{"id":3527,"date":"2021-06-20T21:28:42","date_gmt":"2021-06-20T21:28:42","guid":{"rendered":"http:\/\/aep61-74.org\/?p=3527"},"modified":"2021-10-05T12:15:05","modified_gmt":"2021-10-05T12:15:05","slug":"passei-a-nado-no-guadiana-levei-o-meu-fato-num-saquinho-de-plastico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2021\/06\/20\/passei-a-nado-no-guadiana-levei-o-meu-fato-num-saquinho-de-plastico\/","title":{"rendered":"Passei a nado no Guadiana, levei o meu fato num saquinho de pl\u00e1stico (4)"},"content":{"rendered":"\n<p>AS PESSOAS DO TEATRO | Dossi\u00ea O teatro e o combate \u00e0 extrema-direita.<\/p>\n\n\n\n<p>Associ\u00e1mos no DOSSI\u00ca &#8220;O Teatro e o combate \u00e0 extrema-direita&#8221;, na abordagem inicial que nos permite revisitar experi\u00eancias, o tema das Pessoas do Teatro que servir\u00e1 para refor\u00e7ar o conhecimento deste quadro de atua\u00e7\u00e3o de  forma mais personalizada. Divulgamos hoje uma entrevista que foi inicialmente publicada na Revista Alentejo e que Lu\u00eds Filipe Ma\u00e7arico e Rosa Calado conduziram com arte e engenho.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">H\u00c9LDER COSTA: O TEATRO DA VIDA DE UM GRANDOLENSE, LIVRE E SONHADOR<\/h3>\n\n\n\n<p>Entrevista conduzida por <strong>Lu\u00eds Filipe Ma\u00e7arico\/ Rosa Calado<\/strong>, publicada na revista &#8220;Alentejo&#8221;, Novembro de 2018<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 um velho dito que afirma que \u201cn\u00e3o bate a bota com a perdigota\u201d (muitas vezes, gente de quem ouvimos falar tem comportamentos dissonantes, com um prest\u00edgio do qual goza, por se ter destacado numa arte ou numa interven\u00e7\u00e3o c\u00edvica&#8230;). H\u00e9lder Costa \u00e9&nbsp;&nbsp;excep\u00e7\u00e3o a essa regra.<br>No presente caso, o entrevistado excedeu as expectativas. Contou-nos hist\u00f3rias com uma cativante dose de humor e ironia. Encantou-nos, de tal forma, que estivemos \u00e0 conversa horas e horas, com um almo\u00e7o de permeio.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A INF\u00c2NCIA EM GR\u00c2NDOLA<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><br>LFM\/RC &#8211; H\u00e9lder Mateus Costa nasceu no dia de Reis (6 de Janeiro) de 1939, em Gr\u00e2ndola e relatou-nos assim a sua inf\u00e2ncia e juventude:<\/h4>\n\n\n\n<p><br><strong>HC<\/strong> &#8211; Os meus pais eram camponeses, nasceram na serra de Gr\u00e2ndola, l\u00e1 se encontraram, casaram e decidiram ficar por Gr\u00e2ndola. O meu pai desenhou e construiu a casa, para viverem (nos arrabaldes, mesmo perto de um acampamento de ciganos) \u2026Vivo ali, fa\u00e7o a escola, era bom aluno. Fiz a 4\u00aa classe e a admiss\u00e3o. O meu pai era um campon\u00eas um bocadinho especial. Eles tinham terras com sobreiros. E o meu pai pensou \u201cVou fazer uma f\u00e1brica!\u201d.<br>Na minha mem\u00f3ria, desde crian\u00e7a, vem ent\u00e3o uma rela\u00e7\u00e3o curiosa: Ia com o meu pai assistir \u00e0 tiragem da corti\u00e7a. Levava um livro e na altura da sesta lia-o aos camponeses. A rela\u00e7\u00e3o do meu pai com os trabalhadores era diferente, porque ele dava sempre mais sal\u00e1rio e depois ouvi uma discuss\u00e3o l\u00e1 em casa, com os amigos dele. \u201cEh p\u00e1 deixem-se disso, eu conhe\u00e7o essa vida!\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery alignwide columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"272\" height=\"386\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/rioo-excondiod.png\" alt=\"\" data-id=\"3545\" data-full-url=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/rioo-excondiod.png\" data-link=\"http:\/\/aep61-74.org\/index.php\/2021\/06\/20\/passei-a-nado-no-guadiana-levei-o-meu-fato-num-saquinho-de-plastico\/rioo-excondiod\/\" class=\"wp-image-3545\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/rioo-excondiod.png 272w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/rioo-excondiod-211x300.png 211w\" sizes=\"(max-width: 272px) 100vw, 