{"id":5232,"date":"2022-02-24T13:52:50","date_gmt":"2022-02-24T13:52:50","guid":{"rendered":"https:\/\/semfronteiras.eu\/?p=5232"},"modified":"2022-02-24T13:56:26","modified_gmt":"2022-02-24T13:56:26","slug":"russia-invade-ucrania-comecou-a-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2022\/02\/24\/russia-invade-ucrania-comecou-a-guerra\/","title":{"rendered":"R\u00fassia invade Ucr\u00e2nia. Come\u00e7ou a guerra"},"content":{"rendered":"\n<p><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\"><strong>INTERNACIONAL<\/strong><\/mark> | Conflito R\u00fassia &#8211; Ucr\u00e2nia<\/p>\n\n\n\n<p>Os t\u00edtulos dos jornais divergem na mensagem sobre a escala da interven\u00e7\u00e3o russa na Ucr\u00e2nia mas uma coisa \u00e9 certa o agravamento generalizado das tens\u00f5es entre a R\u00fassia, a Ucr\u00e2nia e os diversos atores da pol\u00edtica internacional (Nato, EUA, UE) situa-se agora num palco de guerra que n\u00e3o nos pode deixar indiferentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">Acompanhar a situa\u00e7\u00e3o implica fornecer informa\u00e7\u00e3o e divulgar mat\u00e9ria publicada que sirva para uma forma\u00e7\u00e3o de opini\u00e3o esclarecida estabelecendo como ponto de partida inquestion\u00e1vel uma vis\u00e3o pacifista e anti-guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>Divulgamos hoje um artigo do Le Monde Diplomatique &#8211; edi\u00e7\u00e3o portuguesa cuja transcri\u00e7\u00e3o foi-nos autorizada , que remete para as origens e din\u00e2mica dos conflitos existentes naquela regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O que se sabe a esta hora<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"576\" data-id=\"5235\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/reuters-ant-Bronc-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5235\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/reuters-ant-Bronc-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/reuters-ant-Bronc-300x169.jpg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/reuters-ant-Bronc-768x432.jpg 768w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/reuters-ant-Bronc.jpg 1160w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">\u00a9 Reuters \/ Ant\u00f3nio Bronc<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>(da ag\u00eancia Reuters)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag\u00eancia Reuters<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul><li>For\u00e7as russas dispararam m\u00edsseis contra v\u00e1rias cidades na Ucr\u00e2nia. Tropas russas atacaram na costa ucraniana na quinta-feira, de acordo com respons\u00e1veis e os meios de comunica\u00e7\u00e3o no local, depois de o Presidente russo,&nbsp;Vladimir Putin, ter autorizado \u201cuma opera\u00e7\u00e3o militar especial\u201d no Leste da Ucr\u00e2nia.<\/li><li>As&nbsp;for\u00e7as russas atacaram a Ucr\u00e2nia a partir da Bielorr\u00fassia, da R\u00fassia e da pen\u00ednsula da Crimeia,&nbsp;de acordo com os servi\u00e7os fronteiri\u00e7os ucranianos. O ministro da Defesa russo afirmou que os seus ataques a\u00e9reos n\u00e3o tinham como alvo as cidades.<\/li><li>O Presidente ucraniano,&nbsp;Volodimir Zelenskii, pediu aos l\u00edderes mundiais que imponham todas as san\u00e7\u00f5es poss\u00edveis \u00e0 R\u00fassia, afirmando que Putin quer destruir o Estado ucraniano.<\/li><li>Os pa\u00edses da Europa Central condenaram o ataque russo e come\u00e7aram a preparar-se para&nbsp;receber centenas de milhares de pessoas a tentar fugir da Ucr\u00e2nia. V\u00e1rias pessoas procuraram j\u00e1 sair de Kiev.<\/li><li>Biden vai reunir-se com os representantes do G7 esta quinta-feira para decidir mais medidas severas contra a R\u00fassia. Os&nbsp;dirigentes da Uni\u00e3o Europeia est\u00e3o preparados para aprovar um novo pacote de san\u00e7\u00f5es contra a R\u00fassia.&nbsp;Os embaixadores da NATO v\u00e3o reunir-se de emerg\u00eancia esta quinta-feira.<\/li><li>A NATO activou na manh\u00e3 desta quinta-feira os planos de defesa e ir\u00e1 refor\u00e7ar os seus meios no Leste da Europa nos pr\u00f3ximos dias. \u201cA R\u00fassia atacou a Ucr\u00e2nia. Trata-se de um brutal acto de guerra. Este \u00e9 um momento fundamental para a nossa seguran\u00e7a\u201d, justifica o secret\u00e1rio-geral da NATO, Jens Stoltenberg.