{"id":5891,"date":"2022-04-09T21:29:36","date_gmt":"2022-04-09T21:29:36","guid":{"rendered":"https:\/\/semfronteiras.eu\/?p=5891"},"modified":"2022-04-10T18:30:55","modified_gmt":"2022-04-10T18:30:55","slug":"a-fuga-do-inferno-de-kiev","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2022\/04\/09\/a-fuga-do-inferno-de-kiev\/","title":{"rendered":"A fuga do inferno de Kiev"},"content":{"rendered":"\n<p><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\"><strong>MUNDO<\/strong><\/mark> | Guerra R\u00fassia &#8211; Ucr\u00e2nia | do Luxemburgo para o Sem Fronteiras<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/paiva-colaborador.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5892\" width=\"259\" height=\"256\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/paiva-colaborador.jpg 442w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/paiva-colaborador-300x297.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 259px) 100vw, 259px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>por <strong>Ant\u00f3nio Paiva,<\/strong> Luxemburgo<\/p>\n\n\n\n<p>Yuliia e Igor, m\u00e3e e filho, s\u00e3o dois dos cerca de 4.000 cidad\u00e3os Ucranianos que, at\u00e9 agora, chegaram ao Luxemburgo, deixando para tr\u00e0s um pa\u00eds invadido pelas tropas de Putin.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de uma viagem atribulada, que durou 5 dias, chegaram enfim ao Luxemburgo onde foram acolhidos pela organiza\u00e7\u00e3o LUkraine asbl criada recentemente para, em colabora\u00e7\u00e3o com o Estado Luxemburgu\u00eas, lan\u00e7ar a m\u00e3o aos refugiados ucranianos que deixaram para tr\u00e1s um pa\u00eds e o resto da fam\u00edlia, num cen\u00e1rio de guerra, onde os confrontos armados, os bombardeamentos, a destrui\u00e7\u00e3o, a morte de civis, adultos e crian\u00e7as, se processam e se repetem, sem d\u00f3 nem piedade. Trata-se de um povo martirizado e vitima dos planos maquiav\u00e9licos daquele que, n\u00e3o sendo o Czar, se comporta de maneira semelhante ou ainda pior pois os meios de destrui\u00e7\u00e3o e de massacre s\u00e3o superiores aos existentes na \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Acolhimento de uma fam\u00edlia<\/h2>\n\n\n\n<p>Respondendo ao apelo de solidariedade e tendo em conta as nossas disponibilidades, acolhemos uma fam\u00edlia, m\u00e3e e filho que deixaram, em Kiev, o marido e mais um filho com mais de 18 anos, que n\u00e3o obtiveram autoriza\u00e7\u00e3o para deixar o pa\u00eds, por terem que ajudar no combate contra as tropas invasoras. Numa aldeia, a 125KM de kiev, ficaram igualmente, para tr\u00e0s, os pais e av\u00f3s, para quem o desapego \u00e0 terra que os viu nascer e crescer representa um acto dif\u00edcil de assumir. N\u00e3o obstante os perigos que quotidianamente, em volta, os ame\u00e7am, eles preferiram ficar na sua casa, como muitos outros, continuando a cuidar dos animais que os rodeiam e acompanham na luta pela sobreviv\u00eancia. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-luminous-vivid-amber-background-color has-background\"><strong>Cada ru\u00eddo e estrondo dos bombardeamentos \u00e9 um arremesso \u00e0 coragem de um povo que recusa com dor, sofrimento e l\u00e1grimas ajoelhar-se aos p\u00e9s do invasor.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Corpos no Luxemburgo, esp\u00edrito em Kiev<\/h2>\n\n\n\n<p>Yuliia e Igor est\u00e3o em nossa casa, livres corporal e visualmente de todos os horrores de uma guerra destruidora com que o invasor continua a massacrar o povo ucraniano. Os seus corpos est\u00e3o em seguran\u00e7a. O esp\u00edrito est\u00e1 em Kiev e na aldeia dos pais e av\u00f3s. Os rostos s\u00e3o af\u00e1veis, com um leve sorriso de al\u00edvio e agradecimento. Partilhamos os seus anseios, dores e l\u00e1grimas. Lan\u00e7amos o encorajamento com palavras e gestos de reconforto. Organizamos visitas e passeios pelo pa\u00eds para tentar libert\u00e1-los do pano de fundo do inferno que deixaram para tr\u00e1s. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-luminous-vivid-amber-background-color has-background\"><strong>Vamos \u00e0s compras e cozinhamos as nossas receitas para lhes dar a conhecer os nossos gostos e pratos tradicionais.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Um dia destes, Yuliia quis surpreender-nos com uma especialidade ucraniana. Aceitamos a sugest\u00e3o. Ela que n\u00e3o tendo nada para nos oferecer quis, com um gesto natural de agradecimento, consolar-nos com os sabores da culin\u00e1ria do seu pa\u00eds. Cozinhou-nos o tradicional prato &#8220;Bortsch&#8221;. Sopa consistente que comparei \u00e0 nossa com couves e feij\u00f5es. O resultado foi excelente. Ao exprimirmos o nosso contentamento pela especialidade, com um gosto ao qual n\u00e3o est\u00e1vamos habituados, mas muit\u00edssimo agrad\u00e1vel, os dois, m\u00e3e e filho, n\u00e3o conseguiram esconder um sorriso sereno de contentamento por nos terem oferecido um presente t\u00e3o nobre e significativo. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Oferecer o que se pode, em situa\u00e7\u00f5es de mis\u00e9ria e afli\u00e7\u00e3o, torna-se um gesto intimamente reconfortante. Poder partilhar o pouco que se tem \u00e9 mais do que oferecer presentes valorosos.