{"id":6382,"date":"2022-05-01T11:49:17","date_gmt":"2022-05-01T11:49:17","guid":{"rendered":"https:\/\/semfronteiras.eu\/?p=6382"},"modified":"2022-05-08T06:47:20","modified_gmt":"2022-05-08T06:47:20","slug":"a-democracia-local-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2022\/05\/01\/a-democracia-local-em-portugal\/","title":{"rendered":"A democracia local em Portugal"},"content":{"rendered":"\n<p>OPINI\u00c3O | Livro A democracia Local | Ant\u00f3nio C\u00e2ndido de Oliveira<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/nelson-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6383\" width=\"259\" height=\"249\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/nelson-1.jpg 407w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/nelson-1-300x289.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 259px) 100vw, 259px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Por <strong>Nelson Anjos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">A breve ep\u00edgrafe, logo na primeira p\u00e1gina do livro de\u00a0<em>Ant\u00f3nio C\u00e2ndido de Oliveira<\/em>, anunciando que \u201c<em>o principal des\u00edgnio desta cole\u00e7\u00e3o resume-se em duas palavras: pensar livremente<\/em>\u201d, e considerando tamb\u00e9m que o conceito de democracia tem mais a ver com ideias de\u00a0<em>pol\u00edtica<\/em>\u00a0do que com aspetos\u00a0<em>administrativos<\/em>, no sentido t\u00e9cnico-profissional do termo, levaria a pensar que \u201c<em>A Democracia Local em Portugal<\/em>\u201d n\u00e3o fosse aquilo que o autor fundamentalmente escreveu: um breve resumo comentado de Regulamento de Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A cole\u00e7\u00e3o \u201cEnsaios da Funda\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 Funda\u00e7\u00e3o Francisco Manuel dos Santos (FFMS) \u2013 de que o volume em apre\u00e7o \u00e9 o n\u00famero 116, bem como outras publica\u00e7\u00f5es da FFMS, fora da cole\u00e7\u00e3o, abarcam j\u00e1 um vasto leque de temas que, dos que li, me deixaram sempre, uns mais outros menos, a disposi\u00e7\u00e3o para o elogio. Sa\u00fada-se pois o magn\u00edfico servi\u00e7o \u2013 \u00e9 disso que se trata \u2013 que a FFMS vem prestando \u00e0 comunidade, em tantas \u00e1reas onde \u00e9 necess\u00e1rio ensinar, colmatando as muitas lacunas deixadas pelas institui\u00e7\u00f5es a quem tal, por lei e inerente obriga\u00e7\u00e3o, compete: as escolas. Mas n\u00e3o \u00e9 este o caso. Numa \u00e1rea \u2013 a educa\u00e7\u00e3o para a cidadania \u2013 parente mendigo num vasto oceano de iliteracias,&nbsp;<em>A Democracia Local em Portugal<\/em>, tolhida por c\u00f3digos, regulamentos e medo de pisar algum risco academicamente proibido, n\u00e3o arrisca uma \u00fanica ideia que pudesse levar qualquer&nbsp;<em>Doutor do Templo<\/em>&nbsp;a franzir o sobrolho.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;N\u00e3o indo al\u00e9m do enunciar a realidade, diz-se nas primeiras linhas da introdu\u00e7\u00e3o:&nbsp;<em>\u201cA ideia de que a democracia local \u00e9 fundamentalmente a elei\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica de presidentes de c\u00e2mara municipal e de presidentes de junta de freguesia est\u00e1 muito divulgada, mas \u00e9 pobre e perigosa. (\u2026) \u00c9 perigosa porque afasta os cidad\u00e3os de uma pr\u00e1tica regular da democracia, tornando-os mais s\u00fabditos do que cidad\u00e3os (\u2026)\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ora, acontece que, ao diagn\u00f3stico certeiro deveria corresponder prescri\u00e7\u00e3o para o tratamento. Mas, a\u00ed, em vez de&nbsp;<em>pensar livremente<\/em>, a pena do ensa\u00edsta inibiu-se. E, da longa lista de \u201c<em>Sugest\u00f5es para aperfei\u00e7oamento e consolida\u00e7\u00e3o da democracia local<\/em>\u201d, fico-me pelo ponto 7); onde se refere \u201c<em>o direito \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos eleitos locais (\u2026)\u201d<\/em>, e onde, por mim, substituiria&nbsp;<em>direito<\/em>&nbsp;por&nbsp;<em>obriga\u00e7\u00e3o<\/em>. \u00c9 sabido o que se verifica ami\u00fade: a incompet\u00eancia e imprepara\u00e7\u00e3o dos eleitos a ser muitas vezes colmatada pelo saber de experi\u00eancia feito dos trabalhadores das c\u00e2maras e juntas de freguesia. De corrup\u00e7\u00e3o e compadrio aut\u00e1rquico e aus\u00eancia de escrut\u00ednio efetivo o autor tamb\u00e9m desconhece, \u201c<em>e aos costumes disse nada\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;N\u00e3o penso que a pobreza da nossa democracia se deva a falta de leis, ao incumprimento de umas, ou \u00e0 qualidade question\u00e1vel de outras. Mesmo onde isso aconte\u00e7a \u2013 e o autor d\u00e1 exemplos \u2013 os problemas maiores s\u00e3o outros.