{"id":8436,"date":"2022-11-26T22:37:41","date_gmt":"2022-11-26T22:37:41","guid":{"rendered":"https:\/\/semfronteiras.eu\/?p=8436"},"modified":"2022-11-27T10:01:04","modified_gmt":"2022-11-27T10:01:04","slug":"25-de-novembro-de-1975-fazer-a-sua-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2022\/11\/26\/25-de-novembro-de-1975-fazer-a-sua-historia\/","title":{"rendered":"25 de Novembro de 1975, fazer a sua hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"\n<p>26 de novembro, 2022<\/p>\n\n\n\n<p>Iniciativas diversas de balan\u00e7o, de sistematiza\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias, de reflex\u00e3o sobre acontecimentos relevantes, de debate sobre as datas cr\u00edticas da Hist\u00f3ria recente de Portugal e ainda de avalia\u00e7\u00e3o global do pr\u00f3prio 25 de Abril t\u00eam vindo a decorrer nos \u00faltimos meses em v\u00e1rios f\u00f3runs e espa\u00e7os media e \u00e9 prov\u00e1vel que se venham a intensificar \u00e0 medida que nos aproximamos das comemora\u00e7\u00f5es dos 50 anos do Dia da Liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p>O 25 de novembro surge, como n\u00e3o podia deixar de ser, como uma data que suscita an\u00e1lises e declara\u00e7\u00f5es paradoxais e at\u00e9 controversas. Vasco Louren\u00e7o deu nota recentemente de refer\u00eancias \u00e0 data incompat\u00edveis com a  &#8220;verdade hist\u00f3rica&#8221;. Para aprofundar um tema t\u00e3o exigente quanto este nada melhor que mobilizar as compet\u00eancias de quem sabe. Irene Pimentel autorizou-nos a publicar um importante ensaio publicado em 25 de Novembro de 2020 no Jornal P\u00fablico. Aqui fica o texto da historiadora. <em><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\">SF<\/mark><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>(Editado por SF | Destaques)<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:8px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"476\" height=\"223\" data-id=\"8437\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/foro-25.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8437\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/foro-25.jpg 476w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/foro-25-300x141.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 476px) 100vw, 476px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:12px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">por Irene Pimentel<\/h2>\n\n\n\n<div style=\"height:5px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/irene-Pimentel.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8438\" width=\"239\" height=\"233\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/irene-Pimentel.jpg 388w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/irene-Pimentel-300x293.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 239px) 100vw, 239px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:9px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>As opini\u00f5es sobre o que se passou em 25 de Novembro de 1975 dividem-se consoante o lugar no espectro pol\u00edtico em que s\u00e3o expressas. Penso ter chegado a hora de fazer a Hist\u00f3ria dos acontecimentos de h\u00e1 45 anos.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\">\u00c0 mem\u00f3ria, com gratid\u00e3o, de Lu\u00eds Ferreira de Macedo<\/mark><\/h2>\n\n\n\n<p>Num col\u00f3quio, em 2009, moderei uma mesa na qual estiveram presentes militares de Abril, na maioria pertencentes ao campo derrotado em 25 de Novembro de 1975. A conversa desviou-se para os mist\u00e9rios dessa data e cada um revelou ter testemunhado factos diferentes, estando todos genuinamente a dizer a verdade. Assistiu-se ent\u00e3o a um \u00abefeito Rashomon\u00bb<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a> ou ao que retrata a par\u00e1bola indiana dos \u00abCegos e o Elefante\u00bb: um grupo de invisuais que nunca se depararam com um elefante tentam conceptualiz\u00e1-lo atrav\u00e9s do toque; mas, como cada um acede a uma parte diferente do corpo do animal, descrevendo-o com base nessa experi\u00eancia limitada.