{"id":3478,"date":"2021-05-31T15:15:11","date_gmt":"2021-05-31T15:15:11","guid":{"rendered":"http:\/\/aep61-74.org\/?p=3478"},"modified":"2021-10-05T12:19:59","modified_gmt":"2021-10-05T12:19:59","slug":"corrupcao-no-salazarismo-o-caso-barbieri","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2021\/05\/31\/corrupcao-no-salazarismo-o-caso-barbieri\/","title":{"rendered":"Corrup\u00e7\u00e3o no salazarismo, o caso Barbieri"},"content":{"rendered":"\n<p>COMBATE \u00c0 EXTREMA-DIREITA | Investiga\u00e7\u00e3o &#8211; publica\u00e7\u00f5es<\/p>\n\n\n\n<p>por<strong> Irene Pimentel<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O caso de Agostinho Barbieri Cardoso, n.\u00ba 2 da PIDE, que saiu durante dois anos desta pol\u00edcia, incompatibilizado com o novo director da mesma, coronel Homero de Matos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00abEm 14 de Dezembro de 1960, incompatibilizado por\u00e9m com o novo director da PIDE, Agostinho Barbieri Cardoso deixou durante quase dois anos a corpora\u00e7\u00e3o policial. Recorde-se que, ao chegar \u00e0 chefia da PIDE, nesse ano de 1960, o coronel Homero de Matos quis recolocar essa pol\u00edcia sob controlo do director, afastando em particular Agostinho Barbieri Cardoso. Este tinha sido nomeado, dois anos antes, subdirector da PIDE , devido \u00e0 sua actua\u00e7\u00e3o de relevo durante o chamado \u201cterramoto delgadista\u201d, ao contr\u00e1rio do ent\u00e3o director, capit\u00e3o Ant\u00f3nio Neves Gra\u00e7a, ca\u00eddo em desgra\u00e7a e substitu\u00eddo pelo coronel Homero de Matos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cartas de Barbieri e Homero<\/h2>\n\n\n\n<p>Barbieri Cardoso continuava pr\u00f3ximo de Salazar e, mesmo quando tratava de quest\u00f5es particulares, as cartas enviadas por aquele ao chefe do governo tinham o timbre da PIDE. Numa ocasi\u00e3o, Barbieri Cardoso intercedeu, junto do ditador, a favor de familiares da sua mulher, que pretendiam realizar determinadas obras p\u00fablicas e tinham sido preteridos num concurso a favor de outra empresa . Relativamente ao conflito com Homero de Matos, Barbieri Cardoso agradeceu a Salazar \u00aba extrema bondade e a santa paci\u00eancia com que resolveu o triste incidente\u00bb. <\/p>\n\n\n\n<p>Aproveitando para reafirmar a grande amizade que nutria pelo Presidente do Conselho, terminava, a manifestar a sua mais profunda gratid\u00e3o pelo que este tinha feito por ele e pela sua fam\u00edlia . A aus\u00eancia da subdirectoria da PIDE n\u00e3o deixou, no entanto, Barbieri Cardoso desempregado, pois foi nomeado vice-presidente da Comiss\u00e3o Reguladora do Com\u00e9rcio do Bacalhau. Quem ent\u00e3o lamentou a requisi\u00e7\u00e3o de Barbieri Cardoso para essa Comiss\u00e3o, possibilitando a sa\u00edda de um funcion\u00e1rio que n\u00e3o tinha dado a \u00abcolabora\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria ao bom desempenho das fun\u00e7\u00f5es que o director com tanto afinco procurava melhorar\u00bb , foi Homero de Matos, numa carta enviada ao ministro do Interior, Arnaldo Schultz. Homero de Matos afirmou que Barbieri Cardoso teria demonstrado \u00ababuso de autoridade, invas\u00e3o de atribui\u00e7\u00f5es e de jurisdi\u00e7\u00e3o\u00bb. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">As intrigas de Barbieri<\/h2>\n\n\n\n<p>Cardoso havia fornecido ao inspector Jorge Marques Ferreira um passaporte especial para este se ausentar estrangeiro, sem que tivesse requerido a respectiva licen\u00e7a ao Minist\u00e9rio do Interior e tal facto, segundo Matos, era tanto mais grave porquanto a correspond\u00eancia da PIDE s\u00f3 podia ser assinada por um inspector superior ou pelo director, como este havia determinado. Al\u00e9m de considerar que Barbieri Cardoso se tinha revelando ser um \u00abfoco de indisciplina, insubordina\u00e7\u00e3o e de intrigas\u00bb, Homero de Matos relatou outros epis\u00f3dios, entre os quais o facto de aquele ter providenciado que lhe fosse endere\u00e7ada em nome pessoal a correspond\u00eancia do Ultramar \u2013 Guin\u00e9 e Angola \u2013, dirigida ao director, conseguindo assim tomar conhecimento do conte\u00fado da mesma em primeira m\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>Face \u00e0 desobedi\u00eancia reiterada de Cardoso, Homero de Matos afirmou ter decidido puni-lo de uma forma que lhe permitisse refazer a sua vida fora da PIDE, \u00absem que o lab\u00e9u infamante de aus\u00eancia de lealdade, indisciplina e insubordina\u00e7\u00e3o o prejudicasse\u00bb. No entanto, n\u00e3o podia deixar de manifestar desacordo com a sua nomea\u00e7\u00e3o para a Comiss\u00e3o Reguladora, num per\u00edodo altamente complexo e transcendente para a vida nacional. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O ac\u00f3lito na Imprensa<\/h2>\n\n\n\n<p>Era, por outro lado, \u00abpouco elegante sob o ponto de vista moral e profissional, que um funcion\u00e1rio superior da PIDE\u00bb transitasse de \u00abuma posi\u00e7\u00e3o arriscada para uma outra completamente diferente sob esse aspecto\u00bb, num per\u00edodo em que o quadro dessa pol\u00edcia era insuficiente e o do Ultramar estava desocupado . <\/p>\n\n\n\n<p>A partir de 1962, Barbieri Cardoso viria a retomar o seu lugar na PIDE, tornando-se um dos principais interlocutor entre essa pol\u00edcia e Salazar. Um ex-preso pol\u00edtico relatou um epis\u00f3dio em que o ent\u00e3o agente S\u00edlvio Mort\u00e1gua lhe afirmou que o \u00absenhor presidente do Conselho sabe tudo o que se passa nas cadeias; vai todos os dias a despacho o mapa de situa\u00e7\u00e3o dos presos\u00bb. Tal \u00abdespacho com a PIDE era cerim\u00f3nia quotidiana, devo\u00e7\u00e3o sagrada\u00bb, realizando-se habitualmente depois do jantar, com a chegada ao primeiro andar da resid\u00eancia da Rua da Imprensa, o director da Pol\u00edcia Pol\u00edtica; ou, mais frequentemente, \u00abo ac\u00f3lito preferido, Barbieri Cardoso\u00bb .<\/p>\n\n\n\n<p>Por Irene Pimentel, historiadora | Editado por CR SEM Fronteiras (subt\u00edtulos)<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-3 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"301\" height=\"443\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/5-pilares-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3481\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/5-pilares-1.png 301w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/5-pilares-1-204x300.png 204w\" sizes=\"(max-width: 301px) 100vw, 301px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\"><\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<p style=\"font-size:18px\">A prestigiada historiadora Irene Flunser Pimentel apresenta-nos um retrato rigoroso de cinco das principais figuras que marcaram a PIDE\/DGS pelas suas actividades, atitudes e tomadas de decis\u00e3o: Barbieri Cardoso, \u00c1lvaro Pereira de Carvalho, Jos\u00e9 Barreto Sacchetti, Casimiro Monteiro e Ant\u00f3nio Rosa Casaco. Perceber quem eram estes pilares, a sua ascend\u00eancia, as suas convic\u00e7\u00f5es, a forma como entraram para a PIDE, como subiram na carreira, como reagiram perante determinadas situa\u00e7\u00f5es, bem como viveram o p\u00f3s-25 de Abril, \u00e9 tamb\u00e9m perceber a hist\u00f3ria da PIDE\/DGS, pois uma institui\u00e7\u00e3o \u00e9, sobretudo o que os seus respons\u00e1veis fazem dela. Uma perspectiva inovadora e essencial para compreender a Hist\u00f3ria de Portugal Contempor\u00e2nea.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>COMBATE \u00c0 EXTREMA-DIREITA | Investiga\u00e7\u00e3o &#8211; publica\u00e7\u00f5es por Irene Pimentel O caso de Agostinho Barbieri&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3482,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[118,99],"tags":[201,133,123],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/irene.png",624,340,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/irene-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/irene-300x163.png",300,163,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/irene.png",624,340,false],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/irene.png",624,340,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/irene.png",624,340,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/irene.png",624,340,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/irene.png",624,340,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/irene.png",624,340,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/irene.png",624,340,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/irene.png",540,294,false],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/irene.png",400,218,false]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/memorias-vivas\/historia-com-h-grande\/\" rel=\"category tag\">HIST\u00d3RIA-H<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/opiniao\/\" rel=\"category tag\">OPINI\u00c3O<\/a>","tag_info":"OPINI\u00c3O","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3478"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3478"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3478\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3484,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3478\/revisions\/3484"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3482"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3478"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3478"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3478"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}