{"id":9122,"date":"2023-02-25T20:54:58","date_gmt":"2023-02-25T20:54:58","guid":{"rendered":"https:\/\/semfronteiras.eu\/?p=9122"},"modified":"2023-02-25T22:10:07","modified_gmt":"2023-02-25T22:10:07","slug":"a-geopolitica-no-nosso-seculo-xxi-o-recente-conflito-nato-russia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2023\/02\/25\/a-geopolitica-no-nosso-seculo-xxi-o-recente-conflito-nato-russia\/","title":{"rendered":"OPINI\u00c3O &#8211; A geopol\u00edtica no nosso s\u00e9culo XXI: o recente conflito NATO-R\u00fassia"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2023-02-25T20:54:58+00:00\">25 de Fevereiro, 2023<\/time><\/div>\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\">Parte II<\/mark><\/h1>\n\n\n\n<div style=\"height:14px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"507\" data-id=\"9123\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/agence-vu-pour-le-monde-1024x507.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9123\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/agence-vu-pour-le-monde-1024x507.jpg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/agence-vu-pour-le-monde-300x149.jpg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/agence-vu-pour-le-monde-768x380.jpg 768w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/agence-vu-pour-le-monde.jpg 1405w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>\u00a9 Da Ag\u00eancia VU para o Le Monde<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:15px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">por Filipe do Carmo<\/h3>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Numa cr\u00f3nica recente, publicada no <em>Le Monde<\/em><sup>1<\/sup>, o autor come\u00e7ava por afirmar que uma coisa era certa: a R\u00fassia n\u00e3o havia sofrido, algumas horas ap\u00f3s a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia, o colapso que havia sido previsto pelo ministro franc\u00eas da economia. E isso ap\u00f3s a imposi\u00e7\u00e3o das san\u00e7\u00f5es ocidentais que foram sendo aplicadas em nove vagas sucessivas a partir de Mar\u00e7o de 2022. Bezat prosseguia, referindo a surpresa que o <em>World Economic Outlook Update <\/em>do FMI de Janeiro do presente ano havia causado ao produzir um diagn\u00f3stico da guerra t\u00e3o decepcionante para os Ocidentais como encorajador para Putin. Entre os factores que possam explicar a solidez do sistema russo figurariam os de natureza financeira (a estabiliza\u00e7\u00e3o do rublo e as reservas monet\u00e1rias originadas pelas vendas de petr\u00f3leo), econ\u00f3mica (desenvolvimento de produ\u00e7\u00f5es, nomeadamente nos dom\u00ednios do t\u00eaxtil e do agroalimentar, a seguir \u00e0 anexa\u00e7\u00e3o da Crimeia; uma colheita de trigo excepcional no decurso do ano de 2022; o aumento significativo das receitas relativas \u00e0s vendas de g\u00e1s e de petr\u00f3leo) e pol\u00edtica (a abertura de vias de entrada para produtos importados atrav\u00e9s de antigas rep\u00fablicas sovi\u00e9ticas, da Turquia e da \u00cdndia, assim como a disponibilidade da China para fornecimentos de produtos utilizados pela ind\u00fastria da defesa). Evolu\u00e7\u00f5es contudo que, n\u00e3o obstante terem contribu\u00eddo para a manuten\u00e7\u00e3o da capacidade militar do pa\u00eds, n\u00e3o ter\u00e3o impedido, por um lado, dificuldades em certos sectores da economia (por exemplo, o autom\u00f3vel e o aeron\u00e1utico) e, por outro, em termos mais abrangentes, fortes pen\u00farias de m\u00e3o-de-obra derivadas do recrutamento militar ou da fuga ao alistamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Este comportamento da economia russa poder\u00e1 causar espanto quando, como \u00e9 referido por Emmanuel Todd<sup>2<\/sup>, se sabe que o PIB da R\u00fassia, adicionado do da Bielorr\u00fassia, representa