{"id":9664,"date":"2023-05-19T23:21:56","date_gmt":"2023-05-19T23:21:56","guid":{"rendered":"https:\/\/semfronteiras.eu\/?p=9664"},"modified":"2023-05-19T23:22:01","modified_gmt":"2023-05-19T23:22:01","slug":"exilios-no-feminino-afinal-que-livro-e-este-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2023\/05\/19\/exilios-no-feminino-afinal-que-livro-e-este-3\/","title":{"rendered":"EX\u00cdLIOS NO FEMININO &#8211; Afinal que livro \u00e9 este?"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2023-05-19T23:21:56+00:00\">19 de Maio, 2023<\/time><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Opini\u00f5es, protagonistas e roteiro das apresenta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas (4) | \u00c9VORA<\/h2>\n\n\n\n<div style=\"height:19px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1003\" height=\"591\" data-id=\"9672\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/fm.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9672\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/fm.jpg 1003w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/fm-300x177.jpg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/fm-768x453.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1003px) 100vw, 1003px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Aurora Rodrigues, Am\u00e9lia Resende e Fernanda Marques<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:14px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que diz Aurora Rodrigues?<\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A opini\u00e3o da apresentadora do livro e dinamizadora da sess\u00e3o em \u00c9vora no dia 16 de abril 2023<\/h3>\n\n\n\n<p>No dia 16 de Abril, pouco depois das tr\u00eas da tarde, no Museu Nacional Frei Manuel do Cen\u00e1culo e na sala especial e linda, com o nome do Museu, em \u00c9vora, no \u00e2mbito da Feira do Livro da cidade, com sala cheia, foi apresentada a obra colectiva Ex\u00edlios no Feminino, com a chancela da editora Afrontamento e edi\u00e7\u00e3o de Carlos Valentim Ribeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Percurso de vida, no que respeita ao ex\u00edlio pol\u00edtico, de sete mulheres: Am\u00e9lia Resende, Beatriz Abrantes, Fernanda Marques, Helena Cabe\u00e7adas, Helena Rato, Irene Pimentel e Maria Em\u00edlia Brederode dos Santos.<\/p>\n\n\n\n<p>Vieram a \u00c9vora Am\u00e9lia Resende, Fernanda Marques e Maria Em\u00edlia Brederode Santos e n\u00e3o ser\u00e1 atrevimento dizer que fic\u00e1mos amigas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Aquele livro cativou-me e cativaram-me aquelas sete mulheres.<\/h2>\n\n\n\n<p>Confesso que, de certa forma, partilhava, quanto \u00e0s mulheres que partiram, um preconceito comum, que sem d\u00favida subalterniza essas mulheres que assim escolheram resistir, ou foram obrigadas a faz\u00ea- lo. Relativamente e elas, como \u00e0s que ficaram, foi constru\u00edda a falsidade hist\u00f3rica de que as mulheres lutaram quando eram levadas por homens e em fun\u00e7\u00e3o dos seus homens.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 eu fiquei surpreendida e feliz pela desconstru\u00e7\u00e3o. Tal como as que lutaram c\u00e1 dentro, fizeram frente por si, \u00e0 ditadura, \u00e0 repress\u00e3o, \u00e0 guerra e ao fascismo. N\u00e3o deram homem por si, como Sophia disse. Elas foram e lutaram, por si, sem o modo obl\u00edquo das mulheres, tecendo intrigas, como tamb\u00e9m disse Sophia. Deram, em seu pr\u00f3prio nome e com a sua pr\u00f3pria vontade, o peito \u00e0s balas, pela liberdade. N\u00e3o foi para fazer companhia e dar conforto aos seus homens.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Paris, Bruxelas, Estocolmo, Genebra, Argel, lutava-se e elas lutaram. Por exemplo arriscavam a vida e a pris\u00e3o transportando malas, fazendo a liga\u00e7\u00e3o com o exterior, denunciando, acolhendo e orientando os que fugiam. Exilaram-se para lutar ou, simplesmente, para crescer, contra o sufoco dum pa\u00eds irrespir\u00e1vel, de mentira e m\u00e1-l\u00edngua, muita pequenez e sil\u00eancio. N\u00e3o lutaram menos que as exiladas c\u00e1 dentro, as que clandestinamente lutava, na p\u00e1tria inexistente,\u201donde at\u00e9 o ar que nos rodeia \u00e9 como grades\u201d. De novo, Sophia. Nesta \u201cp\u00e1tria, lugar de ex\u00edlio\u201d no dizer do poeta Daniel Filipe, que logo me veio \u00e0 cabe\u00e7a quando comecei a ler o livro, e de que n\u00e3o consegui desprender-me.