272px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"707\" height=\"470\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/barveiro.png\" alt=\"\" data-id=\"3547\" data-full-url=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/barveiro.png\" data-link=\"http:\/\/aep61-74.org\/index.php\/2021\/06\/20\/passei-a-nado-no-guadiana-levei-o-meu-fato-num-saquinho-de-plastico\/barveiro\/\" class=\"wp-image-3547\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/barveiro.png 707w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/barveiro-300x199.png 300w\" sizes=\"(max-width: 707px) 100vw, 707px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p>Rio Escondido<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">A minha m\u00e3e, sempre com os livros. Isso criou em mim o interesse pelo conhecimento.<br>Nasci na rua Infante D. Henrique. Havia as hist\u00f3rias aos quadradinhos. Vou criando essa preocupa\u00e7\u00e3o, esse culto. Imediatamente, a gostar de cinema. A dada altura, vai um filme em Gr\u00e2ndola, com a Maria F\u00e9lix, \u201cRio Escondido\u201d. O cinema estava cheio e quando ela mata o patr\u00e3o, que tentou viol\u00e1-la, levantam-se todos a aplaudir, tudo aos gritos \u201cBandido!\u201d. O \u00eaxito foi tal que o filme foi mais umas quatro ou cinco vezes \u00e0 cena. Isto s\u00e3o coisas importantes, mexe!<br>A minha m\u00e3e era amiga dos ciganos, daquela gente toda, dava dinheiro, eu ia brincar com a rapaziada cigana em cima do burro\u2026foi uma educa\u00e7\u00e3o livre, sem proibi\u00e7\u00f5es. Foram mesmo marcantes!<br>Havia sempre naquelas fam\u00edlias dos meninos que andavam a estudar, a \u201cFesta de Anos\u201d. E eu oferecia sempre um livro. Um amigo meu contou que o pai tinha comentado \u201c para que \u00e9 essa porcaria?\u201d A minha rela\u00e7\u00e3o com essa malta come\u00e7ou a ser dif\u00edcil, digamos que dura at\u00e9 aos 15 anos.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Barbeiros <\/h4>\n\n\n\n<p><br>Na minha rua havia dois barbeiros, era malta nova. Um deles ensinou-me a jogar xadrez. Um dia, vejo escrito em v\u00e1rios s\u00edtios \u201cPAZ\u201d, tinha a ver com a quest\u00e3o da NATO, (foi em 50, salvo erro\u2026) Lembro-me de estar no caf\u00e9 e apareceram amigos do barbeiro, com uns pap\u00e9is para a malta assinar sobre a Paz. Assinei logo. Passados uns dias, fui chamado ao chefe do correio: \u201cOuve l\u00e1, \u00f3 H\u00e9lder, tu assinaste um papel, tem cuidado, n\u00e3o comeces a assinar pap\u00e9is!\u201d Foi o primeiro contacto que tive com a Pide sem o saber! Rodam mais uns dias e aquela malta\u2026Foi tudo preso para Caxias! Grande indigna\u00e7\u00e3o. Passaram-se seis meses, os tipos voltam. Havia as conversas e eu a ouvir as est\u00f3rias que eles contavam, tinham aprendido l\u00ednguas, t\u00e9cnicas, desenho. O desenhador at\u00e9 foi seleccionado para trabalhar com arquitectos. Aquele \u201ctratamento\u201d deu-lhes conhecimentos e ficaram de esquerda. Foi uma escola, o serem presos. Tive a percep\u00e7\u00e3o e o efeito da pris\u00e3o.<br>&nbsp;Dado o meu estilo um pouco libert\u00e1rio, \u00e9 evidente que comecei a ter namoros que, naquela altura, s\u00e3o ing\u00e9nuos\u2026\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O TEATRO, A LUTA E O CONHECIMENTO<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><br><br><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">LFM\/RC &#8211; <strong>Quando come\u00e7ou o seu interesse pelo Teatro (e onde)?<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\"><strong>HC <\/strong>&#8211; De vez em quando, juntavam-se, l\u00e1 em Gr\u00e2ndola, e faziam uns quadros c\u00f3micos. At\u00e9 faziam na Pra\u00e7a \u201cCegadas\u201d. Vi uma ou duas. Achei gra\u00e7a! Adorava cinema e criei respeito especial por aquela gente, mundo que nunca pensei poder alcan\u00e7ar. Nunca sonhei fazer coisas importantes.