{"id":3834,"date":"2021-08-05T00:08:59","date_gmt":"2021-08-05T00:08:59","guid":{"rendered":"http:\/\/aep61-74.org\/?p=3834"},"modified":"2021-10-05T13:36:34","modified_gmt":"2021-10-05T13:36:34","slug":"origens-do-grandola-vila-morena-ou-como-a-fraternidade-operaria-inspira-os-poetas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2021\/08\/05\/origens-do-grandola-vila-morena-ou-como-a-fraternidade-operaria-inspira-os-poetas\/","title":{"rendered":"Origens do Gr\u00e2ndola Vila Morena ou como a fraternidade oper\u00e1ria inspira os poetas"},"content":{"rendered":"\n<p>Combatentes da Liberdade | Zeca Afonso e Z\u00e9 da Concei\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Com o Z\u00e9 da Concei\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel falar. Desde abril de 2011 que ele j\u00e1 n\u00e3o se encontra entre n\u00f3s. O Z\u00e9 foi o anfitri\u00e3o do Zeca Afonso na passagem e atua\u00e7\u00e3o do trovador-poeta em Gr\u00e2ndola. Mas o Helder Costa e a Irene Pimentel adiantaram os elementos essenciais de todo um processo  que vale a pena divulgar. <\/h3>\n\n\n\n<p>Era uma vez, em 1964, Gr\u00e2ndola&#8230;.terra da fraternidade.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cantar em clubes populares<\/h2>\n\n\n\n<p>Helder Costa recorda que &#8220;Ele passava a vida a cantar para estudantes e a dada altura queixou-se&#8230;queria actuar em clubes populares. E eu propus esse espect\u00e1culo, que aceitou, assim como o Paredes. Depois fui falar com a Sociedade Musical Fraternidade Oper\u00e1ria Grandolense, com muitos amigos na dire\u00e7\u00e3o, fomos para a frente.O resto, j\u00e1 se sabe. Entusiasmado, enviou a letra de Gr\u00e2ndola para a Sociedade. E come\u00e7ou a ir para a Margem Sul que eu j\u00e1 conhecia porque ia l\u00e1 com o C\u00e9nico de Direito&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O carteiro de Faro<\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Foi em Faro\u00a0que o Zeca recebeu o\u00a0convite, das m\u00e3os do Helder Costa que o conhecia de Coimbra.  O concerto, que encheu a sala, aconteceu a 17 de maio de 1964, por ocasi\u00e3o do 52.\u00ba anivers\u00e1rio da funda\u00e7\u00e3o da Sociedade Musical  Fraternidade Oper\u00e1ria Grandolense (SMFOG). O Zeca\u00a0sentiu-se honrado, como fez quest\u00e3o de o escrever numa carta com data de 15 de abril, onde sublinha ainda a presen\u00e7a, no mesmo espet\u00e1culo, do \u201cgrande artista\u201d Carlos Paredes, que n\u00e3o conhecia \u00e0 data.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"731\" height=\"521\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/grandola2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3835\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/grandola2.png 731w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/grandola2-300x214.png 300w\" sizes=\"(max-width: 731px) 100vw, 731px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 Afonso viajou para Gr\u00e2ndola na companhia de Z\u00e9lia, sua mulher. Aquele domingo, em que ter\u00e1 reunido cerca de 200 pessoas para assistir ao espet\u00e1culo, foi contado em v\u00e1rias publica\u00e7\u00f5es entre as quais  o livro \u201cGr\u00e2ndola Vila Morena, a can\u00e7\u00e3o da Liberdade\u201d, de Mercedes Guerreiro e Jean Lema\u00eetre.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Todo o seu repert\u00f3rio \u00e9 cantado, at\u00e9 mesmo o c\u00e9lebre <em>Os Vampiros,<\/em> com cheiro a p\u00f3lvora. O p\u00fablico est\u00e1 t\u00e3o compacto que, desta vez, a PIDE n\u00e3o ousa intervir. Mas vingar-se-\u00e1 dias mais tarde, ao confiscar a grava\u00e7\u00e3o do concerto durante uma rusga realizada no domic\u00edlio de um militante local.