{"id":5492,"date":"2022-03-13T12:34:20","date_gmt":"2022-03-13T12:34:20","guid":{"rendered":"https:\/\/semfronteiras.eu\/?p=5492"},"modified":"2022-03-13T12:40:42","modified_gmt":"2022-03-13T12:40:42","slug":"morin-antes-de-indignar-se-e-preciso-pensar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2022\/03\/13\/morin-antes-de-indignar-se-e-preciso-pensar\/","title":{"rendered":"Morin: \u201cAntes de indignar-se, \u00e9 preciso pensar\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>Fil\u00f3sofo critica Putin, mas sugere compreender as raz\u00f5es da R\u00fassia contra a OTAN e agir sem histeria. Fiel \u00e0 ideia de complexidade, teme automatiza\u00e7\u00e3o totalit\u00e1ria, mas aposta: \u201csempre haver\u00e1 falhas, por onde surgir\u00e3o esperan\u00e7as de salvar o mundo&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image is-style-default\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/opara.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/outraspalavras\/uploads\/2022\/03\/08202457\/220308-Morin-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3061403\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><em><strong>Edgar Morin<\/strong>, entrevistado por&nbsp;<strong>Fr\u00e9d\u00e9rique Jordaa&nbsp;<\/strong>e&nbsp;<strong>Patrice Moyoin<\/strong>, no&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ouest-france.fr\/\">France Ouest<\/a>&nbsp;! Tradu\u00e7\u00e3o:<strong>&nbsp;Vitor Costa<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Aos quase 101 anos, Edgar Morin acaba de publicar um novo livro,&nbsp;<em>R\u00e9veillons-nous<\/em>&nbsp;(\u201cDespertemos\u201d, em tradu\u00e7\u00e3o literal). Nesta entrevista, o fil\u00f3sofo e soci\u00f3logo convida a pensar e compreender as origens da guerra que aflige a Europa. Suas reflex\u00f5es abrangem tamb\u00e9m as elei\u00e7\u00f5es presidenciais francesas e a vida quotidiana sob as sociedades de vigil\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><br>Voc\u00ea em breve completar\u00e1 101 anos. Que lembran\u00e7as pessoais esta guerra traz de volta?<\/strong><br><strong>Edgar Morin \u2013&nbsp;<\/strong>Obviamente penso no que aconteceu em 1939. A Fran\u00e7a e a Inglaterra declararam guerra \u00e0 Alemanha ap\u00f3s a invas\u00e3o da Pol\u00f4nia. Mas foi para n\u00e3o irem \u00e0 guerra. E n\u00f3s fomos suas v\u00edtimas. Pelo menos a situa\u00e7\u00e3o atual tem o m\u00e9rito da franqueza. N\u00e3o queremos ir para a guerra. Esta posi\u00e7\u00e3o \u00e9 a realista. J\u00e1 n\u00e3o estamos numa situa\u00e7\u00e3o compar\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Esta \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o como n\u00e3o vimos desde o final da Segunda Guerra Mundial?<br><\/strong>As pessaos esquecem a sangrenta guerra na Iugosl\u00e1via, entre 1991 e 1995. A Fran\u00e7a interveio militarmente em 1992 e a OTAN, em 1995, por meio de bombardeios. Os Estados Unidos impuseram um cessar-fogo, mas a R\u00fassia estava muito enfraquecida ap\u00f3s o colapso da URSS e n\u00e3o p\u00f4de intervir. Houve tamb\u00e9m a guerra do Kosovo entre 1998 e 1999, quando a OTAN bombardeou a S\u00e9rvia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como explicar este conflito entre a R\u00fassia e a Ucr\u00e2nia?<br><\/strong>As origens da guerra na Ucr\u00e2nia est\u00e3o ao mesmo tempo no retorno do poder russo e no avan\u00e7o da OTAN. Ap\u00f3s o afastamento gradual de seus antigos \u201cprotetorados\u201d, as ex-rep\u00fablicas socialistas que aderiram \u00e0 Uni\u00e3o Europeia, a R\u00fassia est\u00e1 tentando recuperar o controle. Ela conseguiu esse controle depois de uma repress\u00e3o brutal na Chech\u00eania. E, ainda que tenha falhado na Ge\u00f3rgia, ela anexou a Crimeia, apoiando a popula\u00e7\u00e3o de origem russa do Donbas ucraniano. Al\u00e9m disso, ela se sente amea\u00e7ada pelo alargamento da OTAN nessas regi\u00f5es, que contraria a promessa feita a Gorbachev em 1991. E nada foi feito para encontrar um compromisso diante da radicaliza\u00e7\u00e3o que levou \u00e0 invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Ucr\u00e2nia tamb\u00e9m guarda a tr\u00e1gica mem\u00f3ria da ditadura stalinista?