{"id":4923,"date":"2022-01-22T11:25:04","date_gmt":"2022-01-22T11:25:04","guid":{"rendered":"https:\/\/semfronteiras.eu\/?p=4923"},"modified":"2022-01-22T11:25:09","modified_gmt":"2022-01-22T11:25:09","slug":"marinha-grande-uma-insurreicao-com-a-massa-operaria-na-rua-a-apoiar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2022\/01\/22\/marinha-grande-uma-insurreicao-com-a-massa-operaria-na-rua-a-apoiar\/","title":{"rendered":"Marinha Grande,  uma insurrei\u00e7\u00e3o com a  massa oper\u00e1ria na rua a apoiar"},"content":{"rendered":"\n<p><span class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\"><strong>DOSSI\u00caS SF<\/strong><\/span><strong>&nbsp;<\/strong>|&nbsp;TRL \u2013 TERRAS DE RESIST\u00caNCIA E LUTA \u2013 N1 Janeiro 2022 | Marinha Grande<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">N\u00e3o aconteceu por acaso, foi a a\u00e7\u00e3o mais relevante da greve geral de 1934, fracassou e marcou um per\u00edodo de refluxo do movimento oper\u00e1rio at\u00e9 ent\u00e3o dominado pelos anarco-sindicalistas. Um novo ciclo da hist\u00f3ria europeia tinha sido aberto, em 30 de janeiro de 1933, com a chamada de Hitler pelo Presidente alem\u00e3o Marechal Paul Von Hindenburg para chefiar o novo governo. Em Portugal a Constitui\u00e7\u00e3o do Estado Novo procurava legitimar o regime sa\u00eddo do golpe militar de 28 de maio de 1926.<\/h3>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>O homem tomou posse, com o seu nariz pontudo e a afirmar-se salvador da p\u00e1tria. N\u00e3o esperou muito para ser desafiado nas suas inten\u00e7\u00f5es de repress\u00e3o e esmagamento do movimento oper\u00e1rio. Menos de um ano e meio depois, a greve geral contra o Estatuto do Trabalho Nacional que dissolvia os sindicatos e proibia a greve sinalizava a Salazar as inten\u00e7\u00f5es de luta e de resist\u00eancia que iriam ocorrer nos anos vindouros.<\/p>\n\n\n\n<p>Pedro Correia, arquiteto marinhense, lutador contra o regime organizou uma FICHA SIN\u00d3PTICA sobre o Movimento do 18 de janeiro de 1934 que aqui reproduzimos (e que tamb\u00e9m ilustr\u00e1mos e refor\u00e7\u00e1mos) ) para partilhar uma vis\u00e3o resumida e sint\u00e9tica da jornada insurrecional ocorrida na cidade vidreira.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-5 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:100%\">\n<div class=\"wp-block-columns alignfull are-vertically-aligned-center is-layout-flex wp-container-3 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:44%\">\n<h2 class=\"has-text-color wp-block-heading\" style=\"color:#000000\"><strong>Pedro Correia | Marinha Grande<\/strong><\/h2>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:56%\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-rounded\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/pc2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4933\" width=\"265\" height=\"177\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/pc2.jpg 704w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/pc2-300x201.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 265px) 100vw, 265px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center has-cyan-bluish-gray-background-color has-background wp-block-heading\">MOVIMENTO DO 18 DE JANEIRO DE 1934<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-luminous-vivid-amber-background-color has-background\">Contexto do Movimento &#8211; No plano sindical<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Contexto geral<\/h3>\n\n\n\n<p>Publica\u00e7\u00e3o do Estatuto do Trabalho Nacional (inspirado na Carta del Lavoro de Mussolini, pro\u00edbe os sindicatos livres, encerra os sindicatos existentes. Coloca a negocia\u00e7\u00e3o coletiva, a nomea\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o dos delegados sindicais e outras a\u00e7\u00f5es sindicais sob aprova\u00e7\u00e3o e controlo direto do governo) com entrada em vigor prevista para o in\u00edcio de 1934.