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m poucos dias depois&nbsp;do concerto, a 21 de maio, Jos\u00e9 da Concei\u00e7\u00e3o recebe uma carta, escrita \u00e0 m\u00e3o, com tinta verde conta-se, de Jos\u00e9 Afonso. Nela, em nota de agradecimento, \u201cZeca\u201d oferece um poema de tr\u00eas estrofes aos s\u00f3cios do \u201cM\u00fasica Velha\u201d \u2014 e n\u00e3o \u00e0 vila, como pontualmente \u00e9 referido. Esse poema, \u201cGr\u00e2ndola, Vila Morena\u201d, viria a ser lido a 31 de maio aos presentes na associa\u00e7\u00e3o, e por ocasi\u00e3o da estreia do grupo de teatro da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery alignwide columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"214\" height=\"222\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/smfog2.png\" alt=\"\" data-id=\"3837\" data-full-url=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/smfog2.png\" data-link=\"http:\/\/aep61-74.org\/?attachment_id=3837\" class=\"wp-image-3837\"\/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"649\" height=\"396\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/smfog.png\" alt=\"\" data-id=\"3838\" data-full-url=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/smfog.png\" data-link=\"http:\/\/aep61-74.org\/?attachment_id=3838\" class=\"wp-image-3838\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/smfog.png 649w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/smfog-300x183.png 300w\" sizes=\"(max-width: 649px) 100vw, 649px\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\">Instala\u00e7\u00f5es da SMFOG<\/figcaption><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Do poema \u00e0 senha para a liberdade<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<ul><li>Jos\u00e9 Afonso atua, a&nbsp;<strong>17 de maio de 1964<\/strong>, na Sociedade Musical Fraternidade Oper\u00e1ria Grandolense (SMFOG), na mesma noite que Carlos Paredes.<\/li><li>Quatro dias depois, a&nbsp;<strong>21 de abril<\/strong>, depois do espet\u00e1culo, a SMFOG recebe de Jos\u00e9 Afonso uma carta com um poema intitulado \u201cGr\u00e2ndola, Vila Morena\u201d dedicado \u00e0 sociedade.<\/li><li>A&nbsp;<strong>31 de maio de 1964<\/strong>, por ocasi\u00e3o da estreia do grupo de teatro da SMFOG, o poema \u00e9 pela primeira vez lido publicamente.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Jos\u00e9 da Concei\u00e7\u00e3o\" width=\"640\" height=\"480\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JRi8Iv10Mzo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption>Jos\u00e9 da Concei\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a href=\"https:\/\/tributozecafonso.blogs.sapo.pt\/jose-da-conceicao-109620\">Jos\u00e9 da Concei\u00e7\u00e3o<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>Uma comunica\u00e7\u00e3o de Irene Pimentel a prop\u00f3sito do Z\u00e9 da Concei\u00e7\u00e3o, quando lhe foi prestada homenagem na AJA &#8211; Associa\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 Afonso (N\u00facleo de Gr\u00e2ndola) \u00e9 aqui reproduzida para  um melhor conhecimento do  dinamizador pol\u00edtico e cultural grandolense. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Gr\u00e2ndola e Viana<\/h2>\n\n\n\n<p>por <strong>Irene Pimentel<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 da Concei\u00e7\u00e3o, falecido a 16 abril de 2011, amigo do Zeca a quem convidou a actuar em Gr\u00e2ndola a 17 maio de 1964 (era Jos\u00e9 membro da dire\u00e7\u00e3o da \u00abM\u00fasica Velha\u00bb da Sociedade Musical Fraternidade Oper\u00e1ria Grandolense) e em Viana do Castelo (Clube Fluvial Vianense) a 6 de Agosto de 1968, conta-nos como tudo aconteceu nesses dois espet\u00e1culos.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Morreu hoje Jos\u00e9 da Concei\u00e7\u00e3o, uma das figuras mais importantes do associativismo cultural portugu\u00eas, conhecido por v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es de pessoas ligadas ao teatro amador e ao chamado \u00abtrabalho legal\u00bb nas colectividades e sociedades de cultura e recreio durante a ditadura de Salazar e Caetano. Al\u00e9m de ter sido militante e dirigente pol\u00edtico da chamada esquerda radical, nomeadamente da Organiza\u00e7\u00e3o Comunista Marxista-Leninista Portuguesa (OCMLP-O Grito do Povo), antes e pouco depois de 25 de Abril de 1974, Jos\u00e9 da Concei\u00e7\u00e3o foi sobretudo um organizador e dinamizador de grupos de teatro \u2013 al\u00e9m de ter encenado in\u00fameras pe\u00e7as e participado nelas como actor &#8211; em colectividades, em particular na Sociedade Musical Fraternidade Oper\u00e1ria Grandolense (SMFOG), de Gr\u00e2ndola, e no Clube Fluvial Vianense, de Viana do Castelo.