<br><\/strong>Em 1931, Stalin deportou ou liquidou os&nbsp;<em>kulaks<\/em>, os camponeses que se estabeleceram nos ricos campos de trigo ucranianos. Os ucranianos tiveram que enfrentar uma fome terr\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hoje, a Ucr\u00e2nia est\u00e1 dividida entre Oriente e Ocidente?<br><\/strong>A Ucr\u00e2nia \u00e9 uma presa econ\u00f4mica formid\u00e1vel para o Oriente e para o Ocidente. \u00c9 rica em mat\u00e9rias-primas, com min\u00e9rios, campos de trigo, etc. Est\u00e1 dividida entre a sua perten\u00e7a hist\u00f3rica ao Imp\u00e9rio Russo e a sua aspira\u00e7\u00e3o \u00e0 democracia, que a liga cada vez mais ao resto da Europa. Nos encontramos numa situa\u00e7\u00e3o paradoxal: ao mesmo tempo n\u00e3o aceitar a invas\u00e3o e n\u00e3o ir \u00e0 guerra.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por que Vladimir Putin fala de \u201cdesnazifica\u00e7\u00e3o\u201d da Ucr\u00e2nia?<\/strong><br>Esta acusa\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser entendida sem uma refer\u00eancia hist\u00f3rica. Quando os alem\u00e3es atacaram a URSS em 1941, um movimento nacionalista liderado por Stepan Bandera proclamou, sob a autoridade dos nazistas, uma Ucr\u00e2nia independente. A situa\u00e7\u00e3o atual obviamente n\u00e3o tem nada a ver com isso e essa hist\u00f3ria \u00e9 manipulada politicamente por Vladimir Putin, sugerindo que a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na Ucr\u00e2nia hoje seria a mesma que prevaleceu sob os nazistas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00f3s n\u00e3o perdemos algo ap\u00f3s o colapso da \u201cCortina de Ferro\u201d?<\/strong><br>Putin \u00e9, obviamente, um ditador que condenamos. No entanto, penso que esta hist\u00f3ria \u00e9 tamb\u00e9m o resultado de duas din\u00e2micas. Por um lado, a OTAN, sob o controle dos americanos, quer avan\u00e7ar o m\u00e1ximo poss\u00edvel em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 R\u00fassia. Esta \u00faltima, por sua vez, quer reconstituir a velha R\u00fassia. Essas tens\u00f5es foram pac\u00edficas at\u00e9 se transformarem na trag\u00e9dia que conhecemos hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso nos traz de volta \u00e0s \u00e1reas de influ\u00eancia das grandes pot\u00eancias. Pense em Cuba ou na Am\u00e9rica Latina, em sua rela\u00e7\u00e3o com os americanos, por exemplo. Podemos defender a Ucr\u00e2nia sem ser cegos. Temos que ter cuidado com a histeria ligada \u00e0 guerra que nos faz ver apenas um aspecto da realidade, que muitas vezes \u00e9 mais complexa. Eu sempre procurei tomar partido com lucidez.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que mais podemos esperar?<\/strong><br>Encontramo-nos numa situa\u00e7\u00e3o paradoxal: tanto n\u00e3o aceitar a invas\u00e3o como n\u00e3o fazer a guerra. Da\u00ed o tipo de compromisso que \u00e9 a guerra econ\u00f4mica, acompanhada de ajuda em armamentos. Nem a for\u00e7a militar nem a fraqueza s\u00e3o uma solu\u00e7\u00e3o. A fraqueza \u00e9 perigosa porque pode dar liberdade \u00e0s ambi\u00e7\u00f5es imperiais russas. Mas o desejo de dobrar a economia da R\u00fassia \u00e9 igualmente perigoso e pode ter consequ\u00eancias que n\u00e3o podemos medir.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00fanico compromisso aceit\u00e1vel para os tr\u00eas lados \u00e9 a neutralidade da Ucr\u00e2nia no modelo su\u00ed\u00e7o. Parece-me que a Ucr\u00e2nia, despojada ou n\u00e3o de sua regi\u00e3o de l\u00edngua russa, deveria se tornar um estado federal, dados seus v\u00e1rios componentes \u00e9tnico-religiosos. E que uma negocia\u00e7\u00e3o geral pode levar a um acordo Leste-Oeste. Mas isso \u00e9 apenas um desejo. \u00c9 preciso fazer um diagn\u00f3stico correto do homem no mundo e na hist\u00f3ria atual.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>H\u00e1 dois anos, em Montpellier, voc\u00ea disse: \u201cN\u00e3o estou resignado\u201d. Voc\u00ea ainda \u00e9 um homem de esperan\u00e7a?