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Contexto imediato<\/h3>\n\n\n\n<p>Redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios (a pretexto de descontos para a cria\u00e7\u00e3o do Fundo de Desemprego).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-6 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"202\" height=\"278\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/carta-.jpg\" alt=\"\" data-id=\"4924\" data-link=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/?attachment_id=4924\" class=\"wp-image-4924\"\/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"396\" height=\"558\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/carta2.jpg\" alt=\"\" data-id=\"4925\" data-full-url=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/carta2.jpg\" data-link=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/?attachment_id=4925\" class=\"wp-image-4925\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/carta2.jpg 396w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/carta2-213x300.jpg 213w\" sizes=\"(max-width: 396px) 100vw, 396px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-luminous-vivid-amber-background-color has-background\">OBJETIVO<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<ul><li>Revogar o Estatuto do Trabalho Nacional<\/li><li>Repor os sal\u00e1rios<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-luminous-vivid-amber-background-color has-background\">MEIO DE A\u00c7\u00c3O<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Greve geral<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-luminous-vivid-amber-background-color has-background\">LOCAIS DO PA\u00cdS ONDE O MOVIMENTO TEVE A\u00c7\u00d5ES<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Almada<\/p>\n\n\n\n<p>Barreiro<\/p>\n\n\n\n<p>Coimbra<\/p>\n\n\n\n<p>Lisboa (Po\u00e7o do Bispo, Xabregas)<\/p>\n\n\n\n<p>Marinha Grande<\/p>\n\n\n\n<p>Porto<\/p>\n\n\n\n<p>Silves<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Retrato gen\u00e9rico<\/h2>\n\n\n\n<p>&#8220;A&nbsp;<strong><em>revolta do 18 de Janeiro de 1934<\/em><\/strong>&nbsp;surgiu como movimento nacional de contesta\u00e7\u00e3o \u00e0 ofensiva corporativa contra os sindicatos livres, por for\u00e7a do rec\u00e9m-publicado \u201cEstatuto do Trabalho Nacional e Organiza\u00e7\u00e3o dos Sindicatos Nacionais\u201d, em Setembro de 1933, pelo Estado Novo.<br>O movimento saiu para a rua e desenrolou-se, embora desarticulado. Contudo, a falta de apoio militar e a fraca ades\u00e3o e repercuss\u00e3o nacional condenou-o ao fracasso.<\/p>\n\n\n\n<p>Registaram-se greves gerais de car\u00e1ter pac\u00edfico em Almada, Barreiro, Sines, Silves, e manifesta\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias, mais ou menos violentas na Marinha Grande, Seixal, Alfeite, Cacilhas e Set\u00fabal.<\/p>\n\n\n\n<p>Foram sabotadas estruturas de transportes, comunica\u00e7\u00f5es e de energia entre Coimbra e o Algarve, com destaque para Leiria, Martingan\u00e7a e P\u00f3voa de Santa Iria. Registaram-se confrontos armados com for\u00e7as policiais em Lisboa e Marinha Grande, onde o movimento atingiu grandes repercuss\u00f5es.<br>Quando, em finais de 1933, se iniciaram os preparativos da insurrei\u00e7\u00e3o e Greve Geral nacional do dia 18 de Janeiro de 1934, o centro industrial vidreiro da Marinha Grande n\u00e3o ficou de fora.<br>Em articula\u00e7\u00e3o com as organiza\u00e7\u00f5es sindicais nacionais, o movimento foi liderado por Jos\u00e9 Greg\u00f3rio, Teot\u00f3nio Martins, Manuel Barid\u00f3, Ant\u00f3nio Guerra, Pedro Amarante Mendes, Miguel Henrique e Manuel Esteves de Carvalho.<br>Entre a meia-noite e as duas da manh\u00e3 do dia 18 de Janeiro de 1934, v\u00e1rios trabalhadores da Marinha Grande, na sua maioria vidreiros, reuniram-se em Casal Galego.