&nbsp;<\/li><li>Um avi\u00e3o militar ucraniano foi abatido e cinco pessoas morreram, disseram a pol\u00edcia ucraniana e o servi\u00e7o de emerg\u00eancia do estado \u00e0 ag\u00eancia Reuters. A ag\u00eancia France-Presse (AFP) avan\u00e7a que pelo menos 14 pessoas seguiam a bordo do avi\u00e3o que se despenhou.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O Donbass aprende a viver sem Kiev<\/h2>\n\n\n\n<p>A regi\u00e3o separatista que n\u00e3o reconhece a Ucr\u00e2nia nem a R\u00fassia<\/p>\n\n\n\n<p>por LOIC RAMIREZ | enviado especial MD<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:100%\">\n<div class=\"wp-block-columns alignfull are-vertically-aligned-center is-layout-flex wp-container-5 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:44%\">\n<p>Tr\u00eas anos depois do in\u00edcio do conflito entre Kiev e a regi\u00e3o separatista do Donbass n\u00e3o parece haver qualquer solu\u00e7\u00e3o. O presidente ucraniano Piotr Porochenko tenta agradar a gregos e troianos, hesitando entre a instaura\u00e7\u00e3o de um bloco firme e o restabelecimento de liga\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas controladas. Do lado de Donetsk, a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 a organizar-se, na expectativa de uma hipot\u00e9tica interven\u00e7\u00e3o militar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color\" style=\"color:#636363;font-size:17px;line-height:1.1\"><\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:56%\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"882\" height=\"883\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/lmd2-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5237\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/lmd2-1.jpg 882w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/lmd2-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/lmd2-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/lmd2-1-768x769.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 882px) 100vw, 882px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><em>\u00abEles dispararam sobre o edif\u00edcio na noite de 3 para 4 de Fevereiro, n\u00f3s reabrimos a loja a 20, esta semana.\u00bb<\/em>&nbsp;Agasalhada com o seu belo len\u00e7o e a sua capa, a vendedora mostra-nos os danos causados pelo ex\u00e9rcito ucraniano, antes de ir receber os clientes. A sua loja ficou sem janelas por causa do efeito de sopro das explos\u00f5es. Como acontece em toda a periferia da cidade de Donetsk, o bairro Kievski carrega as marcas do conflito que op\u00f5e o governo de Kiev \u00e0s mil\u00edcias separatistas do Donbass, oficiosamente apoiadas por Moscovo. Edif\u00edcios esventrados e fachadas cortadas pelos rebentamentos de obuses recordam a intensidade de uma guerra que custou a vida a perto de duas mil pessoas desde Abril de 2014.&nbsp;<em>\u00abAt\u00e9 ao \u00faltimo momento, n\u00e3o pensei que o nosso pr\u00f3prio ex\u00e9rcito fosse capaz de disparar sobre n\u00f3s!\u00bb,<\/em>&nbsp;exclama Sacha, um habitante de Donetsk, enquanto abre caminho pelo meio de crateras que esburacam as ruas do bairro. Enquanto os dois campos contam os respectivos mortos, as perspectivas de uma reintegra\u00e7\u00e3o das \u00abRep\u00fablicas Populares\u00bb autoproclamadas de Donetsk (DNR) e do Lugansk (LNR) na \u00f3rbita de Kiev v\u00e3o ficando mais distantes. E com elas o objectivo \u00faltimo dos Acordos de Paz de Minsk, assinados em Fevereiro de 2015, entre a R\u00fassia, a Ucr\u00e2nia e os seus dois apoios ocidentais, a Fran\u00e7a e a Alemanha. Tanto mais quanto, nos territ\u00f3rios separatistas, a vida retoma o seu curso, sem depender de Moscovo e longe da capital.<\/p>\n\n\n\n<p>A DNR, ratificada por referendo a 11 de Maio de 2014, n\u00e3o \u00e9 reconhecida por nenhum pa\u00eds da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), nem sequer pela R\u00fassia. No entanto, a \u00abRep\u00fablica\u00bb, como aqui lhe chamam, ganha cada dia mais consist\u00eancia. Na fachada dos edif\u00edcios p\u00fablicos, a bandeira azul e amarela ucraniana deu lugar \u00e0 da DNR: um fundo negro, azul e vermelho sobre o qual pontifica a \u00e1guia de duas cabe\u00e7as que o bras\u00e3o russo tamb\u00e9m arvora.