{"id":3551,"date":"2021-06-23T22:07:10","date_gmt":"2021-06-23T22:07:10","guid":{"rendered":"http:\/\/aep61-74.org\/?p=3551"},"modified":"2021-10-05T12:14:32","modified_gmt":"2021-10-05T12:14:32","slug":"teatro-de-rua-politico-5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2021\/06\/23\/teatro-de-rua-politico-5\/","title":{"rendered":"TEATRO DE RUA POL\u00cdTICO (5)"},"content":{"rendered":"\n<p>REVISITAR EXPERI\u00caNCIAS | O Teatro e o combate \u00e0 extrema-direita<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para fornecer elementos de reflex\u00e3o sobre o papel do teatro de interven\u00e7\u00e3o procur\u00e1mos anteriormente ilustrar os processos no plano hist\u00f3rico e  exploramos agora um plano mais conceptual. Mobiliz\u00e1mos para este efeito o trabalho acad\u00e9mico da Eva Ribeiro, dinamizadora de v\u00e1rias abordagens ao teatro &#8220;fora de palco&#8221;, <em>Breve dicion\u00e1rio do teatro de interven\u00e7\u00e3o do S\u00e9culo XX<\/em> que nos proporciona uma incurs\u00e3o sobre g\u00e9neros, estilos, correntes e outras nuances que o universo teatral comporta.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se neste primeiro excerto de ir ao encontro do Teatro de Rua Pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Por <strong>Eva Ribeiro<\/strong>, produtora, pedagoga e artista<\/h4>\n\n\n\n<p>Do pre\u00e2mbulo &#8220;Nos anos que se seguiram \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o, o foco principal centrava-se nas diversas formas de arte de agita\u00e7\u00e3o de massas. Observa-se um florescimento da inova\u00e7\u00e3o em g\u00e9neros como o poster pol\u00edtico, o grafismo dos jornais e de revistas. Orat\u00f3ria pol\u00edtica e teatro her\u00f3ico, dramatiza\u00e7\u00f5es massivas e prociss\u00f5es populares de rua, murais e decora\u00e7\u00f5es nas ruas em celebra\u00e7\u00e3o dos anivers\u00e1rios revolucion\u00e1rios. Nestes novos moldes da arte de agita\u00e7\u00e3o, diz-nos Tolstoy \u2000houve sempre um vivo e directo eco dos acontecimentos da Revolu\u00e7\u00e3o em si mesma&#8221;.\u2000<\/p>\n\n\n\n<p><em>Vladimir Tolstoy, Street Art Of The Revolution. pp. 15-16<\/em><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cover alignwide has-background-dim-20 has-background-dim is-position-center-center\" style=\"min-height:375px\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"380\" height=\"280\" class=\"wp-block-cover__image-background wp-image-3552\" alt=\"\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/vladimi.png\" style=\"object-position:40% 26%\" data-object-fit=\"cover\" data-object-position=\"40% 26%\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/vladimi.png 380w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/vladimi-300x221.png 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/vladimi-80x60.png 80w\" sizes=\"(max-width: 380px) 100vw, 380px\" \/><div class=\"wp-block-cover__inner-container is-layout-flow wp-block-cover-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-text-align-center has-text-color\" style=\"color:#fffffa;font-size:74px;line-height:1.1\"><\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p>Vladimir Tolstoy<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Anos 60<\/h2>\n\n\n\n<p>Os &#8216;acontecimentos de Maio&#8217; de 1968 em Paris, iniciados pelos estudantes contra as pol\u00edticas conservadoras da Universidade, espalhou-se a trabalhadores a lutarem por melhores sal\u00e1rios e melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Lenora Champagne capta esta atmosfera marcada pela utopia:<\/p>\n\n\n\n<p>\u00abOs acontecimentos nas Barricadas, onde um esp\u00edrito festivo reinava e decis\u00f5es colectivas eram tomadas e animadas discuss\u00f5es tomavam lugar; a forma\u00e7\u00e3o de comit\u00e9s de ac\u00e7\u00e3o que resolviam problemas de grupos e ajudavam os trabalhadores em greve e suas fam\u00edlias; a urg\u00eancia proclamada por cartazes an\u00f3nimos de cria\u00e7\u00e3o colectiva nas paredes [&#8230;] &#8211; tudo isto se tornou o crisol de ac\u00e7\u00e3o onde os temas e estruturas do Movimento de Maio podiam ser testados. Havia uma por momentos-viva utopia, a qual tomava a forma de &#8216;anti-sociedade&#8217; ou &#8216;contra-cultura&#8217; oposta \u00e0s existentes rela\u00e7\u00f5es sociais e propondo outras novas.