<\/p>\n\n\n\n<p>Estavam munidos de ferramentas para corte de \u00e1rvores e vias de comunica\u00e7\u00e3o, de espingardas, rev\u00f3lveres, pistolas e bombas. Organizaram-se em brigadas e receberam instru\u00e7\u00f5es por parte dos dirigentes do movimento. Cortaram as estradas de acesso \u00e0 Marinha Grande e a via-f\u00e9rrea.<br>Ocuparam a Esta\u00e7\u00e3o dos Correios e Tel\u00e9grafos e o Posto da GNR, com a consequente rendi\u00e7\u00e3o e desarmamento dos soldados da Guarda Republicana e distribui\u00e7\u00e3o de armas pelos revoltosos.<br>Foram assim criadas condi\u00e7\u00f5es para que se pudesse realizar a paralisa\u00e7\u00e3o geral do trabalho na manh\u00e3 do dia 18 de Janeiro. Por\u00e9m, o movimento foi contido logo ao in\u00edcio da manh\u00e3. Os insurrectos foram surpreendidos com a chegada \u00e0 Marinha Grande das for\u00e7as policiais vindas de Leiria. Seguiram-se o Regimento de Artilharia Ligeira 4 e do Regimento de Infantaria 7.<br>Os revoltosos ainda resistiram, mas, pela manh\u00e3, as autoridades tomaram a cidade, onde declararam o estado de s\u00edtio.<br>Mandaram encerrar as f\u00e1bricas, iniciando as buscas e deten\u00e7\u00f5es daqueles que participaram no movimento, gorando o objectivo da paralisa\u00e7\u00e3o geral do trabalho.<br>O n\u00famero de detidos ter\u00e1 ascendido, a 131 pessoas. 45 revoltosos foram processados e condenados ao desterro pelo Tribunal Militar Especial, com penas entre 3 e 14 anos de pris\u00e3o e ao pagamento de pesadas multas.<br>Nesta conjuntura iniciou-se um longo processo de luta contra o Estado Novo, contra a ditadura, a censura e o estado corporativo.<br>Reclamou-se o direito elementar \u00e0 liberdade, do qual resultaram milhares de presos pol\u00edticos, considerados de \u201cespecial perigosidade\u201d. Alguns foram deportados para a ilha de Santiago, no arquip\u00e9lago de Cabo Verde, nomeadamente para a Col\u00f3nia Penal do Tarrafal, conhecida como o \u201ccampo da morte lenta\u201d.<br>Os revolucion\u00e1rios do 18 de Janeiro foram derrotados num combate em que a heroicidade n\u00e3o bastava para vencer a enorme desigualdade de for\u00e7as&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Texto de Vitriol &#8211; Associa\u00e7\u00e3o L\u00edngua Cultura Lus\u00f3fona<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-luminous-vivid-amber-background-color has-background\">ORGANIZA\u00c7\u00d5ES SINDICAIS PROMOTORAS DO MOVIMENTO<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Envolvidas no movimento a n\u00edvel nacional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>CGT &#8211; Confedera\u00e7\u00e3o Geral do Trabalho (anarco-sindicalista)<\/p>\n\n\n\n<p>FAO &#8211; Federa\u00e7\u00e3o das Associa\u00e7\u00f5es Oper\u00e1rias de Lisboa (socialista)<\/p>\n\n\n\n<p>CIS &#8211; Comiss\u00e3o Inter- Sindical (comunista)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Envolvidas na Marinha Grande<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>CGT &#8211; Confedera\u00e7\u00e3o Geral do Trabalho (anarco-sindicalista)<\/p>\n\n\n\n<p>CIS &#8211; Comiss\u00e3o Inter- Sindical (comunista)<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-8 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"505\" height=\"690\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/jornais.jpg\" alt=\"\" data-id=\"4927\" data-link=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/?attachment_id=4927\" class=\"wp-image-4927\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/jornais.jpg 505w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/jornais-220x300.jpg 220w\" sizes=\"(max-width: 505px) 100vw, 505px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"738\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/WhatsApp-Image-2022-01-07-at-18.27.37-738x1024.