{"id":7433,"date":"2022-07-14T09:39:17","date_gmt":"2022-07-14T09:39:17","guid":{"rendered":"https:\/\/semfronteiras.eu\/?p=7433"},"modified":"2022-07-14T10:02:19","modified_gmt":"2022-07-14T10:02:19","slug":"sob-o-signo-da-memoria-historica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2022\/07\/14\/sob-o-signo-da-memoria-historica\/","title":{"rendered":"Sob o signo da mem\u00f3ria hist\u00f3rica"},"content":{"rendered":"\n<p><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\"><strong>MUNDO<\/strong><\/mark> | Espanha, Andaluzia. 13 de julho 2022<\/p>\n\n\n\n<p>por <strong>Rui Mota<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Oitenta e cinco anos depois da guerra civil em Espanha e dos crimes cometidos pela ditadura franquista que se seguiu, a sociedade espanhola continua presa dos fantasmas, nunca esconjurados, que teimam em regressar sempre que a mem\u00f3ria \u00e9 mais forte que a &#8220;Lei del Olvido&#8221;, instaurada ap\u00f3s a queda da ditadura.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esta \u00e9 uma consequ\u00eancia da Lei da Amnistia, aprovada em 1977, que procurou numa sociedade dividida e traumatizada por 40 anos de ditadura, inculcar a ideia de que todas as v\u00edtimas eram iguais, j\u00e1 que houvera mortes nos dois lados em confronto&#8230;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"345\" data-id=\"7438\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/18-julho-1024x345.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7438\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/18-julho-1024x345.jpg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/18-julho-300x101.jpg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/18-julho-768x259.jpg 768w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/18-julho.jpg 1230w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A verdade dos factos<\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 verdade e os saudosistas da ditadura sabem-no bem. Por esse motivo, tentam escamotear a verdade dos factos, criando a falsa ideia de que a mem\u00f3ria n\u00e3o deve preocupar-se &#8220;apenas&#8221; com os 115.000 mortos, fuzilados e enterrados em milhares de valas comuns, mas com todos os mortos, procurando dessa forma minimizar as responsabilidades da ditadura. Como se morrer em combate ou assassinado com um tiro na nuca, seja a mesma coisa. Nunca o ser\u00e1.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Valas comuns<\/h2>\n\n\n\n<p>Para lembrar esta verdade dram\u00e1tica que envergonha o pa\u00eds com mais valas comuns em todo o Mundo (depois do Cambodja de Pol Pot), foi criada em 2000, ano da descoberta da primeira vala, a <a href=\"https:\/\/memoriahistorica.org.es\/\">ARMH (Associa\u00e7\u00e3o Recupera\u00e7\u00e3o da Mem\u00f3ria Hist\u00f3rica<\/a>) que conta hoje com centenas de n\u00facleos espalhados por todo o territ\u00f3rio espanhol, continuando o herc\u00faleo trabalho a que se prop\u00f4s: encontrar e exumar os mortos assassinados pela ditadura franquista e prestar-lhes a homenagem a que t\u00eam direito, como tem sido exigido pelos familiares das v\u00edtimas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"753\" height=\"440\" data-id=\"7436\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/valas-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7436\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/valas-1.jpg 753w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/valas-1-300x175.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 753px) 100vw, 753px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size\"><strong>H\u00e1 20 anos foi realizada a primeira <\/strong>peti\u00e7\u00e3o judicial de uma sepultura cientificamente exumada<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cinema em Sevilha<\/h2>\n\n\n\n<p>Neste contexto, diversos foram os eventos, marcados para o m\u00eas de Novembro \u00faltimo, nomeadamente em Sevilha, epicentro das manifesta\u00e7\u00f5es onde o tema da mem\u00f3ria seria mais uma vez escrutinado. <\/p>\n\n\n\n<p>A primeira dessas manifesta\u00e7\u00f5es, teria lugar durante o festival Europeu de Cinema de Sevilha, onde foram exibidos dois filmes marcantes: &#8220;Horacio, El Ultimo Alcalde&#8221; (de Maria Rodriguez e Mariano Agudo) sobre a figura de Horacio Hermoso Araujo, o \u00faltimo alcaide de Sevilha, assassinado e enterrado numa das valas comuns do cemit\u00e9rio da cidade e &#8220;Pico Reja, la verdad que la tierra esconde&#8221; (de Rem\u00e9dio Malv\u00e1rez e Arturo And\u00fajar) sobre a vala de Pico Reja, situada no cemit\u00e9rio da cidade, onde se sup\u00f5e estarem enterrados mais de 2000 corpos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ova\u00e7\u00e3o estrondosa no Teatro<\/h2>\n\n\n\n<p>Uma sess\u00e3o hist\u00f3rica, no cl\u00e1ssico teatro Lope de Vega, que contou com a presen\u00e7a de Horacio Filho, o guardi\u00e3o da mem\u00f3ria do seu pai, que subiu ao palco debaixo de uma estrondosa e comovente ova\u00e7\u00e3o. Igualmente presente a cantora flamenca Rocio Marquez, que interpreta o tema musical do filme. C\u00e1 fora, esperavam-nos dezenas de activistas e familiares das v\u00edtimas, que, nessa noite, encheram a sala do velho teatro, exibindo retratos dos familiares desaparecidos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Fuzilados \u00e0 queima-roupa<\/h2>\n\n\n\n<p>Outro momento marcante, seria a visita guiada \u00e0 vala de Pico Reja, no cemit\u00e9rio de San Fernando onde, desde 2013, decorrem as escava\u00e7\u00f5es e exuma\u00e7\u00f5es de milhares de corpos. Os t\u00e9cnicos presentes, (arque\u00f3logos