&nbsp;<em>\u00abAntes da guerra havia 800 alunos, agora s\u00e3o 665\u00bb,<\/em>&nbsp;explica Andrei Udovienko, director da Escola 61 no bairro de Kievski. No recinto da entrada est\u00e3o expostas as fotografias de veteranos e \u00abher\u00f3is\u00bb mortos durante a \u00abgrande guerra patri\u00f3tica\u00bb contra a Alemanha nazi (1941-1945), ao lado de alguns rostos jovens de milicianos mortos durante o mais recente conflito.&nbsp;<em>\u00abS\u00e3o todos antigos alunos desta escola\u00bb,<\/em>&nbsp;precisa o director.&nbsp;<em>\u00abNo auge dos combates, entre 2014 e 2015, os jovens mantiveram aulas por correspond\u00eancia durante seis meses. A escola foi atingida por bombardeamentos. Por isso foram os pais e n\u00f3s, os professores, que particip\u00e1mos voluntariamente na reconstru\u00e7\u00e3o\u00bb,<\/em>&nbsp;explica ainda Andrei Udovienko, com um sorriso doce que contrasta com a sua imponente estatura.&nbsp;<em>\u00abOs professores recebiam uma pequena ajuda da DNR, 3 mil gr\u00edvnias de Setembro de 2014 a Abril de 2015<\/em>&nbsp;[entre 130 e 180 euros, consoante a cota\u00e7\u00e3o, que flutuou muito durante este per\u00edodo],&nbsp;<em>em vez das 4 mil gr\u00edvnias que recebiam antes da guerra<\/em>&nbsp;[350 euros \u00e0 cota\u00e7\u00e3o em vigor a 1 de Janeiro de 2014].&nbsp;<em>Hoje, a DNR paga-nos um sal\u00e1rio, entre 10 mil e 12 mil rublos por m\u00eas<\/em>&nbsp;[entre 170 e 200 euros].<em>\u00bb<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No centro da cidade de Donetsk, os apaixonados passeiam de m\u00e3os dadas, as crian\u00e7as circulam nos parques ao volante dos seus triciclos de pl\u00e1stico. Em algumas paredes v\u00eaem-se inscri\u00e7\u00f5es rudimentares onde se l\u00ea \u00ababrigo\u00bb, seguido de uma seta, que perturbam a aparente atmosfera de paz. De repente ouve-se uma detona\u00e7\u00e3o, depois outra. O estalido dos disparos recorda que a frente de combate se situa a uns poucos quil\u00f3metros dali. Desde o in\u00edcio do ano regista-se um recrudescimento dos confrontos tendo como pano de fundo o bloqueio comercial entre Kiev e as regi\u00f5es separatistas. Neste Inverno, as tens\u00f5es concentraram-se em redor da esta\u00e7\u00e3o de filtragem de \u00e1gua de Iassinovataia, na periferia de Donestk, recuperada pelo ex\u00e9rcito ucraniano a 27 de Fevereiro. A instala\u00e7\u00e3o alimenta bairros situados dos dois lados da linha de contacto.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o cair da noite, as ruas esvaziam-se. O cessar-fogo pro\u00edbe a circula\u00e7\u00e3o de civis entre as 23 horas e as 6 horas, deixando os ecos das deflagra\u00e7\u00f5es como \u00fanicos senhores da cidade. De manh\u00e3, o tr\u00e1fego dos autom\u00f3veis e dos autocarros reanima as avenidas, nada mostrando dos combates da v\u00e9spera. \u00c0 hora do almo\u00e7o, as cafetarias enchem-se de jovens estudantes, rapazes e raparigas. De nariz colado ao ecr\u00e3 do telem\u00f3vel, aproveitam uma pausa antes de regressarem \u00e0s aulas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Uma ascens\u00e3o social permitida pela fuga dos quadros<\/h3>\n\n\n\n<p><em>\u00abDurante a guerra, 30% dos estudantes e dos professores abandonaram o estabelecimento. Os estudantes regressaram, mas isso n\u00e3o aconteceu com todos os professores\u00bb<\/em>, recorda Larissa Kastrovet enquanto nos oferece uma ch\u00e1vena de ch\u00e1. Reitora da Academia de Gest\u00e3o e Administra\u00e7\u00e3o, onde neste dia nos recebe, ela ascendeu a este cargo em Novembro de 2014 devido \u00e0 partida do seu antecessor. Por que motivo optaram outros por ficar? Dois estudantes que interpel\u00e1mos na sua sala de aulas respondem com uma evid\u00eancia:&nbsp;<em>\u00abPorque aqui \u00e9 a nossa casa\u00bb.