{"id":7178,"date":"2022-06-19T09:30:30","date_gmt":"2022-06-19T09:30:30","guid":{"rendered":"https:\/\/semfronteiras.eu\/?p=7178"},"modified":"2022-07-03T23:12:14","modified_gmt":"2022-07-03T23:12:14","slug":"cartas-da-europa-resistente-varsovia-revoltosa-e-solidaria-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2022\/06\/19\/cartas-da-europa-resistente-varsovia-revoltosa-e-solidaria-i\/","title":{"rendered":"Cartas da Europa resistente, Vars\u00f3via revoltosa e solid\u00e1ria (I)"},"content":{"rendered":"\n<p><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\"><strong>EUROPA PARA OS CIDAD\u00c3OS<\/strong><\/mark> | Projeto europeu TOTAL PEACE | Vars\u00f3via, em tr\u00e2nsito para Lodz<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Carta da Pol\u00f3nia, Vars\u00f3via<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Este ano, algures em Abril, ao meio dia, come\u00e7aram a tocar as sirenes de guerra, os transeuntes pararam nas ruas e por um minuto todos se imobilizaram.Homenagem ao desencadear da insurg\u00eancia no gueto. Da luta contra a invas\u00e3o da Pol\u00f3nia pelos nazis. Do terror. Algures este ano em agosto, assinalar-se-\u00e0 a data da segunda revolta.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>por Am\u00e9lia Resende<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Chegada ao aeroporto de Vars\u00f3via, Frederic Chopin, de seu nome. Grande, espa\u00e7oso, amig\u00e1vel. Signos em ingl\u00eas: luggage claim, exit to Town. Orientar-se \u00e9 f\u00e1cil, embora para trocar dinheiro numa m\u00e1quina multibanco fosse preciso pedir ajuda a um local. Veio na forma de um jovem, n\u00e3o muito jovem assim, na ronda dos 40, cabelo curto, \u00f3culos e um sorriso, fez-me lembrar certos retratos do Brecht. Dirigiu-se comigo \u00e0 m\u00e1quina, contornou o pedido dos 1000 slotis (moeda polaca) e conseguiu fazer a opera\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria a agrado dos dois intervenientes (eu e a m\u00e1quina). Ainda referi o t\u00e1xi e a tarifa, informou-me que estava tudo regulado e que entre 35 e 40 era o pre\u00e7o certo. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Nostalgia<\/h2>\n\n\n\n<p>Assim foi. Deslizei ao longo da longa avenida que percorre a dist\u00e2ncia entre o aeroporto e o centro da cidade rodeada de \u00e1rvores e de verde. Uma surpresa apaziguante para quem sabe que vai entrar numa grande capital. De um pa\u00eds extenso: a Pol\u00f3nia. Que curiosa a sensa\u00e7\u00e3o que tive ao encostar-me \u00e0 janela daquela viagem silenciosa: (s\u00f3 m\u00fasica de fundo, o taxista n\u00e3o falava uma palavra de ingl\u00eas). De repente voltei uns anos atr\u00e1s, tinha de novo quinze\/ dezasseis anos e revisitava a paisagem dos bosques e jardins alem\u00e3es. Jovens raparigas de rabos de cavalo de cabelo dourado caminhavam ao longo das veredas. Nostalgia. Os poetas e a alma alem\u00e3&#8230;momentos depois, comparava a Av. Gago Coutinho em Lisboa, despida de \u00e1rvores, com aquela vegeta\u00e7\u00e3o doce que os meus olhos presenciavam. Eis-nos chegados ao centro da cidade: grandes e compridos el\u00e9ctricos amarelos cruzam a art\u00e9ria principal, an\u00fancios da Samsung erguem-se poderosos no alto dos arranha c\u00e9us e o Novo Hotel e o Marriot anunciam-se na linha do horizonte. Estamos dentro da cidade nova. A das extensas e planas avenidas. Desliza-se por elas como pelas marginais das cidades tropicais angolanas dos anos 60: Benguela, Lobito. Reminisc\u00eancias de inf\u00e2ncia, misturadas com modernidade. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size\"><strong>E outros mundos. Pa\u00edses de Leste. 2\u00aa guerra mundial. Reconstru\u00e7\u00e3o. Reconfigura\u00e7\u00e3o. A Perestroika. A queda do muro em 1989. O fim das rep\u00fablicas sovi\u00e9ticas. O capital a fazer as suas incurs\u00f5es: Dior, Herm\u00e9s, Starbucks, Caf\u00e9 Costa e Millenium\u2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Ravisson Blu hotel Sobietish \u00e9 luxuoso quanto baste, 4 estrelas e \u00e9 muito confort\u00e1vel. Eis-me numa ex rep\u00fablica do bloco de leste. A excita\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 maior. Qualidade top. Cumpre as expectativas. O empregado da recep\u00e7\u00e3o que atende, o \u00fanico que fala ingl\u00eas, parece ser indiano. As lourinhas ao lado s\u00f3 sorriem e d\u00e3o lhe passagem.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"645\" height=\"379\" data-id=\"7184\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/cidade-velha.