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"4928\" data-full-url=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/WhatsApp-Image-2022-01-07-at-18.27.37.jpeg\" data-link=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/?attachment_id=4928\" class=\"wp-image-4928\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/WhatsApp-Image-2022-01-07-at-18.27.37-738x1024.jpeg 738w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/WhatsApp-Image-2022-01-07-at-18.27.37-216x300.jpeg 216w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/WhatsApp-Image-2022-01-07-at-18.27.37-768x1066.jpeg 768w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/WhatsApp-Image-2022-01-07-at-18.27.37-1024x1421.jpeg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/WhatsApp-Image-2022-01-07-at-18.27.37.jpeg 1080w\" 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objetivos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul><li>Tomada do edif\u00edcio da C\u00e2mara Municipal<\/li><li>Tomada da central el\u00e9trica<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">TEMPO DO PROCESSO<\/h3>\n\n\n\n<ul><li>In\u00edcio das opera\u00e7\u00f5es: 3 horas da madrugada no dia 18 de janeiro<\/li><li>Controlo da situa\u00e7\u00e3o pelos insurretos: das 5 \u00e0s 8 horas do dia 18 de janeiro<\/li><li>T\u00e9rmino da insurrei\u00e7\u00e3o (com a entrada das for\u00e7as repressivas e controlo militar da situa\u00e7\u00e3o)<\/li><li>8 horas: entrada de for\u00e7as policiais seguidas pelo ex\u00e9rcito (Artilharia e Infantaria7)<\/li><li>9 horas : a marinha Grande est\u00e1 sob ocupa\u00e7\u00e3o e controlo militar<\/li><\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">DURA\u00c7\u00c3O DA INSURREI\u00c7\u00c3O (controlo da situa\u00e7\u00e3o na Marinha Grande pelos insurretos<\/h3>\n\n\n\n<ul><li>Das 5 \u00e1s 8 horas da madrugada.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-3 is-cropped wp-block-gallery-10 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"643\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/WhatsApp-Image-2022-01-07-at-18.29.08-1024x643.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"4929\" data-full-url=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/WhatsApp-Image-2022-01-07-at-18.29.08.jpeg\" data-link=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/?attachment_id=4929\" class=\"wp-image-4929\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/WhatsApp-Image-2022-01-07-at-18.29.08-1024x643.jpeg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/WhatsApp-Image-2022-01-07-at-18.29.08-300x188.jpeg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/WhatsApp-Image-2022-01-07-at-18.29.08-768x482.jpeg 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class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:100%\">\n<div class=\"wp-block-image is-style-default\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"437\" height=\"247\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/8-jan-fotos.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4932\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/8-jan-fotos.jpg 437w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/8-jan-fotos-300x170.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 437px) 100vw, 437px\" \/><\/figure><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-18 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:100%\">\n<div class=\"wp-block-columns alignfull are-vertically-aligned-center is-layout-flex wp-container-16 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:44%\">\n<h2 class=\"has-text-color wp-block-heading\" style=\"color:#000000\"><strong>Irene Pimentel<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color\" style=\"color:#636363;font-size:17px;line-height:1.1\">Texto publicado em 18 de janeiro 2009<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:56%\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-rounded\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/irene.