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Foram em busca da liberdade e para lutar por ela<\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o conhecia o livro e tudo nele \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o. Por vencer um preconceito, que n\u00e3o reconhecia como tal: o de que elas acompanharam os seus parceiros que fugiam \u00e0 guerra colonial e desertavam. Tamb\u00e9m, nalguns casos, ter\u00e1 sido por isso, mas n\u00e3o foi sobretudo por isso. Foram em busca da liberdade e para lutar por ela. Foram esquecidas pela hist\u00f3ria da resist\u00eancia e, l\u00e1, no exterior, foram muitas vezes subalternizadas e desvalorizadas por serem mulheres. Como c\u00e1. Como sempre, at\u00e9 hoje. Ainda falta desocultar essa parte. Que o machismo, o puritanismo hip\u00f3crita revestido de paternalismo ou n\u00e3o, penetrou as organiza\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias, mesmo as que se colocavam \u00e0 esquerda, e fez das mulheres, subalternas, cozinheiras, dactil\u00f3grafas, cuidadoras, tudo o que eles consideravam menor.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs caminhos nunca acabam, andorinhas de asas negras, s\u00f3 vivem enquanto voam\u201d, foi o que me lembrou a capa, foi o que me lembraram elas e o que me lembrou o Vitorino, que entrou na sala, para a sess\u00e3o seguinte.<\/p>\n\n\n\n<p>Coube-me a responsabilidade e a honra de apresentar o livro em \u00c9vora. Obrigada, tamb\u00e9m por isso. \u00c9vora, 3 de Maio de 2023 (o dia em que passam 50 anos sobre a minha pris\u00e3o)<\/p>\n\n\n\n<p>Aurora Rodrigues<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:40px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"768\" data-id=\"9665\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/IMG_0576.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9665\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/IMG_0576.jpeg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/IMG_0576-300x225.jpeg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/IMG_0576-768x576.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"768\" data-id=\"9666\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/IMG_0585.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9666\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/IMG_0585.jpeg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/IMG_0585-300x225.jpeg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/IMG_0585-768x576.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"768\" data-id=\"9667\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/IMG_0587.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9667\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/IMG_0587.jpeg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/IMG_0587-300x225.jpeg 300w, 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Para que servem os testemunhos que t\u00eam vindo a ser recolhidos e divulgados? Que aprendizagens, que inspira\u00e7\u00f5es, que li\u00e7\u00f5es deles se podem retirar, hoje, no Portugal democr\u00e1tico?<\/p>\n\n\n\n<p>Como vacina contra eventuais aspira\u00e7\u00f5es de regresso a tempos em que qualquer jovem estava condenado a duras op\u00e7\u00f5es entre alternativas todas negativas, certamente. Mas, por outro lado, n\u00e3o poder\u00e3o as qualidades ent\u00e3o necess\u00e1rias e prezadas ser, n\u00e3o s\u00f3 in\u00fateis, mas at\u00e9 prejudiciais, por heroicizarem comportamentos inadequados a uma democracia?<\/p>\n\n\n\n<p>Estas algumas interroga\u00e7\u00f5es\/provoca\u00e7\u00f5es que me t\u00eam surgido nesta aventura de recordar, com alegria e humor, integrada nas \u201csete magn\u00edficas\u201d, lutas passadas em contextos t\u00e3o diferentes que, at\u00e9 para n\u00f3s que as vivemos, s\u00e3o dif\u00edceis de reconstituir na sua estranheza e ambiguidades v\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Brincando com os \u201c3Ds\u201d chamarei \u201c3 Rs\u201d a tr\u00eas das qualidades necess\u00e1rias para viver e lutar em ditadura: Reserva, Ren\u00fancia e Resili\u00eancia.