{"id":6811,"date":"2022-05-27T08:34:19","date_gmt":"2022-05-27T08:34:19","guid":{"rendered":"https:\/\/semfronteiras.eu\/?p=6811"},"modified":"2022-05-27T08:34:25","modified_gmt":"2022-05-27T08:34:25","slug":"pib-felicidade-interna-bruta-e-outros-indicadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2022\/05\/27\/pib-felicidade-interna-bruta-e-outros-indicadores\/","title":{"rendered":"PIB, felicidade interna bruta e outros indicadores"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-cyan-bluish-gray-background-color has-background\"><strong>L\u2019abondance frugale comme art de vivre \u2013 Bonheur, gastronomie et d\u00e9croissance (<\/strong>Autor:<strong> Serge Latouche)<\/strong> | Coment\u00e1rios sobre o conte\u00fado dos diferentes cap\u00edtulos<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/filipe1-10.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6816\" width=\"284\" height=\"257\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/filipe1-10.jpg 407w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/filipe1-10-300x271.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 284px) 100vw, 284px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>por Filipe Carmo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Premi\u00e8re Partie: La d\u00e9croissance et les paradoxes du bonheur \u2013 La joie de vivre dans la frugalit\u00e9<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul><li><a><strong>2.&nbsp; <\/strong><strong>De la critique des indicateurs de richesse \u00e0 la red\u00e9couverte du <em>buen vivir<\/em><\/strong><\/a><strong> <\/strong>(pgs. 35-63)<strong><\/strong><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Partindo da constata\u00e7\u00e3o que a sociedade de crescimento trai as suas promessas, com o acesso aos bens de qualidade a ser limitado a um pequeno n\u00famero de indiv\u00edduos e o <em>bonheur<\/em> prometido ao grande n\u00famero como resultado da sociedade de consumo a n\u00e3o ser cumprido, Latouche lembra ainda que tal processo \u00e9 acompanhado de um \u201cb\u00f3nus\u201d que \u00e9 o desastre ecol\u00f3gico. N\u00e3o ser\u00e1 assim melhor, pergunta ele, escutar a voz renascente dos povos ind\u00edgenas e voltar \u00e0 sabedoria milenar da limita\u00e7\u00e3o das necessidades? Ou seja, reencontrar a abund\u00e2ncia na frugalidade com a perspectiva de construir um futuro sustent\u00e1vel! Essa \u00e9, de qualquer modo, a op\u00e7\u00e3o oferecida pelo decrescimento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Du r\u00eave au cauchemar: la faillite du plus grand bonheur quantifi\u00e9 au Nord<\/em><\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mas antes de passar ao decrescimento, concebendo e construindo uma sociedade de abund\u00e2ncia frugal e uma nova forma de qualidade de vida, o autor acha que \u00e9 preciso desmontar a ideologia do <em>bonheur <\/em>quantificado da modernidade. Isto \u00e9, para arruinar o imagin\u00e1rio do PIB <em>per capita<\/em> ser\u00e1 necess\u00e1rio compreender como \u00e9 que ele entrou nas nossas cabe\u00e7as. Come\u00e7ar-se-\u00e1 por criticar a pretens\u00e3o de assimilar <em>bonheur<\/em> e PIB <em>per capita<\/em> e por deixar bem claro que o PIB apenas mede a \u201criqueza\u201d mercantil e aquela que lhe pode ser assimilada.<\/p>\n\n\n\n<p>Dir-se-\u00e1, em primeiro lugar, que do c\u00e1lculo do PIB s\u00e3o exclu\u00eddas tarefas e \u201ctransac\u00e7\u00f5es\u201d n\u00e3o mercantis (como j\u00e1 referido antes, meras conversas entre indiv\u00edduos e trabalho dom\u00e9stico, mas tamb\u00e9m o trabalho volunt\u00e1rio e o trabalho clandestino), enquanto tudo o que \u00e9 repara\u00e7\u00e3o, danos e preju\u00edzos do crescimento (inseguran\u00e7a, polui\u00e7\u00e3o, stress, doen\u00e7as, etc.) \u00e9 contado como positivo, e os danos infligidos ao patrim\u00f3nio natural (externalidades negativas) n\u00e3o s\u00e3o deduzidos. \u201cO PIB \u00e9 assim, e isso \u00e9 um ponto essencial, um fluxo de riqueza puramente mercantil e monet\u00e1rio. Quanto ao crescimento do PIB, trata-se de uma evolu\u00e7\u00e3o positiva do volume de todas as produ\u00e7\u00f5es de bens e servi\u00e7os que s\u00e3o vendidos, ou com custo monet\u00e1rio, <em>produzidas por trabalho remunerado<\/em>.