<\/p>\n\n\n\n<p>Ora, confrontar todas as perspectivas e narrativas dos factos, interpretando-as e tendendo para uma procura de uma verdade que ultrapasse as mem\u00f3rias discordantes e individuais, \u00e9 o que faz a Hist\u00f3ria. E esta est\u00e1 longe de ter sido feita, no caso do \u00ab25 de Novembro 1975\u00bb, para al\u00e9m do discurso dos vencedores. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Acontecimentos a ter em conta numa hist\u00f3ria de 25 de Novembro de 1975<\/h2>\n\n\n\n<p>Correspondendo ao desafio de um dos protagonistas do campo vitorioso, general Ramalho Eanes, ao afirmar, em 2015: \u00abos momentos fracturantes n\u00e3o se comemoram, recordam-se (e\u2026) apenas para se reflectir sobre eles\u00bb, lembro, em estilo telegr\u00e1fico, acontecimentos que penso dever ser tidos em conta numa hist\u00f3ria de 25 de Novembro de 1975.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-vivid-red-color has-text-color wp-block-heading\">29 de Maio <\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\">Reuni\u00e3o em Bruxelas no \u00e2mbito da NATO com o presidente e secret\u00e1rio de Estado norte-americanos, Ford e Kissinger, que, dois dias depois, se encontraram, em Madrid, com Arias Navarro e Francisco Franco.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-vivid-red-color has-text-color wp-block-heading\">8-30 de Julho <\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\">Os \u00abgon\u00e7alvistas\u00bb &#8211; apoiantes de Vasco Gon\u00e7alves, chefe dos governos provis\u00f3rios II a IV -, apresentaram o \u00abDocumento-Guia da alian\u00e7a povo-MFA\u00bb.Suceder-se-iam, no m\u00eas seguinte, documentos de outras duas fac\u00e7\u00f5es militares: o do \u00abgrupo dos nove\u00bb e, autonomizando-se dos \u00abgon\u00e7alvistas\u00bb, a \u00abAutocr\u00edtica Revolucion\u00e1ria do Copcon\u00bb. O PS promoveu manifesta\u00e7\u00f5es, em Lisboa e no Porto, exigindo, com o apoio do PPD, a demiss\u00e3o de Vasco Gon\u00e7alves, enquanto o PCP reivindicava a dissolu\u00e7\u00e3o da Assembleia Constituinte<\/p>\n\n\n\n<p>Cria\u00e7\u00e3o, a 30, no Conselho da Revolu\u00e7\u00e3o (CR), de um triunvirato formado por Vasco Gon\u00e7alves, Otelo Saraiva de Carvalho e Francisco Costa Gomes, que fracassou na tentativa de superar as divis\u00f5es no MFA.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-vivid-red-color has-text-color wp-block-heading\">8-22 de Agosto <\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\">Tomada de posse do V Governo, de Vasco Gon\u00e7alves, e afastamento do CR de Melo Antunes e outros elementos do \u00abgrupo dos nove\u00bb. <\/p>\n\n\n\n<p>O PS exigiu o desmantelamento da 5.\u00aa Divis\u00e3o e a demiss\u00e3o de Vasco Gon\u00e7alves, que, no dia 18, proferiu um discurso exaltado, em Almada. Reuni\u00e3o do Presidente da Rep\u00fablica (PR), general Costa Gomes, com Ernesto Melo Antunes e Otelo Saraiva de Carvalho, que rompeu com Vasco Gon\u00e7alves, da qual resultou o documento de compromisso \u00abPlano Pol\u00edtico do MFA\u00bb. Transfer\u00eancia para a base a\u00e9rea de Cortega\u00e7a de oficiais, avi\u00f5es e helic\u00f3pteros, pelo Estado-Maior da For\u00e7a A\u00e9rea (EMFA). Cria\u00e7\u00e3o pelo PCP da Frente de Unidade Popular (FUP), integrada por for\u00e7as de extrema-esquerda, que s\u00f3 duraria at\u00e9 dia 28, com a sa\u00edda daquele partido.