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Reserva<\/h2>\n\n\n\n<p>Dev\u00edamos evitar falar para n\u00e3o dizer mais do que o estritamente necess\u00e1rio e mesmo para n\u00e3o sabermos mais do que o estritamente necess\u00e1rio. Era uma boa compet\u00eancia, quase de sobreviv\u00eancia, para evitar chamar aten\u00e7\u00f5es indesej\u00e1veis, dar informa\u00e7\u00f5es \u201cao inimigo\u201d (leia-se \u201cpide\u201d), para n\u00e3o arriscar arrastar outros e at\u00e9 a pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o em caso de pris\u00e3o. Quem fosse muito curioso, quisesse saber muito e desse&nbsp; informa\u00e7\u00f5es escusadas era ent\u00e3o imediatamente alvo de desconfian\u00e7a \u2013 ou pelo menos de censura &#8211;&nbsp; por parte dos companheiros de luta.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes cuidados de reserva refletiam, refor\u00e7avam, alastravam-se e faziam como que parte de uma \u201ccultura nacional\u201d: o princ\u00edpio geral era evitar falar se n\u00e3o se tivesse nada de novo ou importante a dizer. Nesta cultura de reserva e silencio, as crian\u00e7as \u201cn\u00e3o&nbsp; falavam \u00e0 mesa\u201d, as mulheres, \u201cde olhinhos no ch\u00e3o\u201d, como era recomendado nos meios rurais, n\u00e3o iam sozinhas ao caf\u00e9, os mais jovens calavam-se perante os mais velhos e \u201cquem muito fala pouco acerta\u201d\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Ora uma das caracter\u00edsticas da democracia \u00e9 o reconhecimento e a import\u00e2ncia dadas \u00e0s liberdades de reuni\u00e3o e de express\u00e3o. A democracia exige e promove compet\u00eancias sociais de escuta do outro, de empatia, de express\u00e3o oral e escrita, de persuas\u00e3o, complementaridade, d\u00favida, questionamento\u2026 A democracia exige cidad\u00e3os com pensamento pr\u00f3prio e livre, capazes de exprimirem os seus pontos de vista, de os fundamentarem, e de os&nbsp; articularem com os de outros\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>A democracia n\u00e3o pede uma sociedade \u201ctagarela\u201d. \u00c9 sempre necess\u00e1rio \u201cparar para pensar\u201d \u2013 sobretudo sob a press\u00e3o das respostas r\u00e1pidas impostas pela tecnologia digital. Mas a livre express\u00e3o de cada um deve ser promovida e exercitada desde muito cedo e certamente na escola.<\/p>\n\n\n\n<p>A evoca\u00e7\u00e3o dos tempos de medo, reserva e sil\u00eancio permitir\u00e1, espero, apreciar mais e melhor o pensamento livre e a sua livre express\u00e3o \u2013 na vida convivial de todos os dias, mas tamb\u00e9m na comunica\u00e7\u00e3o social, nas reuni\u00f5es pol\u00edticas e nas v\u00e1rias \u00e1reas de pensamento e ac\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u00a0<\/h2>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ren\u00fancia<\/h2>\n\n\n\n<p>Em ditadura, os democratas tinham muitas vezes que renunciar, voluntaria ou involuntariamente, a muitas oportunidades. Recordo-me de ter encontrado, na ficha do meu Pai nos arquivos da PIDE na Torre do Tombo, uma inscri\u00e7\u00e3o dele numa Cooperativa de Habita\u00e7\u00e3o, que implicava o pagamento regular de uma soma que, ao perfazer determinada quantia, dava azo ao sorteio de uma casa. Mas sobre esse documento, um carimbo da Pide dizia: \u201cDesafecto ao Regime\u201d. Ou seja: por muito que crescessem os pagamentos ou que a sorte o bafejasse, nunca lhe caberia a casa almejada porque era \u201cdesafecto ao regime\u201d\u2026 Os regimes totalit\u00e1rios s\u00e3o assim: perseguem os \u201cdesafectos\u201d em todas as dimens\u00f5es da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Noutros casos eram os democratas que n\u00e3o aceitavam propostas feitas pelo regime por recearem que essa aceita\u00e7\u00e3o significasse um comprometimento, uma colabora\u00e7\u00e3o com um regime que condenavam e combatiam. Dum modo geral, e sem ir t\u00e3o longe na ren\u00fancia que tornasse a vida quase insuport\u00e1vel, sopesava-se bem a oferta. Por exemplo, numa fase final j\u00e1 menos ideol\u00f3gica, a Mocidade Portuguesa oferecia ao S\u00e1bado actividades desportivas, muitas vezes inacess\u00edveis \u00e0 maioria das bolsas, como por exemplo de hipismo. Os pais da Oposi\u00e7\u00e3o cujos filhos desejassem frequentar essas actividades sopesavam cuidadosamente as suas implica\u00e7\u00f5es, muitas vezes deixando os filhos pratic\u00e1-las mas atentos a que n\u00e3o fossem \u201cutilizados\u201d em desfiles ditos \u201cpatri\u00f3ticos\u201d nem sujeitos a ideologiza\u00e7\u00f5es indesej\u00e1veis (\u201clavagens ao c\u00e9rebro\u201d\u2026) Caso isso se verificasse, renunciava-se imediatamente, embora correndo-se o risco de levantar ou refor\u00e7ar suspeitas\u2026N\u00e3o podia haver ligeireza mesmo nas decis\u00f5es mais comezinhas!