<br>Quando cheguei a Coimbra, (tinha 17 anos, fiz o Liceu no Cam\u00f5es) comecei logo por um treino de futebol na Acad\u00e9mica, treino que estava a ser dirigido pelo c\u00e9lebre (M\u00e1rio) Wilson. Fui escolhido para ir no dia seguinte. \u201cD\u00f3i-me o corpo todo, n\u00e3o vou jogar \u00e0 bola\u201d. Desisti\u2026<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cover alignwide has-background-dim-20 has-background-dim is-position-center-center\" style=\"min-height:375px\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"710\" height=\"411\" class=\"wp-block-cover__image-background wp-image-3537\" alt=\"\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/mw.png\" style=\"object-position:40% 26%\" data-object-fit=\"cover\" data-object-position=\"40% 26%\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/mw.png 710w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/mw-300x174.png 300w\" sizes=\"(max-width: 710px) 100vw, 710px\" \/><div class=\"wp-block-cover__inner-container is-layout-flow wp-block-cover-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-text-align-center has-text-color\" style=\"color:#fffffa;font-size:74px;line-height:1.1\">M\u00e1rio Wilson<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><br>Gostava de cantar, vou para o Orfe\u00e3o.<br>Quando vou, h\u00e1 uma malta que diz \u201cVem para o CITAC!\u201d A\u00ed encontro o Lu\u00eds Lima, que tinha ido nos anos 50 para Paris, fez parte da equipa do Marcel Marceau. Decidiu ir para o Brasil, transformou-se em professor, actor e a Funda\u00e7\u00e3o Gulbenkian contratou-o para dirigir o CITAC. Ele fazia m\u00edmica, era fascinante e espantou todos com o quadro art\u00edstico puro.<br>Entrei para o CITAC. Come\u00e7a o bloqueio, mandavam-se pe\u00e7as para a Censura, era tudo proibido, at\u00e9 o Gil Vicente \u00e9 proibido. \u201cEles t\u00eam medo do Gil Vicente de h\u00e1 500 anos? Esta merda n\u00e3o vai abaixo s\u00f3 com Teatro!\u201d A\u00ed entrou o interesse pol\u00edtico e entro a s\u00e9rio no activismo associativo.<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=7827465#_ftn1\">[1]<\/a><br>Come\u00e7o a fazer viagens pela Europa, \u00e0 boleia, com a malta, mas nunca iria fazer direito, talvez corpo diplom\u00e1tico, fora daqui!<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Guerra colonial<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\"><br>Em 61-62, come\u00e7a a Guerra Colonial. H\u00e1 uma malta, dois m\u00e9dicos comunistas morrem na Guin\u00e9. Nessa altura, sou contactado para entrar para o Partido Comunista. Vou de viagem e em Paris compro o \u201cManifesto Comunista\u201d. Cheguei a Coimbra, contactei o \u201ccamarada\u201d\u2026\u201dEh p\u00e1, estive a ler, quero ser!\u201d Numa reuni\u00e3o na Faculdade de Direito de Coimbra perguntei: \u201cE a Guerra Colonial, como \u00e9 que \u00e9?\u201d \u201cTemos de ir!\u201d \u201cAh, mas eu estou totalmente contra!\u201d \u201cA gente vai para l\u00e1 para fazer a guerra mais humana!\u201d Perante aquilo, \u201cDesculpem l\u00e1, ficamos amigos, tenho todo o respeito, mas eu vou fazer outra coisa!\u201d Esse&nbsp;<em>fazer outra coisa<\/em>, foi o que comecei a fazer!<br>Recebo uma ordem do Ex\u00e9rcito, para ir para a Companhia Disciplinar de Penamacor. Reclamo. Mandam os argumentos. Toda a malta tinha feito a greve dos estudantes. Fui \u00e0 PIDE com a carta, protestar. \u201cSe \u00e9 s\u00f3 isto, n\u00e3o fiz nada!\u201d (\u00e9 interrogado durante 3-4 horas). O inspector Sachetti, careca, tipo filmes nazis, com perfume de puta, sempre com aquelas frases: \u201cO Senhor Doutor est\u00e1 bom?\u201d \u201cO Sr Doutor \u00e9 uma pessoa inteligente, mas tem de ir para Penamacor! Eu disse: \u201cIsso \u00e9 uma injusti\u00e7a, fazem-me perder tempo!\u201d \u201cSe por acaso sair de Penamacor, n\u00e3o volta a Coimbra!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Associa\u00e7\u00e3o Acad\u00e9mica de Coimbra<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\"><br>Quando j\u00e1 estava a levantar-me ele diz: \u201cParece que o Sr. Dr. est\u00e1 indicado para ser o pr\u00f3ximo presidente do CITAC\u2026vai ter um posto na Via Latina, no Cineclube. Saia!\u201d<br>Quando j\u00e1 vou \u00e0 porta, ele d\u00e1-me uma pista\u2026<br>\u201cTamb\u00e9m est\u00e1 indigitado para pertencer \u00e0 Direc\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Acad\u00e9mica.