\u00bb<a href=\"#_ftn1\">[1]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Jean-Jacques Lebel, um dos actores-chave nas ac\u00e7\u00f5es estudantis de rua, enfatiza, no seu texto &#8216;Notes on political street theatre, Paris: 1968, 1969&#8217;<a href=\"#_ftn2\">[2]<\/a>, a conex\u00e3o entre os acontecimentos pol\u00edticos de 1968 e 1969 enquanto portadores de novos moldes sociais de combate a opress\u00e3o (social) e a repress\u00e3o (pessoal) e as ac\u00e7\u00f5es perform\u00e1ticas de rua que tiveram lugar aquando desses acontecimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Transcrevemos aqui o seu relato.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde os primeiros anos da d\u00e9cada de 1920, quando os dada\u00edstas parisienses apresentaram o seu Trial of Maurice Barr\u00e9s em St. Julien le Pauvre Park, at\u00e9 aos recentes acontecimentos teatrais de natureza pol\u00edtica representados nas ruas, h\u00e1 uma longa hist\u00f3ria de militantes forasteiros e anti-artistas para quem a industrial cultural \u00e9 apenas mais um aspecto do capitalismo e, como tal, deve ser destru\u00eddo. Por outro lado, existem os n\u00e3o-pol\u00edticos tipo-Fluxus eventos, &#8216;<em>arty-farty&#8217; happenings, <\/em>e espect\u00e1culos de rua como aqueles organizados pelo Groupe de Recherche de l&#8217;Art Visuel os quais reclamam ser &#8216;n\u00e3o intencionais&#8217; e desligados da inten\u00e7\u00e3o de destrui\u00e7\u00e3o da estrutura social existente. Estes eventos est\u00e3o ainda preocupados com a hist\u00f3ria de arte, do teatro ou da cultura em geral e tendem a ser rapidamente absorvidos pelo mercado da arte, o departamento de &#8216;avant-garde&#8217; de Madison Avenue, e&nbsp; a ascender rapidamente \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de \u00faltima forma de entretenimento para Jackie Onassis. \u00c9 importante n\u00e3o confundir a arte da revolu\u00e7\u00e3o com a sua imita\u00e7\u00e3o burguesa e comercial.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"613\" height=\"383\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/mai68.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3553\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/mai68.png 613w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/mai68-300x187.png 300w\" sizes=\"(max-width: 613px) 100vw, 613px\" \/><figcaption>Maio 68- na Cidade Universit\u00e1ria<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>1968<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o de Maio dinamitou os limites de &#8216;arte&#8217; e &#8216;cultura&#8217; como fez com todos os outros limites sociais e pol\u00edticos. O antigo sonho vanguardista de tornar a &#8216;vida&#8217; em &#8216;arte&#8217;, numa experi\u00eancia criativa colectiva, finalmente tornou-se verdade. De repente, a corrup\u00e7\u00e3o e estupidez do antigo mundo de &#8216;especialistas culturais&#8217; tornou-se \u00f3bvia para toda a gente. Juntamente com o resto da elite do poder \u2013 os banqueiros, os chefes de ex\u00e9rcito e os gerentes \u2013 os &#8216;sanguessugas&#8217; da ind\u00fastria cultural s\u00e3o os primeiros a ser eliminados por qualquer movimento libert\u00e1rio. Eles devem saber quando desaparecer.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Acontecimento socio-dram\u00e1ticos excitantes tiveram lugar nas ruas de Paris em Maio, primeiramente porque o Movimento de 22 de Mar\u00e7o tornou claro a toda a gente que <em>&#8216;o poder est\u00e1 nas ruas'[\u00eanfase atribu\u00eddo pela autora].<\/em> O primeiro palco de um levantamento (as barricadas, as demonstra\u00e7\u00f5es de massa, a luta entre as for\u00e7as governamentais e os radicais, assim como acontecimentos como o incendiar da bolsa de valores, que ocorreu a 24 de Maio), o primeiro palco de<em> qualquer revolu\u00e7\u00e3o , <\/em>\u00e9 sempre teatral. O levantamento de Maio n\u00e3o se transformou numa gigante guerra civil ou no traum\u00e1tico banho de sangue compar\u00e1vel ao que aconteceu no M\u00e9xico em Outubro quando os grenaderos assassinaram pelo menos 200 estudantes. Contudo, foi certamente um cap\u00edtulo surpreendente na luta de classes a qual as pessoas julgavam j\u00e1 h\u00e1 muito terminada e vencida. O levantamento de Maio foi teatral pois foi uma gigante fiesta, uma reveladora e terna explos\u00e3o