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-vivid-red-color has-text-color wp-block-heading\">30 de Agosto <\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\">Nos EUA, o chefe da CIA Vernon Walters enviou um documento a Kissinger alertando: \u00abPortugal \u00e0 beira da guerra civil\u00bb. Demiss\u00e3o do V Governo de Vasco Gon\u00e7alves, cuja nomea\u00e7\u00e3o para CEMGFA foi recusada pelo PS e PPD, com a aceita\u00e7\u00e3o posterior da Assembleia do MFA.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-vivid-red-color has-text-color wp-block-heading\"><strong>Setembro<\/strong> <\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\">O PR indigitou para primeiro-ministro do VI governo provis\u00f3rio o almirante Pinheiro de Azevedo (19). <\/p>\n\n\n\n<p>O CR passou a ser dominado pelo \u00abgrupo dos nove\u00bb. Enquanto em Lisboa e no Porto, se sucediam manifesta\u00e7\u00f5es, da FUR \u2013 suced\u00e2nea da FUP, sem o PCP -, e dos Soldados Unidos Vencer\u00e3o (SUV), o PS e o PPD apoiavam o VI Governo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-vivid-red-color has-text-color wp-block-heading\"><strong>Outubro \u2013<\/strong> 9 <\/h2>\n\n\n\n<p>Reincorpora\u00e7\u00e3o de militares da RM do Porto em novas companhias do Regimento de Comandos (RG) e forma\u00e7\u00e3o do Agrupamento Militar de Interven\u00e7\u00e3o (AMI).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-vivid-red-color has-text-color wp-block-heading\"><strong>Novembro <\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>7<\/strong> \u2013 Ap\u00f3s selagem das instala\u00e7\u00f5es da R\u00e1dio Renascen\u00e7a (RR), Pinheiro de Azevedo ordenou a destrui\u00e7\u00e3o das respectivas antenas, pelo Regimento de Comandos (RC), quatro dias depois da desloca\u00e7\u00e3o do embaixador norte-americano, Frank Carlucci, ao norte, onde a RM passou a ser chefiada pelo general de direita, Pires Veloso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>17-24<\/strong> \u2013 O CEMFA, general Morais e Silva, ordenou a passagem \u00e0 licen\u00e7a registada de 1.200 p\u00e1ra-quedistas da Base-Escola de Tancos, onde a ordem foi repudiada. O CR nomeou o brigadeiro Vasco Louren\u00e7o comandante da Regi\u00e3o Militar (RM) de Lisboa, em substitui\u00e7\u00e3o de Otelo Saraiva de Carvalho, que continuava \u00e0 frente do Copcon. Na sede desta unidade repudiaram essa nomea\u00e7\u00e3o, confirmada pelo PR e pelo CR, mas decidindo n\u00e3o levar a cabo qualquer opera\u00e7\u00e3o que servisse de pretexto a uma ac\u00e7\u00e3o da direita e manifestando apoio \u00e0 luta dos p\u00e1ra-quedistas de Tancos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-white-color has-vivid-red-background-color has-text-color has-background wp-block-heading\">25 de novembro<\/h2>\n\n\n\n<p>Na madrugada, p\u00e1ra-quedistas ocuparam as bases a\u00e9reas de Tancos, Monte Real, Montijo e o Comando da 1.\u00aa Regi\u00e3o A\u00e9rea de Monsanto, exigindo a demiss\u00e3o de Morais e Silva e detendo o comandante, general Pinho Freire. Este informou o PR, Ramalho Eanes e o CEMFA, que ordenou a concentra\u00e7\u00e3o de p\u00e1ra-quedistas fi\u00e9is na base de Cortega\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>6 h<\/strong> &#8211; O RALIS tomou posi\u00e7\u00f5es nos acessos \u00e0 auto-estrada do Norte, ao Aeroporto da Portela e na zona de Beirolas, enquanto tropas da Escola Pr\u00e1tica de Administra\u00e7\u00e3o Militar (EPAM) ocupavam os est\u00fadios da RTP.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>9 -13,30 h <\/strong>\u2013 Reuni\u00e3o entre o PR, os elementos do CR e os comandos militares, do qual resultou um aviso do EMGFA de que seria usada a for\u00e7a contra os revoltosos. Convocado pelo PR, Otelo Saraiva de Carvalho foi instado no Copcon a n\u00e3o se dirigir a Bel\u00e9m. Decidiu o contr\u00e1rio e ouviu de Costa Gomes que o Copcon ficaria sob o seu comando.