{"id":9590,"date":"2023-05-12T22:28:18","date_gmt":"2023-05-12T22:28:18","guid":{"rendered":"https:\/\/semfronteiras.eu\/?p=9590"},"modified":"2023-05-12T23:28:55","modified_gmt":"2023-05-12T23:28:55","slug":"exilios-no-feminino-afinal-que-livro-e-este","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2023\/05\/12\/exilios-no-feminino-afinal-que-livro-e-este\/","title":{"rendered":"EX\u00cdLIOS NO FEMININO &#8211; Afinal que livro \u00e9 este?"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2023-05-12T22:28:18+00:00\">12 de Maio, 2023<\/time><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Opini\u00f5es, protagonistas e roteiro das apresenta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas (2) As sete mulheres do mundo <\/h2>\n\n\n\n<div style=\"height:74px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n<figure class=\"wp-block-post-featured-image\"><img width=\"1170\" height=\"625\" src=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/aurora.jpg\" class=\"attachment-post-thumbnail size-post-thumbnail wp-post-image\" alt=\"aurora\" decoding=\"async\" style=\"object-fit:cover;\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/aurora.jpg 1170w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/aurora-300x160.jpg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/aurora-1024x547.jpg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/aurora-768x410.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1170px) 100vw, 1170px\" loading=\"lazy\" \/><\/figure>\n\n\n<div style=\"height:41px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que dizem do livro?<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>A opini\u00e3o de Aurora Rodrigues <\/strong>(n.1952)<\/p>\n\n\n\n<p>Magistrada do Minist\u00e9rio P\u00fablico em \u00c9vora, Aurora Rodrigues, ex-militante do MRPP, foi um dos muitos presos por delito de opini\u00e3o no tempo da ditadura. Submetida, em sucessivos longos per\u00edodos, \u00e0 tortura do sono, ter\u00e1 sido dos estudantes mais brutalmente torturados pelo regime fascista. A sua coragem e o seu desassombro fizeram-na, certamente, surgir aos olhos da ditadura e da pol\u00edcia pol\u00edtica como uma provocadora, tal a sua capacidade de afrontar os torturadores e de resistir \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0 brutalidade com que foi tratada.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"427\" data-id=\"9598\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/aurorix-1024x427.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9598\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/aurorix-1024x427.jpg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/aurorix-300x125.jpg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/aurorix-768x320.jpg 768w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/aurorix.jpg 1186w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Recebi o livro e j\u00e1 li.<\/h2>\n\n\n\n<p>Faltam-me as palavras. Muito obrigada&nbsp;pelo convite, muito obrigada pela oferta do livro e sobretudo muito obrigada pela edi\u00e7\u00e3o,<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma Grande obra. Uma parte da hist\u00f3ria no feminino que faltava contar, uma lacuna que faltava preencher.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 de extrema relev\u00e2ncia e digo-o como militante antifascista e como mulher. Sabia-se dos homens que partiram a salto e se exilaram, o que foram actos de coragem e de corgem por parte deles. Mas n\u00e3o se falou das mulheres que partiram e se exilaram por raz\u00f5es pol\u00edticas, ou porque estavam na imin\u00eancia de ser presas, ou porque n\u00e3o aguentavam o sufoco, ou porque acharam que tamb\u00e9m havia que lutar no exterior. O que foi sempre tabu e at\u00e9 hoje ningu\u00e9m falou e elas falam, \u00e9 a forma como o seu trabalho pol\u00edtico foi subalternizado pelos camaradas, como foram transformadas em escritur\u00e1rias e cozinheiras, mesmo quando n\u00e3o sabiam dactilografar ou cozinhar, donas de casa, sem casa na maior parte dos casos, e cuidadoras dos filhos. Maltratados. Eu tamb\u00e9m tive essa parte e n\u00e3o tive coragem de contar. O fascismo, na forma de machismo, n\u00e3o foi afastado dos partidos, quer do PCP, quer dos partidos M-L, incluindo aquele a que pertenci. N\u00e3o tive coragem de contar. O puritanismo. A moral sexual como forma de opress\u00e3o das mulheres. A hipocrisia. Aguentei at\u00e9 ser capaz. Tenho muito a ver com essas mulheres , h\u00e1 tantas hist\u00f3rias comuns.<\/p>\n\n\n\n<p>Muito obrigada.<\/p>\n\n\n\n<p>Aurora Rodrigues<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"303\" data-id=\"9599\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/as7-1024x303.