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A fuga de muitos quadros deixou um vazio que teve como resultado a chegada s\u00fabita de pessoas inexperientes a cargos decisivos da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Este fen\u00f3meno de ascens\u00e3o social r\u00e1pida beneficiou v\u00e1rias pessoas, entre as quais o pr\u00f3prio presidente da DNR, Alexandre Zakhartchenko, electricista de profiss\u00e3o. Maia Peragova, antiga professora prim\u00e1ria, escrevia artigos na imprensa&nbsp;<em>\u00abpor prazer\u00bb,<\/em>&nbsp;at\u00e9 que a&nbsp;<em>\u00abopera\u00e7\u00e3o antiterrorista\u00bb<\/em>&nbsp;contra os insurrectos pr\u00f3-russos, desencadeada em Maio de 2014 pelo governo sa\u00eddo da&nbsp;<em>\u00abrevolu\u00e7\u00e3o da dignidade\u00bb,<\/em>&nbsp;mudou a sua forma de vida. Agora directora de um departamento do Minist\u00e9rio da Informa\u00e7\u00e3o, ela resume bem a forma improvisada como se recuperou o controlo das institui\u00e7\u00f5es durante os dois primeiros anos do conflito, em particular no sector da comunica\u00e7\u00e3o social:&nbsp;<em>\u00abQuando a direc\u00e7\u00e3o do canal televisivo local K61 [agora o principal canal p\u00fablico] se p\u00f4s em fuga, os operadores recuperaram o material. O mesmo aconteceu nos jornais: os chefes de redac\u00e7\u00e3o partiram, deixando os jornalistas retomar as publica\u00e7\u00f5es, sem qualquer remunera\u00e7\u00e3o. No in\u00edcio, eram eles pr\u00f3prios que distribu\u00edam os jornais pelos habitantes, porque os correios haviam deixado de funcionar\u00bb.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o Minist\u00e9rio da Pol\u00edtica Social ucraniano, 1,6 milh\u00f5es de residentes da Crimeia e do Donbass fugiram dos combates. \u00c9 dif\u00edcil estimar a popula\u00e7\u00e3o que ficou nas rep\u00fablicas autoproclamadas. Estas cobrem as zonas mais urbanizadas de uma regi\u00e3o onde viviam 6,5 milh\u00f5es de habitantes antes da guerra e que, segundo as Na\u00e7\u00f5es Unidas, teria actualmente 2,3 milh\u00f5es de pessoas a precisar de ajuda humanit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Para enfrentar as dificuldades, muitos aprenderam a viver com um p\u00e9 de cada lado da linha da frente. O governo ucraniano, depois de ter cortado, em Novembro de 2014, o pagamento de pens\u00f5es de reforma aos residentes da Crimeia e dos territ\u00f3rios n\u00e3o controlados por Kiev, instaurou um procedimento especial para as pessoas deslocadas&nbsp;(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2017\/05\/o-donbass-aprende-a-viver-sem-kiev.html#nb1\">1<\/a>).&nbsp;<em>\u00abAlguns reformados tomaram nessa altura a iniciativa de se registarem na morada de um familiar que tenha continuado a viver do lado ucraniano e recebiam duas pens\u00f5es, a ucraniana e a da DNR. Esta pr\u00e1tica tornou-se cada vez mais rara, porque as autoridades ucranianas refor\u00e7aram os controlos. Agora \u00e9 preciso uma presen\u00e7a f\u00edsica de tr\u00eas em tr\u00eas meses no balc\u00e3o para levantar a pens\u00e3o\u00bb,<\/em>&nbsp;explica Andrei K., um jovem trabalhador de uma empresa de constru\u00e7\u00e3o. No total, entre 800 mil e 1 milh\u00e3o de pessoas, oficialmente deslocadas, atravessam regularmente um dos cinco pontos de passagem, sempre completamente cheios, o que representa um fluxo di\u00e1rio de 20 mil a 25 mil pessoas. No fim da Mar\u00e7o, este n\u00famero passou para perto de 42 mil, por causa de uma campanha de verifica\u00e7\u00e3o do local de resid\u00eancia dos reformados e dos benefici\u00e1rios de protec\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u00abEu sou um dos raros estrangeiros que tem uma!\u00bb<\/em>, exclama, contente, Miquel Puertas, de nacionalidade espanhola, que exibe um dos 500 mil novos cart\u00f5es banc\u00e1rios com o selo \u00abBanco Central Republicano\u00bb, postos em circula\u00e7\u00e3o e utiliz\u00e1veis apenas no territ\u00f3rio da DNR. Bloguista que se op\u00f4s \u00e0 \u00abrevolu\u00e7\u00e3o da dignidade\u00bb que conduziu ao derrube do presidente ucraniano pr\u00f3-russo Viktor Ianukovitch em Fevereiro de 2014, Miquel Puertas abandonou a Litu\u00e2nia para ir para Donetsk no Ver\u00e3o de 2016. Professor, exerce agora a sua profiss\u00e3o na Universidade Nacional T\u00e9cnica de Donetsk.&nbsp;<em>\u00abAntes pagavam-se em dinheiro vivo. Agora vou poder levantar directamente rublos ou at\u00e9 pagar uma cerveja no bar usando o cart\u00e3o!\u00bb<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A partir de Maio de 2014, e face \u00e0 instabilidade da situa\u00e7\u00e3o, os bancos ucranianos implantados em Donetsk come\u00e7aram a fechar as suas ag\u00eancias, tendo em seguida cessado definitivamente de funcionar em toda a regi\u00e3o separatista. Os habitantes que n\u00e3o dispusessem de um salvo-conduto para o territ\u00f3rio ucraniano tinham de se deslocar aos \u00abbancos clandestinos\u00bb improvisados, que cobravam 10% sobre a transac\u00e7\u00e3o&nbsp;(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2017\/05\/o-donbass-aprende-a-viver-sem-kiev.html#nb2\">2<\/a>).