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7184\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/cidade-velha.jpg 645w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/cidade-velha-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 645px) 100vw, 645px\" \/><figcaption>Cidade Velha reconstru\u00edda, Vars\u00f3via<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">L\u00edgia e Leonardo<\/h2>\n\n\n\n<p>L\u00edgia chega. A amiga que me deu confian\u00e7a para eu vir a Vars\u00f3via uns dias antes, sozinha, a uma terra onde quase ningu\u00e9m fala ingl\u00eas. Os correios est\u00e3o abertos? Fechados. Fechados. Diz ele em polaco. Afinal estavam abertos. Sorrimos&#8230; Sorrimos, quando vemos num caf\u00e9 livraria no museu do Pal\u00e1cio da Cultura e da Ci\u00eancia um livro de Paulo Coelho traduzido em polaco. Dessa colect\u00e2nea faz tamb\u00e9m parte Kahil Gibran, o grande poeta indiano. Ao lado a exposi\u00e7\u00e3o interactiva de Leonardo da Vinci. Magn\u00edficos quadros. Bel\u00edssima m\u00fasica. E na sala de entrada as m\u00e1quinas do g\u00eanio: r\u00e9plicas da catapulta, do canh\u00e3o, dos artefactos militares, das v\u00e1rias variantes da passarola. E cereja em cima do bolo: ele era vegetariano. Foi chef de cozinha nos seus jovens anos. Que li\u00e7\u00f5es logo ali naquela sala silenciosa, onde a Gioconda nos contemplava, mais a Madonna Litta e os seus querubins. Manh\u00e3 surpreendente ao lado dos cartazes das pe\u00e7as de Kafka e Becket no teatro nacional. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size\">&#8220;<strong>L\u00edgia, grava aquilo que te digo: somos umas privilegiadas, podermos ver tudo isto com vagar e sem as multid\u00f5es dos turistas japoneses e europeus&#8221;. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Daqui a dez anos est\u00e1 tudo contaminado. Esta inoc\u00eancia, este tempo que o capital ainda n\u00e3o engoliu, esta humanidade ainda um pouco \u201cralenti\u201d, parecem ser os \u00faltimos moicanos&#8230;n\u00e3o quero acreditar\u2026 os guardas do pal\u00e1cio real trajam uniformes &#8221; ing\u00e9nuos&#8221;, t\u00eam carac\u00f3is compridos que lhes saem nas nucas por baixo dos bon\u00e9s e parecem uns p\u00faberes. Nada de b\u00e9lico ali. Como \u00e9 poss\u00edvel ter-se sido invadido, destru\u00eddo vezes sem conta e manter, arvorar este olhar? Pasmo. Pasmo ainda.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"568\" height=\"754\" data-id=\"7181\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/madonna-Litta.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7181\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/madonna-Litta.jpg 568w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/madonna-Litta-226x300.jpg 226w\" sizes=\"(max-width: 568px) 100vw, 568px\" \/><figcaption>Madonna Litta | Leonado da Vince 1491<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"698\" height=\"414\" data-id=\"7182\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/palacio.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7182\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/palacio.jpg 698w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/palacio-300x178.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 698px) 100vw, 698px\" \/><figcaption>Pal\u00e1cio da Cultura e da Ci\u00eancia, Vars\u00f3via<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O aborto<\/h2>\n\n\n\n<p>E a Pol\u00f3nia \u00e9 isto: avenida Jo\u00e3o Paulo II uma grande art\u00e9ria que percorre a cidade nova, as igrejas pululam ricas e generosas e depois a legisla\u00e7\u00e3o do aborto voltou a regredir e para se arranjar a p\u00edlula tem de se adquirir no estrangeiro. Os servi\u00e7os de sa\u00fade aqui n\u00e3o fornecem. Dito por uma jovem designer portuguesa que aqui vive h\u00e1 tr\u00eas anos e que tem de trazer a p\u00edlula de Portugal. Estamos feitos! Aqui e ali, numa varanda \u00e0 noite, aparecem sinais de n\u00e9on, que sinalizam o protesto contra esta regress\u00e3o civilizacional. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size\"><strong>Vve aqui h\u00e1 tr\u00eas anos e que tem de trazer a p\u00edlula de Portugal<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Supremo Tribunal americano, com alguns ju\u00edzes, ju\u00edzas escolhidas por Donald Trump afirma que a legisla\u00e7\u00e3o do aborto \u00e9 inconstitucional e v\u00e1rios estados est\u00e3o a rever as suas posi\u00e7\u00f5es. Para onde vamos? Quantos anos de saltos para tr\u00e1s? Tudo isto \u00e9 estarrecedor. E complexo. Como se faz t\u00e1bua rasa do passado? Que novos fen\u00f3menos s\u00e3o estes que n\u00e3o entendemos&#8230;?