fora dos padr\u00f5es &#8216;normais&#8217; da pol\u00edtica. Dez milh\u00f5es de trabalhadores entraram em greve a meio de Maio. Foi a maior greve geral de toda a hist\u00f3ria da civiliza\u00e7\u00e3o industrial e a \u00fanica capaz de abalar toda a estrutura econ\u00f3mica. A maioria das f\u00e1bricas foram ocupadas pelos trabalhadores, as universidades pelos estudantes, e, at\u00e9 um ponto, o governo e a classe governante impotentes. A\u00ed o chamado partido &#8216;Comunista&#8217; e os seus sindicatos vieram salvar de Gaulle e aceitaram aquele compromisso rid\u00edculo. Os trabalhadores foram persuadidos a voltar ao trabalho pelos seus &#8216;l\u00edderes&#8217; burocr\u00e1ticos. Uma a uma as f\u00e1bricas foram re-ocupadas pela pol\u00edcia e os &#8216;propriet\u00e1rios de direito&#8217;. Mais uma vez o social-democrata e contra-revolucion\u00e1rio partido &#8216;Comunista&#8217; tinha salvado o sistema capitalista de colapsar face \u00e0s press\u00f5es de estudantes e trabalhadores. [&#8230;]<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"596\" height=\"329\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/accorda.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3554\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/accorda.png 596w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/accorda-300x166.png 300w\" sizes=\"(max-width: 596px) 100vw, 596px\" \/><figcaption>27 de maio 1968 &#8211; Pompidou e os sindicatos em Grenelle<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp; Assim foi o contexto de profunda transforma\u00e7\u00e3o f\u00edsica experienciada por centenas de milhares de pessoas em Maio. Os resultados desta individual assim como social transforma\u00e7\u00e3o foram imediatos: as rela\u00e7\u00f5es humanas tornam-se livres e muito mais abertas; tabus, auto-censura e muletas autorit\u00e1rias desaparecem; pap\u00e9is tornam-se permut\u00e1veis; novas combina\u00e7\u00f5es sociais s\u00e3o experimentadas. [&#8230;.]<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp; O teatro de rua como tal come\u00e7a a aparecer aqui e ali em manifesta\u00e7\u00f5es de massa, tais como as de 13 de Maio, as quais juntaram mais de um milh\u00e3o de pessoas. Muitos bonecos de oficiais da CRS (Pol\u00edcia de choque francesa), de de Gaulle e outros palha\u00e7os pol\u00edticos aparecem tamb\u00e9m. Rapidamente, engra\u00e7ados rituais teatralizados s\u00e3o feitos em volta destes enquanto eles ardem. Quando o subsidiado Teatro Ode\u00f3n foi ocupado pelo movimento, pequenos grupos de estudantes e actores come\u00e7aram a interpretar as not\u00edcias di\u00e1rias nas ruas em curtos dramas c\u00f3micos seguidos por discuss\u00f5es com o p\u00fablico circundante.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>1969<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O principal problema, dantes e agora, \u00e9 divulgar os objectivos e meios do movimento revolucion\u00e1rio junto daqueles milh\u00f5es que, actualmente n\u00e3o hostis, ainda n\u00e3o tomaram parte desta ac\u00e7\u00e3o. Como os mass media s\u00e3o totalmente controlados pelo Estado, tudo o que eles divulgam s\u00e3o mentiras que apenas servem \u00e0 politica psicol\u00f3gica de combate do Governo. A opini\u00e3o p\u00fablica francesa \u00e9 manipulada para a submiss\u00e3o com t\u00e9cnicas similares aquelas utilizadas por Stalin e por Franco, se mais liberais (i.e., espertas). A comunica\u00e7\u00e3o circula de apenas uma maneira: de cima para baixo. Jornais, panfletos, posters feitos \u00e0 m\u00e3o ou impressos, e filmes (modestamente distribu\u00eddos gra\u00e7as \u00e0 censura policial) provaram-se insuficientes para informar as pessoas. [Assim] estamos a tentar usar teatro de rua como um meio de provocar o encontro e discuss\u00e3o entre pessoas que normalmente se fecham umas \u00e0s outras.