&nbsp;<em>\u00abPara conseguir dinheiro vivo era preciso recorrer a agentes privados: em troca de uma transfer\u00eancia de dinheiro pela Internet eles forneciam-te esse montante em dinheiro vivo, depois de terem retirado a sua comiss\u00e3o e arranjado o dinheiro em territ\u00f3rio ucraniano\u00bb,<\/em>&nbsp;recorda Andrei K.<\/p>\n\n\n\n<p>Em resposta, a DNR fundou, a 7 de Outubro de 2014, o Banco Central Republicano (BCR). Por esta institui\u00e7\u00e3o transitam os encargos com im\u00f3veis bem como as pens\u00f5es de reforma, pagas em rublos. Na Primavera de 2015, cerca de 90% das transac\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas eram efectuadas em moeda russa. Em Maio de 2015, o BCR, tal como o seu hom\u00f3logo de Lugansk, abriu uma conta internacional num banco da Oss\u00e9tia do Sul, uma rep\u00fablica secessionista da Ge\u00f3rgia reconhecida desde 2008 por Moscovo, que provavelmente faz transitar por este canal a sua ajuda financeira.<\/p>\n\n\n\n<p>O Kremlin n\u00e3o reconhece nenhuma das duas rep\u00fablicas separatistas, mas o presidente Vladimir Putin deu mais um passo na normaliza\u00e7\u00e3o destes territ\u00f3rios ao assinar, a 18 de Fevereiro \u00faltimo, um decreto que oficializa o reconhecimento&nbsp;<em>\u00abtempor\u00e1rio\u00bb<\/em>&nbsp;dos passaportes, das matr\u00edculas, das certid\u00f5es de nascimento ou de casamento e de outros documentos emitidos pelas autoridades, enquanto os Acordos de Minsk n\u00e3o forem aplicados.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A russifica\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio est\u00e1 nos detalhes<\/h3>\n\n\n\n<p>Da moeda ao fuso hor\u00e1rio, agora alinhado pelo de Moscovo, a russifica\u00e7\u00e3o deste territ\u00f3rio est\u00e1 nos detalhes da vida quotidiana. Incluindo na escola, onde a l\u00edngua russa domina mais do que nunca.&nbsp;<em>\u00abDesde o in\u00edcio do ano escolar de Setembro de 2014 que o governo de Kiev se recusou a enviar-nos novos manuais escolares. Trabalh\u00e1mos portanto com manuais russos\u00bb,<\/em>&nbsp;conta Andrei Udovienko.&nbsp;<em>\u00abAument\u00e1mos as horas de l\u00edngua russa e, agora, o exame final de estudos secund\u00e1rios inclui uma prova obrigat\u00f3ria de russo, e j\u00e1 n\u00e3o de ucraniano. Aument\u00e1mos a parte de autores russos nos Estudos Liter\u00e1rios, sem por isso eliminarmos os autores ucranianos. Em Geografia, acrescent\u00e1mos mapas do Donbass.\u00bb<\/em>&nbsp;A DNR reconhece as duas l\u00ednguas, o russo e o ucraniano, apesar de o estatuto oficial desta \u00faltima ter sido eliminado em 2015&nbsp;(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2017\/05\/o-donbass-aprende-a-viver-sem-kiev.html#nb3\">3<\/a>). Cabe aos pais escolher a l\u00edngua em que o seu filho estuda.&nbsp;<em>\u00abLogo em Outubro de 2014, o n\u00famero de aulas em ucraniano caiu para 4%, quando antes era de 15%. No regresso \u00e0s aulas de 2016, dos oitenta alunos da prim\u00e1ria [7 anos], s\u00f3 um quis continuar com o ucraniano. Propusemos-lhe por isso ir para uma outra escola, n\u00e3o longe, onde uma turma adaptada \u00e0 sua escolha tinha aberto\u00bb,<\/em>&nbsp;afirma o nosso interlocutor. Quando lhe perguntamos se pensa que \u00e9 poss\u00edvel haver uma reintegra\u00e7\u00e3o na Ucr\u00e2nia, Andrei Udovienko responde:&nbsp;<em>\u00abN\u00e3o com o governo que hoje est\u00e1 ao comando em Kiev\u00bb.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u00abAqui o chefe \u00e9 o povo\u00bb<\/em>, pode ler-se em grandes espa\u00e7os de publicidade no centro da cidade. Na avenida principal, o rosto de Mikhail Tolstykh, mais conhecido pelo pseud\u00f3nimo Givi, est\u00e1 espalhado em centenas de cartazes. O comandante, que ficou famoso durante a batalha pelo aeroporto de Donetsk do Outono de 2014, pereceu num atentado a 8 de Fevereiro \u00faltimo. O jovem \u00abEstado\u00bb, ao mesmo tempo que glorifica os seus her\u00f3is, apodera-se dos atributos da soberania. Nas ruas, autom\u00f3veis da pol\u00edcia, com a carro\u00e7aria impec\u00e1vel, exibem as cores da bandeira da DNR, tal como acontece com os emblemas dos uniformes dos agentes. Nas lojas, certos produtos, como os biscoitos ou a charcutaria, t\u00eam o selo \u00abFabricado na DNR\u00bb, com as cores da bandeira.