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Desde logo o t\u00e3o rebatido afastamento dos cidad\u00e3os da vida p\u00fablica \u2013 sobejamente atestado pelos n\u00fameros da absten\u00e7\u00e3o em atos eleitorais \u2013 onde culpas pr\u00f3prias n\u00e3o mitigam culpas alheias: o cinzentismo das propostas eleitorais, a indisfar\u00e7\u00e1vel ignor\u00e2ncia e imprepara\u00e7\u00e3o de muitos candidatos (h\u00e1 exce\u00e7\u00f5es e o mal \u00e9 esse: serem exce\u00e7\u00f5es), os programas das diversas listas candidatas que em regra se ficam por um enunciado de medidas desconexas, avulso, muitas vezes repetindo, por manifesta falta de imagina\u00e7\u00e3o, saber e criatividade, o que foi dito quatro anos antes, apostando no esquecimento do eleitorado. Sendo normalmente denominador comum a aus\u00eancia de qualquer vis\u00e3o ou perspetiva estrat\u00e9gica, para o concelho ou freguesia, consoante o caso. Claro que, assegurar com qualidade a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os tais como o saneamento b\u00e1sico, a distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua ou a manuten\u00e7\u00e3o das vias p\u00fablicas, entre outros, sendo necess\u00e1rio n\u00e3o esgota a tal&nbsp;<em>Democracia Local<\/em>. Que em muitos casos come\u00e7a e acaba com os dois ou tr\u00eas \u201cnot\u00e1veis\u201d do costume, a encabe\u00e7arem a lista do costume, onde o resto \u00e9 isso mesmo: o resto do costume. Para perfazer o n\u00famero necess\u00e1rio de elementos, dois ou tr\u00eas dias antes do prazo limite bate-se \u00e0 porta da Maria, do Manel e do Z\u00e9, que \u201cs\u00e3o dos nossos\u201d, e mendiga-se \u201co nome p\u2019r\u00e1 lista\u201d. \u00c9 mais ou menos assim o \u201cboneco\u201d na pequena freguesia rural, mas \u00e9-o tamb\u00e9m, cada vez mais, \u2013 com alguns cuidados em cosm\u00e9tica e adere\u00e7os \u2013 em unidades administrativas de maior dimens\u00e3o. Concelhos e freguesias.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Sobre este estado de coisas, e ideias para o debelar, C\u00e2ndido de Oliveira nada diz. O que, como resultado de&nbsp;<em>pensar livremente<\/em>&nbsp;\u00e9 pouco. Claro que os int\u00e9rpretes da democracia adormecida que temos agradecem n\u00e3o ser incomodados. (Mas c\u00e1 para n\u00f3s que ningu\u00e9m nos ouve: depois, n\u00e3o se queixem dos \u201cpopulismos\u201d! \u2026)<\/p>\n\n\n\n<p>nelson anjos<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"363\" height=\"258\" data-id=\"6385\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/demoloc.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6385\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/demoloc.jpg 363w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/demoloc-300x213.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 363px) 100vw, 363px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>OPINI\u00c3O | Livro A democracia Local | Ant\u00f3nio C\u00e2ndido de Oliveira Por Nelson Anjos A&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":6385,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[317,99],"tags":[355,354],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/demoloc.jpg",363,258,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/demoloc-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/demoloc-300x213.jpg",300,213,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/demoloc.jpg",363,258,false],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/demoloc.jpg",363,258,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/demoloc.jpg",363,258,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/demoloc.jpg",363,258,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/demoloc.jpg",363,258,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/demoloc.jpg",363,258,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/demoloc.jpg",363,258,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/demoloc.jpg",363,258,false],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/demoloc-363x250.jpg",363,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/noticias\/\" rel=\"category tag\">NOTICIAS<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/opiniao\/\" rel=\"category tag\">OPINI\u00c3O<\/a>","tag_info":"OPINI\u00c3O","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6382"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6382"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6382\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6386,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6382\/revisions\/6386"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6385"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6382"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6382"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6382"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}