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>16 h<\/strong> \u2013 Ap\u00f3s ter contactado \u00c1lvaro Cunhal e a Intersindical Nacional, o PR obteve do PCP a confirma\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o mobilizaria os seus militantes para qualquer ac\u00e7\u00e3o de rua.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>17, 30 h<\/strong> \u2013 Apelo na Emissora Nacional, ocupada pelo Copcon e pelo Regimento de Pol\u00edcia Militar (RPM), ao envio de refor\u00e7os para essas unidades, que mobilizaram as suas for\u00e7as, enquanto o capit\u00e3o Duran Clemente, da EPAM, apelava na televis\u00e3o \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o popular junto dos quart\u00e9is. \u00c0s <strong>21,10 h <\/strong>viria a ser subitamente interrompido, prosseguindo a emiss\u00e3o do est\u00fadio do Porto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>19,15 h <\/strong>&#8211; Os p\u00e1ra-quedistas ocupantes da base de comando a\u00e9rea de Monsanto renderam-se ao RC da Amadora, que avan\u00e7ou contra as unidades do RPM, RALIS, EPAM e Regimento de Artilharia de Costa (RAC).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pelas 21 h <\/strong>&#8211; O general Costa Gomes, ao lado de Otelo Saraiva de Carvalho, comunicou a imposi\u00e7\u00e3o do estado de s\u00edtio na RM de Lisboa. Pouco depois, o general Pinho Freire anunciou a retoma do comando da 1\u00aa Regi\u00e3o A\u00e9rea de Monsanto e, mais tarde, render-se ia a Base de Monte Real.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-vivid-red-color has-text-color wp-block-heading\">26 de novembro <\/h2>\n\n\n\n<p>Terminava o \u00ab25 de Novembro\u00bb, n\u00e3o sem que o RC da Amadora atacasse a unidade da RPM, provocando v\u00edtimas mortais de ambos os lados.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-vivid-red-color has-text-color wp-block-heading\">&nbsp;27-29  de novembro<\/h2>\n\n\n\n<p> Cerca de cem oficiais de esquerda foram detidos, Otelo Saraiva de Carvalho e Carlos Fabi\u00e3o foram destitu\u00eddos dos cargos de comandante do Copcon e de CEME. Este foi atribu\u00eddo ao ent\u00e3o coronel \u2013 depois general &#8211; Ant\u00f3nio Ramalho Eanes. O VI Governo Provis\u00f3rio retomava fun\u00e7\u00f5es, enquanto ocorriam altera\u00e7\u00f5es em sectores das For\u00e7as Armadas e no CR.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Algumas observa\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-luminous-vivid-amber-background-color has-background\">As opini\u00f5es sobre o que se passou em 25 de Novembro de 1975 dividem-se consoante o lugar no espectro pol\u00edtico em que s\u00e3o expressas. Enquanto uns consideram ter-se tratado de uma tentativa de golpe de Estado comunista e da extrema-esquerda, outros afirmam ter havido uma armadilha, lan\u00e7ada pelas for\u00e7as de centro-esquerda, direita e extrema-direita \u00e0s de esquerda e extrema-esquerda. <\/p>\n\n\n\n<p>O oficial spinolista Ant\u00f3nio Ramos, insuspeito de esquerdismo, confirmou que, no 25 de Novembro, ter\u00e1 havido diversas \u00abcascas de banana\u00bb lan\u00e7adas \u00e0 extrema-esquerda, que nelas caiu. Assinalou entre estes, a extin\u00e7\u00e3o administrativa do Corpo de Tropas P\u00e1ra-quedistas e o corte da Estrada Nacional 1. Afirmou que o PCP n\u00e3o participou na \u00abintentona\u00bb, que, por isso mesmo, fracassou, pois faltara a \u00abm\u00e1quina de informa\u00e7\u00f5es\u00bb comunista.