{"id":8112,"date":"2022-10-23T00:03:40","date_gmt":"2022-10-23T00:03:40","guid":{"rendered":"https:\/\/semfronteiras.eu\/?p=8112"},"modified":"2022-10-23T00:05:43","modified_gmt":"2022-10-23T00:05:43","slug":"uma-tragedia-portuguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2022\/10\/23\/uma-tragedia-portuguesa\/","title":{"rendered":"Uma Trag\u00e9dia Portuguesa"},"content":{"rendered":"\n<p>23 de outubro, 2022<\/p>\n\n\n\n<p>Livros &amp; M\u00fasica | OPINI\u00c3O<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">por Nelson Anjos<\/h2>\n\n\n\n<p><em>As for\u00e7as pol\u00edticas antidemocr\u00e1ticas v\u00e3o-se infiltrando dentro do regime democr\u00e1tico, v\u00e3o-no capturando, descaracterizando-o, de maneira mais ou menos disfar\u00e7ada, e gradual, dentro da legalidade e sem altera\u00e7\u00f5es constitucionais, at\u00e9 que em dado momento o regime pol\u00edtico vigente, sem ter formalmente deixado de ser uma democracia, surge como totalmente esvaziado de conte\u00fado democr\u00e1tico, tanto no que respeita a vida das pessoas como das organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. (Santos, Boaventura de Sousa, Esquerdas do Mundo, Uni-vos!, Coimbra, Almedina, 2019)<\/em><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:10px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"460\" height=\"152\" data-id=\"8114\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/informa.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8114\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/informa.jpg 460w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/informa-300x99.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 460px) 100vw, 460px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:13px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>A figura do\u00a0<em>infiltrado<\/em>, que Irene Flunser Pimentel (IFP) trata no seu mais recente livro \u2013\u00a0<em>Informadores da PIDE, Uma Trag\u00e9dia Portuguesa<\/em>\u00a0\u2013 levou-me a recuperar a passagem da obra de Boaventura Sousa Santos (BSS),\u00a0<em>Esquerdas do Mundo, Uni-vos!<\/em>, que atr\u00e1s transcrevi e que j\u00e1 tinha sido objeto de refer\u00eancia em texto anterior: \u201c<em>As for\u00e7as pol\u00edticas antidemocr\u00e1ticas v\u00e3o-se infiltrando dentro do regime democr\u00e1tico \u2026\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em minha opini\u00e3o, apenas tomando o conceito de&nbsp;<em>infiltrado<\/em>&nbsp;em sentido mais lato, e situando-o num contexto mais abrangente, \u00e0 escala social, e de tempo, e n\u00e3o apenas no contexto concreto da atividade da PIDE na defesa da ditadura \u2013 o que ali\u00e1s transparece das palavras de IFP \u2013 \u00e9 poss\u00edvel alcan\u00e7ar a profundidade e dimens\u00e3o do abalo devastador provocado pela&nbsp;<em>infiltra\u00e7\u00e3o<\/em>&nbsp;na sociedade portuguesa e conferir-lhe a dimens\u00e3o de<em>&nbsp;Trag\u00e9dia Portuguesa<\/em>&nbsp;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Conforme faz notar a autora, quando se refere ao&nbsp;<em>bufo<\/em>, em sentido restrito, \u00e0 chusma de&nbsp;<em>bufos<\/em>&nbsp;efetivos somavam-se tamb\u00e9m aqueles que, devido a uma oferta inflacionada n\u00e3o eram admitidos na institui\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o \u00e9 risco de maior admitir o ex\u00e9rcito dos que, por falta de coragem ou por qualquer outra raz\u00e3o, calaram o seu interesse e disponibilidade para&nbsp;<em>o<\/em>&nbsp;<em>servi\u00e7o da p\u00e1tria<\/em>. Mas que certamente acorreram no dia 26 de Abril a manifestar a sua indefet\u00edvel paix\u00e3o de sempre pela democracia. Misturados na turba, muitos ter\u00e3o ocupado lugares pol\u00edticos em partidos, autarquias e outros. Alavancados pelos dinheiros do or\u00e7amento, uns enriqueceram, outros apenas enricaram, e outros ainda conclu\u00edram a sua presta\u00e7\u00e3o com a mesma fortuna com que a tinham iniciado. A quem tiro a minha respeitosa chapelada de sempre.&nbsp;<em>Trag\u00e9dia Portuguesa<\/em>&nbsp;\u00e9, pois, qualifica\u00e7\u00e3o apropriada.