{"id":3637,"date":"2021-07-05T09:52:26","date_gmt":"2021-07-05T09:52:26","guid":{"rendered":"http:\/\/aep61-74.org\/?p=3637"},"modified":"2021-10-05T12:08:57","modified_gmt":"2021-10-05T12:08:57","slug":"o-que-foi-o-teatro-operario-de-paris-10","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2021\/07\/05\/o-que-foi-o-teatro-operario-de-paris-10\/","title":{"rendered":"O que foi o Teatro Oper\u00e1rio de Paris? (10)"},"content":{"rendered":"\n<p>REVISITAR EXPERI\u00caNCIAS | O Teatro e o combate \u00e0 extrema-direita (10) <\/p>\n\n\n\n<p>Teatro Oper\u00e1rio de Paris (1)<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">1. Um pouco de hist\u00f3ria<\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Nos fins dos anos 60, Paris transbordava de portugueses. Uns fugiam \u00e0 fome, outros fugiam \u00e0 PIDE, e ainda outros, procurariam o que se chama a liberdade de viver e de pensar.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre estas categorias de lusitanos, havia um acordo comum: a Fran\u00e7a era um porto de salva\u00e7\u00e3o, relativamente agrad\u00e1vel, mas de passagem. Acordo esse, que provocava um interesse tamb\u00e9m maioritariamente comum: era preciso denunciar o estado de coisas que existia em Portugal e tentar actuar, fosse como fosse, contra a ditadura fascista.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o de actuar, e como, provocou inevit\u00e1veis diverg\u00eancias nessa heterog\u00e9nea col\u00f3nia, e fez com que caminhos diferentes tivessem sido tomados por gente que parecia unha com carne na luta pela liberta\u00e7\u00e3o de Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p>A forma como actuar tamb\u00e9m se colocava, evidentemente, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 actividade cultural. E os tais \u201ccaminhos diferentes\u201d, apareciam, nesse campo, da seguinte forma: uma tend\u00eancia tentava fazer teatro (e fez alguns espect\u00e1culos) com textos que eram autorizados, em Portugal, pela censura fascista; outros, apresentavam pe\u00e7as no centro de Paris, destinados \u00e0 intelectualidade Portuguesa exilada e aos amigos franceses; e depois, havia uma esc\u00f3ria (que eu me recuso a p\u00f4r ao mesmo n\u00edvel destes \u201ccaminhos diferentes&#8221; com quem estou em desacordo), que tentava (e conseguia) obter apoio do consulado de Portugal para tentar lan\u00e7ar um \u201cteatro para os Portugueses (tentativa sempre falhada, tanta era a incompet\u00eancia dos seus \u201cempreendedores\u201d e a impopularidade do projecto).<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cover alignwide has-background-dim-20 has-background-dim is-position-center-center\" style=\"min-height:375px\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"533\" height=\"268\" class=\"wp-block-cover__image-background wp-image-3638\" alt=\"\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/to1.png\" style=\"object-position:42% 0%\" data-object-fit=\"cover\" data-object-position=\"42% 0%\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/to1.png 533w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/to1-300x151.png 300w\" sizes=\"(max-width: 533px) 100vw, 533px\" \/><div class=\"wp-block-cover__inner-container is-layout-flow wp-block-cover-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-text-align-center has-text-color\" style=\"color:#fffffa;font-size:74px;line-height:1.1\"><\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">2. O come\u00e7o do grupo<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote is-style-default\"><blockquote><p>O min\u00fasculo grupo que arrancou com o projecto do \u201cTeatro Oper\u00e1rio\u201d tinha outros planos: era preciso levar o teatro, a m\u00fasica e a cultura, a arte, a agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, os jornais anti-fascistas, a alfabetiza\u00e7\u00e3o, a ajuda social, a quem mais precisava de tudo isso: as centenas de milhares de emigrantes que se empilhavam em bairros de lata e \u201cfoyers\u201d miser\u00e1veis.<\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>No nosso campo espec\u00edfico, o teatro, come\u00e7\u00e1mos bem: a estreia do grupo, com a pe\u00e7a, j\u00e1 estreada em Portugal pelo Grupo C\u00e9nico da Associa\u00e7\u00e3o Acad\u00e9mica da Faculdade de Direito com direc\u00e7\u00e3o do Fernando Gusm\u00e3o, \u201cHist\u00f3rias para serem contadas\u201d, foi num lar de trabalhadores solteiros emigrantes (n\u00e3o s\u00f3 portugueses), nuns sub\u00farbios afastados de Paris. Tudo correu devia ser: os trabalhadores gostaram, aplaudiram, ficaram para discutir, e para organizar actividade cultural nesse local; a meio da discuss\u00e3o, apareceram provocadores da PIDE, empunhando uma bandeirinha Portuguesa (!), e tentando expulsar os \u201cagitadores que tinham terminado com o belo sossego daquele recanto\u201d. Nada feito. O grupo teve todo o apoio para refilar, e n\u00e3o perdeu oportunidade &#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A seguir foram os meses de actividade com dezenas de espect\u00e1culos em Paris, arredores, e no Luxemburgo.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"604\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/teatros-1-1024x604.