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O projecto em que tivemos mais recentemente a trabalhar foi a prepara\u00e7\u00e3o da semana anti-imperialista precedendo a visita do Sujo Dick Nixon a de Gaulle. A maioria da popula\u00e7\u00e3o francesa desconhece a penetra\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f3mica do capitalismo americano na Europa e no Terceiro Mundo; assim constru\u00edmos uma campanha sobre este assunto. [&#8230;]<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; O nosso grupo era formado por cerca de quarenta estudantes da Universidade de Vincennes. Um tinha j\u00e1 experi\u00eancia anterior em &#8216;teatro&#8217;, dois ou tr\u00eas haviam trabalhado em filmes. Os restantes eram total inexperientes e reuniram-se principalmente pelo desejo de desenvolver meios distintos de actividade pol\u00edtica. A nossa orienta\u00e7\u00e3o era a agit-prop, por\u00e9m quer\u00edamos ser criativos e n\u00e3o apenas limitarmos-nos a &#8216;clich\u00e9s&#8217; pol\u00edticos \u2013 acima de tudo n\u00f3s consider\u00e1vamos o &#8216;teatro&#8217; apenas como um meio de derrubar o muro de Berlim da mente das pessoas e ajud\u00e1-las a sair do estado de aceita\u00e7\u00e3o passiva. Est\u00e1vamos-nos nas tintas para a &#8216;arte&#8217; \u2013 n\u00f3s est\u00e1vamos interessados em sabotar o capitalismo ajudando a explodir o seu arsenal de imagens, estados, h\u00e1bitos de percep\u00e7\u00e3o e ilus\u00f5es tranquilizadoras de seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; A maioria dos alunos envolvidos estavam aborrecidos pela sociologia, a filosofia e a economia que estavam mais ou menos a estudar e certamente desancados pelo vazio de significado do &#8216;conhecimento&#8217; que supostamente deviam estar a receber. Assim come\u00e7\u00e1mos por fazer longas conversas sobre o estado de emerg\u00eancia pol\u00edtica e individual em que nos encontr\u00e1vamos e em que est\u00e1vamos a viver. Alguns de n\u00f3s tinham ouvido falar de experi\u00eancias em teatro de rua pol\u00edtico feitas em Frankfurt pelas SDS alem\u00e3s ou por grupos similares em Londres, Nova York, Roma e S\u00e3o Francisco. No entanto, Ningu\u00e9m havia realmente assistido a &#8216;teatro de guerrilha&#8217;.&nbsp; Alguns estavam familiarizados com os Living Theatre mas igualmente os criticavam como muito &#8216;suaves&#8217; ou &#8216;n\u00e3o directamente pol\u00edticos o suficiente&#8217; ou &#8216;n\u00e3o violentos&#8217; (a companhia era admirada mais por viver como comunidade anarquista do que como grupo de teatro). Ali\u00e1s ningu\u00e9m fazia a m\u00ednima ideia de como ou onde come\u00e7ar e levou algum tempo a criar e preparar a ideia de cartoons teatrais sobre o tema do imperialismo. Finalmente surgiram quatro figuras de car\u00e1cter arqu\u00e9tipo do nosso livro de hist\u00f3rias:<\/p>\n\n\n\n<ol type=\"1\"><li>O Campon\u00eas de Terceiro Mundo (a v\u00edtima imediata do imperialismo).<\/li><li>O Guerrillero (o campon\u00eas transformado em revolucion\u00e1rio)<\/li><li>O Feio Homem Branco (Nixon, o Ordenador, o Rei de Wall Street).<\/li><li>O Oficial do Ex\u00e9rcito (General Motor, o pol\u00edcia capitalista).<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"580\" height=\"393\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Sem-nome.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3555\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Sem-nome.png 580w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Sem-nome-300x203.png 300w\" sizes=\"(max-width: 580px) 100vw, 580px\" \/><figcaption>The Living Theatre<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>&nbsp; Depois fizemos juntos uma sinopse das ac\u00e7\u00f5es desencadeadas \u2013 n\u00e3o propriamente uma hist\u00f3ria mas uma s\u00e9rie simples de ideogramas \u2013 qualquer coisa tipo frame-a-frame. Sem di\u00e1logo pois \u00edamos estar a trabalhar em esta\u00e7\u00f5es de metro barulhentas e ruas, mas escrevemos algumas frases e palavras em cartazes os quais eram trazidos durante determinadas ac\u00e7\u00f5es ou gritadas durante a demonstra\u00e7\u00e3o. [&#8230;] Entretanto cerca de dez pessoas est\u00e3o ocupadas colando cartazes e pintando slogans em tantas paredes quanto poss\u00edvel na vizinhan\u00e7a mais pr\u00f3xima. Seis ou oito ficam alerta para participar na discuss\u00e3o ou para proteger os actores no caso de problemas com a pol\u00edcia. [&#8230;] Enquanto escrevo isto a pe\u00e7a j\u00e1 foi representada oito vezes no metro e uma na rua. A pe\u00e7a dura somente dois minutos mas n\u00e3o \u00e9 invulgar as discuss\u00f5es se prolongarem durante mais de uma hora, vigorosa e apaixonadamente. Estas discuss\u00f5es livres levam muitos dos que &#8216;normalmente&#8217; n\u00e3o falariam n\u00e3o romperiam a lei do sil\u00eancio e