apenas 3,3% do PIB ocidental (incluindo Estados Unidos, Reino Unido, Canad\u00e1, Austr\u00e1lia, Nova Zel\u00e2ndia, Europa, Jap\u00e3o e Coreia do Sul). Todd come\u00e7a por se interrogar como \u00e9 que, com o seu PIB diminuto, a R\u00fassia consegue suportar a guerra em curso, continuando a produzir m\u00edsseis. O que o leva a afirmar que o PIB \u00e9 uma medida fict\u00edcia da produ\u00e7\u00e3o, pois se se retira do PIB americano parcelas que ele inclui (<em>\u201cla moiti\u00e9 de ses d\u00e9penses de sant\u00e9 surfactur\u00e9es, puis la \u00abrichesse produite\u00bb par l\u2019activit\u00e9 de ses avocats, par les prisons les mieux remplies du monde, puis par toute une \u00e9conomie de services mal d\u00e9finis incluant la \u00abproduction\u00bb de ses 15 \u00e0 20 000 \u00e9conomistes au salaire moyen de 120.000 dollars\u201d<\/em>) e o autor deprecia como sendo \u201cvapor de \u00e1gua\u201d, poder-se-\u00e1 compreender que uma parte importante desse PIB n\u00e3o revela capacidade de produ\u00e7\u00e3o para a guerra. E Todd acrescenta:<\/p>\n\n\n\n<ul><li>Ap\u00f3s as primeiras san\u00e7\u00f5es importantes aplicadas \u00e0 R\u00fassia (em 2014), a sua produ\u00e7\u00e3o de trigo, ent\u00e3o de 40 milh\u00f5es de toneladas, passa para 90 milh\u00f5es em 2020; enquanto a equivalente produ\u00e7\u00e3o americana, tendo atingido 80 milh\u00f5es em 1980, desce para 40 milh\u00f5es em 2020.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<ul><li>Por outro lado, os Americanos afirmavam em 2007 que o seu advers\u00e1rio estrat\u00e9gico estava num tal estado de deliquesc\u00eancia nuclear que em breve os Estados Unidos teriam uma enorme capacidade ofensiva \u00e0 qual a R\u00fassia n\u00e3o poderia responder; mas, hoje em dia, esta \u00faltima n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 o primeiro exportador de centrais nucleares como tem superioridade nuclear com os seus m\u00edsseis hipers\u00f3nicos.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Debru\u00e7ando-se sobre as aptid\u00f5es das popula\u00e7\u00f5es activas dos dois advers\u00e1rios estrat\u00e9gicos, Todd d\u00e1 relevo aos n\u00fameros de universit\u00e1rios que frequentam cursos de engenharia (tida como uma especialidade que capacita mais para a produ\u00e7\u00e3o industrial). E conclui que, n\u00e3o obstante uma frequ\u00eancia universit\u00e1ria global que \u00e9 2,2 vezes superior nos EUA \u00e0 da R\u00fassia (reflectindo um total populacional superior em mais de duas vezes), este \u00faltimo pa\u00eds d\u00e1 forma\u00e7\u00e3o a mais 30% de engenheiros que a Am\u00e9rica. Situa\u00e7\u00e3o que parece tender a ser compensada pela aflu\u00eancia de estudantes estrangeiros aos EUA \u2013 sobretudo Indianos e Chineses, estes \u00faltimos em maior n\u00famero \u2013 sendo contudo tal recurso de substitui\u00e7\u00e3o pouco seguro e j\u00e1 em diminui\u00e7\u00e3o. O autor considera que tal situa\u00e7\u00e3o se torna um dilema para a economia americana, na medida em que ela n\u00e3o pode fazer face \u00e0 concorr\u00eancia chinesa sem importar m\u00e3o-de-obra chinesa qualificada. E observa que, face \u00e0 progressiva aceita\u00e7\u00e3o pela economia russa das regras de funcionamento do mercado (com Putin a revelar uma real obsess\u00e3o pela sua preserva\u00e7\u00e3o), mantendo no entanto um grande papel do Estado, essa economia vai buscar a sua flexibilidade a uma disponibilidade de engenheiros que permite adapta\u00e7\u00f5es nos dom\u00ednios industrial e militar.