\u201d<br>Dois camaradas tinham efectivamente falado comigo, para ir para a Direc\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Acad\u00e9mica. Passados uns dias, vou mais cedo e vejo uma s\u00e9rie de pap\u00e9is assinados pelo PCP a convocar uma Manifesta\u00e7\u00e3o para a C\u00e2mara de Coimbra. Mais tarde ouvi comentar: \u201cEstava para haver uma Manifesta\u00e7\u00e3o, a PIDE foi l\u00e1 e apanhou os pap\u00e9is todos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>A 13 de Maio foi para Penamacor. H\u00e1 uma razia de estudantes (trinta ou quarenta) foram presos para Peniche Descobriu-se que um elemento preso acabou por passar a informa\u00e7\u00e3o \u00e0 PIDE. Volta para Lisboa e come\u00e7a a funcionar com a falsifica\u00e7\u00e3o de passaportes e passagem de fronteiras (eram tr\u00eas).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\"><br>&nbsp;\u201cDurante uma quantidade de anos ando por Coimbra a tentar contactos. Estamos em 67, saf\u00e1mos dezenas de putos, trabalho extraordin\u00e1rio\u2026! Imagino com gozo o \u00f3dio da PIDE, antes do inevit\u00e1vel salto para Paris: &#8211; \u201dEst\u00e1 combinado (influ\u00eancia do cinema) todos os dias \u00e0s sete da tarde telefono, levantas o auscultador e n\u00e3o falamos.\u201d\u2026. Oi\u00e7o o telefone\u2026aparece um tipo: \u201cQuem \u00e9 que fala?\u201d Respondo -\u201c\u00c9s um atrasado mental, estou aqui a gozar contigo, vais ser corrido da PIDE\u201d. Chego ao meu quarto, arrumo a tralha e deixo um livro de Mao Tse Tung \u201cO Poder Pol\u00edtico Nasce do Cano da Espingarda\u201d e ponho um \u201cobjecto das Caldas\u201d com o aviso \u201cN\u00e3o Mexer!\u201d<br>O cen\u00e1rio estava preparado para lhes fazer perder a paci\u00eancia\u2026!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cover alignwide has-background-dim-20 has-background-dim is-position-center-center\" style=\"min-height:375px\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"697\" height=\"319\" class=\"wp-block-cover__image-background wp-image-3539\" alt=\"\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/maotese.png\" style=\"object-position:40% 26%\" data-object-fit=\"cover\" data-object-position=\"40% 26%\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/maotese.png 697w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/maotese-300x137.png 300w\" sizes=\"(max-width: 697px) 100vw, 697px\" \/><div class=\"wp-block-cover__inner-container is-layout-flow wp-block-cover-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-text-align-center has-text-color\" style=\"color:#fffffa;font-size:74px;line-height:1.1\"><\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Deixei crescer o bigode<\/h2>\n\n\n\n<p><br>\u201cAndei escondido, ia para a praia, deixei crescer bigode. Inventei uma sa\u00edda. Vou sair no dia 15 de Agosto, \u00e9 um feriado mundial.&nbsp;<em>Ela<\/em>&nbsp;ascende aos c\u00e9us. Se calhar a pol\u00edcia e a guarda, em Espanha, est\u00e3o mais distra\u00eddos, passo a nado no Guadiana, levo o meu fato num saquinho de pl\u00e1stico. Fizemos a sa\u00edda dentro de um pneu, perto de Campo Maior &#8211; Elvas.\u201d <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Chega a Badajoz. O contacto n\u00e3o lhe levou a mala, perdeu o comb\u00f3io. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEstou lixado!\u201d<br>Chegou ao caf\u00e9 &#8211; \u201conde \u00e9 aqui o bairro das&nbsp;<em>meninas?\u201d<\/em>&nbsp;Entrei. \u201cSabe, estou cansad\u00edssimo, s\u00f3 preciso de dormir, com um despertador para apanhar o autocarro para Madrid\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Chegado a Madrid, compra uma camisa, pasta de dentes e apanha o comboio para Paris. N\u00e3o havia um portugu\u00eas no comboio, s\u00f3 argelinos, marroquinos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><br>\u201cChegamos \u00e0 fronteira, levo uma das malas duma rapariga e passo. Pronto, j\u00e1 estou em Fran\u00e7a! Apanho o metro para o Quartier Latin. Vou a descer, vem a subir no sentido contr\u00e1rio um gajo que tinha ajudado um ano antes. \u201cTens de ficar em Paris\u201d. \u201cFico\u201d.