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Atividades pol\u00edticas e culturais<\/h2>\n\n\n\n<p>Tive a grande sorte de conhecer, em 1971, Jos\u00e9 da Concei\u00e7\u00e3o, pelo qual tive uma profunda e terna amizade, bem como uma estreita camaradagem pol\u00edtica. Al\u00e9m disso, pude participar com ele em actividades pol\u00edticas e culturais em associa\u00e7\u00f5es na margem sul do Tejo. Em conjunto, sob sua direc\u00e7\u00e3o, organiz\u00e1mos, em Alhos Vedros e Gr\u00e2ndola, sess\u00f5es culturais, de teatro, cinema e canto, com diversos intelectuais, escritores, encenadores e cantores, entre os quais se contaram Jos\u00e9 Saramago, Joaquim Benite, Armando Caldas, Adriano Correia de Oliveira, Fausto e Jos\u00e9 Afonso, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Jos\u00e9 Afonso, ali\u00e1s, o ano de 1964 foi crucial, pois foi ent\u00e3o que escreveu o poema \u00abGr\u00e2ndola, Vila Morena\u00bb. Mais tarde, Jos\u00e9 Afonso contou ter ficado \u00abbrutalmente satisfeito com o convite\u00bb da \u00abM\u00fasica Velha\u00bb &#8211; Sociedade Musical Fraternidade Oper\u00e1ria Grandolense (SMFOG), onde conheceu Carlos Paredes. Jos\u00e9 (Zeca) Afonso descreveu a \u00abFraternidade Grandolense\u00bb como um \u00ablocal obscuro, quase sem estruturas nenhumas, com uma biblioteca de evidentes objectivos revolucion\u00e1rios, uma disciplina generalizada e aceite entre todos os membros, o que revelava j\u00e1 uma grande consci\u00eancia e maturidade pol\u00edticas\u00bb (Jos\u00e9 A. Salvador,&nbsp;<em>Livra-te do medo<\/em>, 1984, p. 127-128).<\/p>\n\n\n\n<p>Quatro dias, Jos\u00e9 Afonso enviou a um dos organizadores da sess\u00e3o de Gr\u00e2ndola, precisamente Jos\u00e9 da Concei\u00e7\u00e3o, uma missiva, com um poema dedicado \u00e0 SMFOG, lido publicamente na sala desta colectividade, em 31 de Maio, por ocasi\u00e3o da estreia do Grupo de Teatro da \u00abM\u00fasica Velha\u00bb: tratava-se de \u00abGr\u00e2ndola, Vila Morena\u00bb. Em Agosto de 1968, foi a vez de Manuel Freire, cantor da \u00abPedro Filosofal\u00bb, conhecer Jos\u00e9 Afonso, em Viana do Castelo, pois ambos foram convidados para actuar no Clube Fluvial Vianense (<em>Jos\u00e9 A. Salvador<\/em>,&nbsp;<em>Jos\u00e9 Afonso: O que Faz Falta, Uma mem\u00f3ria plural<\/em>, pp. 59-62) cuja sec\u00e7\u00e3o cultural era ent\u00e3o dirigida pelo mesmo Jos\u00e9 da Concei\u00e7\u00e3o havia organizado o espect\u00e1culo de Gr\u00e2ndola, em 1964.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O relato do PIDE<\/h2>\n\n\n\n<p>Em 13 de Agosto de 1968, o comando-geral da PSP enviou ao director da PIDE o relato feito por um agente desse espect\u00e1culo em Viana do Castelo, segundo o qual a ele tinham assistido cerca de 200 indiv\u00edduos \u00abdesafectos\u00bb ao regime. Quanto \u00e0s \u00abletras dos fados e can\u00e7\u00f5es (\u2026) encerravam um fundo picante para o lado subversivo\u00bb, embora, segundo dizia o relator da sess\u00e3o, os cantores haviam moderado a sua tend\u00eancia subversiva, \u00abcertamente por se terem apercebido da presen\u00e7a dos nossos agentes\u00bb. O autor do referido of\u00edcio, que visivelmente desconhecia completamente o conte\u00fado das can\u00e7\u00f5es dos dois cantores, deu conta de algumas das estrofes das can\u00e7\u00f5es de Jos\u00e9 Afonso, trocando as respectivas palavras. Por exemplo, \u00abCantar alentejano\u00bb e \u00ab\u00d3 cavador do Alentejo\u00bb continham, segundo o elemento da PSP, respectivamente, as seguintes estrofes: \u00abCatarina do Alentejo que n\u00e3o te viu nascer mas h\u00e1-de vir o dia que h\u00e1s-de viver\u00bb e \u00abOh cavador do Alentejo que h\u00e1 muito tempo n\u00e3o te vi cantar\u00bb (Arquivo da PIDE\/DGS no ANTT, proc. 931 CI (1), fl. 394).<\/p>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 Afonso voltaria a Gr\u00e2ndola, em final de 1970, quando renasceu a actividade cultural da SMFOG, pela m\u00e3o de Jos\u00e9 da Concei\u00e7\u00e3o e de uma nova gera\u00e7\u00e3o de jovens, e novamente em Junho de 1972, por ocasi\u00e3o da primeira feira do livro, realizada no jardim da vila, pela \u00abM\u00fasica Velha\u00bb, e por Jos\u00e9 da Concei\u00e7\u00e3o. Tive ent\u00e3o a sorte de participar nesse evento, escolhendo livros que eram vendidos no jardim central de Gr\u00e2ndola em lindas barracas de praia \u00e0s riscas \u2013 uma ideia de Jos\u00e9 da Concei\u00e7\u00e3o. Alguns dos livros \u00abdo dia\u00bb foram obras de autores marxistas, cujos nomes Jos\u00e9 da Concei\u00e7\u00e3o e eu nome\u00e1mos numa entrevista dada a Jo\u00e3o Paulo Guerra, na R\u00e1dio Renascen\u00e7a. Lembre-se que est\u00e1vamos no per\u00edodo \u201cmarcelista\u201d e o certo \u00e9 que os censores e a pol\u00edcia pol\u00edtica j\u00e1 tinham ent\u00e3o muito que fazer, pois aparentemente a iniciativa \u201cesquerdista\u201d passou despercebida.