<\/p>\n\n\n\n<p>A evolu\u00e7\u00e3o da economia russa tal como Todd a transmite tende a contrariar avalia\u00e7\u00f5es que t\u00eam curso nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social ocidentais no sentido de ver o ponto mais forte de tal economia na disponibilidade e venda de mat\u00e9rias primas. Todd refor\u00e7a a sua avalia\u00e7\u00e3o dando relevo \u00e0 incerteza que marca a guerra em curso e considerando que a sua evolu\u00e7\u00e3o depender\u00e1 (como em todas as guerras modernas) do equil\u00edbrio entre tecnologias avan\u00e7adas e produ\u00e7\u00e3o em massa. Ora o dom\u00ednio que os EUA t\u00eam de certas tecnologias militares mais avan\u00e7adas tem contribu\u00eddo e sido decisivo para os sucessos militares ucranianos que t\u00eam ocorrido. Contudo, numa guerra de atrito, que tende a ser duradoura<sup>3<\/sup>, n\u00e3o s\u00f3 tamb\u00e9m os recursos humanos s\u00e3o importantes como, no que concerne os recursos materiais, a capacidade para se manter na luta depende da ind\u00fastria de produ\u00e7\u00e3o de armas menos sofisticadas. Da\u00ed a necessidade de dar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o da globaliza\u00e7\u00e3o, a qual poder\u00e1 revelar-se como o problema fundamental dos Ocidentais. Dada a deslocaliza\u00e7\u00e3o a que estes deram grande curso (envolvendo muitas actividades industriais), n\u00e3o se pode estar certo de que a produ\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria \u00e0 guerra do lado ocidental<sup>4<\/sup> poder\u00e1 ter lugar de modo satisfat\u00f3rio. O mesmo, ali\u00e1s, se poder\u00e1 dizer do lado russo. \u00c9 que o resultado da guerra, segundo o autor, depender\u00e1 da capacidade dos dois sistemas para produzir armamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme j\u00e1 referido acima (Parte I), a organiza\u00e7\u00e3o de parentesco, em 75% do planeta, \u00e9 patrilinear, o que tender\u00e1 a conduzir a que neste nosso mundo haja uma forte compreens\u00e3o das atitudes russas, entendidas como um conservantismo favor\u00e1vel aos costumes tradicionais. E, sublinha Todd, se o comunismo da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica horrorizava todo o mundo mu\u00e7ulmano com o seu ate\u00edsmo e n\u00e3o inspirava nada em particular a um pa\u00eds como a \u00cdndia, j\u00e1 a actual R\u00fassia, tamb\u00e9m entendida como anticolonialista, poder\u00e1 seduzir bastante mais<sup>5<\/sup>. Considerando tal contexto, poder-se-\u00e1 compreender que o Ocidente \u00e9 de facto menos extenso, menos poderoso e algo perif\u00e9rico face a esses 75% do planeta, com os seus sistemas de parentesco bilateral e a sua filia\u00e7\u00e3o masculina ou feminina a revelarem-se equivalentes para o estatuto social da crian\u00e7a (a que acresce que os valores que defende s\u00e3o repetidamente afirmados como de natureza democr\u00e1tica). Enquanto os pa\u00edses em que predominam os regimes autorit\u00e1rios, que v\u00e3o de \u00c1frica at\u00e9 \u00e0 China, atravessando o mundo \u00e1rabe e a R\u00fassia<sup>6<\/sup>, revelam-se de facto como um centro concorrido por organiza\u00e7\u00f5es familiares comunit\u00e1rias e patrilineares. \u00c9 este conjunto de realidades que, para o autor, demonstra que o conflito actual, descrito pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o social como um conflito de valores pol\u00edticos \u00e9, a um n\u00edvel mais profundo, um conflito de valores antropol\u00f3gicos. Sendo essa inconsci\u00eancia e essa profundidade que tornam o confronto perigoso.