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo aponta para que houve provoca\u00e7\u00f5es \u00e0s quais responderam algumas das for\u00e7as derrotadas, enquanto outras actuaram defensivamente. No campo ofensivo e vitorioso, ter\u00e3o existido provavelmente diversos \u00ab25 de Novembro\u00bb. Vasco Louren\u00e7o assinou, na semana passada, uma \u00abreflex\u00e3o\u00bb, enaltecendo a actua\u00e7\u00e3o do \u00abgrupo dos nove\u00bb, ao qual pertenceu, por ter evitado, h\u00e1 45 anos, um outro \u201c28 de Maio\u201d e assinalando ter havido uma \u00abesperada tentativa dos n\u00e3o democratas\u00bb para terminar com a heran\u00e7a do \u00ab25 de Abril\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembre-se ainda que outro elemento do \u00abgrupo dos nove\u00bb, Ernesto Melo Antunes, defendeu logo ent\u00e3o na TV que sem o PCP n\u00e3o se poderia construir em Portugal uma sociedade democr\u00e1tica, respondendo provavelmente a veleidades de proibir esse partido e outros grupos de esquerda. Vasco Louren\u00e7o assinalara j\u00e1 anteriormente que, no seio do \u00abgrupo dos nove\u00bb, que n\u00e3o teve qualquer iniciativa de ataque, em 25 de Novembro de 1975, nem todos aprovaram o chamado \u00abplano dos coron\u00e9is\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste plano, encabe\u00e7ado por Ant\u00f3nio Ramalho Eanes, inclu\u00eda-se, entre outros fins, o afastamento dos generais Otelo e Fabi\u00e3o, a substitui\u00e7\u00e3o pelo AMI do Copcon e o controlo do <em>Servi\u00e7o<\/em> Director e Coordenador de <em>Informa\u00e7\u00f5es<\/em><em> (<\/em><em>SDCI<\/em><em>)<\/em>, aos quais foi atribu\u00eddo \u2013 embora sem provas \u2013 a autoria da \u00abintentona\u00bb, pela Comiss\u00e3o de Inqu\u00e9rito aos acontecimentos de 25 de Novembro de 1975, da lavra dos oficiais vitoriosos. No respectivo relat\u00f3rio, de Janeiro de 1976, esta comiss\u00e3o reconheceu, n\u00e3o por acaso, que, s\u00f3 ap\u00f3s \u00abdecorrido largo tempo\u00bb, se chegaria objectivamente a uma conclus\u00e3o sobre o \u00ab25 de Novembro\u00bb. Penso ter chegado a hora de fazer a Hist\u00f3ria dos acontecimentos de h\u00e1 45 anos.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn1\" href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> Nome do filme de 1950, de Akira Kurosawa, visto no mundo ocidental como revelando a incapacidade de se chegar \u00e0 \u201cverdade \u00fanica\u201d sobre um evento, devido aos testemunhos conflituantes motivados pela \u201careia movedi\u00e7a do ego\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nota da autora (acrescentada \u00e0s 19h de 25\/11)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Alguns leitores chamaram-me a aten\u00e7\u00e3o para alguns erros factuais e sugeriram correc\u00e7\u00f5es, algumas das quais penso dever fazer. De qualquer forma, os erros factuais n\u00e3o alteram em nada o meu prop\u00f3sito neste artigo. Este artigo n\u00e3o \u00e9 uma simples cronologia: \u00e9 uma escolha de factos da minha parte que penso poderem esclarecer o que se passou em 25\/11. Tive acesso a 9000 caracteres, quando tinha escrito pelo menos o triplo e tive de &#8220;cortar&#8221; v\u00e1rios excertos. Dito isto:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1.<\/strong> Vou reler e confirmar a minha fonte sobre a reivindica\u00e7\u00e3o pelo PCP da dissolu\u00e7\u00e3o da Constituinte.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2.<\/strong> Com os cortes que fiz surge o PCP a criar a FUP, quando criou a FUR, ou participou na cria\u00e7\u00e3o da mesma, com outras for\u00e7as pol\u00edticas da chamada esquerda radical ou extrema-esquerda. A FUR, segundo penso, ter\u00e1 durado s\u00f3 uns dias e depois as outras for\u00e7as, sem o PCP, criaram a FUP.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3.