<\/strong><br>Eu tenho tr\u00eas princ\u00edpios de esperan\u00e7a quando as probabilidades s\u00e3o desesperadas ou a tirania triunfa. A primeira \u00e9 apostar no improv\u00e1vel, que conheci quando o general J\u00fakov, comandante-chefe de Stalin, salvou Moscou em dezembro de 1941, quando a URSS parecia perdida. Dois dias depois, os Estados Unidos entraram na guerra ap\u00f3s o ataque do Jap\u00e3o a&nbsp;<em>Pearl Harbor<\/em>. Essa esperan\u00e7a, encontrei-a novamente quando o herdeiro do ditador Franco, Juan Carlos, restabeleceu a democracia na Espanha. E, finalmente, quando o secret\u00e1rio-geral do Partido Comunista da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, Gorbachev, acabou com setenta anos de totalitarismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m tenho o segundo princ\u00edpio de sempre acreditar nas capacidades criativas e na resist\u00eancia \u00e0 opress\u00e3o de uma minoria que, mais cedo ou mais tarde, consegue se emancipar, como Mandela fez.<\/p>\n\n\n\n<p>E meu terceiro princ\u00edpio \u00e9 acreditar que mesmo o pior sistema totalit\u00e1rio do futuro, baseado no controle computadorizado generalizado de todos os indiv\u00edduos, sempre ter\u00e1 falhas, como nos mostra o filme Matrix. A grande m\u00e1quina totalit\u00e1ria poder\u00e1 nos transformar parcialmente em m\u00e1quinas. Mas algumas pessoas sempre surgir\u00e3o para salvar o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Devemos nos indignar como St\u00e9phane Hessel nos convidou a faz\u00ea-lo (<\/strong><em><strong>Indignez-vous<\/strong><\/em><strong>, edi\u00e7\u00f5es Indig\u00e8nes, 2010)? Ou nos engajar?<\/strong><br>Eu diria que voc\u00ea tamb\u00e9m tem que pensar. N\u00e3o basta ficar indignado ou se engajar. Voc\u00ea tem que saber em que mundo estamos. Isso \u00e9 o que todos os grandes pensadores, como Karl Marx, mesmo que tivessem errado, queriam fazer. \u00c9 necess\u00e1rio fazer um diagn\u00f3stico correto do ser humano no mundo e na hist\u00f3ria atual. Antes do compromisso, antes da indigna\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso entender.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por que a identidade francesa est\u00e1 atualmente em debate?<br><\/strong>Desde a Revolu\u00e7\u00e3o de 1789, duas Fran\u00e7as se alternaram ou coexistiram: a Fran\u00e7a humanista, nascida em 1789 da Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos do Homem e do Cidad\u00e3o, e a Fran\u00e7a reacion\u00e1ria. Elas ainda se chocam hoje. Na d\u00e9cada de 1930, a Fran\u00e7a reacion\u00e1ria se encontrou em Charles Maurras, um doutrin\u00e1rio que justificava uma vis\u00e3o hipernacionalista, na \u00e9poca antissemita, xenof\u00f3bica. Ora, Zemmour \u00e9 o Maurras de hoje. Sua base \u00e9 o pior de todos os nacionalismos. Ela nos remete \u00e0 limpeza \u00e9tnica e religiosa dos imigrantes e do Isl\u00e3. Isso \u00e9 o que \u00e9 fundamentalmente reacion\u00e1rio com um suprematismo inconsciente ou consciente. A ideia de que somos superiores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 tamb\u00e9m uma vis\u00e3o muito nost\u00e1lgica?<br><\/strong>Atualmente a Fran\u00e7a \u00e9 uma pot\u00eancia m\u00e9dia. Mas foi uma grande pot\u00eancia, agora suplantada pelos Estados Unidos, China e R\u00fassia. Para os partid\u00e1rios dessa Fran\u00e7a reacion\u00e1ria que cultivam essa nostalgia, foram as ideias da Fran\u00e7a humanista que levaram a esse decl\u00ednio hist\u00f3rico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Que projeto poderia engajar o franc\u00eas hoje?<br><\/strong>Defini em meu livro&nbsp;<em>Changeons de voie: Les le\u00e7ons du coronavirus&nbsp;<\/em>(\u201cMudemos de caminho: as li\u00e7\u00f5es do coronavirus\u201d em tradu\u00e7\u00e3o literal) (em coautoria com Sabah Abouessalam, edi\u00e7\u00f5es Deno\u00ebl, 2020) uma pol\u00edtica em que a economia \u00e9 colocada a servi\u00e7o de um desejo de recriar, de melhorar nossa civiliza\u00e7\u00e3o e nossas condi\u00e7\u00f5es de vida. \u00c9 uma pol\u00edtica que reduziria o agora onipotente poder do dinheiro e tamb\u00e9m o car\u00e1ter burocr\u00e1tico do Estado. Se essa dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o for seguida por grande parte da opini\u00e3o p\u00fablica, n\u00e3o haver\u00e1 o despertar da Fran\u00e7a humanista ou da Fran\u00e7a em geral.