<br>\u201cNo dia seguinte comecei a trabalhar na recep\u00e7\u00e3o dos hot\u00e9is. Encontro o Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco. Acabei por ir viver para casa dele, at\u00e9 me juntar com outra malta que l\u00e1 estava.<br>Fiz o que tinha feito em Coimbra &#8211; uma Rep\u00fablica!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cover alignwide has-background-dim-20 has-background-dim is-position-center-center\" style=\"min-height:375px\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"645\" height=\"418\" class=\"wp-block-cover__image-background wp-image-3538\" alt=\"\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/jmb.png\" style=\"object-position:49% 10%\" data-object-fit=\"cover\" data-object-position=\"49% 10%\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/jmb.png 645w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/jmb-300x194.png 300w\" sizes=\"(max-width: 645px) 100vw, 645px\" \/><div class=\"wp-block-cover__inner-container is-layout-flow wp-block-cover-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-text-align-center has-text-color\" style=\"color:#fffffa;font-size:74px;line-height:1.1\"><strong>Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco<\/strong><\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>LFM\/RC<\/strong> &#8211; Chegou<strong> a trabalhar como actor?\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote is-style-default\"><blockquote><p><br>HC &#8211; Quando queria ser actor no CITAC, fui para Penamacor.\u201d<br>H\u00e9lder Costa representou v\u00e1rios personagens na Vida. <\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cFui sempre um grande malandreco. Estava farto de fazer teatro para estudantes. Organizei coisas a s\u00e9rio, \u00edamos dizer poesia para a Moita, Baixa da Banheira, com a Manuela de Freitas e malta do PC.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>LFM\/RC<\/strong> <strong>&#8211; Lembra-se da sua primeira encena\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>HC<\/strong> &#8211; Em 64, havia em Gr\u00e2ndola, a Sociedade Musical Fraternal Grandolense. Amigos meus, que estavam l\u00e1 na direc\u00e7\u00e3o, come\u00e7am a fazer teatro e eu desenhei o cen\u00e1rio. \u201cAs Cinco Vogais, AEIOU\u201d num pano preto e por cima das letras uma grade, estavam presas. \u201cQueres fazer uma pe\u00e7a tua? Ent\u00e3o, \u00e9 a minha primeira encena\u00e7\u00e3o. \u201cGota de Mel\u201d [de L\u00e9on Chancerell. Fizemos 3 pe\u00e7as, vestidos de preto. Uma, da Teresa Horta; \u201cO Doido e a Morte\u201d e a\u201d Gota de Mel\u201d.HC &#8211; A estreia foi um sucesso, com a malta toda a bater palmas e o p\u00fablico a pedir \u201cBIS!!!\u201d . A pe\u00e7a foi v\u00e1rias vezes repetida e no fim &#8211; de &#8211; semana seguinte \u00e9 representada numa Cooperativa nas Ermidas. Veio a Guarda, proibiu. \u201cComecei bem!\u201d<br>Claro que relacionado com isso, fui eu que organizei a sess\u00e3o com Carlos Paredes e Zeca Afonso. Ele ficou entusiasmado e fez a m\u00fasica \u201cGr\u00e2ndola Vila Morena\u201d.<br>Vamos explicar, a chamada \u201cM\u00fasica Velha\u201d, a da colectividade, metia PC, anarquistas, ma\u00e7ons. Depois da guerra civil de Espanha, cria-se a \u201cM\u00fasica Nova, a dos agr\u00e1rios&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Outras mem\u00f3rias<\/h2>\n\n\n\n<p><br><strong>LFM\/RC<\/strong> &#8211; <strong>Como foram os anos do Ex\u00edlio? <\/strong> <strong>Estiveste exilado?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>HC<\/strong> &#8211; N\u00e3o, eu aproveitei o \u201cErasmus do Salazar\u201d! (Boa! espanto e risos\u2026)<br>H\u00e9lder fundou o Teatro Oper\u00e1rio, em 1970, em Paris. \u201cEu fiz sempre o teatro e os cartazes do ataque, o oprimido \u00e9 o \u201ccoitadinhismo\u201d. A malta precisa sempre de apelar \u00e0 Luta. A minha experi\u00eancia no C\u00e9nico de Direito foi important\u00edssima. A malta do teatro \u00e9 obrigada a ler, tem de fazer forma\u00e7\u00e3o de quadros. O Teatro Oper\u00e1rio tamb\u00e9m foi muito importante na ac\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Desenvolveu n\u00facleos teatrais em Fran\u00e7a e por toda a Europa. Atacou de frente o problema da guerra colonial, com a pe\u00e7a \u201cO Soldado\u201d, grande \u00eaxito com dezenas de actua\u00e7\u00f5es em Fran\u00e7a, Luxemburgo, Holanda, B\u00e9lgica, Dinamarca e Su\u00e9cia.