<\/p>\n\n\n\n<p>Ora em democracia o que se visa \u00e9, pelo contr\u00e1rio, a participa\u00e7\u00e3o. A ren\u00fancia revela desinteresse, falta de civismo, alheamento da coisa p\u00fablica, despreocupa\u00e7\u00e3o com os outros e com o bem comum. A democracia requer cidad\u00e3os capazes duma participa\u00e7\u00e3o activa e respons\u00e1vel, participa\u00e7\u00e3o essa que, por sua vez, promove em cada um os conhecimentos e as capacidades necess\u00e1rias \u00e0 interven\u00e7\u00e3o c\u00edvica e pol\u00edtica. Um bom exemplo \u00e9 a pr\u00e1tica das Assembleias Gerais de escola ou de turma em que os alunos aprendem n\u00e3o s\u00f3 o formalismo da sua organiza\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m a resolu\u00e7\u00e3o de problemas, a tomada de decis\u00e3o conjunta , a procura de constru\u00e7\u00e3o de consensos e compromissos quando os interesses colidem. E acima de tudo desenvolvem o apre\u00e7o por princ\u00edpios e valores democr\u00e1ticos de respeito por cada um, mesmo, ou sobretudo, por quem \u00e9 ou pensa diferentemente.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Resili\u00eancia<\/h2>\n\n\n\n<p>Recordamos com bom humor as ast\u00facias a que recorriam os cidad\u00e3os durante a Ditadura para contornarem as leis in\u00edquas da censura e das proibi\u00e7\u00f5es ao pensamento livre \u2013 como a mudan\u00e7a de t\u00edtulos de jornais e revistas peri\u00f3dicas aproveitando uma subtileza da lei da censura pr\u00e9via aos \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social (\u201cBin\u00f3mio\u201d, \u201cTrin\u00f3mio\u201d\u2026) ; a compra de livros proibidos \u201cdebaixo do balc\u00e3o\u201d de certas livrarias; ou a forma como Augusto Abelaira conseguiu publicar, creio que no Di\u00e1rio de Lisboa, os nomes de alguns dirigentes da Crise de 62, incluindo-os numa lista de grandes oradores da Hist\u00f3ria de Portugal que come\u00e7ava com Padre Ant\u00f3nio Vieira e assim enganando os severos mas n\u00e3o muito cultos censores! Tamb\u00e9m nos recordamos da alegria proporcionada por Palma In\u00e1cio &nbsp;e o seu primeiro piratear dum avi\u00e3o para distribui\u00e7\u00e3o de panfletos ou de Henrique Galv\u00e3o e o epis\u00f3dio do Santa Maria transmudado em Santa Liberdade ou ainda das aventurosas fugas das pris\u00f5es de Peniche e Caxias!<\/p>\n\n\n\n<p>Rimo-nos das nossas pr\u00f3prias aventuras e infrac\u00e7\u00f5es legais, para n\u00f3s ou para os nossos amigos, desde o designar por \u201cluto\u201d a greve proibida, \u00e0 falsifica\u00e7\u00e3o de passaportes ou \u00e0s sa\u00eddas a salto!<\/p>\n\n\n\n<p>Todos esses actos de resili\u00eancia, justific\u00e1veis, necess\u00e1rios, mesmo apaixonantes em ditadura, n\u00e3o o ser\u00e3o em democracia \u2013 apesar de todas as imperfei\u00e7\u00f5es e insufici\u00eancias desta e da necessidade de participar no seu permanente aperfei\u00e7oamento. Ent\u00e3o como lutar por este e pelas causas mais que justas que novos tempos nos imp\u00f5em?<\/p>\n\n\n\n<p>Dizia o Ghandi, depois de viver a experi\u00eancia do apartheid na \u00c1frica do Sul e, de volta \u00e0 India, constatar que os seus compatriotas n\u00e3o cumpriam as leis, que \u201cdevemos cumprir as leis que forem para todos e combater as que forem s\u00f3 para alguns\u201d. \u00c9 um bom ponto de partida para debater a velha e sempre nova quest\u00e3o de \u201cos fins e os meios\u201d\u2026 Fica o desafio.<\/p>\n\n\n\n<p>Maria Em\u00edlia Brederode Santos\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u00c9vora acolheu o Ex\u00edlios no Feminino<\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-9 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"768\" data-id=\"9675\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/IMG_0567.