<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cidade velha<\/h2>\n\n\n\n<p>Perguntas feitas. Deambula\u00e7\u00f5es pela velha cidade. Pequenas ruelas, pra\u00e7as, esplanadas e muralhas. Uma fortifica\u00e7\u00e3o. Reconstru\u00e7\u00e3o? Vest\u00edgios de \u00e9pocas antigas? Puzzle resolvido. Origin\u00e1ria do s\u00e9culo XIII, com pequenos pr\u00e9dios de dois, tr\u00eas andares, com formas irregulares, fazem lembrar o centro hist\u00f3rico de algumas cidades alem\u00e3s. De cunho medieval. E longinquamente portuguesas. Guimar\u00e3es. O casco do centro hist\u00f3rico. Mas afinal, tudo aquilo foi bombardeado e o que temos, s\u00e3o r\u00e9plicas do original. Tudo aquilo foi destru\u00eddo na segunda guerra mundial. Anos 39\/45. E a fic\u00e7\u00e3o imp\u00f5e se \u00e0 realidade. Mesmo reconstru\u00eddas, estas casas fazem agora parte do patrim\u00f3nio da Humanidade, credenciadas pela Unesco, como se tudo isso lhes restitu\u00edsse autenticidade. Carisma. E se calhar, sim. A vontade her\u00f3ica de superar, de dizer voc\u00eas n\u00e3o apagam a mem\u00f3ria, est\u00e1 l\u00e1. Espantoso o que as pessoas ainda hoje s\u00e3o capazes de fazer. De viver. Uma cidade e um pa\u00eds vezes sem conta ocupado. Retalhado. Grandes chefes pol\u00edticos o decidiram: Staline, Churchil, Roosevelt. Como Hitler anteriormente.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size\"><strong>Voc\u00eas n\u00e3o apagam a mem\u00f3ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Revolta no gueto<\/h2>\n\n\n\n<p>E depois as pessoas comuns. E muitos deles continuam aqui. A perseverar. A invadir as tardes com as suas crian\u00e7as e jardins. A sa\u00edrem em bandos de jovens para festejar a sexta \u00e0 noite, como em todas as quimeras do mundo&#8230; Outros por\u00e9m, s\u00f3 olham de longe. Ou nem isso. Tenho amigos, cujos familiares pereceram aqui no gueto e nos campos de concentra\u00e7\u00e3o, que emigraram para outros lados. Para o Brasil. E que refizeram outra vida. Outras lembran\u00e7as. Nunca voltaram \u00e1 Pol\u00f3nia. Nem querem mesmo ouvir falar. H\u00e1 mesmo muitas formas de se continuar. De continuar. Como se fosse preciso esquecer. Esquecer?<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas quest\u00f5es se levantam. O tempo. Como persiste\u201d na mem\u00f3ria das gera\u00e7\u00f5es mais novas a guerra, os horrores do nazismo? Auschwitz e Birkenau ficam a 4 horas de comboio de Vars\u00f3via. A repress\u00e3o. O gueto. O medo. A revolta. O \u201cuprising\u201d. Nome do museu que celebra a luta dos insurgentes do gueto de Vars\u00f3via. O holocausto. Este ano, algures em Abril, ao meio dia, come\u00e7aram a tocar as sirenes de guerra, os transeuntes pararam nas ruas e por um minuto todos se imobilizaram.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-5 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"436\" height=\"311\" data-id=\"7183\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/revolata-fptp.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7183\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/revolata-fptp.jpg 436w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/revolata-fptp-300x214.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 436px) 100vw, 436px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size\"><strong>Homenagem ao desencadear da insurg\u00eancia no gueto. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Da luta contra a invas\u00e3o da Pol\u00f3nia pelos nazis. Do terror. Algures este ano em agosto, assinalar-se-\u00e0 a data da segunda revolta. Mais tarde ser\u00e1 a chegada das tropas sovi\u00e9ticas. O resgate dos prisioneiros, dos sobreviventes. E depois os libertadores ajudaram a reconstituir. O Pal\u00e1cio da Ci\u00eancia e da Cultura, um edif\u00edcio monumental que possui a torre mais alta da Pol\u00f3nia foi oferta dos sovi\u00e9ticos. Bom sinal? Mau sinal? Os comunistas sempre deram muita import\u00e2ncia \u00e0 ci\u00eancia. Curiosamente h\u00e1 uma est\u00e1tua de Cop\u00e9rnico, na zona de transi\u00e7\u00e3o da cidade nova para a cidade velha. Os far\u00f3is da raz\u00e3o. Do esp\u00edrito cient\u00edfico. