais \u2013 s\u00e3o asseguradas por mulheres. Mulheres essenciais, mas pouco valorizadas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Emprego e femic\u00eddio<\/h2>\n\n\n\n<p>A pandemia s\u00f3 veio refor\u00e7ar a urg\u00eancia deste combate. Entre mar\u00e7o e abril de 2020, 9 em cada 10 pessoas que perderam o emprego era mulheres. Com elas fechadas em casa, aumentaram tamb\u00e9m os casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica: mais de 30% das queixas apresentadas s\u00e3o novos casos (mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia pela primeira vez). <\/p>\n\n\n\n<p>Houve 27 v\u00edtimas de femic\u00eddio, em Portugal, em 2020; 80% das v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica s\u00e3o mulheres; mais de 90% das v\u00edtimas de crimes sexuais s\u00e3o mulheres. N\u00fameros que gritam por elas e nos convocam a todos. De acordo com dados da UMAR (Uni\u00e3o de Mulheres Alternativa e Resposta), nos \u00faltimos 16 anos foram mortas 564 mulheres &#8211; quase tr\u00eas por m\u00eas desde 2004. A pandemia retirou a independ\u00eancia econ\u00f3mica a centenas de mulheres, roubando-lhes, assim, a oportunidade de quebrar c\u00edrculos viciosos de abusos, maus-tratos e viol\u00eancia \u2013 situa\u00e7\u00f5es transversais a todas classes sociais, idades e culturas. Para muitas mulheres, em todo o mundo, a casa de fam\u00edlia n\u00e3o \u00e9 um abrigo, nem um porto seguro. \u00c9 um espa\u00e7o de terror. E a rua, o mercado de trabalho, um espa\u00e7o de injusti\u00e7a e de desigualdade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Igualdade de oportunidades<\/h2>\n\n\n\n<p>Elas t\u00eam um n\u00edvel de escolaridade superior, mas ganham menos e raramente chegam a cargos de poder e de chefia. H\u00e1 mais mulheres desempregadas do que homens e um quarto das mulheres portuguesas que n\u00e3o trabalhavam fora de casa, em Portugal, em 2019, apontavam as \u201cresponsabilidades familiares\u201d como motivo para a sua inatividade profissional &#8211; uma justifica\u00e7\u00e3o que serve apenas 4% dos homens na mesma situa\u00e7\u00e3o. Em 2020 matricularam-se nas universidades portuguesas quase 215 mil mulheres e apenas 182 mil homens. Quase 60% dos estudantes que terminaram o curso em 2019 s\u00e3o mulheres. Onde \u00e9 que elas estar\u00e3o em 2040?<\/p>\n\n\n\n<p>O est\u00e1dio de desenvolvimento de uma sociedade mede-se pela forma como esta garante a todos \u2013 por igual e independentemente do sexo, idade, credo ou cor \u2013 a igualdade de oportunidades. Esta luta, por um mundo mais igualit\u00e1rio, n\u00e3o tem g\u00e9nero: \u00e9 de todos e convoca todos. Num mundo onde, todos os dias, assistimos a atropelos aos direitos das mulheres o combate pela igualdade de g\u00e9nero nunca est\u00e1 terminado. Hoje \u00e9 Dia Internacional da Mulher, mas amanh\u00e3 \u00e9 outro dia. E continua a ser dia de construir o caminho.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-1 wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"300\" height=\"180\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Martha-Mendes-300x180.png\" alt=\"\" data-id=\"2325\" data-full-url=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Martha-Mendes.png\" data-link=\"http:\/\/aep61-74.org\/index.php\/2020\/11\/16\/combatentes-da-liberdade-obrigada-marias-cheias-de-graca-e-de-garra\/martha-mendes\/\" class=\"wp-image-2325\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Martha-Mendes-300x180.png 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Martha-Mendes-768x461.png 768w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Martha-Mendes.png 932w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Martha Mendes&nbsp;<\/strong>|&nbsp;<em>Martha Mendes \u00e9 licenciada em Jornalismo, mestre em Comunica\u00e7\u00e3o e Jornalismo e doutoranda em Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o. Tem 35 anos e trabalha h\u00e1 cerca de 15 na \u00e1rea da Comunica\u00e7\u00e3o. \u00c9 m\u00e3e de duas meninas.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SEM FRONTEIRAS | Opini\u00e3o | Dia Internacional da Mulher por Martha Mendes Num mundo onde,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3203,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[237,99,1],"tags":[185],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/marthaM.baner_.png",1292,647,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/marthaM.baner_-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/marthaM.baner_-300x150.png",300,150,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/marthaM.baner_-768x385.png",640,321,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/marthaM.baner_-1024x513.png",640,321,true],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/marthaM.baner_.png",1292,647,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/marthaM.baner_.png",1292,647,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/marthaM.baner_.png",1115,558,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/marthaM.baner_.png",800,401,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/marthaM.baner_.png",1024,513,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/marthaM.baner_.png",540,270,false],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/marthaM.baner_.png",400,200,false]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/causas\/\" rel=\"category tag\">CAUSAS<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/opiniao\/\" rel=\"category tag\">OPINI\u00c3O<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/uncategorized\/\" rel=\"category tag\">Uncategorized<\/a>","tag_info":"Uncategorized","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3200"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3200"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3200\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3208,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3200\/revisions\/3208"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3203"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3200"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3200"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3200"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}