\u201d<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a> Em consequ\u00eancia, tudo o que se pode vender vai fazer crescer o PIB, independentemente de isso acrescentar algo ou n\u00e3o ao bem-estar individual e colectivo. E numerosas actividades e recursos que contribuem para a qualidade de vida n\u00e3o entram no c\u00e1lculo, simplesmente porque n\u00e3o t\u00eam natureza mercantil.<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Latouche recorda a tal respeito o discurso (provavelmente, diz o autor, escrito por John Kenneth Galbraith) que Robert Kennedy pronunciou em 1968, alguns dias antes de ser assassinado: \u201cO nosso PIB tamb\u00e9m inclui a polui\u00e7\u00e3o do ar, a publicidade feita aos cigarros e as corridas das ambul\u00e2ncias ocasionadas pelos desastres nas estradas. Inclui a destrui\u00e7\u00e3o das nossas florestas e a destrui\u00e7\u00e3o da natureza. Inclui o custo do armazenamento de res\u00edduos radioativos e o napalm. Em contraste, o PIB n\u00e3o leva em conta a sa\u00fade dos nossos filhos, a qualidade da respectiva educa\u00e7\u00e3o, a alegria dos seus jogos, a beleza de nossa poesia ou a solidez dos nossos casamentos. Ele n\u00e3o leva em considera\u00e7\u00e3o a nossa coragem, a nossa integridade, a nossa intelig\u00eancia, a nossa sabedoria. Ele mede tudo, excepto o que faz a vida valer a pena.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 essa imagem do <em>bonheur<\/em> criada no s\u00e9culo XIX, obtida devido \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e \u00e0 considera\u00e7\u00e3o de meios mec\u00e2nicos e industriais, que depois nos faz passar \u00e0 sociedade de consumo. E fazendo n\u00f3s a experi\u00eancia de que o consumo n\u00e3o leva ao <em>bonheur<\/em>, isso cria uma crise de valores. Essa imagem, \u00e9 de facto uma redu\u00e7\u00e3o <em>economicista<\/em>, conforme refere um autor \u2013 <strong>Arnaud Berthoud<\/strong> (nascido em 1936) \u2013 que se dedica \u00e0 filosofia econ\u00f3mica: \u201cTudo o que faz a alegria de conviver e todos os prazeres do espect\u00e1culo social onde todos se mostram uns aos outros em todos os lugares do mundo \u2013 mercados, oficinas, escolas, administra\u00e7\u00f5es, ruas ou pra\u00e7as p\u00fablicas, vida dom\u00e9stica, locais de lazer\u2026\u2013 s\u00e3o retirados da esfera econ\u00f3mica e colocados nas esferas da moralidade, da psicologia ou da pol\u00edtica. O \u00fanico <em>bonheur <\/em>que ainda se espera do consumo est\u00e1 agora separado da felicidade dos outros e da alegria comum.\u201d<a id=\"_ftnref3\" href=\"#_ftn3\">[3]<\/a> Mas Jean Baudrillard vai mais longe e p\u00f5e em causa a pr\u00f3pria aspira\u00e7\u00e3o ao <em>bonheur<\/em>: \u201cN\u00e3o sei o que as pessoas querem. Elas foram ensinadas a procurar o <em>bonheur<\/em>, mas no fundo isso n\u00e3o lhes interessa, n\u00e3o mais do que produzir e ser produzido. O que lhes interessa \u00e9 mais da ordem do fasc\u00ednio e do divertimento, mas n\u00e3o em sentido fr\u00edvolo.\u201d<a id=\"_ftnref4\" href=\"#_ftn4\">[4]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 esse desligamento da felicidade dos outros, da convivialidade, o menosprezo por um quotidiano dominado pela produ\u00e7\u00e3o e por um consumo que em termos de contribui\u00e7\u00e3o para o <em>bonheur<\/em> reduz progressivamente a sua import\u00e2ncia, que a medi\u00e7\u00e3o desse <em>bonheur<\/em> com recurso ao PIB tem perdido adeptos. E, em sua substitui\u00e7\u00e3o, tendem a aparecer outros indicadores, em particular o <em>indicador de progresso genu\u00edno <\/em>(IPG), que \u00e9 uma m\u00e9trica sugerida para substituir ou complementar o PIB. O IPG foi concebido para levar em considera\u00e7\u00e3o o bem-estar de uma na\u00e7\u00e3o, tendo em aten\u00e7\u00e3o apenas parcialmente a dimens\u00e3o da economia da na\u00e7\u00e3o, e incorporando al\u00e9m disso factores ambientais e sociais que n\u00e3o s\u00e3o medidos pelo PIB. O IPG distingue assim o conceito de progresso social do conceito de crescimento econ\u00f3mico. E os valores dados por esse indicador mostram que, para al\u00e9m dum certo limiar, os custos do crescimento s\u00e3o superiores, em m\u00e9dia, aos seus benef\u00edcios.