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9599\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/as7-1024x303.jpg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/as7-300x89.jpg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/as7-768x228.jpg 768w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/as7.jpg 1134w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Estamos perante sete est\u00f3rias de vida e de ex\u00edlio similares \u00e0s de milhares de jovens mulheres que abandonaram Portugal nos anos 60\/70 do s\u00e9culo passado em busca da liberdade. Mulheres que nos seus pa\u00edses de ref\u00fagio contribu\u00edram ativamente para o 25 de Abril muitas com a sua milit\u00e2ncia pol\u00edtica designadamente junto dos emigrantes portugueses quer tenha sido atrav\u00e9s da constitui\u00e7\u00e3o de grupos de teatro, de campanhas de alfabetiza\u00e7\u00e3o, de estudos sobre a situa\u00e7\u00e3o escolar dos filhos, da cria\u00e7\u00e3o de bibliotecas ou da consciencializa\u00e7\u00e3o das mulheres emigradas relativamente a temas como a viol\u00eancia dom\u00e9stica, o planeamento familiar ou o aborto.<\/p>\n\n\n\n<p>Sete est\u00f3rias que ilustram a import\u00e2ncia do ex\u00edlio no desenvolvimento da consci\u00eancia pol\u00edtica, da milit\u00e2ncia e da prepara\u00e7\u00e3o destas jovens mulheres que, regressadas a Portugal ap\u00f3s o 25 de Abril, contribu\u00edram de forma significativa pela sua ac\u00e7\u00e3o concreta, na constru\u00e7\u00e3o da democracia portuguesa em diversos dom\u00ednios da nossa sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Fernanda Marques. Coordenadora do projeto Ex\u00edlios no Feminino<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"546\" height=\"366\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/fm1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9600 size-full\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/fm1.jpg 546w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/fm1-300x201.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 546px) 100vw, 546px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p><strong>FERNANDA OLIVEIRA MARQUES<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coordenadora do projeto Ex\u00edlios no Feminino<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nascida em Lisboa em 1952<\/p>\n\n\n\n<p>Pa\u00eds de ex\u00edlio Su\u00e9cia<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:13px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Vim ao mundo em Lisboa, casei-me aos 17 anos j\u00e1 com os olhos postos no \u201csalto\u201d que darei em Janeiro de 1971 com destino \u00e0 Su\u00e9cia, cidade de Malmo. \u00c9 l\u00e1 que cres\u00e7o politicamente e abra\u00e7o o marxismo-leninismo vivendo diariamente com o mar e a luz do meu pa\u00eds numa saudade de doer. Regresso a Portugal antes do 25 de Abril, em 1972, para desenvolver trabalho pol\u00edtico clandestino de oposi\u00e7\u00e3o ao Estado Novo. O 25 de Abril surpreende-me gr\u00e1vida do segundo filho maternidades a que se somariam mais tr\u00eas.&nbsp; A partir dessa data e at\u00e9 hoje ir\u00e3o suceder-se as lutas pelos direitos das mulheres, as lutas sindicais na Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, as manifesta\u00e7\u00f5es, as greves. Regresso \u00e0 faculdade com a conclus\u00e3o do mestrado em hist\u00f3ria contempor\u00e2nea s\u00f3 depois dos filhos crescidos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"579\" height=\"380\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/helena.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9601 size-full\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/helena.jpg 579w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/helena-300x197.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 579px) 100vw, 579px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p><strong>HELENA CABE\u00c7ADAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nascida em Lisboa em 1947<\/p>\n\n\n\n<p>Pa\u00eds de ex\u00edlio B\u00e9lgica<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:35px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Nasci em Lisboa, filha de pais algarvios. Aos 8 anos fui para Mo\u00e7ambique, com o meu pai, engenheiro da Miss\u00e3o Geogr\u00e1fica de Mo\u00e7ambique. A\u00ed confrontei-me com uma sociedade colonial racista, um apartheid disfar\u00e7ado e mergulhei numa natureza sumptuosa e fascinante. Dois anos depois regressei a Portugal e tornei-me uma mi\u00fada rebelde, num liceu fascista, de regras r\u00edgidas e absurdas.&nbsp; Rapidamente aderi \u00e0s lutas estudantis contra o regime de Salazar, acabando por ser expulsa de todas as escolas do pa\u00eds. Vi-me assim obrigada, aos 17 anos, a partir para o ex\u00edlio, na B\u00e9lgica. Licenciei-me em Ci\u00eancias Sociais e fiz uma p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Psicossociologia na Universidade Livre de Bruxelas, prosseguindo com as minhas actividades antifascistas no estrangeiro. Regressei a Portugal ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica do 25 de Abril<\/p>\n\n\n\n<p>Creio que a adolescente rebelde que fui continua viva em mim, incitando-me a continuar a lutar por uma sociedade&nbsp;mais justa e mais fraterna.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:52px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"519\" height=\"351\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/bea.