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"633\" height=\"359\" data-id=\"5898\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/bortsosh.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5898\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/bortsosh.jpg 633w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/bortsosh-300x170.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 633px) 100vw, 633px\" \/><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">A sopa tradicional Bortsch, da Ucr\u00e2nia<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Gesto solid\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p>H\u00e0 52 anos, quando errava pela &#8220;Auvergne&#8221; dormindo v\u00e1rias noites na rua e sem ter nada que comer, ficava tamb\u00e9m muito contente e agradecido quando encontrava uma alma que me estendia a m\u00e3o caridosa. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-luminous-vivid-amber-background-color has-background\">Hoje apostamos no gesto solid\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A Yuliia e o Igor ficar\u00e3o em nossa casa at\u00e9 ver a possibilidade de poderem juntar-se \u00e0 fam\u00edlia em Kiev. At\u00e9 l\u00e1 temos dado todos os passos administrativos para a regulariza\u00e7\u00e3o dos pap\u00e9is, seguran\u00e7a social, etc., etc. Levamos o Igor a fazer os testes necess\u00e1rios para a integra\u00e7\u00e3o escolar.<\/p>\n\n\n\n<p>Tendo en conta o n\u00famero de refugiados, que n\u00e3o p\u00e1ra de aumentar, o processo torna-se ligeiramente moroso. Custa tempo e paci\u00eancia. Mas tudo est\u00e1 incluido no gesto solid\u00e1rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Poderemos quase dizer, que criamos um &#8220;Comit\u00e9 de desertores&#8221; para os refugiados da Ucr\u00e2nia. A ferida da guerra colonial continua latente.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A hist\u00f3ria repete-se<\/h2>\n\n\n\n<p>Como a hist\u00f3ria se repete! Como as guerras se sucedem!<\/p>\n\n\n\n<p>No fim da primeira guerra Mundial &#8220;todos&#8221; disseram: &#8220;Isto nunca mais&#8221;. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-luminous-vivid-amber-background-color has-background\">No fim da segunda guerra Mundial &#8220;todos&#8221; disseram: &#8220;Isto nunca mais&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>E as guerras continuaram (continuam), coloniais, invasoras e devastadoras. Os povos inocentes continuam a pagar o pre\u00e7o das decis\u00f5es daqueles para quem a vida humana \u00e9 insignificante comparada com os interesses do grande capital mundial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ant\u00f3nio Paiva<\/strong>, Luxemburgo<\/p>\n\n\n\n<p><em>Foto \u00a9 Ant\u00f3nio Paiva | Editado 15h20 com substitui\u00e7\u00e3o das fotos e nomes dos protagonistas a pedido do autor que quis acautelar a privacidade dos intervenientes. Foto \u00a9 L\u00b4essentiel<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>NOTA DO SEM FRONTEIRAS<\/strong>: N\u00e3o podemos deixar de tecer um agradecimento especial ao correspondente no Luxemburgo Ant\u00f3nio Paiva pela sua disponibilidade e generosidade em partilhar com os leitores a sua experi\u00eancia pessoal e da sua fam\u00edlia. Com alguma emo\u00e7\u00e3o dizemos: OBRIGADO Ant\u00f3nio. <mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\"><strong>SF<\/strong><\/mark><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MUNDO | Guerra R\u00fassia &#8211; Ucr\u00e2nia | do Luxemburgo para o Sem Fronteiras por Ant\u00f3nio&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":5901,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[238,317],"tags":[292],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/ucranas.jpg",703,419,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/ucranas-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/ucranas-300x179.jpg",300,179,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/ucranas.jpg",640,381,false],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/ucranas.jpg",640,381,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/ucranas.jpg",703,419,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/ucranas.jpg",703,419,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/ucranas.jpg",703,419,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/ucranas.jpg",703,419,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/ucranas.jpg",703,419,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/ucranas-540x340.jpg",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/ucranas-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/noticias\/\" rel=\"category tag\">NOTICIAS<\/a>","tag_info":"NOTICIAS","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5891"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5891"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5891\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5940,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5891\/revisions\/5940"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5901"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5891"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5891"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5891"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}