<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a> O que refor\u00e7a a intui\u00e7\u00e3o de Ivan Illich de que \u201ca taxa de crescimento da frustra\u00e7\u00e3o excede largamente a da produ\u00e7\u00e3o\u201d. E assim, num contexto de economia neoliberal, \u201ca economia est\u00e1 em boa forma, mas n\u00e3o os cidad\u00e3os\u201d. E isso torna-se cada vez mais v\u00e1lido com os avan\u00e7os da globaliza\u00e7\u00e3o, processo em que a j\u00e1 referida extens\u00e3o progressiva do <em>bonheur<\/em> para o cidad\u00e3o comum gra\u00e7as ao designado <em>trickle down effect<\/em> evolui para um aumento das desigualdades.<\/p>\n\n\n\n<p>Deixando neste momento de lado o que se apresenta como necess\u00e1rio deduzir ao PIB para chegar a um indicador que traduza o <em>bonheur<\/em>, ocupemo-nos do que falta incluir em tal indicador, come\u00e7ando por referir a convivialidade e, mais em particular o que pode advir da gastronomia ou do apenas ir tomar um caf\u00e9 ou beber um copo com os amigos. Em termos de gastronomia \u2013 e aqui correr-se-\u00e1 o risco de n\u00e3o respeitar ditames da frugalidade \u2013 come\u00e7arei por apresentar trechos do <em>Avant-go\u00fbt<\/em> de um livro sobre a gastronomia chinesa<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a>, trechos esses que n\u00e3o ousarei traduzir:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCe roman se d\u00e9guste une serviette autour du cou. La journ\u00e9e commence bien. Invit\u00e9 \u00e0 partager le petit d\u00e9jeuner de Zhu Ziye, laissez-vous r\u00e9chauffer para un bol de nouilles <em>al dente<\/em>, avec des crevettes saut\u00e9es en accompagnement. Que diriez-vous d\u2019un plat de <em>rouleaux de poisson aus oeufs de crevettes<\/em>, \u00e0 moins que vous ne pr\u00e9f\u00e9riez une assiette d\u2019<em>oie<\/em> <em>brais\u00e9e au marc de vin<\/em>. Et si vous go\u00fbtiez plut\u00f4t ces tendres <em>coeurs de legumes aux miettes de crabe<\/em> ou ce <em>jarret de porc confit<\/em> au sucre glac\u00e9 et ambr\u00e9? \u2026 vous ne cesserez d\u2019\u00eatre tenus en haleine para la v\u00e9ritable h\u00e9ro\u00efne du roman: la gastronomie. Pour elle le \u2018capitaliste\u2019 Zhu Ziye sacrifie tout. Contre elle s\u2019acharne Gao, moraliste \u00e9pris de justice r\u00e9volutionnaire. \u2026 \u00c0 la lumi\u00e8re de cette conception qui fait de la cuisine le moyen le plus trivial d\u2019apprivoiser le naturel qui sommeille au coeur de tout homme, on comprend mieux pourquoi les Chinois \u00e9prouvent le besoin de cuisiner quand il suffit aux Am\u00e9ricains d\u2019ouvrir leur r\u00e9frig\u00e9rateur. \u2026 c\u2019est pourquoi par <em>cuisine<\/em>, il faut entendre non seulement les fa\u00e7ons d\u2019appr\u00eater les aliments mais aussi l\u2019art et la mani\u00e8re de les manger, c\u2019est-\u00e0-dire ce qu\u2019on appelle g\u00e9n\u00e9ralement la gastronomie.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>E sobre o \u201ctomar um caf\u00e9\u201d ou \u201cbeber um copo\u201d, n\u00e3o se poder\u00e1 em particular esquecer os locais de lazer (enunciados por Arnaud Berthoud) que existiram por todo o lado no nosso pa\u00eds, em Lisboa por exemplo o \u201cMartinho da Arcada\u201d e o \u201cNicola\u201d (onde, al\u00e9m da toma do caf\u00e9, os debates intelectuais assumiam intensidade), e ainda existem (a \u201cMexicana\u201d, por exemplo).<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, de facto, o que \u00e9 necess\u00e1rio deduzir ao PIB para chegar a indicadores como o j\u00e1 referido IPG, parece suplantar o que lhe falta acrescentar, como o come\u00e7am a demonstrar medi\u00e7\u00f5es feitas por <strong>Robert E. Lane<\/strong> (1917-2017), psic\u00f3logo e cientista pol\u00edtico, que nos seus estudos concluiu que a progress\u00e3o da componente material na vida dos cidad\u00e3os, nos Estados Unidos, foi acompanhada por uma baixa indiscut\u00edvel do <em>bonheur <\/em>real da maioria dos Americanos.