consegue-se comunica\u00e7\u00e3o directa (similar ao que aconteceu em Maio onde as ruas foram liberadas por algum tempo da lei da Pol\u00edcia Estatal). N\u00f3s consideramos isto uma modesta mas v\u00e1lida resposta ao problema da informa\u00e7\u00e3o e da comunica\u00e7\u00e3o visto que as pessoas em que nelas participam usualmente desabafam sobre a sua experi\u00eancia particular seja qual for a situa\u00e7\u00e3o onde aqui e agora s\u00e3o alienadas: a sua f\u00e1brica, o seu escrit\u00f3rio, a sua escola, como os burocratas do sindicato o tra\u00edram, etc. O debate centra-se normalmente em reforma vs. Revolu\u00e7\u00e3o, em trabalhar com o sistema ou derrub\u00e1-lo. A conversa torna-se geralmente t\u00e9cnica. \u00c9 interessante que um n\u00famero t\u00e3o vasto de pessoas trabalhadoras est\u00e1 de facto ciente do movimento revolucion\u00e1rio, as suas motiva\u00e7\u00f5es e os seus problemas. Isto indica-nos que mais pessoas esperam outra revolu\u00e7\u00e3o, mais r\u00e1pido, do que qualquer um podia esperar: \u201cMas desta vez vai ser uma a s\u00e9rio, vamos at\u00e9 ao fim, vamos tom\u00e1-la nas nossas m\u00e3os, n\u00e3o deixaremos que os sociais democratas e os burocratas lixem tudo outra vez, n\u00e3o abriremos m\u00e3o das f\u00e1bricas que ocuparmos&#8230;\u201d Estas s\u00e3o as palavras de um jovem ferreiro depois de uma das nossas actua\u00e7\u00f5es na semana passada, fez-nos pensar que at\u00e9 o teatro pode conduzir \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o \u2013 se \u00e9 o que realmente tu queres que ele fa\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Leonora Champagne, <em>Sub-stance<\/em>, citada por Jan Cohen-Cruz&nbsp; in <em>Radical Street Perfomance,<\/em> p. 179<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Jean-Jacques Lebel, Notes on political street theatre, Paris: 1968, 1969.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-medium is-style-rounded\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"300\" height=\"283\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/evar-300x283.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3556\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/evar-300x283.png 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/evar.png 633w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>REVISITAR EXPERI\u00caNCIAS | O Teatro e o combate \u00e0 extrema-direita Para fornecer elementos de reflex\u00e3o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3557,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[239,112],"tags":[205],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/BANNEREVA.png",854,641,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/BANNEREVA-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/BANNEREVA-300x225.png",300,225,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/BANNEREVA-768x576.png",640,480,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/BANNEREVA.png",640,480,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/BANNEREVA.png",854,641,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/BANNEREVA.png",854,641,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/BANNEREVA.png",854,641,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/BANNEREVA.png",666,500,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/BANNEREVA.png",854,641,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/BANNEREVA.png",453,340,false],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/BANNEREVA.png",333,250,false]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/especial-sf\/\" rel=\"category tag\">ESPECIAL-SF<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/especial-sf\/teatro\/\" rel=\"category tag\">TEATRO<\/a>","tag_info":"TEATRO","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3551"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3551"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3551\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3561,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3551\/revisions\/3561"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3557"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3551"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3551"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3551"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}