e&nbsp; antrop\u00f3logos forenses) falaram em mais de 1800 corpos, encontrados at\u00e9 ao momento. Impressionante, a vis\u00e3o daqueles esqueletos amontoados, a maior parte deitados de bru\u00e7os, sinal de que tinham sido fuzilados \u00e0 queima-roupa, j\u00e1 que a maior parte dos cr\u00e2nios apresentavam perfura\u00e7\u00f5es de balas e ossos quebrados, sinal de torturas. Uma vis\u00e3o macabra e de indigna\u00e7\u00e3o que o director da equipa de investiga\u00e7\u00e3o, Juan Manuel Guijo, sublinhou no final da visita, ao referir que, para al\u00e9m da indigna\u00e7\u00e3o, havia que preservar a mem\u00f3ria, \u00fanica forma de combater a injusti\u00e7a no futuro. Do grupo de visitantes, fazia parte uma delega\u00e7\u00e3o de militantes Zapatistas (M\u00e9xico) em visita \u00e0 Andaluzia, que tomava nota de todas as informa\u00e7\u00f5es prestadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Lei da mem\u00f3ria hist\u00f3rica<\/h2>\n\n\n\n<p>Finalmente, a grande manifesta\u00e7\u00e3o daquela semana, uma iniciativa conjunta da Coordenadora Andaluza pela Mem\u00f3ria Hist\u00f3rica e Democracia e da Assembleia Memorial Andaluza, que reuniu cerca de 5000 pessoas, vindas de toda a Andaluzia, para exigir ao governo regional a aplica\u00e7\u00e3o das medidas prometidas e consignadas na Lei de 2017, aprovada por maioria no executivo anterior (PSOE). O actual executivo, uma coliga\u00e7\u00e3o de direita (PP, Ciudadanos e VOX) recusa a Lei da Mem\u00f3ria Hist\u00f3rica e quer substitui-la pela designa\u00e7\u00e3o &#8220;Lei Inclusiva&#8221;, forma encontrada para p\u00f4r no mesmo plano v\u00edtimas e algozes.&nbsp; &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p> <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Garz\u00f3n leu manifesto&nbsp; &nbsp; &nbsp;&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>Sob as palavras de ordem &#8220;Verdade, Justi\u00e7a, Repara\u00e7\u00e3o&#8221;, a marcha percorreu os dois quil\u00f3metros que separam a Pra\u00e7a Nova do Pal\u00e1cio de San Telmo (sede do poder executivo) onde, num palco improvisado, discursaram o presidente da Coordenadora e o ex-magistrado Baltasar Garz\u00f3n. Este \u00faltimo, leu o Manifesto apresentado pelas associa\u00e7\u00f5es organizadoras da marcha e refor\u00e7ou as exig\u00eancias da Coordenadora, acrescentando que a &#8220;Lei, deve estar acima da ideologia do momento. Os governos, o que t\u00eam de fazer \u00e9 aplic\u00e1-la em respeito pelas v\u00edtimas. H\u00e1 que reivindicar essa mem\u00f3ria, que todavia custa muito a reconhecer&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma semana inesquec\u00edvel, em defesa de uma mem\u00f3ria que urge preservar.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:17px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Acci\u00f3n de memoria hist\u00f3rica en el Congreso de los Diputados. (M\u00fasica: Sin Rosas, de Mar\u00eda Ruiz).\" width=\"640\" height=\"480\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mIXcPR5mmEw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u00a9 Rui Mota | Editado CR\/SF | Imagens AMRH<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/motacircular.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7437\" width=\"330\" height=\"308\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/motacircular.jpg 382w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/motacircular-300x280.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 330px) 100vw, 330px\" \/><figcaption><strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/rui.mota.961\">Rui Mota<\/a><\/strong><\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MUNDO | Espanha, Andaluzia. 13 de julho 2022 por Rui Mota Oitenta e cinco anos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":7439,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[237,238,236],"tags":[362],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/valas6.jpg",1176,588,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/valas6-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/valas6-300x150.jpg",300,150,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/valas6-768x384.jpg",640,320,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/valas6-1024x512.jpg",640,320,true],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/valas6.jpg",1176,588,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/valas6.jpg",1176,588,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/valas6-1115x588.jpg",1115,588,true],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/valas6-800x500.jpg",800,500,true],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/valas6-1024x512.jpg",1024,512,true],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/valas6-540x340.jpg",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/valas6-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/causas\/\" rel=\"category tag\">CAUSAS<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/mundo\/\" rel=\"category tag\">MUNDO<\/a>","tag_info":"MUNDO","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7433"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7433"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7433\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7443,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7433\/revisions\/7443"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7439"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7433"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7433"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7433"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}