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9675\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/IMG_0567.jpeg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/IMG_0567-300x225.jpeg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/IMG_0567-768x576.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"768\" data-id=\"9677\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/IMG_0575.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9677\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/IMG_0575.jpeg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/IMG_0575-300x225.jpeg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/IMG_0575-768x576.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"768\" data-id=\"9676\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/IMG_0577.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9676\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/IMG_0577.jpeg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/IMG_0577-300x225.jpeg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/IMG_0577-768x576.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:29px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>O livro pouco depois da apresenta\u00e7\u00e3o j\u00e1 estava a ser lido nas esplanadas. Coincid\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-11 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"768\" data-id=\"9680\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/IMG_0607.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9680\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/IMG_0607.jpeg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/IMG_0607-300x225.jpeg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/IMG_0607-768x576.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"768\" data-id=\"9679\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/IMG_0611.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9679\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/IMG_0611.jpeg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/IMG_0611-300x225.jpeg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/IMG_0611-768x576.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Fotos \u00a9 CR\/Caixam\u00e9dia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00f5es, protagonistas e roteiro das apresenta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas (4) | \u00c9VORA Aurora Rodrigues, Am\u00e9lia Resende e&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":9672,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[238,381],"tags":[345],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/fm.jpg",1003,591,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/fm-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/fm-300x177.jpg",300,177,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/fm-768x453.jpg",640,378,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/fm.jpg",640,377,false],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/fm.jpg",1003,591,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/fm.jpg",1003,591,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/fm.jpg",1003,591,false],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/fm-800x500.jpg",800,500,true],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/fm.jpg",1003,591,false],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/fm-540x340.jpg",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/fm-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/livros-do-exilio\/\" rel=\"category tag\">Livros do Ex\u00edlio<\/a>","tag_info":"Livros do Ex\u00edlio","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9664"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9664"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9664\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9681,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9664\/revisions\/9681"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9672"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9664"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9664"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9664"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}