{"id":9540,"date":"2023-05-05T23:20:18","date_gmt":"2023-05-05T23:20:18","guid":{"rendered":"https:\/\/semfronteiras.eu\/?p=9540"},"modified":"2023-05-05T23:20:23","modified_gmt":"2023-05-05T23:20:23","slug":"opiniao-cuidado-portugal-cuidado-meu-25-de-abril","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2023\/05\/05\/opiniao-cuidado-portugal-cuidado-meu-25-de-abril\/","title":{"rendered":"OPINI\u00c3O &#8211; Cuidado Portugal, cuidado meu 25 de Abril."},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2023-05-05T23:20:18+00:00\">5 de Maio, 2023<\/time><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O 25 de Abril<\/h2>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/raul-soimeos-pinto-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9542\" width=\"211\" height=\"205\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/raul-soimeos-pinto-1.jpg 388w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/raul-soimeos-pinto-1-300x291.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 211px) 100vw, 211px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>por Raul Sim\u00f5es Pinto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Quase 50 anos depois da Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos e do final da ditadura e da guerra colonial &#8211; encontro-me a pensar no meu contributo &#8211; um pequeno gr\u00e3o\u00a0de areia &#8211; na luta pela Liberdade e pelo fim do fascismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Com 16 anos fui interrogado pela pol\u00edcia pol\u00edtica , a famosa PIDE\/DGS, na Rua do Hero\u00edsmo, ao lado do cemit\u00e9rio do Prado de Repouso, por agentes que torturavam e matavam os lutadores antifascistas. Constava-se que os\u00a0 coveiros do cemit\u00e9rio ficavam admirados com os funerais &#8220;silenciosos&#8221; e com campas abertas e desarrumadas por outras pessoas. Mist\u00e9rios que o medo e a\u00a0repress\u00e3o desses anos obrigavam a calar,<\/p>\n\n\n\n<p>Aos 20 anos estava eu no ex\u00e9rcito, como militar e &#8220;carne para canh\u00e3o&#8221; em perspectiva de ser mobilizado para a guerra colonial &#8211; &#8220;matar turras, como era voz corrente do regime salazarista&#8221; e &#8220;defender a P\u00e1tria&#8221;. Como n\u00e3o aceitava e combatia j\u00e1 contra esta guerra &#8211; resolvi desertar e fugi clandestino para Fran\u00e7a, levando parte do fardamento comigo.Fez-me jeito para\u00a0trabalhar nas obras em Paris.<\/p>\n\n\n\n<p>Com 24 anos e depois de estar exilado em terras de Fran\u00e7a e ter\u00a0passado por v\u00e1rias profiss\u00f5es &#8211; muitas delas, a trabalhar no mercado negro, sem documentos &#8211; a explora\u00e7\u00e3o capitalista n\u00e3o tem p\u00e1tria.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 25 de Abril de 1974, estava eu como lavador de vidros, nos arredores de Paris a limpar as vidra\u00e7as de uma escola, quando um dos professores me veio dizer que havia um golpe militar em Portugal. Falou-me dum tal Sp\u00ednola. Fiquei assustado, dado saber que o mesmo era adepto das teses hitlerianas e de extrema direita. Nessa noite, encontrei outros refugiados e desertores num Comit\u00e9 de Apoio, em Montparnasse e a\u00ed fiquei mais\u00a0tranquilo e feliz. Finalmente tinha acabado a negritude de 48 anos de ditadura e o processo revolucion\u00e1rio estava em curso. Os capit\u00e3es de Abril, tinham finalmente ganho a batalha com o derrube do fascismo e do colonialismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Quase 50 anos depois &#8211; muito se fez em Democracia, sabendo que n\u00e3o existem regimes pol\u00edticos perfeitos. Mas qualquer semelhan\u00e7a com um\u00a0 passado de medo, de falta de liberdade, de licen\u00e7as de isqueiro,\u00a0de duas pessoas a conversarem ser um ajuntamento e a pol\u00edcia obrigar a dispersar.<\/p>\n\n\n\n<p>As censuras do l\u00e1pis azul nos jornais, na r\u00e1dio, na televis\u00e3o e nas artes em\u00a0geral. A repress\u00e3o constante \u00e0s greves e lutas estudantis e oper\u00e1rias. As\u00a0pris\u00f5es pol\u00edticas &#8211; as torturas e a morte. Os milhares de militares mortos em combate em \u00c1frica &#8211; uma juventude estropiada pela guerra que s\u00f3 favorecia as fam\u00edlias ricas e os militares profissionais de patente superior. O povo vivia na mis\u00e9ria para sustentar este imp\u00e9rio. A emigra\u00e7\u00e3o e a fuga \u00e0 guerra colonial foram uma constante destes tempos de salazarismo fascista.