{"id":4116,"date":"2021-09-23T21:48:06","date_gmt":"2021-09-23T21:48:06","guid":{"rendered":"https:\/\/semfronteiras.eu\/?p=4116"},"modified":"2021-10-05T11:34:36","modified_gmt":"2021-10-05T11:34:36","slug":"meio-sol-amarelo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2021\/09\/23\/meio-sol-amarelo\/","title":{"rendered":"Meio sol amarelo"},"content":{"rendered":"\n<p>LIVROS SEM FRONTEIRAS | Meio sol amarelo |\u00a0<strong>Chimamanda Ngozi Adichie<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>por Paula Barros*<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O livro&nbsp;<strong>\u201cMeio sol amarelo\u201d<\/strong>&nbsp;\u00e9 o segundo livro da carreira de&nbsp;<strong>Chimamanda Ngozi Adichie<\/strong>&nbsp;e o seu t\u00edtulo uma homenagem \u00e0 bandeira do&nbsp;<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Biafra\">Biafra<\/a>, que viveu um per\u00edodo de autoproclamada independ\u00eancia da Nig\u00e9ria, entre 1967 e 1970. Esta decis\u00e3o, muito motivada pela inten\u00e7\u00e3o de controle do&nbsp;Delta do N\u00edger&nbsp;(regi\u00e3o rica em recursos naturais, como petr\u00f3leo)&nbsp;dividiu parceiros internacionais e esteve na origem da Guerra do Biafra&nbsp;\u2013 ou&nbsp;Guerra Civil Nigeriana -.<\/h4>\n\n\n\n<p>A&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.infoescola.com\/africa\/nigeria\/\">Nig\u00e9ria<\/a>&nbsp;&nbsp;vivia ent\u00e3o os primeiros tempos da sua independ\u00eancia (tornou-se independente do Reino Unido em 1960), conhecendo j\u00e1 uma significativa instabilidade pol\u00edtica e econ\u00f3mica. Por outro lado, era um pa\u00eds cuja diversidade \u00e9tnica n\u00e3o era traduzida na composi\u00e7\u00e3o do governo, provocando tens\u00f5es culturais, \u00e9tnicas e religiosas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O mundo ficou calado quando morremos<\/h2>\n\n\n\n<p>Em 1970 o Biafra \u00e9 reincorporado na Nig\u00e9ria e os principais l\u00edderes separatistas perdoados. Esta guerra provocou a morte de entre 500 000 e 2 milh\u00f5es de civis da regi\u00e3o do Biafra, devido \u00e0 falta de comida provocada pelo cerco que o territ\u00f3rio sofreu pelo Governo da Nig\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 este o pano de fundo das hist\u00f3rias cruzadas dos personagens principais, de que se destaca Ugwu, empregado de um jovem Professor universit\u00e1rio que planeia uma revolu\u00e7\u00e3o, cujo crescimento seguimos. Acompanhamos tamb\u00e9m a evolu\u00e7\u00e3o dos sentimentos de outras personagens, nomeadamente duas irm\u00e3s g\u00e9meas Kainene e Olanna e um expatriado brit\u00e2nico, as suas lealdades e viv\u00eancias em tempos de transforma\u00e7\u00e3o abrupta da realidade, de instabilidade, escassez e barb\u00e1rie. \u00c9 disso exemplo a evolu\u00e7\u00e3o de Kainene, uma mulher forte e independente, que gere o neg\u00f3cio do pai e come\u00e7a por beneficiar com a guerra, para depois se transformar e dirigir um campo de refugiados. Como tamb\u00e9m o s\u00e3o as discuss\u00f5es sobre pol\u00edcia e identidade p\u00f3s-colonial em casa do Professor Odenigbo, que defende a tribo como a unidade ideal para os africanos, enquanto alguns dos seus convidados salientam a necessidade de pan-africanismo ou nacionalismo. Ou a cr\u00edtica ao posicionamento dos jornais ocidentais durante aqueles anos. S\u00e3o de Ugwu as palavras \u201cO mundo ficou calado quando morremos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A tua vida pertence-te a ti e s\u00f3 a ti<\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sendo um romance tipicamente feminista, h\u00e1 tamb\u00e9m aqui uma passagem significativa na tomada de consci\u00eancia sobre os Direitos Humanos das Mulheres, quando a tia Ifeka diz \u00e0 g\u00e9mea Olanna: \u201cNunca te deves comportar como se a tua vida pertencesse a um homem. A tua vida pertence-te a ti e s\u00f3 a ti\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A obra ganhou o&nbsp;Orange Prize&nbsp;na categoria de fic\u00e7\u00e3o em&nbsp;<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/2007\">2007<\/a>&nbsp;e foi inclu\u00eddo na lista do The&nbsp;New York Times\u2032s \u201c100 Most Notable Books of the Year\u201d. Foi adaptado a filme em 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>Por \u00faltimo, \u201cMeio sol amarelo\u201d contribui igualmente, para acabar com \u201c<em>o perigo de uma \u00fanica hist\u00f3ria<\/em>\u201d, que limita a perce\u00e7\u00e3o do mundo, derrotando estere\u00f3tipos, criando novas refer\u00eancias, tornando conhecidos perfis, hist\u00f3ria(s) e lugares que n\u00e3o sejam s\u00f3 ocidentais, tema muito querido \u00e0 autora. Porque nem todas\/os comemos ma\u00e7\u00e3s!