<\/p>\n\n\n\n<p>Emmanuel Todd j\u00e1, por outro lado, evoca desde 2002 (no seu livro <em>Apr\u00e8s l\u2019empire<\/em>) n\u00e3o s\u00f3 a retoma do poderio russo mas tamb\u00e9m o relativo decl\u00ednio de longo per\u00edodo dos EUA (o autor particularizando, na entrevista, relativamente ao per\u00edodo p\u00f3s 2002, os insucessos sofridos no Iraque e no Afeganist\u00e3o). \u00c9 neste contexto de refluxo americano, que \u00e9 referido que os Russos tomaram a decis\u00e3o de importunar a Ucr\u00e2nia, porque haviam contra\u00eddo o sentimento de ter por fim os meios t\u00e9cnicos para o fazer. Tal fraqueza americana ter\u00e1 levado um respons\u00e1vel pol\u00edtico indiano a publicar um livro em que afirmava que o afrontamento entre a China e os EUA n\u00e3o viria a produzir vencedor e que isso deixaria espa\u00e7o n\u00e3o s\u00f3 para a \u00cdndia como para v\u00e1rios outros pa\u00edses. Todd, contudo, acrescentou: \u201cMas n\u00e3o para os Europeus\u201d. \u00c9 que o enfraquecimento dos EUA \u00e9 vis\u00edvel em todo o lado excepto no Jap\u00e3o e na Europa. E isso porque um dos efeitos da retrac\u00e7\u00e3o do sistema imperial \u00e9 que os EUA refor\u00e7am o seu dom\u00ednio sobre os seus primeiros protectorados. Como refor\u00e7o ao que afirma, Todd cita Zbigniew Brzezinski<sup>7<\/sup>, autor que, reconhecendo que o imp\u00e9rio americano havia sido criado no final da segunda guerra mundial com a conquista da Alemanha e do Jap\u00e3o, afirmou que estes dois pa\u00edses continuaram a ser protectorados. E, \u00e0 medida que o sistema americano perde for\u00e7a, ele acaba por se afirmar cada vez mais pesadamente sobre as elites locais dos protectorados (os quais agora se estendem ao conjunto da Europa). Os primeiros a perder toda a autonomia nacional, continua Todd, ser\u00e3o (ou j\u00e1 o s\u00e3o) os Ingleses e os Autralianos. A internet levou, nos pa\u00edses angl\u00f3fanos, a uma interac\u00e7\u00e3o tal com os Estados Unidos que se poder\u00e1 dizer que as suas elites universit\u00e1rias, medi\u00e1ticas e art\u00edsticas est\u00e3o \u201canexadas\u201d. No pr\u00f3prio continente europeu, Todd acha que estamos de algum modo protegidos pelas nossas l\u00ednguas nacionais, mas a perda da nossa autonomia j\u00e1 \u00e9 consider\u00e1vel e avan\u00e7a rapidamente.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Lisboa, 21 de Fevereiro de 2023 <\/h3>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Filipe do Carmo<\/h3>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><sup>1<\/sup> Jean-Michel Bezat, \u201cLa Russie, un grand corps malade\u201d, 14 de Fevereiro de 2023, p. 29.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>2<\/sup> Tenham-se presentes as refer\u00eancias j\u00e1 feitas \u00e0 entrevista feita a esse autor que \u00e9 objecto de aten\u00e7\u00e3o (ver Emmanuel Todd: \u00abLa Troisi\u00e8me Guerre mondiale a commenc\u00e9\u00bb (lefigaro.fr)) na primeira parte do presente trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>3<\/sup> Considerando a confer\u00eancia sobre a seguran\u00e7a que teve lugar em Munique h\u00e1 alguns dias (17 de Fevereiro), uma not\u00edcia publicada no <em>Le Monde <\/em>de 2023-02-20, p\u00e1gina 4, com o t\u00edtulo \u201c\u00c0 Munich, l\u2019unit\u00e9 des Occidentaux face \u00e0 la Russie\u201d, refere em subt\u00edtulo, claramente em acordo com a an\u00e1lise de Todd, que \u201cles alli\u00e9s de Kiev ont r\u00e9affirm\u00e9 la n\u00e9cessit\u00e9 de se pr\u00e9parer \u00e0 un guerre longue\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>4<\/sup> Para al\u00e9m das preocupa\u00e7\u00f5es amplamente manifestadas pelos Ocidentais pelos fornecimentos de armamento \u00e0 Ucr\u00e2nia (a que em particular \u00e9 dado grande relevo pelos presidentes franc\u00eas e alem\u00e3o, conforme exposto na not\u00edcia referida na nota de p\u00e9 de p\u00e1gina precedente), um artigo assinado por C\u00e9dric Pietralunga, tamb\u00e9m na p\u00e1gina 4 do <em>Le Monde <\/em>de 2023-02-20, transmite as preocupa\u00e7\u00f5es actuais relativas ao armamento sentidas em Fran\u00e7a logo pelo seu t\u00edtulo: \u201cLes stocks de munitions fran\u00e7ais insuffisants pour un conflit intense\u201d. E, mais em particular, e referindo-se tamb\u00e9m \u00e0s muni\u00e7\u00f5es, os \u201cstocks seraient au plus bas et ne permettraient pas de tenir