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4509\" width=\"260\" height=\"217\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/irene.png 379w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/irene-300x250.png 300w\" sizes=\"(max-width: 260px) 100vw, 260px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">18 de janeiro de 1034 | Irene Pimentel<\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Logo que chegou \u00e0 chefia do poder, em 5 de Julho de 1932, Ant\u00f3nio de Oliveira Salazar come\u00e7ou a elaborar a Constitui\u00e7\u00e3o sobre a qual assentaria o seu novo regime, o Estado Novo. Ap\u00f3s ser plebiscitado, o texto constitucional foi promulgado em Abril de 1933, no ano em que o novo regime salazarista criou a pol\u00edcia pol\u00edtica (PVDE) e o Secretariado de Propaganda Nacional (SPN) e lan\u00e7ou as bases da legisla\u00e7\u00e3o corporativa, que assentaria, depois da proibi\u00e7\u00e3o das associa\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias, em Sindicatos Nacionais (SN) \u00fanicos e Gr\u00e9mios patronais todo-poderosos. Na luta contra o processo da chamada \u00abfasciza\u00e7\u00e3o\u00bb dos sindicatos e num movimento de recusa de dissolu\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias nos SN e de forma\u00e7\u00e3o de comit\u00e9s de base de luta por reivindica\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas e liberdades pol\u00edticas, ergueram-se os anarco-sindicalistas, os comunistas e alguns socialistas, respectivamente organizados na Confedera\u00e7\u00e3o Geral do Trabalho (CGT), na Comiss\u00e3o Inter-Sindical (CIS) e na Federa\u00e7\u00e3o das Associa\u00e7\u00f5es Oper\u00e1rias (FAO), bem como elementos do Comit\u00e9 das Organiza\u00e7\u00f5es Sindicais Aut\u00f3nomas (COSA).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No PCP, a linha de Bento Gon\u00e7alves e da direc\u00e7\u00e3o foi inicialmente de aproveitamento das assembleias-gerais que deveriam realizar-se para decidir da aprova\u00e7\u00e3o dos novos estatutos sindicais e aprovar mo\u00e7\u00f5es de rep\u00fadio da nova legisla\u00e7\u00e3o e dos sindicatos nacionais, gerando um movimento de massas que poderia vir a desembocar numa greve geral contra a \u00abfasciza\u00e7\u00e3o dos sindicatos\u00bb. O certo \u00e9 que a t\u00e1ctica do PCP teve pouca aceita\u00e7\u00e3o na pr\u00f3pria CIS, dirigida por Jos\u00e9 de Sousa, que aderiu \u00e0 t\u00e1ctica da \u00abgreve geral insurreccional\u00bb e a partir de ent\u00e3o os sindicalistas comunistas concentraram-se nos preparativos desta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No processo de organiza\u00e7\u00e3o do movimento de resist\u00eancia aos decretos sindicais do Estado Novo, revelar-se-ia assim dominante um projecto insurreccional, programado inicialmente pelos comunistas e anarquistas, organizados em Comit\u00e9s Sindicalistas Revolucion\u00e1rios (CSR), em conjun\u00e7\u00e3o com for\u00e7as reviralhistas. Mas logo em Novembro de 1933, a PVDE conseguiu prender e deportar Sarmento de Beires e outros reviralhistas, participantes numa tentativa falhada de intentona que deveria coincidir com a \u00abgreve geral revolucion\u00e1ria\u00bb, que ap\u00f3s conhecer sucessivos adiamentos devido \u00e0 repress\u00e3o, foi marcada para 18 de Janeiro de 1934.