<br>A malta fala das greves de 62 e 69. E nunca se fala da luta em Lisboa, de 65. Come\u00e7a tudo com o Saldanha Sanches na rua, a apanhar um tiro de um Pide. Organiz\u00e1mos uma Comiss\u00e3o Secreta para fazer a agita\u00e7\u00e3o toda. A PIDE ataca a s\u00e9rio.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong><br>H\u00e9lder organiza o 1\u00ba Festival de Teatro Universit\u00e1rio, trazendo o TEUC, o CITAC, Porto, o T\u00e9cnico. O Festival realizou-se no Teatro Monumental, depois de ter falado com o Vasco Morgado, que ofereceu o Teatro. Abre o Festival. No camarote, o ministro Paulo Cunha e o reitor Galv\u00e3o Teles. Come\u00e7a: <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCamaradas, amigos, senhor ministro, estamos aqui a fazer a manifesta\u00e7\u00e3o sobre a educa\u00e7\u00e3o e a cultura. \u00c9 evidente que este festival \u00e9 dedicado aos estudantes presos. \u00c9 tamb\u00e9m dedicado aos oper\u00e1rios presos. Sim, tamb\u00e9m \u00e9 dedicado aos soldados que est\u00e3o numa guerra injusta\u201d. O reitor e o ministro saem. Abrimos com as \u201cHist\u00f3rias para serem contadas\u201d, de Osvaldo Dr\u00e1gun. Acabou o FestivalA cantina j\u00e1 estava ocupada e vai l\u00e1 o Paulo Cunha. Come\u00e7a a provoca\u00e7\u00e3o\u2026\u201cSou chamado para uma reuni\u00e3o na reitoria, cinco, seis gajos \u00e0 civil, proferem e gritam que sou mal &#8211; educado, agitador, incr\u00edvel, estraga a estabilidade.\u201d. Um Pide perguntou: \u201cSr. Reitor quer dar o castigo?\u201d \u201cSete anos expulso\u201d. \u201cInsisto que o senhor reitor me diga, por que motivo faz esta acusa\u00e7\u00e3o\u201d E o chefe dos Pides: \u201cV\u00e1-se l\u00e1 embora!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Numa entrevista, a mem\u00f3ria nunca \u00e9 linear, organizada. Os fragmentos da caminhada, tendem a ser partilhados num discurso que avan\u00e7a e recua. Nesta conversa sucedeu essa tend\u00eancia t\u00e3o natural, porque h\u00e1 sempre algo que regressa fora do contexto anterior, com car\u00e1cter de urg\u00eancia, para a informa\u00e7\u00e3o ficar completa. H\u00e9lder Costa, a prop\u00f3sito da passagem por Penamacor, recorda:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><br>\u201cAproveitei Penamacor para me preparar para outras coisas. A BCG passou por l\u00e1, tinha uma mancha no pulm\u00e3o. Telefonei \u00e0 minha m\u00e3e \u201cIsso \u00e9 uma coisa que tiveste em pequenino.\u201d \u201cExpulso do Ex\u00e9rcito.\u201d<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ap\u00f3s a conversa na Casa do Alentejo, H\u00e9lder Costa acrescentou o seguinte, que tem a ver com a sua forma\u00e7\u00e3o c\u00edvica: <\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote is-style-default\"><blockquote><p>\u201cO m\u00e9dico Manuel Reis que tinha estado preso no Campo de Concentra\u00e7\u00e3o do Tarrafal, tinha aprendido a cura do Paludismo. Esteve na Guerra Civil de Espanha. Era m\u00e9dico extremamente inteligente. Ficou amizade muito especial. Informava do que lia nos jornais, tinha todo o respeito e tentava informar.\u201d<\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>LFM\/RC &#8211; Que diferen\u00e7as encontra no Alentejo da sua juventude e no de hoje?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><br>\u201cPara mim, o Alentejo continua a ser os comportamentos e o estilo das pessoas. Continuo a ver o Humor e essa intelig\u00eancia, que \u00e9 uma heran\u00e7a da resist\u00eancia (que vai de pais para filhos). Tenho grande respeito pelo Alentejo e ap\u00f3s 25 de Abril, come\u00e7ou um jogo: a utiliza\u00e7\u00e3o do humor p\u00e9rfido para destruir as lutas. O humor \u00e9 uma arma de resist\u00eancia positiva e negativa. Os nazis inventaram primeiro as anedotas sobre judeus e depois queimaram-nos. Eu sou um adepto profundo da geringon\u00e7a, pois foi o que fiz toda a vida.