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quem pode encarnar este despertar?<br><\/strong>N\u00e3o vejo ningu\u00e9m no momento. Seria preciso que o presidente Macron mudasse de rumo. Por enquanto, nada indica isso. Tivemos Joana d\u2019Arc, Charles de Gaulle. Sem ir t\u00e3o longe nestas refer\u00eancias, precisamos de algu\u00e9m que encarne este caminho.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E o retorno \u00e0 convivialidade de que fala no seu \u00faltimo livro, onde est\u00e1?<br><\/strong>O que me preocupa \u00e9 a deteriora\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 da nossa vida cotidiana, mas tamb\u00e9m da solidariedade. Assistimos a uma progress\u00e3o na mecaniza\u00e7\u00e3o da vida \u2013 eu diria mesmo que \u00e0 industrializa\u00e7\u00e3o das nossas vidas pessoais. Vivemos constrangimentos cada vez mais burocr\u00e1ticos, comemos alimentos insalubres e industrializados. Mas h\u00e1 muitas coisas que podem ser ressuscitadas, porque h\u00e1 uma aspira\u00e7\u00e3o humana pela convivialidade e acredito que essa aspira\u00e7\u00e3o renascer\u00e1 constantemente.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">EDGAR MORIN<\/h4>\n\n\n\n<p>Nascido em 1921 e formado em Direito, Geografia e Hist\u00f3ria, o pensador franc\u00eas \u00e9 autor de \u201cO M\u00e9todo\u201d, onde se consagrou como pioneiro e principal te\u00f3rico do paradigma emergente da ci\u00eancia na virada do s\u00e9culo: o pensamento complexo.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Em Ouest-France<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"928\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/morin-1024x928.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5501\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/morin-1024x928.jpeg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/morin-300x272.jpeg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/morin-768x696.jpeg 768w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/morin-1536x1392.jpeg 1536w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/morin.jpeg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong><em>Originalmente publicado no Ouest-France e traduzido por <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">OUTRAS Palavras <\/a><\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fil\u00f3sofo critica Putin, mas sugere compreender as raz\u00f5es da R\u00fassia contra a OTAN e agir&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":5498,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[238],"tags":[304],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/edgar.jpg",787,433,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/edgar-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/edgar-300x165.jpg",300,165,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/edgar-768x423.jpg",640,353,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/edgar.jpg",640,352,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/edgar.jpg",787,433,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/edgar.jpg",787,433,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/edgar.jpg",787,433,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/edgar.jpg",787,433,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/edgar.jpg",787,433,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/edgar-540x340.jpg",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/edgar-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a>","tag_info":"DESTAQUE","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5492"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5492"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5492\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5503,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5492\/revisions\/5503"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5498"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5492"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5492"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5492"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}