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que a ajuda econ\u00f3mica de Moscovo, um segredo de Polichinelo, continue a ser essencial para o funcionamento das institui\u00e7\u00f5es, as novas autoridades depressa procuraram arrecadar algumas receitas dentro do territ\u00f3rio. Mergulhado no seu sof\u00e1, Luis Hernando Mu\u00f1oz, dirigente de uma empresa de importa\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 colombiano instalada em Donetsk h\u00e1 trinta anos, garante que, durante a primeira fase da guerra, em 2014 e 2015, v\u00e1rios estabelecimentos comerciais foram requisitados para formar a nova cadeia dos \u00absupermercados republicanos\u00bb, que se tornou muito popular por praticar pre\u00e7os acess\u00edveis.&nbsp;<em>\u00abEu sei que as receitas destas lojas foram enviadas para fundos utilizados para pagar toda uma s\u00e9rie de coisas, entre as quais as pens\u00f5es. Foi um meio para estabilizar a situa\u00e7\u00e3o\u00bb,<\/em>&nbsp;pensa ele, ao mesmo tempo que mant\u00e9m a discri\u00e7\u00e3o sobre os benefici\u00e1rios directos e os outros usos deste rudimento de fiscalidade. Num segundo momento, o poder definiu como alvo as pequenas e m\u00e9dias empresas,&nbsp;<em>\u00abDesde o Ver\u00e3o de 2016, elas sofreram fortes press\u00f5es para se registarem junto das autoridades e pagarem os seus impostos \u00e0 Rep\u00fablica\u00bb,<\/em>&nbsp;garante a respons\u00e1vel por um programa de desenvolvimento da ONU estabelecida at\u00e9 Dezembro de 2016 em Donetsk, que deseja manter o anonimato.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 Kiev perder o seu controlo, a maior parte das minas e das ind\u00fastrias estavam registadas oficialmente na Ucr\u00e2nia, onde pagavam os seus impostos para continuarem a ter acesso ao mercado nacional. A quest\u00e3o era particularmente importante para a fileira metal\u00fargica, cujos produtos \u2014 do min\u00e9rio de ferro ao a\u00e7o, passando pelo carv\u00e3o \u2014 circulavam, at\u00e9 uma data recente, pelos dois lados da linha de demarca\u00e7\u00e3o. Perante a impot\u00eancia do governo ucraniano em afastar os bloqueios organizados por militantes nacionalistas, Alexandre Zakhartchenko, o presidente da DNR, anunciou, a 1 de Mar\u00e7o, a requisi\u00e7\u00e3o de quarenta e tr\u00eas empresas, no essencial minas e activos do sector metal\u00fargico que s\u00e3o propriedade de Rinat Akhmetov. Este oligarca origin\u00e1rio do Donbass&nbsp;(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2017\/05\/o-donbass-aprende-a-viver-sem-kiev.html#nb4\">4<\/a>)&nbsp;apoiou o campo separatista durante algum tempo, mas depois posicionou-se do lado de Kiev. O propriet\u00e1rio da empresa System Capital Management (SCM) Holding perdeu tamb\u00e9m o est\u00e1dio Donbass Arena, onde distribu\u00eda regularmente ajuda humanit\u00e1ria, uma prova da influ\u00eancia que tinha junto dos habitantes de Donetsk. Segundo os dados recolhidos por uma deputada junto da administra\u00e7\u00e3o fiscal, oito empresas da lista das requisi\u00e7\u00f5es pagavam, s\u00f3 elas, perto de 1,3 mil milh\u00f5es de gr\u00edvnias (45 milh\u00f5es de euros) de impostos por ano.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A ef\u00e9mera Rep\u00fablica de Donetsk-Krivoi-Rog<\/h3>\n\n\n\n<p>Vista de Donetsk, a aproxima\u00e7\u00e3o com Moscovo parece ser menos motivada por um impulso nacionalista do que pelas iniciativas de Kiev destinadas a aprofundar o fosso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s rep\u00fablicas autoproclamadas.&nbsp;<em>\u00abNacionalizar [as grandes empresas] n\u00e3o \u00e9 bom nem mau: \u00e9 uma necessidade para salvar os empregos e a actividade\u00bb,<\/em>&nbsp;argumenta Iana Khomenko, professora no Departamento de Economia Internacional na Universidade Nacional T\u00e9cnica de Donetsk.