{"id":8883,"date":"2023-01-15T09:14:23","date_gmt":"2023-01-15T09:14:23","guid":{"rendered":"https:\/\/semfronteiras.eu\/?p=8883"},"modified":"2023-01-15T09:14:27","modified_gmt":"2023-01-15T09:14:27","slug":"as-cativacoes-da-democracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2023\/01\/15\/as-cativacoes-da-democracia\/","title":{"rendered":"As Cativa\u00e7\u00f5es da \u201cDemocracia\u201d"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2023-01-15T09:14:23+00:00\">15 de Janeiro, 2023<\/time><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\">OPINI\u00c3O | Nelson Anjos<\/mark><\/h2>\n\n\n\n<div style=\"height:14px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"491\" height=\"314\" data-id=\"8884\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/velho-e.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8884\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/velho-e.jpg 491w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/velho-e-300x192.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 491px) 100vw, 491px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size\">Representa\u00e7\u00e3o do homem do saco pelo alem\u00e3o Abraham Bach der \u00c4ltere.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Os \u00faltimos acontecimentos relacionados com a crise da democracia brasileira \u2013 apenas mais um caso da crise global da democracia \u2013 levaram-me a mais uma leitura da entrevista concedida por Ant\u00f3nio Costa \u00e0 revista Vis\u00e3o (15-12-2022). O seu pior momento n\u00e3o est\u00e1 naquela express\u00e3o assassina \u2013 \u201chabituem-se!\u201d \u2013 que animou a chicana em que se transformou o debate pol\u00edtico na taberna social da terra. Ou na pose pombalina da foto que fez a capa da revista. N\u00e3o sou santo e rir faz bem \u00e0 sa\u00fade: associei-me tamb\u00e9m \u00e0 festa com o modesto contributo que a prop\u00f3sito aqui deixei.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Mas aquilo que, na entrevista, deve merecer uma reflex\u00e3o mais aturada, e que poder\u00e1 ter passado despercebido no burburinho gerado pelo rid\u00edculo, \u00e9 a conta em que, n\u00e3o apenas Ant\u00f3nio Costa mas uma parte significativa da casta pol\u00edtica em geral, tem os cidad\u00e3os, no seu conjunto. E que se encontra sintetizada na&nbsp;<em>inocente<\/em>&nbsp;passagem que transcrevo:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201c(\u2026) Os portugueses est\u00e3o \u00e9 preocupados com os problemas que enfrentam no dia a dia. Os pre\u00e7os que sobem, saber se v\u00e3o conseguir pagar a presta\u00e7\u00e3o da casa, o que vai acontecer na \u00e1rea da energia \u2026 E \u00e9 nesses problemas que devemos focar-nos. (\u2026)\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ora, que os portugueses estejam preocupados com aquilo que refere o PM, ningu\u00e9m duvidar\u00e1. Que estejam preocupados apenas ou principalmente com isso, a ser verdade, \u00e9 um bom indicador da qualidade da democracia que temos \u2013 que \u00e9 preocupante. Pior ainda \u00e9 o sentido impl\u00edcito na resposta dada \u00e0 jornalista: \u00e9 precisamente com isso que os portugueses se devem preocupar \u2013 \u201co pre\u00e7o das batatas\u201d. Ou seja: a pol\u00edtica \u00e9 para os pol\u00edticos \u2013 tal como me admoestou h\u00e1 muitos anos um agente da PIDE durante um interrogat\u00f3rio. Estou em crer que Ant\u00f3nio Costa n\u00e3o teve esta inten\u00e7\u00e3o. Apenas deu a resposta que lhe pareceu&nbsp;<em>natural, normal<\/em>. Pior n\u00e3o podia ser: trata-se de um pensamento com correspond\u00eancia direta no machismo prim\u00e1rio do tempo da&nbsp;<em>outra senhora<\/em>, \u2013 \u201co dever das mulheres \u00e9 estarem em casa a coser as meias dos maridos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Nos tempos que correm, em que \u00e9 un\u00e2nime a perce\u00e7\u00e3o do ataque \u00e0s democracias, por parte de todas as extremas direitas \u2013 mas tamb\u00e9m por parte de todos os que, escondidos no pretexto da \u201cpresta\u00e7\u00e3o de um servi\u00e7o p\u00fablico\u201d, da mais pequena autarquia ao governo central se v\u00e3o apropriando, atrav\u00e9s dos mais diversos expedientes, do dinheiro dos contribuintes \u2013 convidar os cidad\u00e3os a limitarem-se \u00e0s preocupa\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas com a sua subsist\u00eancia \u00e9, no m\u00ednimo, criminoso. Assim como n\u00e3o o \u00e9 menos promover tal atitude como o&nbsp;<em>normal<\/em>&nbsp;\u2013 \u201chabituem-se!\u201d \u2013 numa sociedade j\u00e1 de si propensa \u00e0 baixa participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica, como \u00e9 o caso da portuguesa.