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9602 size-full\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/bea.jpg 519w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/bea-300x203.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 519px) 100vw, 519px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p><strong>BEATRIZ ABRANTES<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nascida em Lisboa em 1950<\/p>\n\n\n\n<p>Pa\u00eds de ex\u00edlio Fran\u00e7a<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:21px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Nasci em Lisboa em 1950 e com tr\u00eas anos, com a fam\u00edlia, fui para Angola, terra do meu cora\u00e7\u00e3o, onde tomei consci\u00eancia do sistema colonial e tive os meus primeiros contactos com os movimentos de liberta\u00e7\u00e3o e os patriotas angolanos. Problemas com a PIDE obrigaram-me a vir para Portugal, onde fiz uma passagem por Lisboa no caminho para Paris. A\u00ed me exilei e tive contactos com um grupo marxista-leninista, passando a pertencer ao aparelho t\u00e9cnico do mesmo. Ap\u00f3s o 25 de Abril regressei a Portugal e desenvolvi as minhas tarefas de milit\u00e2ncia sobretudo nos aparelhos t\u00e9cnicos. Entretanto tirei o curso do Magist\u00e9rio Prim\u00e1rio e exerci a profiss\u00e3o at\u00e9 \u00e0 idade da aposenta\u00e7\u00e3o, tendo participado nas actividades sindicais da classe. \u00a0<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:49px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"550\" height=\"369\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/hrato.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9603 size-full\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/hrato.jpg 550w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/hrato-300x201.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p><strong>HELENA RATO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nascida em Lisboa em 1944<\/p>\n\n\n\n<p>Pa\u00eds de ex\u00edlio Fran\u00e7a, Arg\u00e9lia e B\u00e9lgica<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:21px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Nasci no seio de uma fam\u00edlia militantemente antifascista e cresci num ambiente de semiclandestinidade marcado pelo temor da sempre presente repress\u00e3o pidesca afrontada com coragem e determina\u00e7\u00e3o por homens e mulheres que acreditavam ser poss\u00edvel construir-se uma sociedade mais justa. Esse foi o patrim\u00f3nio humano que ditou o meu percurso de vida ao longo das diversas fases que atravessei e das frentes de combate em que participei, no ex\u00edlio. Muitos foram combates singelos na luta pela sobreviv\u00eancia, minha e de duas crian\u00e7as nascidas no ex\u00edlio. Noutros engrossei o colectivo em defesa de direitos humanos b\u00e1sicos contra as diversas formas de ditadura que fui encontrando, o racismo, a xenofobia, a opress\u00e3o econ\u00f3mica e social contra os pobres, as mulheres, os silenciados. De todos estes combates guardo no fundo do cora\u00e7\u00e3o uma palavra m\u00e1gica: a solidariedade!<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"553\" height=\"367\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/amelie.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9604 size-full\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/amelie.jpg 553w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/amelie-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 553px) 100vw, 553px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p><strong>AM\u00c9LIA RESENDE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nascida em Angola em 1947<\/p>\n\n\n\n<p>Pa\u00eds de ex\u00edlio Fran\u00e7a<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:18px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Gosto de movimento. Movimento de pensamento, movimento de justi\u00e7a, movimento de arte\/ sentimento. Somos a express\u00e3o de n\u00f3s pr\u00f3prios espelhando o colectivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nasci na Hu\u00edla, em Angola. Inf\u00e2ncia feliz ao ar livre, em espa\u00e7os amplos.<\/p>\n\n\n\n<p>Regressada a Portugal, as minhas balizas s\u00e3o a guerra colonial, a crise estudantil de 69 e o Maio de 68 franc\u00eas, pa\u00eds onde me exilei durante uns tempos.<\/p>\n\n\n\n<p>Liberdade e esp\u00edrito cr\u00edtico s\u00e3o fundamentais. Resistir uma urg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Viva Abril. O futuro ser\u00e1 nosso.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:49px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"548\" height=\"362\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Sem-nome.