au-del\u00e0 de quelques semaines em cas de conflit \u00abdur\u00bb\u201d. E, al\u00e9m de transmitir as grandes dificuldades existentes em Fran\u00e7a para aumentar as capacidades de produ\u00e7\u00e3o correspondentes (que se foram acumulando desde o final da guerra fria), o artigo d\u00e1 relevo \u00e0 aus\u00eancia em Fran\u00e7a de terrenos adequados a testes de tiro de longo alcance, os quais devem ser efectuados na \u00c1frica do Sul e na Su\u00e9cia, o que requer uma log\u00edstica complexa e custosa. Caso, como \u00e9 de esperar, estas dificuldades se estendam a outros pa\u00edses europeus\u2026 O que parece ser confirmado com a declara\u00e7\u00e3o de Josep Borrell (alto representante da Uni\u00e3o Europeia para a pol\u00edtica Externa e de Seguran\u00e7a) na acima referida confer\u00eancia de Munique (ver <em>P\u00fablico <\/em>de 2023-02-20, p\u00e1g. 7): \u201ca Ucr\u00e2nia recebe armas suficientes, mas poucas muni\u00e7\u00f5es\u201d. E com maior confirma\u00e7\u00e3o ainda por outros artigos recentes no <em>Le Monde<\/em>, em que se d\u00e1 relevo aos grandes desequil\u00edbrios entre os actuais efectivos humanos e em armamento dos Ocidentais e dos Russos assim como \u00e0s baixas capacidades de produ\u00e7\u00e3o de armas e muni\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses europeus. O que come\u00e7a por ser relevado, embora de modo insuficiente, por alguns t\u00edtulos: \u201cL\u2019UE veut mutualiser ses achats de munitions pour l\u2019Ukraine\u201d (2023-02-14, pg. 4); \u201cL\u2019Europe \u00e0 court de munitions\u201d (2023-02-16, pg. 32); \u201cUkraine: Onde de choc sur les arm\u00e9es alli\u00e9es\u201d (2023-02-20, pgs.18-19).<\/p>\n\n\n\n<p><sup>5<\/sup> Todd refere em particular que \u201cLes Am\u00e9ricains se sentent aujourd\u2019hui trahis par l\u2019Arabie saoudite qui refuse d\u2019augmenter sa production de p\u00e9trole, malgr\u00e9 la crise \u00e9nerg\u00e9tique due \u00e0 la guerre, et prend de fait le parti des Russes: pour une part, bien s\u00fbr, par int\u00e9r\u00eat p\u00e9trolier. Mais il est \u00e9vident que la Russie de Poutine, devenu moralement conservatrice, est devenue sympathique aux Saoudiens dont je suis s\u00fbr qu\u2019ils ont un peu de mal avec les d\u00e9bats am\u00e9ricains sur l\u2019acc\u00e8s des femmes transgenres (d\u00e9finies comme m\u00e2les \u00e0 la conception) aux toilettes pour dames.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><sup>6<\/sup> As preocupa\u00e7\u00f5es europeias com, em particular, uma parte consider\u00e1vel deste conjunto de pa\u00edses, foram expressas pelo presidente Macron na j\u00e1 referida confer\u00eancia de Munique: \u201cJe suis frapp\u00e9 de voir combien nous avons perdu la confiance du \u00abSud global\u00bb (ver a not\u00edcia referida acima na nota 3).<\/p>\n\n\n\n<p>7 Estratega, antigo conselheiro da Casa Branca, e autor do livro The Grand Chessboard, onde evidencia a situa\u00e7\u00e3o paradoxal dos Estado Unidos, pa\u00eds que, para manter a sua lideran\u00e7a, necessita antes de mais de dominar o grande tabuleiro de xadrez que representa a Eur\u00e1sia (Europa e \u00c1sia Oriental), onde se joga o futuro do nosso mundo.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:26px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/filipe1-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9124\" width=\"221\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/filipe1-1.jpg 407w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/filipe1-1-300x271.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 221px) 100vw, 221px\" \/><figcaption><strong>Filipe do Carmo<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parte II por Filipe do Carmo Numa cr\u00f3nica recente, publicada no Le Monde1, o 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