<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\">[7]<\/a> Tal baixa teria sido essencialmente ocasionada por uma indubit\u00e1vel degrada\u00e7\u00e3o do que as rela\u00e7\u00f5es humanas t\u00eam como essencial, ou seja, o companheirismo. \u00c9 uma constata\u00e7\u00e3o que se encontra confirmada por numerosas sondagens de opini\u00e3o sobre o bem-estar subjectivo quando comparado com o indicador \u201cPIB <em>per capita<\/em>\u201d. Essas sondagens permitem concluir que se tem vindo a formar uma tomada de consci\u00eancia p\u00fablica sobre a diferen\u00e7a paradoxal que existe entre o que tal indicador nos diz e o bem-estar sentido pela popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Novos indicadores para medir o bem-estar t\u00eam surgido, entre os quais um da ONU que foi designado \u201cFelicidade Interna Bruta\u201d (FIB) e que \u00e9 objecto de relat\u00f3rios anuais, nos dois \u00faltimos dos quais os 4 pa\u00edses classificados nos primeiros lugares foram a Finl\u00e2ndia, a Dinamarca, a Isl\u00e2ndia e a Su\u00ed\u00e7a. \u00c9 curioso constatar que outra classifica\u00e7\u00e3o (o indicador \u00e9 designado <em>happy planet index<\/em>) \u2013 a que Latouche d\u00e1 mais import\u00e2ncia \u2013 resultante de inqu\u00e9ritos realizados por uma ONG brit\u00e2nica (New Economics Foundation), coloca nos 4 primeiros lugares (ano de 2021) a Costa Rica, o Vanuatu, a Col\u00f4mbia e a Su\u00ed\u00e7a. Enquanto outros pa\u00edses europeus s\u00f3 come\u00e7am a aparecer a partir da 14\u00aa posi\u00e7\u00e3o, enquanto os Estados Unidos se encontram na 122\u00aa. Surge de imediato a tenta\u00e7\u00e3o de explicar o que leva a t\u00e3o pesados contrastes, o que se poder\u00e1 revelar de alguma complexidade<a id=\"_ftnref8\" href=\"#_ftn8\">[8]<\/a>, mas neste coment\u00e1rio ser\u00e1 talvez suficiente chamar a aten\u00e7\u00e3o para aquele contraste que se aprofunda entre os vencedores que se v\u00e3o afirmando e os perdedores (os <em>disgraziati<\/em>, como os italianos os designam) que se v\u00e3o multiplicando numa sociedade de crescimento. J\u00e1 em 1982 esses perdedores estavam bem vis\u00edveis numa cidade como Nova Iorque, conforme o bilhete postal que se mostra a seguir bem o evidencia:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"351\" height=\"465\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/latouche.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6813\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/latouche.jpg 351w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/latouche-226x300.jpg 226w\" sizes=\"(max-width: 351px) 100vw, 351px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Latouche refere que, segundo os dados estat\u00edsticos, mais de 3 milh\u00f5es de pessoas dormem debaixo de pontes ou em parques nos Estados Unidos e v\u00e1rios outros milh\u00f5es nas pris\u00f5es (quanto aos nossos <em>street people<\/em>, toda a gente v\u00ea onde eles dormem em Lisboa; h\u00e1 40 anos, os mais pobres ainda dormiam em barracas nos arredores da cidade). E, em 2017, 1% das pessoas mais ricas do planeta possu\u00edam 87,7% das riquezas do planeta, enquanto tr\u00eas anos depois a situa\u00e7\u00e3o era ainda mais devastadora. \u00c9 que uma sociedade que se baseia na competi\u00e7\u00e3o produz necessariamente uma massa enorme de <em>perdedores<\/em> absolutos (os que s\u00e3o deixados para tr\u00e1s) e relativos (os resignados), isso ao lado de uma pequena agremia\u00e7\u00e3o de predadores cada vez mais ansiosos por consolidar as suas posi\u00e7\u00f5es ou de as refor\u00e7ar. E o autor ainda revela a sua concord\u00e2ncia com Jean Baudrillard, quando este, face \u00e0 assimila\u00e7\u00e3o do crescimento a uma eleva\u00e7\u00e3o do bem-estar, do <em>bonheur<\/em>, afirma que \u201c\u2026 estamos diante do <em>bluff<\/em> colectivo mais extraordin\u00e1rio das sociedades modernas \u2026 uma opera\u00e7\u00e3o de magia branca com os n\u00fameros, o que na verdade esconde uma magia negra de encantamento colectivo.\u201d<a href=\"#_ftn9\" id=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>(Ponto 2: De la critique des indicateurs de richesse \u00e0 la red\u00e9couverte du <em>buen vivir<\/em> \u2013 a continuar)<\/p>\n\n\n\n<p>Lisboa, 29 de Abril de 2022<\/p>\n\n\n\n<p>Filipe do Carmo &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Cita\u00e7\u00e3o que Latouche faz de Jean Gadrey et Florence Jany-Catrice, <em>Les Nouveaux Indicateurs de richesse<\/em>, Paris, La D\u00e9couverte, 2005, p. 17.