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9605 size-full\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Sem-nome.jpg 548w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Sem-nome-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 548px) 100vw, 548px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p><strong>MARIA EM\u00cdLIA BREDERODE SANTOS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nascida em Lisboa em 1942<\/p>\n\n\n\n<p>Pa\u00eds de ex\u00edlio Su\u00ed\u00e7a<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:18px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Nasci nos anos 40 num pa\u00eds em ditadura &#8211; assombrado, sufocante, pobre, opressivo e triste.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas tamb\u00e9m numa fam\u00edlia republicana, resistente, laica, afectuosa e aberta.<\/p>\n\n\n\n<p>Aprendi a valorizar a diferen\u00e7a como factor de cidadania e de pensamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Acompanhando o ex\u00edlio do meu futuro marido Jos\u00e9 Medeiros Ferreira, pude dedicar-me a estudar e a trabalhar no que queria:\u00a0 a Educa\u00e7\u00e3o como forma de melhorar o mundo, a vida e o ser humano.<\/p>\n\n\n\n<p>A Educa\u00e7\u00e3o como caminho para a liberdade, a igualdade e a fraternidade foi a minha milit\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:51px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:0px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"547\" height=\"364\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/irene.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9606 size-full\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/irene.jpg 547w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/irene-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 547px) 100vw, 547px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p><strong>IRENE PIMENTEL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nascida em Lisboa em 1950<\/p>\n\n\n\n<p>Pa\u00eds de ex\u00edlio Fran\u00e7a<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Sou uma mulher de 70 anos, que guardou muito da sua juventude, mesmo sem grande mem\u00f3ria desta. Sem saudade, gosto do que fiz ao longo da vida, embora tenha a no\u00e7\u00e3o que por vezes defendi o indefens\u00e1vel e, por isso, fiz uma desej\u00e1vel travessia no deserto, pensando e contextualizando a minha actua\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tendo sido feliz enquanto jovem \u2013 ser\u00e1 que algum o \u00e9? \u2013 regressei de v\u00e1rios ex\u00edlios e encontrei o meu espa\u00e7o, bem como momentos de felicidade. Procuro tender para distinguir o bem do mal e actuar em consequ\u00eancia. Sem falsa mod\u00e9stia penso ser corajosa e combativa, mas muito teimosa.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"633\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/grupo-1-1024x633.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9608\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/grupo-1-1024x633.jpg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/grupo-1-300x186.jpg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/grupo-1-768x475.jpg 768w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/grupo-1.jpg 1300w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00f5es, protagonistas e roteiro das apresenta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas (2) As sete mulheres do mundo O que&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":9597,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[421,238,381],"tags":[419],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/aurora.jpg",1170,625,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/aurora-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/aurora-300x160.jpg",300,160,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/aurora-768x410.jpg",640,342,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/aurora-1024x547.jpg",640,342,true],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/aurora.jpg",1170,625,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/aurora.jpg",1170,625,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/aurora-1115x625.jpg",1115,625,true],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/aurora-800x500.jpg",800,500,true],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/aurora-1024x547.jpg",1024,547,true],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/aurora-540x340.jpg",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/aurora-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/50anos25abril\/\" rel=\"category tag\">50ANOS25abril<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/livros-do-exilio\/\" rel=\"category tag\">Livros do Ex\u00edlio<\/a>","tag_info":"Livros do Ex\u00edlio","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9590"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9590"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9590\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9616,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9590\/revisions\/9616"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9597"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9590"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9590"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9590"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}