<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O perigo de uma \u00fanica hist\u00f3ria<\/h2>\n\n\n\n<p>Chimamanda Ngozi Adichie \u00e9 uma feminista e escritora negeriana, nascida em&nbsp;Enugu&nbsp;em 1977. \u00c9 tamb\u00e9m muito (re)conhecida pelos seus discursos poderosos, nomeadamente&nbsp;<em>The Danger of A Single Story<\/em>, numa TED Talk, em 2009, e o&nbsp;<em>We Should All Be Feminists<\/em>, que se transformou em livro em 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>Chimamanda Ngozi Adichie \u00e9 atualmente uma das maiores vozes da literatura africana, suas obras j\u00e1 foram traduzidas para mais de trinta idiomas.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cQuando rejeitamos uma \u00fanica hist\u00f3ria, quando percebemos que nunca h\u00e1 apenas uma hist\u00f3ria sobre um lugar, n\u00f3s reconquistamos um tipo de para\u00edso.\u201d\u00a0<\/em>Chimamanda Ngozi Adichie<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-ted wp-block-embed-ted wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Chimamanda Ngozi Adichie: The danger of a single story\" src=\"https:\/\/embed.ted.com\/talks\/chimamanda_ngozi_adichie_the_danger_of_a_single_story\" width=\"640\" height=\"361\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" webkitAllowFullScreen mozallowfullscreen allowFullScreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Paula Barros | Coordenadora de Programas de Educa\u00e7\u00e3o e Parcerias \u2013 Escrit\u00f3rio da OEI em Portugal \u2013 Organiza\u00e7\u00e3o de Estados Iberoamericanos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LIVROS SEM FRONTEIRAS | Meio sol amarelo |\u00a0Chimamanda Ngozi Adichie por Paula Barros* O livro&nbsp;\u201cMeio&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4117,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[242],"tags":[218],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/meio-.png",671,380,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/meio--150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/meio--300x170.png",300,170,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/meio-.png",640,362,false],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/meio-.png",640,362,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/meio-.png",671,380,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/meio-.png",671,380,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/meio-.png",671,380,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/meio-.png",671,380,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/meio-.png",671,380,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/meio--540x340.png",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/meio--400x250.png",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/livros-musica\/\" rel=\"category tag\">LIVROS &amp; M\u00daSICA<\/a>","tag_info":"LIVROS &amp; M\u00daSICA","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4116"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4116"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4116\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4118,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4116\/revisions\/4118"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4117"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4116"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4116"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4116"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}