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O teatro, um prazer quotidiano<\/h2>\n\n\n\n<p><br><strong>LFM\/RC &#8211; Que autores encenou? Qual deles foi o seu maior desafio?\u201d<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=7827465#_ftn2\"><strong>[2]<\/strong><\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>HC <\/strong>&#8211;  O maior desafio foram as minhas pe\u00e7as, mesmo. Autor com quem tive prazer extraordin\u00e1rio, foi Moli\u00e8re, uma nova vers\u00e3o de Tartufo. Fiz \u201cSanta Joana dos Matadores\u201d. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote is-style-default\"><blockquote><p>&#8220;O Cavaco cortou o subs\u00eddio \u00e0 Barraca, durante dez anos, mas n\u00e3o houve um grupo que nos apoiasse.\u201d<\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>LFM\/RC<\/strong> &#8211; <strong>Como est\u00e1 o Teatro Portugu\u00eas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><br>Est\u00e1 como o teatro europeu, [o p\u00f3s &#8211; modernismo], come\u00e7ou a desconstru\u00e7\u00e3o da Palavra, o tricot, que levou as pessoas a lerem menos.<br>\u201cO que \u00e9 que temos?\u201d Foram imitar os Centros Dram\u00e1ticos, simplesmente a linha que fizeram, n\u00e3o foi de colabora\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico que l\u00e1 estava. Na pr\u00e1tica, est\u00e1s a fazer teatro para os cr\u00edticos, para os amigos. Grupos important\u00edssimos acabaram. E n\u00e3o trouxeram p\u00fablico\u201d.&nbsp;&nbsp;\u201cDesde que a Barraca apanhou porrada, os cr\u00edticos n\u00e3o falam &#8211; o p\u00fablico n\u00e3o fica mal informado!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><br>\u201cA vitaliza\u00e7\u00e3o do Teatro, eu sabia como \u00e9 que se fazia, era aposta s\u00e9ria no teatro amador e universit\u00e1rio, sem imitar. Fazer uma coisa activa, que chateasse estes gajos. Que mexesse e entusiasmasse as pessoas, baseado no humor, \u00e9 fundamental.<br>Todos os anos temos de ter capacidade de inven\u00e7\u00e3o, organiz\u00e1mos festivais Gil Vicente, com escolas. Distribu\u00edmos o dinheiro ganho com o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, pelo grupo que ganhava\u201d.<br>De Janeiro a fins de Maio, de manh\u00e3, realiz\u00e1mos dois espect\u00e1culos para escolas. Encenaram \u201cO Ano da Morte de Ricardo Reis\u201d, \u201cFelizmente h\u00e1 Luar\u201d e a \u201cFarsa de In\u00eas Pereira\u201d. Tamb\u00e9m para associa\u00e7\u00f5es e clubes. Realce para \u201cOs Encontros Imagin\u00e1rios\u201d. No dia de folga (escreve textos sobre coisas imposs\u00edveis. Exemplo: Salazar a falar com Humberto Delgado e Soror Mariana). Todos os quinze dias \u00e9 diferente.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"670\" height=\"302\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/ec.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3540\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/ec.png 670w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/ec-300x135.png 300w\" sizes=\"(max-width: 670px) 100vw, 670px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>LFM\/RC &#8211; Como \u00e9 que consegue?\u201d<\/strong><br><strong>HC<\/strong> &#8211; N\u00e3o tenho nada para fazer!\u201d<br>\u201cConsegui que fossem feitos em Barcelona, Madrid. Come\u00e7ou h\u00e1 7 anos\u2026<br>Tenho de dar a volta. Fiz telefonemas: Otelo, queres fazer Humberto Delgado? Apanhei Miguel Real, para fazer de Salazar e a filha de Humberto Delgado para fazer de Soror Mariana. Jo\u00e3o Soares (Mao), Jos\u00e9 Carlos de Vasconcelos (Jesus Cristo) J\u00falio Isidro (Goebls)\u201d\u2026<\/p>\n\n\n\n<p><strong>LFM\/RC &#8211; Que significado t\u00eam para si os pr\u00e9mios que recebeu?&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=7827465#_ftn3\"><strong>[3]<\/strong><\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>HC<\/strong> &#8211; \u00c9 um prazer. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o sou do estilo que fala disso de manh\u00e3 \u00e0 noite. Gostei imenso, dos internacionais, um gajo vai representar em portugu\u00eas pe\u00e7as minhas [O Pr\u00edncipe de Spandau] sobre o Rudolf Hess sozinho no castelo. Estreou em Viena de \u00c1ustria, Dinamarca, Londres, Rom\u00e9nia, Brasil e depois fiz em Portugal. Outra, M\u00e9xico, Brasil, Dinamarca. S\u00e3o estimulantes, \u00e9 a entrada noutros s\u00edtios. S\u00e3o coisas minhas!\u201d<br>H\u00e9lder Costa tem v\u00e1rias pe\u00e7as editadas, como \u201cO Incorrupt\u00edvel\u201d, \u201cQueres ser ministro?\u201d \u201cBushL\u00e2ndia\u201d, \u201cNau Catrineta\u201d, \u201cMarilyn, meu amor\u201d, \u201cO Pr\u00edncipe de Spandau\u201d, Mi Rival, \u201cUm homem \u00e9 um homem- Dami\u00e3o de G\u00f3is\u201d e \u201cO Saudoso Tempo do Fascismo &#8211; introdu\u00e7\u00e3o ao riso e \u00e0 mem\u00f3ria\u201d, edi\u00e7\u00e3o Parvo\u00edces (2005)<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A entrevista termina da mesma forma divertida como come\u00e7ou. O sorriso do H\u00e9lder \u00e9 uma esp\u00e9cie de passaporte para a sabedoria e o humor, que enriquece quem o escuta.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lu\u00eds Filipe Ma\u00e7arico\/ Rosa Calado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;(Entrevista publicada na revista &#8220;Alentejo&#8221;, Novembro de 2018)<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=7827465#_ftnref1\">[1]<\/a>&nbsp;H\u00e9lder Costa dirigiu o C\u00e9nico de Direito que obteve durante dois anos consecutivos &#8211; 1966 e 1967 &#8211; no Festival Mundial de Teatro Universit\u00e1rio de Nancy duas men\u00e7\u00f5es honrosas.<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=7827465#_ftnref2\">[2]<\/a>&nbsp;Entre outros, H\u00e9lder Costa encenou D\u00e1rio Fo, Ionesco, Fassbinder, Brecht, Ribeiro Chiado, Lope da Vega, Gil Vicente e Moli\u00e8re.<a href=\"https:\/\/www.blogger.com\/blogger.g?blogID=7827465#_ftnref3\">[3]<\/a>&nbsp;H\u00e9lder Costa foi galardoado com o Pr\u00e9mio da UNESCO, o Grande Pr\u00e9mio de Teatro da RTP, da Casa da Imprensa, da Associa\u00e7\u00e3o de Cr\u00edticos. A C\u00e2mara Municipal de Gr\u00e2ndola, atribuiu-lhe, em 2004, a medalha de M\u00e9rito Municipal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>AS PESSOAS DO TEATRO | Dossi\u00ea O teatro e o combate \u00e0 extrema-direita. Associ\u00e1mos no&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3536,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[239,112],"tags":[205],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/helederc.png",306,220,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/helederc-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/helederc-300x216.png",300,216,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/helederc.png",306,220,false],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/helederc.png",306,220,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/helederc.png",306,220,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/helederc.png",306,220,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/helederc.png",306,220,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/helederc.png",306,220,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/helederc.png",306,220,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/helederc.png",306,220,false],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/helederc.png",306,220,false]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/especial-sf\/\" rel=\"category tag\">ESPECIAL-SF<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/especial-sf\/teatro\/\" rel=\"category tag\">TEATRO<\/a>","tag_info":"TEATRO","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3527"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3527"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3527\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3562,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3527\/revisions\/3562"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3536"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3527"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3527"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3527"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}