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edcia e o governo comportaram-se como se desejassem que o movimento deflagrasse para, em seguida, desmantel\u00e1-lo e reprimir os envolvidos. Parecendo estar ao corrente dos preparativos da \u00abgreve geral revolucion\u00e1ria\u00bb de 18 de Janeiro de 1934, a PVDE prendeu, na v\u00e9spera, alguns dos principais dirigentes sindicalistas, entre os quais se contaram os anarco-sindicalistas M\u00e1rio Castelhano e Ac\u00e1cio Tom\u00e1s de Aquino e o reviralhista Carlos Vilhena, detido na madrugada desse dia. Em Lisboa, na noite de 17 para 18 de Janeiro, Salazar abandonou a sua resid\u00eancia, acolhendo-se, primeiro no Governo Civil e, em seguida, ao quartel de Ca\u00e7adores 5, em Campolide, enquanto os pontos nevr\u00e1lgicos da capital eram de imediato ocupados pelo Ex\u00e9rcito. As ades\u00f5es \u00e0 \u00abgreve geral\u00bb de dia 18 acabaram por se revelar reduzidas, registando-se paralisa\u00e7\u00f5es e ac\u00e7\u00f5es diversas em Lisboa, Coimbra, Leiria, Barreiro, Almada, Martingan\u00e7a, Silves, Sines, Vila Boim (Elvas), Algoz-Tunes-Funcheira e na Marinha Grande.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na noite de dia 17, em Lisboa, rebentou uma bomba no Po\u00e7o do Bispo e foi cortado o caminho-de-ferro em Xabregas, ao mesmo tempo que explodiam duas bombas na central el\u00e9ctrica de Coimbra, colocada por anarquistas. S\u00f3 na Marinha Grande, onde as lutas anteriores dos vidreiros tinham criado um ambiente prop\u00edcio, se foi mais longe: sob o impulso do sindicato (onde predominavam os comunistas), grupos de oper\u00e1rios ocuparam o posto da GNR, o edif\u00edcio da C\u00e2mara Municipal e os CTT, proclamando o \u00absoviete da Marinha Grande\u00bb. Tropas vindas de Leiria tomariam conta da vila poucas horas depois, ficando-se \u00abgreve geral insurreccional\u00bb por a\u00ed, com o governo a aproveitar para intensificar a ca\u00e7a aos libert\u00e1rios e comunistas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a PVDE ter desmantelado as movimenta\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias, Salazar prop\u00f4s, ao Conselho de Ministros, no dia 19, diversas medidas repressivas e san\u00e7\u00f5es para os envolvidos nas ac\u00e7\u00f5es da v\u00e9spera. Considerados como participantes num \u00abacto revolucion\u00e1rio\u00bb, todos os dirigentes mas tamb\u00e9m qualquer mero aderente do movimento foram \u00absujeitos aos tribunais especiais\u00bb. Numa nota oficiosa, o governo avisou tamb\u00e9m que iria \u00abreprimir eficazmente a propaganda e as ideias dissolventes e atentat\u00f3rias da moral p\u00fablica e da ordem, bem como \u00abpromover a demiss\u00e3o de funcion\u00e1rios p\u00fablicos\u00bb civis e militares envolvidos. Dos acontecimentos de 18 de Janeiro, resultou tamb\u00e9m a decis\u00e3o de o governo criar, no sul de Angola, junto \u00e0 foz do Cunene, um campo para os respons\u00e1veis revolucion\u00e1rios, e a vontade de erguer uma col\u00f3nia penal em Cabo Verde. Esta viria a ser criada em 1936 no Tarrafal, para onde seriam enviados, logo em Setembro desse ano, os principais dirigentes detidos nos acontecimentos de 18 de Janeiro de 1934<a href=\"https:\/\/caminhosdamemoria.wordpress.com\/wp-includes\/js\/tinymce\/plugins\/paste\/blank.htm#_ftn1\">[1]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos dias subsequentes a 18 de Janeiro, houve por\u00e9m um afrouxamento da censura e o governo n\u00e3o colocou limites \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o dos acontecimentos violentos da v\u00e9spera. Pelo contr\u00e1rio, tudo fez para dar conta de um pretenso clima insurreccional, potenciando o impacto das ac\u00e7\u00f5es violentas, em detrimento das greves, com o objectivo de assustar a popula\u00e7\u00e3o e apelar ao seu rep\u00fadio pelos acontecimentos. Al\u00e9m disso, o governo foi atribuindo crescentemente a autoria dos acontecimentos ao PCP, omitindo a participa\u00e7\u00e3o dos elementos dos antigos partidos, dos reviralhistas e dos anarco-sindicalistas. Por exemplo, depois de ter referido estes \u00faltimos como os organizadores da \u00abgreve revolucion\u00e1ria\u00bb, o ministro do Interior Gomes Pereira j\u00e1 quase n\u00e3o os nomeou, na