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3639\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/teatros-1-1024x604.png 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/teatros-1-300x177.png 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/teatros-1-768x453.png 768w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/teatros-1-1536x906.png 1536w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/teatros-1.png 1669w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, o grupo crescia. Nos fins dos espect\u00e1culos, convidam-se os eventuais interessados a aderir ao trabalho de teatro. Uns, ficavam a organizar um grupo nesse local, e para isso, um dos elementos do \u201cTeatro Oper\u00e1rio\u201d reservava umas noites por semana para dar o \u201cprimeiro empurr\u00e3o\u201d aos novos \u201cartistas\u201d. Outros, mais entusiastas, aderiram ao \u201cTeatro Oper\u00e1rio\u201d e passavam a fazer parte do grupo.<\/p>\n\n\n\n<p>O crescimento foi r\u00e1pido: em 6 meses criaram-se 2 grupos nos arredores, e o grupo passou de 5 para 17 elementos. E, ao mesmo tempo, deram-se uns 40 espect\u00e1culos.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Conv\u00e9m informar que toda esta gente n\u00e3o recebia nenhum subs\u00eddio da Secretaria de Estado da Cultura nem de nenhum partido pol\u00edtico nacional ou estrangeiro; conv\u00e9m tamb\u00e9m informar que os espect\u00e1culos eram GRATUITOS, e que todas as despesas (alimenta\u00e7\u00e3o e desloca\u00e7\u00e3o) eram suportadas militantemente por cada elemento do grupo; conv\u00e9m ainda informar que isto n\u00e3o era nada de excepcional, dado que todos os elementos eram trabalhadores, e por conseguinte, tinham o seu trabalho e correspondente sal\u00e1rio garantido. Os desempregados (tamb\u00e9m os havia, de vez em quando), eram ajudados, como calhava, pelo colectivo. E todos os problemas acabavam por se resolver. At\u00e9 porque, como diz o povo, quem corre por gosto n\u00e3o cansa; e como aquilo era s\u00f3 para quem queria, n\u00e3o havia \u201cobrigatoriedade nem interesses\u201d, o que \u00e9 certo \u00e9 que a coisa pegou e \u201csaiu da casca\u201d j\u00e1 com feitio de gente.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cover alignwide has-background-dim-20 has-background-dim is-position-center-center\" style=\"min-height:375px\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"561\" height=\"755\" class=\"wp-block-cover__image-background wp-image-3640\" alt=\"\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/to4.png\" style=\"object-position:63% 66%\" data-object-fit=\"cover\" data-object-position=\"63% 66%\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/to4.png 561w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/to4-223x300.png 223w\" sizes=\"(max-width: 561px) 100vw, 561px\" \/><div class=\"wp-block-cover__inner-container is-layout-flow wp-block-cover-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-text-align-center has-text-color\" style=\"color:#fffffa;font-size:74px;line-height:1.1\"><\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p>Fonte: Teatro Oper\u00e1rio, Helder Costa | Teatro Centelha, 1980<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>REVISITAR EXPERI\u00caNCIAS | O Teatro e o combate \u00e0 extrema-direita (10) Teatro Oper\u00e1rio de Paris&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2747,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[239,112],"tags":[205],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/to.png",828,516,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/to-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/to-300x187.png",300,187,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/to-768x479.png",640,399,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/to.png",640,399,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/to.png",828,516,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/to.png",828,516,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/to.png",828,516,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/to.png",800,500,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/to.png",828,516,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/to.png",540,337,false],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/to.png",400,250,false]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/especial-sf\/\" rel=\"category tag\">ESPECIAL-SF<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/especial-sf\/teatro\/\" rel=\"category tag\">TEATRO<\/a>","tag_info":"TEATRO","comment_count":"0","post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3637"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3637"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3637\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3643,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3637\/revisions\/3643"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2747"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3637"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3637"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3637"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}