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cinema em Gr\u00e2ndola<\/h2>\n\n\n\n<p>&nbsp;Foi tamb\u00e9m uma ideia de Jos\u00e9 da Concei\u00e7\u00e3o realizar, ainda na SMFOG de Gr\u00e2ndola, um ciclo de cinema com filmes de teor pol\u00edtico &#8211; daqueles que a censura deixava passar -, por escolhidos a dedo. Lembro-me que um deles era o<em>&nbsp;western<\/em>, \u00abSoldado Azul\u00bb (<em>Soldier Blue,&nbsp;<\/em>1970),<em>&nbsp;com<\/em>&nbsp;Candice Bergen e Peter Strauss, onde era pela primeira vez dada uma imagem diferente da habitualmente retratada nos filmes de&nbsp;<em>cowboys<\/em>&nbsp;acerca do verdadeiro massacre de \u00edndios perpetrado na Am\u00e9rica do norte<\/p>\n\n\n\n<p>Gera\u00e7\u00f5es de jovens activistas e militantes, entre os quais me incluo, foram levados para a actividade cultural nas colectividades por Jos\u00e9 da Concei\u00e7\u00e3o, um homem com uma intelig\u00eancia acutilante e um sentido de humor do tamanho da sua generosidade, com o qual aprendi muito, tanto na actividade cultural como na pol\u00edtica. Que saudades vou ter de ti, Z\u00e9, das nossas conversas, dos nossos almo\u00e7os onde nos divert\u00edamos e r\u00edamos a bom rir do passado e do presente!<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Fontes: Helder Costa, Rita Sousa Vieira -MadreM\u00e9dia e Irene Pimentel<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"784\" height=\"487\" src=\"http:\/\/aep61-74.org\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ze-da-conceic\u0327a\u0303o.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3836\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ze-da-conceic\u0327a\u0303o.png 784w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ze-da-conceic\u0327a\u0303o-300x186.png 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/ze-da-conceic\u0327a\u0303o-768x477.png 768w\" sizes=\"(max-width: 784px) 100vw, 784px\" \/><figcaption>Z\u00e9 da Concei\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Combatentes da Liberdade | Zeca Afonso e Z\u00e9 da Concei\u00e7\u00e3o Com o Z\u00e9 da Concei\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3839,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[240],"tags":[107,179],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/zeca4.png",1032,570,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/zeca4-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/zeca4-300x166.png",300,166,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/zeca4-768x424.png",640,353,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/zeca4-1024x566.png",640,354,true],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/zeca4.png",1032,570,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/zeca4.png",1032,570,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/zeca4.png",1032,570,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/zeca4.png",800,442,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/zeca4.png",1024,566,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/zeca4.png",540,298,false],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/zeca4.png",400,221,false]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/memorias-vivas\/\" rel=\"category tag\">MEM\u00d3RIAS VIVAS<\/a>","tag_info":"MEM\u00d3RIAS VIVAS","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3834"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3834"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3834\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3843,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3834\/revisions\/3843"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3839"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3834"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3834"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3834"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}