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Mas, \u00e0 infiltra\u00e7\u00e3o dos agentes f\u00edsicos, propriamente ditos, juntava-se a infiltra\u00e7\u00e3o desse outro agente, invis\u00edvel, mas n\u00e3o menos poderoso que os demais no controlo dos esp\u00edritos, e se me afigura ainda pouco estudado: o medo. Ali\u00e1s, \u00e9 a pr\u00f3pria Irene Pimentel que, num outro livro da sua autoria, \u2013&nbsp;<em>A Hist\u00f3ria da PIDE<\/em>&nbsp;\u2013 cita Fernando Rosas sobre esta quest\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c(\u2026) Para esse historiador, a PIDE atuou, por\u00e9m, \u201ccomo complemento, como segunda linha de uma outra repress\u00e3o menos vis\u00edvel mas mais eficaz\u201d que \u201capostava na desmobiliza\u00e7\u00e3o c\u00edvica, no medo, na subservi\u00eancia, na intimida\u00e7\u00e3o generalizada\u201d. Segundo Rosas, \u201ca censura, a Igreja cat\u00f3lica, os caciques locais, os professores prim\u00e1rios e liceais arregimentados, etc., foram instrumentos de opress\u00e3o e intimida\u00e7\u00e3o que precederam e frequentemente dispensaram os bons of\u00edcios da pol\u00edcia pol\u00edtica e da repress\u00e3o pol\u00edtica&nbsp;<em>stricu sensu<\/em>\u201d. (\u2026)\u201d&nbsp;<em>(Fernando Rosas, \u201cSalazar e o salazarismo: Um caso de longevidade pol\u00edtica\u201d, in AAVV, Salazar e o Salazarismo, Lisboa, Publica\u00e7\u00f5es Dom Quixote, 1989, pp. 23-31)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Fazendo uso da dicotomia \u2013&nbsp;<em>conjuntural\/estrutural<\/em>&nbsp;\u2013 trata-se, a meu ver, de uma quest\u00e3o estrutural. Recorro ainda, por uma vez, \u00e0&nbsp;<em>inquietante<\/em>&nbsp;quest\u00e3o colocada por Lu\u00eds Trindade:&nbsp;<em>\u201c\u2026 porque tem durado tanto o salazarismo.<\/em>\u201d Ou ainda quando, no desenvolvimento da sua tese, sugere&nbsp;<em>\u201c\u2026 trocar a an\u00e1lise daquilo que a ditadura fez ao pa\u00eds pelo questionamento do pa\u00eds que permitiu, ou sustentou, a ditadura.<\/em>\u201d<em>&nbsp;(O Espectro dos Populismos &#8211; Ensaios Pol\u00edticos e Historiogr\u00e1ficos, in AAVV, Lisboa, Tinta da China, 2018)<\/em>. Assente numa moral inabal\u00e1vel que come\u00e7ava por \u201ca minha pol\u00edtica \u00e9 o trabalho!\u201d, ou \u201cn\u00e3o me meto nisso porque tenho filhos e fam\u00edlia para sustentar!\u201d, para, no dia 26 de Abril se apressar a meter-se \u201cnisso\u201d, pelas mesmas raz\u00f5es porque antes n\u00e3o se tinha metido: \u201ctinha filhos e fam\u00edlia para sustentar\u201d. (A fam\u00edlia, salvo exce\u00e7\u00f5es, foi outro dos pilares do regime, igualmente ainda mal estudado).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Na sequ\u00eancia do 25 de Abril foi curto o tempo durante o qual institui\u00e7\u00f5es como partidos, sindicatos, autarquias e outras, foram territ\u00f3rio de luta entre diferentes vis\u00f5es da sociedade: foram-no principalmente de colabora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o podia ser de outra forma, atendendo ao passado pr\u00f3ximo que Eduardo Louren\u00e7o lembra em&nbsp;<em>O<\/em>&nbsp;<em>Labirinto da Saudade<\/em>, a prop\u00f3sito do 25 de Abril:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201c(\u2026) Num dos momentos de maior transcend\u00eancia da hist\u00f3ria nacional, os portugueses estiveram ausentes de si mesmos, como ausentes estiveram, mas na maioria \u201cfelizes\u201d com essa aus\u00eancia, durante as quatro d\u00e9cadas do que uma grande minoria chamava \u201cfascismo\u201d, mas que era para um povo de longa tradi\u00e7\u00e3o de passividade c\u00edvica apenas \u201co governo legal\u201d da Na\u00e7\u00e3o. (\u2026)\u201d (Louren\u00e7o, Eduardo, O Labirinto da Saudade, Gradiva, Lisboa, 2000)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 impossibilidade de outros que n\u00e3o os militares, para tombar definitivamente a \u201ccadeira\u201d, junto o olhar dos autores atr\u00e1s citados para tornar poss\u00edvel o entendimento de alguns dos principais contornos da \u201cdemocracia\u201d que (ainda) temos: Irene Flunser Pimentel, Boaventura Sousa Santos, Fernando Rosas, Lu\u00eds Trindade, Eduardo Louren\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;H\u00e1 anos, no \u00e2mbito da lenga-lenga h\u00e1 muito estafada, com que se celebra ainda o 25 de Abril em muitos audit\u00f3rios de c\u00e2maras municipais, ocorreu ao ent\u00e3o presidente da Assembleia Municipal de Miranda do Corvo, onde habito, festejar o dia anterior (o 24 de abril) lembrando que \u201co anterior regime n\u00e3o teve apenas coisas m\u00e1s. Tamb\u00e9m houve coisas boas\u201d. A\u00ed estavam a atest\u00e1-lo, por exemplo, \u201cas escolas que Salazar havia