<\/strong> Melo Antunes refere a palavra \u201csocialismo\u201d de facto na sua declara\u00e7\u00e3o, mas penso que tamb\u00e9m se referia \u00e0 democracia, e para o meu objectivo n\u00e3o o citei (por isso n\u00e3o coloquei entre comas o que disse), e preferi alterar essa palavra que \u00e0 \u00e9poca era utilizada at\u00e9 pelo PPD e que ainda hoje faz cair em erro. Penso que n\u00e3o estou a desvirtuar o sentido que Melo Antunes pretendeu dar. Sou historiadora e, numa investiga\u00e7\u00e3o hist\u00f3ria, t\u00ea-lo-ia citado. De qualquer forma, n\u00e3o modifica de forma nenhuma o que pretendi dizer. <strong>Irene Flunser Pimentel\u200b<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"477\" height=\"357\" data-id=\"8439\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/militar-lusa.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8439\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/militar-lusa.jpg 477w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/militar-lusa-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 477px) 100vw, 477px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>Foto |Um militar controla as viaturas \u00e0 entrada de Lisboa no 25 de Novembro de 1975 \u00a9 MANUEL MOURA\/LUSA<\/p>\n\n\n\n<p><em>Foto de Destaque  | Foto  Rendi\u00e7\u00e3o dos p\u00e1ra-quedistas em Tancos no 25 de Novembro de 1975\u00a9 Lu\u00eds Vasconcelos<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>26 de novembro, 2022 Iniciativas diversas de balan\u00e7o, de sistematiza\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias, de reflex\u00e3o sobre&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8440,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[5,238,99],"tags":[398,133],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/rendic\u0327a\u0303o-destaque.jpg",471,269,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/rendic\u0327a\u0303o-destaque-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/rendic\u0327a\u0303o-destaque-300x171.jpg",300,171,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/rendic\u0327a\u0303o-destaque.jpg",471,269,false],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/rendic\u0327a\u0303o-destaque.jpg",471,269,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/rendic\u0327a\u0303o-destaque.jpg",471,269,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/rendic\u0327a\u0303o-destaque.jpg",471,269,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/rendic\u0327a\u0303o-destaque.jpg",471,269,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/rendic\u0327a\u0303o-destaque.jpg",471,269,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/rendic\u0327a\u0303o-destaque.jpg",471,269,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/rendic\u0327a\u0303o-destaque.jpg",471,269,false],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/rendic\u0327a\u0303o-destaque-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/memorias-vivas\/centro-documentacao\/\" rel=\"category tag\">CENTRO DOCUMENTA\u00c7\u00c3O<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/opiniao\/\" rel=\"category tag\">OPINI\u00c3O<\/a>","tag_info":"OPINI\u00c3O","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8436"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8436"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8436\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8443,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8436\/revisions\/8443"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8440"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8436"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8436"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8436"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}