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas afinal &#8211; o meu 25 de Abril, valeu a pena? Est\u00e1 tudo bem? Eu, jovem rebelde e revolucion\u00e1rio, desertor e combatente antifascista e hoje velho reformado, ainda a lutar por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e por melhores\u00a0pens\u00f5es e direitos sociais e pol\u00edticos. Mesmo em democracia \u00e9 preciso estar atento e alertar as novas gera\u00e7\u00f5es digitais e sem mem\u00f3ria dos tempos da &#8220;outra senhora&#8221; que os esqueletos e os saudosistas do &#8220;antigamente \u00e9 que era bom&#8221;&#8230;que o perigo dos populismos da extrema-direita e dos novos fascismos est\u00e3o por a\u00ed&#8230;A democracia e a distribui\u00e7\u00e3o da riqueza ainda n\u00e3o acabaram com os 2 milh\u00f5es de pobres, as contradi\u00e7\u00f5es e o acumular do capital tende a que o nosso Pa\u00eds, fique como o Brasil &#8211; 10 por cento de ricos e 90 porcento de pobres&#8230;Cuidado Portugal, cuidado meu 25 de Abril.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Raul Sim\u00f5es Pinto<\/p>\n\n\n\n<p><em>Raul Sim\u00f5es Pinto (n.1955, Porto), aposentado dos CTT, foi professor na Escola Art\u00edstica e Profissional \u00c1rvore e \u00e9 licenciado em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Ativista social e cultural na cidade do Porto, \u00e9 o atual presidente do Grupo dos Amigos das Adegas e Tascos do Porto. Fundador do magazine liter\u00e1rio&nbsp;P\u00e9 de Cabra, \u00e9 autor de&nbsp;O filho do 39&nbsp;(poesia),&nbsp;Pasteleira City,&nbsp;O 15 de Moulinet,&nbsp;Putas \u00e0 moda do Porto&nbsp;e, nas Edi\u00e7\u00f5es Afrontamento,&nbsp;As Tascas do Porto. Est\u00f3rias e mem\u00f3rias servidas \u00e0 mesa da cidade&nbsp;(2011) e&nbsp;Roteiro dos Tascos do Porto&nbsp;(2015)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O 25 de Abril por Raul Sim\u00f5es Pinto Quase 50 anos depois da Revolu\u00e7\u00e3o dos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":9542,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","footnotes":""},"categories":[425,238,99],"tags":[420],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/raul-soimeos-pinto-1.jpg",388,377,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/raul-soimeos-pinto-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/raul-soimeos-pinto-1-300x291.jpg",300,291,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/raul-soimeos-pinto-1.jpg",388,377,false],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/raul-soimeos-pinto-1.jpg",388,377,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/raul-soimeos-pinto-1.jpg",388,377,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/raul-soimeos-pinto-1.jpg",388,377,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/raul-soimeos-pinto-1.jpg",388,377,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/raul-soimeos-pinto-1.jpg",388,377,false],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/raul-soimeos-pinto-1.jpg",388,377,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/raul-soimeos-pinto-1-388x340.jpg",388,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/raul-soimeos-pinto-1-388x250.jpg",388,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/abril-2023\/\" rel=\"category tag\">abril 2023<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/opiniao\/\" rel=\"category tag\">OPINI\u00c3O<\/a>","tag_info":"OPINI\u00c3O","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9540"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9540"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9540\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9543,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9540\/revisions\/9543"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9542"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9540"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9540"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9540"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}