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Ver tamb\u00e9m <em>Ibid.<\/em>, Gadrey et Jany-Catrice, p. 18.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> Arnaud Berthoud, <em>Une philosophie de la consommation. <\/em><em>Agent \u00e9conomique et sujet moral<\/em>, Villeneuve-d\u2019Ascq, Presses universitaires du Septentrion, 2005, p. 38.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> Jean Baudrillard, <em>Entretiens<\/em>, Paris, PUF, 2019, p.84.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> O IPG, desenvolvido por <strong>Herman Daly<\/strong> (economista ecol\u00f3gico, nascido em 1938), tem a seguinte f\u00f3rmula: consumo mercantil das fam\u00edlias + servi\u00e7os do trabalho dom\u00e9stico + despesas p\u00fablicas n\u00e3o relativas \u00e0 defesa \u2013 despesas privadas ligadas \u00e0 defesa \u2013 custos das degrada\u00e7\u00f5es ambientais \u2013 deprecia\u00e7\u00e3o do capital natural + forma\u00e7\u00e3o de capital produtivo.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> Lu Wenfu, <em>Vie et passion d\u2019un gastronome chinois<\/em>, 1982, Arles, \u00c9diteur Picquier poche \u2013 Unesco (1996), p. 7.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a> Robert E. Lane, <em>The Loss of Happiness in Market Democracies<\/em>, New Haven, Yale University Press, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a> Complexidade que, sem ser completamente explicitada no v\u00eddeo do YouTube <em>Better and better? A comment on Hans Rosling<\/em>, come\u00e7a por ser evidenciada com detalhe nesse v\u00eddeo. Ver o seguinte link: <a href=\"https:\/\/www.google.com\/search?q=Better+and+better%3F+A+comment+on+Hans+Rosling&amp;oq=Better+and+better%3F+A+comment+on+Hans+Rosling&amp;aqs=chrome..69i57.2235j0j15&amp;sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8\">https:\/\/www.google.com\/search?q=Better+and+better%3F+A+comment+on+Hans+Rosling&amp;oq=Better+and+better%3F+A+comment+on+Hans+Rosling&amp;aqs=chrome..69i57.2235j0j15&amp;sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\">[9]<\/a> Jean Baudrillard, <em>La soci\u00e9t\u00e9 de consommation<\/em>, Paris, Deno\u00ebl, 1970, p. 45.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>L\u2019abondance frugale comme art de vivre \u2013 Bonheur, gastronomie et d\u00e9croissance (Autor: Serge Latouche) |&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":6817,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[308,317],"tags":[332],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/i-need.jpg",345,255,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/i-need-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/i-need-300x222.jpg",300,222,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/i-need.jpg",345,255,false],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/i-need.jpg",345,255,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/i-need.jpg",345,255,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/i-need.jpg",345,255,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/i-need.jpg",345,255,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/i-need.jpg",345,255,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/i-need.jpg",345,255,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/i-need.jpg",345,255,false],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/i-need-345x250.jpg",345,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/ambiente-economia\/\" rel=\"category tag\">AMBIENTE &amp; ECONOMIA<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/noticias\/\" rel=\"category tag\">NOTICIAS<\/a>","tag_info":"NOTICIAS","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6811"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6811"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6811\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6818,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6811\/revisions\/6818"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6817"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6811"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6811"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6811"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}