{"id":5521,"date":"2022-03-14T18:33:14","date_gmt":"2022-03-14T18:33:14","guid":{"rendered":"https:\/\/semfronteiras.eu\/?p=5521"},"modified":"2022-03-14T18:35:57","modified_gmt":"2022-03-14T18:35:57","slug":"crise-energetica-e-evolucao-da-economia-europeia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2022\/03\/14\/crise-energetica-e-evolucao-da-economia-europeia\/","title":{"rendered":"Crise energ\u00e9tica e evolu\u00e7\u00e3o da economia europeia"},"content":{"rendered":"\n<p><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\"><strong>AMBIENTE &amp; ECONOMIA<\/strong><\/mark> | 14 de mar\u00e7o 2022<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/cmp.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5522\" width=\"227\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/cmp.jpg 418w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/cmp-300x263.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 227px) 100vw, 227px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>por <strong>Carlos Marins Pereira<\/strong> | Economista<\/p>\n\n\n\n<p><br>Tempos dif\u00edceis estes que temos passado, \u00e9 verdade. N\u00e3o sei se agravados pelo facto de os tempos terem mudado tanto, no que diz respeito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o que nos chega a todo o momento e na maioria dos casos trabalhada, despropositada e em moldes da chamada ac\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica utilizada nas guerras e combates, de militares para militares, para incutir for\u00e7a, elevar o moral das tropas ou fazer-lhes acreditar em \u201cverdades\u201d que s\u00e3o estrat\u00e9gicas para conseguir levar a bom porto as ac\u00e7\u00f5es programadas.<\/p>\n\n\n\n<p> <br>Mas n\u00e3o temos a informa\u00e7\u00e3o supostamente isenta ou o mais perto disso que se consiga. Todos sabemos que informa\u00e7\u00e3o isenta \u00e9 uma mera utopia, pois toda ela \u00e9 feita, preparada por mentes humanas e, essas, est\u00e3o sempre condicionadas por aquilo que cada um pensa, em que acredita e nos seus interesses directos. De momento, para al\u00e9m da transmiss\u00e3o da guerra em tempo real, levada ao rid\u00edculo de nos fazerem ver, inclusive, os pr\u00f3prios quartos dos jornalistas, filmes e fotos de terror que mais n\u00e3o fazem que atentar contra a privacidade dos sujeitos que as interpretam e semear o p\u00e2nico, terror e dar cabo da sa\u00fade da generalidade de quem paga para ver e ouvir, sempre vers\u00f5es de uma das partes, as aten\u00e7\u00f5es, pelo efeito directo na vida di\u00e1ria presente e futura de todos n\u00f3s, centram-se nos combust\u00edveis, na previs\u00edvel escassez ou no forte aumento do seu custo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\"><br>De passagem, arranjam sempre comentadores que juntam uma achega sobre os impostos arrecadados pelo Estado sempre em tom de que esses impostos n\u00e3o s\u00e3o para o bem e as necessidades prementes de todos os cidad\u00e3os mas para \u201cencher a barriga\u201d aos governantes. De uma vez por todas, os impostos, esses sobre os combust\u00edveis e os outros, apesar de por vezes haver desmandos, sabemos que existem c\u00e1, l\u00e1 nos outros Estados e, como diz o outro, tamb\u00e9m \u201cpelo caminho\u201d, s\u00e3o para acudir e manter os cuidados de sa\u00fade, a educa\u00e7\u00e3o, as necessidades mais comuns e a sociedade a funcionar. Se o Estado baixa a recolha de impostos, a falta de recursos que \u00e9 pr\u00f3pria de um pa\u00eds que os gera em menor escala do que o que necessita, colocar-nos-\u00e1 como nos tempos em que houve que pedir ajuda externa, com as consequ\u00eancias que todos pudemos, infelizmente, conhecer.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Tudo poderia ser explicado com mais objectividade e com facilidade.A Uni\u00e3o Europeia, no seu conjunto, tem produzido, desde h\u00e1 muito, cerca de 20 % da energia de que necessita. Mas a produ\u00e7\u00e3o agravou-se, para muito menos nos dois \u00faltimos anos. Para 13% em 2020 e 9 % em 2021. Causas? A produ\u00e7\u00e3o de quase tudo caiu significativamente com o avan\u00e7o da pandemia. Trabalhadores impossibilitados de trabalhar, infectados, empresas a trabalhar a meio g\u00e1s, outras fechadas, uma situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica, como \u00e9 sabido. Da Federa\u00e7\u00e3o Russa temos importado quase sempre cerca de 40% da energia consumida pela UE. Pelo conjunto da UE e n\u00e3o por Portugal individualmente. Baixou nos \u00faltimos dois anos para 30 e tal por cento da produ\u00e7\u00e3o global, devido \u00e0 quebra j\u00e1 falada.