&nbsp;<em>\u00abPor causa do bloqueio, temos de escoar a produ\u00e7\u00e3o para a R\u00fassia\u00bb,<\/em>&nbsp;explica ela, sob o olhar aprovador da sua chefe, Ludmila Chabalina. Esta \u00faltima conclui o seguinte:&nbsp;<em>\u00abFoi a Ucr\u00e2nia que nos obrigou a responder ao bloqueio\u00bb.<\/em>&nbsp;No in\u00edcio do conflito, em 2014, Luis Hernando Mu\u00f1oz pagava 10 mil d\u00f3lares por cami\u00e3o para atravessar os postos de fronteira das mil\u00edcias nacionalistas. Com o refor\u00e7o dos controlos em 2015,&nbsp;<em>\u00abtornou-se imposs\u00edvel fazer entrar o que quer que fosse\u00bb,<\/em>&nbsp;afirma ele. Agora, os seus produtos&nbsp;<em>\u00abpassam pela R\u00fassia, legalmente\u00bb.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A 14 de Mar\u00e7o de 2017, as autoridades da DNR anunciaram o encaminhamento dos primeiros comboios de carv\u00e3o para a R\u00fassia, enquanto na mesma altura o governo ucraniano prestava informa\u00e7\u00f5es sobre a importa\u00e7\u00e3o de antracite da \u00c1frica do Sul. O vizinho russo, sexto produtor mundial de carv\u00e3o, n\u00e3o tem qualquer necessidade de importar este combust\u00edvel.&nbsp;<em>\u00ab\u00c9 uma decis\u00e3o puramente pol\u00edtica. O objectivo \u00e9 evitar que tudo colapse aqui e que a R\u00fassia herde uma situa\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica na sua fronteira\u00bb,<\/em>&nbsp;presume Luis Hernando Mu\u00f1oz. Uma parte do carv\u00e3o do Donbass pode voltar a circular, fazendo um desvio pela R\u00fassia\u2026 pela Ucr\u00e2nia. Uma investiga\u00e7\u00e3o do s\u00edtio Internet da R\u00e1dio Svoboda revelou que o carv\u00e3o utilizado pela unidade industrial metal\u00fargica Azovstal, instalada na proximidade de Mariupol (em territ\u00f3rio controlado por Kiev), transita agora atrav\u00e9s de embarca\u00e7\u00f5es vindas da R\u00fassia mas que ser\u00e1 proveniente, segundo uma fonte local, das minas dos territ\u00f3rios separatistas&nbsp;(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2017\/05\/o-donbass-aprende-a-viver-sem-kiev.html#nb5\">5<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica da Ucr\u00e2nia, longe de travar a autonomiza\u00e7\u00e3o da DNR, empurra-a para o Leste. O imenso vizinho eslavo parece oferecer uma solu\u00e7\u00e3o alternativa razo\u00e1vel para recuperar a estabilidade, enquanto Kiev se torna a cada dia um pouco mais long\u00ednquo para as pessoas do Donbass. No imenso edif\u00edcio do governo da DNR, anteriormente sede do governo regional, distingue-se ainda a forma, mais clara, do tridente, s\u00edmbolo do bras\u00e3o ucraniano, mesmo assim arrancado da fachada.&nbsp;<em>\u00abAprende-se muito sobre um povo olhando para as suas est\u00e1tuas. Aqui, a do poeta ucraniano [Taras] Chevtchenko ladeia a outra, maior, de Lenine. Mas a de Artiom \u00e9 ainda maior\u00bb,<\/em>&nbsp;explica Miquel Puertas saindo do anfiteatro onde acaba de dar uma aula. De seu verdadeiro nome Fiodor Andreievitch Sergueiev, este revolucion\u00e1rio bolchevique \u00e9 considerado o fundador da ef\u00e9mera Rep\u00fablica de Donetsk-Krivoi-Rog, nascida em Fevereiro de 1918, na sequ\u00eancia da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro em Petrogrado. Epis\u00f3dio de uma guerra civil que dilacerou a Ucr\u00e2nia entre o Ex\u00e9rcito Vermelho, as tropas do nacionalista ucraniano Simon Petliura, os ex\u00e9rcitos brancos do general Anton Denikin e o ex\u00e9rcito insurrecto do anarquista Nestor Makhno, esta rep\u00fablica aut\u00f3noma acabou por ser anexada \u00e0 Rep\u00fablica Socialista Sovi\u00e9tica da Ucr\u00e2nia em Fevereiro de 1919, sendo esta \u00faltima, por sua vez, integrada na URSS em 1922.&nbsp;<em>\u00abAs coisas aqui v\u00eam de longe\u00bb,<\/em>&nbsp;conclui maliciosamente Miquel Puertas.<\/p>\n\n\n\n<p>\ufeff\ufeff<\/p>\n\n\n\n<p>Lo\u00efc RamirezJornalista.<\/p>\n\n\n\n<p>(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2017\/05\/o-donbass-aprende-a-viver-sem-kiev.html#nh1\">1<\/a>)&nbsp;\u00abHumanitarian response plan 2017 \u2014 Ukraine\u00bb, Relat\u00f3rio do Escrit\u00f3rio de Coordena\u00e7\u00e3o dos Assuntos Humanit\u00e1rios das Na\u00e7\u00f5es Unidas (UNOCHA),&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.humanitarianresponse.info\/\">www.humanitarianresponse.info<\/a>, Novembro de 2016.