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Como se sabe, em contabilidade p\u00fablica uma&nbsp;<em>cativa\u00e7\u00e3o<\/em>&nbsp;corresponde a uma&nbsp;<strong>reten\u00e7\u00e3o de parte dos montantes or\u00e7amentados no lado da despesa,<\/strong>&nbsp;que se traduz numa redu\u00e7\u00e3o da dota\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel dos servi\u00e7os e organismos. Da mesma forma, h\u00e1 muito que o poder institu\u00eddo vem alargando o conceito de&nbsp;<em>cativa\u00e7\u00e3o<\/em>&nbsp;a direitos b\u00e1sicos, incluindo os consagrados na Constitui\u00e7\u00e3o. Tornando-os letra morta e oferecendo espa\u00e7o vital \u00e0 extrema-direita, transformada por sua vez em espantalho oficial do regime, para assustar e manietar pelo medo os cidad\u00e3os. \u00c9 o truque antigo do \u201cvelho do saco\u201d em vers\u00e3o livre: fujam que vem a\u00ed o \u201cvelho do saco\u201d! \u2013 ou um eco bufo do original&nbsp;<em>troikiano<\/em>, \u201cvem a\u00ed o&nbsp;<em>diabo<\/em>!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ora, como diz a can\u00e7\u00e3o, \u201c<em>o seguro n\u00e3o morreu de velho, morreu de medo<\/em>\u201d; e os piores inimigos da democracia, respons\u00e1veis pela sua degrada\u00e7\u00e3o, s\u00e3o os que montam morada dentro dela pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Lembro, a prop\u00f3sito, pela en\u00e9sima vez, a atitude a tomar face a outras velhas&nbsp;<em>cativa\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria<\/em>, de que fala Manuel Carvalho da Silva no seu livro&nbsp;<em>Vencer o Medo<\/em>&nbsp;(2012):<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201c(\u2026) Os velhos consensos e submiss\u00f5es que nos trouxeram at\u00e9 aqui t\u00eam de ser atirados para o caixote do lixo. H\u00e1 que encontrar compromissos novos, converg\u00eancias geradoras de esperan\u00e7a, de confian\u00e7a, de futuro. (\u2026)\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Porque, acrescento eu, o atual contrato social \u00e9 o contrato da injusti\u00e7a e da desigualdade&nbsp;<em>normalizadas<\/em>. E um complacente convite \u00e0 instala\u00e7\u00e3o de estranhas formas de \u201cdemocracia\u201d \u2013 como a de Trump nos EUA, de Bolsonaro no Brasil e, um dia destes, em Portugal com o candidato de ocasi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">nelson anjos<\/h2>\n\n\n\n<div style=\"height:14px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/nelson-1-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8885\" width=\"286\" height=\"275\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/nelson-1-1.jpg 407w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/nelson-1-1-300x289.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 286px) 100vw, 286px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>OPINI\u00c3O | Nelson Anjos Representa\u00e7\u00e3o do homem do saco pelo alem\u00e3o Abraham Bach der \u00c4ltere&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8884,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[238,99],"tags":[354],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/velho-e.jpg",491,314,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/velho-e-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/velho-e-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/velho-e.jpg",491,314,false],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/velho-e.jpg",491,314,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/velho-e.jpg",491,314,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/velho-e.jpg",491,314,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/velho-e.jpg",491,314,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/velho-e.jpg",491,314,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/velho-e.jpg",491,314,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/velho-e.jpg",491,314,false],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/velho-e-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/opiniao\/\" rel=\"category tag\">OPINI\u00c3O<\/a>","tag_info":"OPINI\u00c3O","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8883"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8883"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8883\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8886,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8883\/revisions\/8886"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8884"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8883"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8883"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8883"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}