<\/p>\n\n\n\n<p><br>A UE importa ainda da Noruega cerca de 22 a 24% e tem tamb\u00e9m importado de outros pa\u00edses como a Arg\u00e9lia, L\u00edbia e Azerbaij\u00e3o, cerca de 12 % com aumento acentuado para os 20% nos \u00faltimos dois anos. Ao contr\u00e1rio do que se possa entender das entrelinhas de muitas not\u00edcias que n\u00e3o o dizem claramente, Portugal, da Russia, apenas importa cerca de 4% tanto de petr\u00f3leo como de g\u00e1s natural! As nossas  importa\u00e7\u00f5es s\u00e3o, sobretudo, do Brasil com cerca de 30%, Nig\u00e9ria com 25% e EUA com cerca de 20%. O resto tem pouco significado, tudo a 2 ou 3% como de Espanha, Arg\u00e9lia e outros. Conclus\u00e3o, n\u00e3o estamos dependentes do petr\u00f3leo ou g\u00e1s russo. Mas somos significativamente dependentes em termos energ\u00e9ticos, n\u00e3o produzimos o suficiente nem pouco mais ou menos, para o que consumimos ou necessitamos. E convir\u00e1 deixar outra informa\u00e7\u00e3o. \u00c9 que procedemos a uma significativa altera\u00e7\u00e3o das fontes de produ\u00e7\u00e3o de energia em Portugal. Em vez de a economia portuguesa depender maioritariamente das origens f\u00f3sseis, no presente prov\u00e9m dos f\u00f3sseis apenas 33% e com origens renov\u00e1veis o restante! Mas tudo isto, este panorama da economia portuguesa e suas depend\u00eancias energ\u00e9ticas est\u00e1 em profunda e continua altera\u00e7\u00e3o de acordo com a evolu\u00e7\u00e3o do conflito entre a Russia e a Ucr\u00e2nia. Em particular, \u00e9 sabida a enorme volatilidade dos mercados financeiros, a que o cidad\u00e3o comum se habituou a dizer que os \u201cMercados\u201d s\u00e3o muito \u201cnervosos\u201d. \u00c9 verdade e ilustra bem. \u00c9, sobretudo, uma quest\u00e3o de confian\u00e7a, no presente e de expectativas futuras. E, por isso mesmo, os mercados accionistas mundiais logo acentuaram as quedas. Agravadas com enormes vendas de activos russos, por todo o lado e enquanto foi poss\u00edvel. <\/p>\n\n\n\n<p><br>Precisamente devido \u00e0 gest\u00e3o das expectativas, os pre\u00e7os do petr\u00f3leo e g\u00e1s dispararam em flecha, houve uma significativa queda das taxas de juro reais e as moedas, o d\u00f3lar americano, franco su\u00ed\u00e7o e o iene, apreciaram com significado relativamente ao euro, o que nos tornar\u00e1 a vida, os pre\u00e7os das importa\u00e7\u00f5es, mais dif\u00edcil futuramente. A manter-se esta situa\u00e7\u00e3o e tend\u00eancia. \u00c9 um facto que todos, tirando os especuladores de profiss\u00e3o, somos avessos a maiores riscos.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Creio que os Bancos Centrais tender\u00e3o a aumentar as taxas de juro, a conter as tend\u00eancias de forte aumento da infla\u00e7\u00e3o e, como agora est\u00e1 em moda dizer-se, evitar ou minorar as tend\u00eancias estagflacionistas. Penso sinceramente que os Bancos Centrais, apesar dos maiores riscos incorporados nas empresas, nos mercados e nos cr\u00e9ditos, aumentar\u00e3o as taxas de juro menos que o esperado para n\u00e3o arrefecer tanto as economias e a produ\u00e7\u00e3o das empresas com uma infla\u00e7\u00e3o que com a crise energ\u00e9tica poder\u00e1 rapidamente situar-se, em m\u00e9dia, nos 6%, com tend\u00eancia para aumentar.<\/p>\n\n\n\n<p>E esta situa\u00e7\u00e3o manter-se-\u00e1 se a guerra vier a ser persistente e duradoura, com significativos agravamentos, por exemplo, na venda de activos russos, venda de moeda russa e deprecia\u00e7\u00e3o significativa, maiores quedas nos mercados accionistas e os Bancos Centrais a manter-se fieis aos seus planos de restri\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria. Mas, mesmo assim, com maior inclina\u00e7\u00e3o, acentuada, na curva de rendimentos que se tornar\u00e1 negativa. Com a situa\u00e7\u00e3o de conflito persistente, poder\u00e1 ocorrer um efeito de cont\u00e1gio do colapso dos Bancos russos transmitindo-se a outras economias e sistemas banc\u00e1rios mundiais, como aconteceu com os Bancos americanos na crise do subprime em 2008\/ 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>Notemos que as san\u00e7\u00f5es \u00e0 Russia se focam, sobretudo, no sector financeiro com grande impacto no afastamento dos Bancos russos do sistema Swift de enorme efici\u00eancia, rapidez e credibilidade, n\u00e3o se registam fraudes ao longo de muitas d\u00e9cadas de funcionamento, nas movimenta\u00e7\u00f5es de fundos no com\u00e9rcio internacional. Mesmo com estes cen\u00e1rios, o crescimento nas economias da \u00e1rea do euro, continua a ser previs\u00edvel entre os 2,5 a 3,5 % contra os 4%, em m\u00e9dia, projectado antes do inicio do conflito.