confer\u00eancia de imprensa realizada por ele no dia 19 de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00ab18 de Janeiro\u00bb marcaria uma ruptura hist\u00f3rica no movimento oper\u00e1rio portugu\u00eas e o fim de uma \u00e9poca. Em primeiro lugar, foi o fim de mais de meio s\u00e9culo de um sindicalismo sempre perseguido mas livre. O fracasso dos acontecimentos de 18 de Janeiro de 1934 levaria tamb\u00e9m ao fim da hegemonia do anarco-sindicalismo no movimento oper\u00e1rio e sindical portugu\u00eas, devido \u00e0 violenta repress\u00e3o que desabou sobre a CGT e o movimento libert\u00e1rio, que revelaram grandes dificuldades de sobreviv\u00eancia na clandestinidade. Mais apto em actuar nessas condi\u00e7\u00f5es adversas e passando a partir de ent\u00e3o a hegemonizar a oposi\u00e7\u00e3o ao regime, o PCP tamb\u00e9m viria a sofrer uma mudan\u00e7a, abandonando gradualmente o seu car\u00e1cter ainda \u00abpr\u00e9-leninista\u00bb, muito marcado pela heran\u00e7a anarco-sindicalista e pela colagem ao reviralhismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, a partir de ent\u00e3o, a n\u00edvel do regime salazarista, derrotados os anarco-sindicalistas e os reviralhistas \u00e0 sua esquerda, e os nacionais-sindicalistas \u00e0 sua direita, o Estado Novo erigiria os comunistas como seus principais inimigos. Efectivamente, ap\u00f3s o desmantelamento do movimento revolucion\u00e1rio de 18 de Janeiro de 1934, Salazar introduziu, pela primeira vez no seu discurso, um novo elemento \u2013 o comunismo e o perigo comunista. Foi Franco Nogueira que o disse, ao acrescentar que, atrav\u00e9s desse discurso, o Pa\u00eds compreendia que estava \u00abperante uma nova op\u00e7\u00e3o: a ordem social existente ou uma ordem social\u00bb que a destru\u00edsse por inteiro. O certo \u00e9 que esse novo tema foi lan\u00e7ado por Salazar, no final do pr\u00f3prio m\u00eas de Janeiro de 1934, numa sess\u00e3o de apresenta\u00e7\u00e3o da nova organiza\u00e7\u00e3o de juventude estatal, a Ac\u00e7\u00e3o Escolar Vanguarda (AEV). Depois de avisar que o Estado Novo n\u00e3o reconhecia as \u00abliberdade contra a Na\u00e7\u00e3o, contra o bem comum, contra a fam\u00edlia contra a moral\u00bb, afirmou, aos jovens, que constituiriam \u00aba gera\u00e7\u00e3o do resgate\u00bb de que haveria de \u00abnascer o mundo novo\u00bb, que o comunismo se havia convertido na \u00abgrande heresia da nossa idade\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/caminhosdamemoria.wordpress.com\/wp-includes\/js\/tinymce\/plugins\/paste\/blank.htm#_ftnref1\">[1]<\/a>&nbsp;Entre os participantes no \u00ab18 de Janeiro de 1934\u00bb, morreriam no campo de concentra\u00e7\u00e3o do Tarrafal, Pedro Matos Filipe e Augusto Costa, em 1937, Arnaldo Sim\u00f5es Janu\u00e1rio, em 1938, Casimiro Ferreira e Ernesto Jos\u00e9 Ribeiro, em 1941, Joaquim Montes, em 1943, M\u00e1rio dos Santos Castelhano e Manuel Augusto da Costa, em 1945, bem como Ant\u00f3nio Guerra, em 1948.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns has-cyan-bluish-gray-background-color has-background is-layout-flex wp-container-20 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:100%\">\n<div class=\"wp-block-image is-style-default\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"378\" height=\"147\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/jornal.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4934\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/jornal.jpg 378w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/jornal-300x117.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 378px) 100vw, 378px\" \/><\/figure><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DOSSI\u00caS SF&nbsp;|&nbsp;TRL \u2013 TERRAS DE RESIST\u00caNCIA E LUTA \u2013 N1 Janeiro 2022 | Marinha 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