<\/p>\n\n\n\n<p>(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2017\/05\/o-donbass-aprende-a-viver-sem-kiev.html#nh2\">2<\/a>)&nbsp;St\u00e9phane Jourdain, \u00ab\u00c0 Donetsk, les habitants condamn\u00e9s au syst\u00e8me D face aux banques ferm\u00e9es\u00bb, Ag\u00eancia France-Presse, 1 de Mar\u00e7o de 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2017\/05\/o-donbass-aprende-a-viver-sem-kiev.html#nh3\">3<\/a>)&nbsp;\u00abOs legisladores da DNR pela retirada do estatuto de segunda l\u00edngua oficial ao ucraniano\u00bb (em russo), Dan-news.info, 6 de Novembro de 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2017\/05\/o-donbass-aprende-a-viver-sem-kiev.html#nh4\">4<\/a>)&nbsp;Ler Jean-Arnault D\u00e9rens e Laurent Geslin, \u00abUcr\u00e2nia: de oligarquia em oligarquia\u00bb,&nbsp;<em>Le Monde diplomatique \u2014 edi\u00e7\u00e3o portuguesa,<\/em>&nbsp;Abril de 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>(<a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/2017\/05\/o-donbass-aprende-a-viver-sem-kiev.html#nh5\">5<\/a>)&nbsp;\u00abAs empresas de Akhmetov recebem carv\u00e3o das Rep\u00fablicas Populares de Donetsk e de Lugansk, transitando pela R\u00fassia\u00bb (em russo), 23 de Mar\u00e7o de 2017, Radiosvoboda.org.<\/p>\n\n\n\n<p>A<strong>RTIGO PUBLICADO EM MAIO 2017<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-8 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"225\" height=\"202\" data-id=\"5238\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/LMD1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5238\"\/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"682\" height=\"106\" data-id=\"5239\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/lmd3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5239\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/lmd3.jpg 682w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/lmd3-300x47.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 682px) 100vw, 682px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>O <a href=\"https:\/\/pt.mondediplo.com\/\">Le Monde Diplomatique<\/a> &#8211; edi\u00e7\u00e3o portuguesa presta um bom servi\u00e7os de informa\u00e7\u00e3o NOTA Sem Fronteiras &#8211; SF<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>INTERNACIONAL | Conflito R\u00fassia &#8211; Ucr\u00e2nia Os t\u00edtulos dos jornais divergem na mensagem sobre a&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":5235,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[238,236],"tags":[292],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/reuters-ant-Bronc.jpg",1160,652,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/reuters-ant-Bronc-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/reuters-ant-Bronc-300x169.jpg",300,169,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/reuters-ant-Bronc-768x432.jpg",640,360,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/reuters-ant-Bronc-1024x576.jpg",640,360,true],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/reuters-ant-Bronc.jpg",1160,652,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/reuters-ant-Bronc.jpg",1160,652,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/reuters-ant-Bronc-1115x652.jpg",1115,652,true],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/reuters-ant-Bronc-800x500.jpg",800,500,true],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/reuters-ant-Bronc-1024x576.jpg",1024,576,true],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/reuters-ant-Bronc-540x340.jpg",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/reuters-ant-Bronc-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/mundo\/\" rel=\"category tag\">MUNDO<\/a>","tag_info":"MUNDO","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5232"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5232"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5232\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5241,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5232\/revisions\/5241"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5235"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5232"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5232"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5232"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}