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Isto, suportado e conseguido muito \u00e0 custa da criada \u201cRecovery and Resiliente Facility\u201d . Se assim acontecer, a infla\u00e7\u00e3o esperada para 2022 ser\u00e1 em m\u00e9dia de 2% em 2022, 2023 e 2024, o que \u00e9 muito razo\u00e1vel. Mas, muita aten\u00e7\u00e3o, pois isto \u00e9 conclus\u00e3o do &#8220;cen\u00e1rio base&#8221; trabalhado e discutido pelo Banco Central Europeu (BCE) na sua reuni\u00e3o desta semana em que n\u00e3o alterou as taxas de juro.Baseia-se em previs\u00f5es que apontam ainda para um ligeiro crescimento no segundo trimestre do ano em curso e crescimento zero no terceiro trimestre de 2022. Se isso resvalar e houver o chamado \u201ccrescimento negativo\u201d, que detesto utilizar mas est\u00e1 muito em uso pelas inst\u00e2ncias internacionais, ent\u00e3o entraremos em \u201crecess\u00e3o t\u00e9cnica\u201d no espa\u00e7o do Euro, o que \u00e9 mau. Qualquer quebra nos abastecimentos de energia e g\u00e1s \u00e0 Europa, sem que seja encontrada com brevidade uma alternativa de fornecimento, levar\u00e1 a um aumento abrupto nos pre\u00e7os, sobretudo da alimenta\u00e7\u00e3o, nos bens alimentares, e poss\u00edvel falta desses g\u00e9neros, os cereais, e causar\u00e1, sem d\u00favida, uma recess\u00e3o alargada.<\/p>\n\n\n\n<p><br>\u00c9 previs\u00edvel que o barril de brent possa com rapidez oscilar entre os 130 e os 150 USD e o g\u00e1s natural dos 180 aos 200 Mwh na Europa.A\u00ed, o BCE dever\u00e1 adoptar o chamado tom de falc\u00e3o, severo na pol\u00edtica monet\u00e1ria, o \u201chawkish tone\u201d. Neste quadro, mesmo a t\u00e3o anunciadas subidas de taxas de juro, pelo BCE, nunca dever\u00e1 ser superiores a 25 pontos b\u00e1sicos entre 2022 e o primeiro trimestre de 2023.Tenhamos, contudo, esperan\u00e7a numa resolu\u00e7\u00e3o por via das negocia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><br>A\u00ed, nesse caso, tudo melhorar\u00e1, os mercados accionistas, a manuten\u00e7\u00e3o de taxas por parte do BCE, a diminui\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o e o tal nervosismo dos mercados financeiros.Tenhamos esperan\u00e7a que os pr\u00f3prios interesses das economias russas e ucranianas n\u00e3o empurrar\u00e3o o Mundo para precip\u00edcios que podem ser fatais para a humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Carlos Pereira Martins<\/strong>(Economista, Membro dos Org\u00e3os Nacionais da Ordem dos Economistas)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>AMBIENTE &amp; ECONOMIA | 14 de mar\u00e7o 2022 por Carlos Marins Pereira | Economista Tempos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":5523,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[121],"tags":[306],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/cpm2-1.jpg",589,488,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/cpm2-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/cpm2-1-300x249.jpg",300,249,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/cpm2-1.jpg",589,488,false],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/cpm2-1.jpg",589,488,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/cpm2-1.jpg",589,488,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/cpm2-1.jpg",589,488,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/cpm2-1.jpg",589,488,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/cpm2-1.jpg",589,488,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/cpm2-1.jpg",589,488,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/cpm2-1-540x340.jpg",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/cpm2-1-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/causas\/tribuna\/\" rel=\"category tag\">TRIBUNA<\/a>","tag_info":"TRIBUNA","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5521"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5521"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5521\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5524,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5521\/revisions\/5524"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5523"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5521"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5521"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5521"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}