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Olhar sobre o passado<\/h2>\n\n\n\n<p>O que ficou destes anos todos de regime comunista? Quando o avi\u00e3o come\u00e7a a sobrevoar os arredores da cidade, v\u00e3o se perfilando os v\u00e1rios blocos de apartamentos que realojaram as fam\u00edlias ap\u00f3s a guerra. Arquitetura s\u00f3bria, mas s\u00f3lida. De repente temos um olhar sobre o passado. Ficou aqui uma marca de austeridade, mas tamb\u00e9m de promessa. De reconstru\u00e7\u00e3o. Mas essa liberta\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi pac\u00edfica. Em certos momentos estiveram juntos no combate aos nazis, mas no final da guerra tamb\u00e9m h\u00e1 registos de assassinato de certas elites do ex\u00e9rcito de liberta\u00e7\u00e3o da Pol\u00f3nia. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-medium-font-size\"><strong>Mais recentemente at\u00e9 houve revela\u00e7\u00f5es de massacres, que evidentemente os russos negam. (massacre da Floresta de Katyn).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Portanto voltamos a repetir, essa ocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi pac\u00edfica. E enquanto os russos celebram a 10 de Maio a vit\u00f3ria contra os nazis, os polacos que a deveriam celebrar a 9, n\u00e3o a celebram. Ficou um sabor amargo desses tempos. Um sentimento recalcado, mas que existe.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Hoje criamos o futuro<\/h2>\n\n\n\n<p>Em frente do hotel, num muro do lado de l\u00e1 da rua est\u00e1 escrito: \u2018hoje criamos o futuro\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1 fora, n\u00e3o muito longe daqui, perto da fronteira polaca, a Ucr\u00e2nia foi invadida. Ouviram&#8211; se de novo as sirenes. As bombas. Os canais de televis\u00e3o reportam da mesma forma que na Europa ocidental. O registo \u00e9 o mesmo. Por aqui, muita apreens\u00e3o inicialmente. Nas primeiras semanas. Depois arrega\u00e7aram as mangas e receberam os seus vizinhos. Abriram- lhes as portas de casa. Ao pesquisar os hot\u00e9is aqui em Vars\u00f3via, antes de vir, descobri que em alguns deles havia a informa\u00e7\u00e3o: \u2018se \u00e9 refugiado ucraniano o alojamento \u00e9 gr\u00e1tis\u2019. Espantoso. Pessoas comuns. Pessoas comuns socorrem pessoas comuns. E a vida continua.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"426\" height=\"393\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/amelia-resende.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7180\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/amelia-resende.jpg 426w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/amelia-resende-300x277.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 426px) 100vw, 426px\" \/><figcaption><strong>Am\u00e9lia Resende<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>EUROPA PARA OS CIDAD\u00c3OS | Projeto europeu TOTAL PEACE | Vars\u00f3via, em tr\u00e2nsito para Lodz&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":7185,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[238,174,236],"tags":[360],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/revol2.jpg",770,432,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/revol2-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/revol2-300x168.jpg",300,168,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/revol2-768x431.jpg",640,359,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/revol2.jpg",640,359,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/revol2.jpg",770,432,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/revol2.jpg",770,432,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/revol2.jpg",770,432,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/revol2.jpg",770,432,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/revol2.jpg",770,432,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/revol2-540x340.jpg",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/revol2-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/especial-sf\/dossies\/\" rel=\"category tag\">DOSSI\u00caS<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/mundo\/\" rel=\"category tag\">MUNDO<\/a>","tag_info":"MUNDO","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7178"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7178"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7178\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7228,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7178\/revisions\/7228"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7185"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7178"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7178"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7178"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}