mandado construir\u201d. Com a anu\u00eancia do sil\u00eancio geral, da \u201cesquerda\u201d \u00e0 \u201cdireita\u201d, pago com pequenos favores, o que de facto naquele momento ali se celebrava era o&nbsp;<em>24 e meio de Abril<\/em>. Eram ainda os ecos distantes desse Portugal rural antigo, pobre e analfabeto, controlado por pequenos senhores feudais ainda mais antigos, em que tudo era&nbsp;<em>por metade<\/em>, com exce\u00e7\u00e3o da ignor\u00e2ncia:&nbsp;<em>meio litro de azeite<\/em>,&nbsp;<em>meio quilo de a\u00e7\u00facar<\/em>,&nbsp;<em>meio quilo de sab\u00e3o, meio litro de petr\u00f3leo&nbsp;<\/em>\u2013 que, \u00e9 justo lembrar, chegava at\u00e9 Lisboa, onde o&nbsp;<em>meio sal\u00e1rio<\/em>&nbsp;n\u00e3o se chamava ainda&nbsp;<em>sal\u00e1rio m\u00ednimo<\/em>. Apenas o vinho, a droga oficial do regime, tinha por unidade o litro inteiro. Ao ler no jornal da terra a brilhante elucubra\u00e7\u00e3o apelidei ent\u00e3o, pela mesma via, o autor de charlat\u00e3o. O que me valeu a obriga\u00e7\u00e3o de um formal pedido de desculpas pelo piropo, que, com raz\u00e3o, o visado entendeu n\u00e3o se lhe ajustar. O seu a seu dono. Afinal, o cidad\u00e3o n\u00e3o era um charlat\u00e3o: tratava-se apenas de um simples saudosista do antigo regime. Ou, para usar o conceito de Boaventura Sousa Santos, um&nbsp;<em>fascista societal<\/em>. Em muitas destas Assembleias persiste ainda um bafo a&nbsp;<em>Assembleia Nacional (AN)<\/em>&nbsp;de&nbsp;<em>Estado Novo<\/em>, normalizado, tecido de tiques e salamaleques, como se de um&nbsp;<em>hijab<\/em>&nbsp;(v\u00e9u isl\u00e2mico) se tratasse, para usar de acordo com as normas estabelecidas. Um odor bafiento de tempos antigos,&nbsp;<em>infiltrado<\/em>&nbsp;\u2013 mais um caso de&nbsp;<em>infiltra\u00e7\u00e3o<\/em>&nbsp;\u2013 num tempo que se pretendeu novo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">nelson anjos<\/h2>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/nelson-1-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8113\" width=\"293\" height=\"282\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/nelson-1-1.jpg 407w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/nelson-1-1-300x289.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 293px) 100vw, 293px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>23 de outubro, 2022 Livros &amp; M\u00fasica | OPINI\u00c3O por Nelson Anjos As for\u00e7as pol\u00edticas&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8114,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[242,317,99],"tags":[354],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/informa.jpg",460,152,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/informa-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/informa-300x99.jpg",300,99,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/informa.jpg",460,152,false],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/informa.jpg",460,152,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/informa.jpg",460,152,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/informa.jpg",460,152,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/informa.jpg",460,152,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/informa.jpg",460,152,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/informa.jpg",460,152,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/informa.jpg",460,152,false],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/informa-400x152.jpg",400,152,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/livros-musica\/\" rel=\"category tag\">LIVROS &amp; M\u00daSICA<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/noticias\/\" rel=\"category tag\">NOTICIAS<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/opiniao\/\" rel=\"category tag\">OPINI\u00c3O<\/a>","tag_info":"OPINI\u00c3O","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8112"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8112"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8112\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8115,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8112\/revisions\/8115"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8114"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8112"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8112"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8112"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}