{"id":9821,"date":"2023-06-19T06:33:54","date_gmt":"2023-06-19T06:33:54","guid":{"rendered":"https:\/\/semfronteiras.eu\/?p=9821"},"modified":"2023-06-19T06:44:26","modified_gmt":"2023-06-19T06:44:26","slug":"vivemos-em-democracia-qual-e-o-nosso-futuro-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/2023\/06\/19\/vivemos-em-democracia-qual-e-o-nosso-futuro-4\/","title":{"rendered":"VIVEMOS EM DEMOCRACIA? QUAL \u00c9 O NOSSO FUTURO?"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-post-date\"><time datetime=\"2023-06-19T06:33:54+00:00\">19 de Junho, 2023<\/time><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>IV \u2013 A quest\u00e3o dos pl\u00e1sticos<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Por Filipe do Carmo<\/h3>\n\n\n\n<div style=\"height:22px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"684\" data-id=\"9822\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Oceanos-e-pla\u0301sticos-4-1024x684.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9822\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Oceanos-e-pla\u0301sticos-4-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Oceanos-e-pla\u0301sticos-4-300x200.jpg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Oceanos-e-pla\u0301sticos-4-768x513.jpg 768w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Oceanos-e-pla\u0301sticos-4.jpg 1389w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:32px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Dei alguma aten\u00e7\u00e3o, no texto precedente, \u00e0s consequ\u00eancias da acumula\u00e7\u00e3o de lixos para o ambiente (muito em particular no relativo aos pl\u00e1sticos) e tamb\u00e9m, dando uma especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0 necessidade de controlar as emiss\u00f5es de GEE (gases com efeitos de estufa), assim como \u00e0s dificuldades que existem em implementar medidas que conduzam a um controlo efectivo. Referi ent\u00e3o que as correspondentes iniciativas teriam que assumir contornos mundiais e levar a processos que passassem no m\u00ednimo por acordos do tipo dos existentes nas actuais COPs (coordenados pela ONU e garantidos pela aplica\u00e7\u00e3o de penaliza\u00e7\u00f5es a aplicar aos n\u00e3o cumpridores). Ora esse m\u00ednimo parecia estar a ser contestado, no sentido de necessitar de ser superado, nas v\u00e9speras da inaugura\u00e7\u00e3o da cimeira sobre a polui\u00e7\u00e3o pl\u00e1stica que teve lugar em Paris de 29 de Maio e decorreu at\u00e9 2 do corrente m\u00eas de Junho<a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\">[1]<\/a>. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p>De facto, n\u00e3o s\u00f3 se via a necessidade de os Estados contribu\u00edrem significativamente para a cria\u00e7\u00e3o de um fundo especial (complementado por taxas a aplicar aos industriais de acordo com o princ\u00edpio do poluidor-pagador) como se considerava indispens\u00e1vel a fixa\u00e7\u00e3o de n\u00edveis de obrigatoriedade<a id=\"_ftnref2\" href=\"#_ftn2\">[2]<\/a>. <\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>Os textos referidos de St\u00e9phane Mandard, que transmitem a percep\u00e7\u00e3o de que a actual situa\u00e7\u00e3o de polui\u00e7\u00e3o pelo pl\u00e1stico \u00e9 equivalente a uma \u201c<em>bombe \u00e0 retardement\u201d,<\/em> apresentam tamb\u00e9m as perspectivas existentes, sobretudo entre muitos dos cientistas e outros participantes da cimeira, de que o acordo que dela resultar venha a impor que <strong>\u201cos Estados tenham em conta todo o ciclo de vida dos pl\u00e1sticos, desde a extra\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis at\u00e9 \u00e0 elimina\u00e7\u00e3o de res\u00edduos e n\u00e3o apenas a sua gest\u00e3o\u201d<\/strong>. A referida percep\u00e7\u00e3o \u2013 que \u00e9 tamb\u00e9m transmitida pelos textos referidos de St\u00e9phane Mandard \u2013 deriva fundamentalmente de que a prossecu\u00e7\u00e3o do actual despejo de res\u00edduos de pl\u00e1stico representa um enorme perigo para o ambiente, a sa\u00fade e o clima. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Ali\u00e1s, a gera\u00e7\u00e3o actual de 350 milh\u00f5es de toneladas anuais de tais res\u00edduos em todo o planeta tender\u00e1 a triplicar at\u00e9 2060, segundo as previs\u00f5es do PNUA (Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Ambiente). <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Desses 350 milh\u00f5es (cerca de 80% do total da produ\u00e7\u00e3o, o qual, segundo a OCDE, \u00e9 de cerca de 460 milh\u00f5es), 50% \u00e9 depositada em aterros, 19% \u00e9 incinerada e s\u00f3 9% \u00e9 reciclada. Os restantes 22% \u201cpasseiam-se\u201d pela atmosfera, pelos solos e pelos meios aqu\u00e1ticos sob a forma de macropl\u00e1sticos (88%) e de micro e nano pl\u00e1sticos (inferiores a 5 mm e a 1 micrograma, respectivamente). De tudo isto advir\u00e3o, inevitavelmente, n\u00e3o s\u00f3 enormes perigos para a biodiversidade mas mesmo um forte contributo para o aquecimento global (o qual tem tido um m\u00e1ximo de aten\u00e7\u00e3o, entre as quest\u00f5es ambientais, nos \u00faltimos anos) dado n\u00e3o s\u00f3 o facto de que a produ\u00e7\u00e3o de pl\u00e1sticos requer a extrac\u00e7\u00e3o e a transforma\u00e7\u00e3o de energias f\u00f3sseis, mas tamb\u00e9m o crescente aumento da incinera\u00e7\u00e3o dos respectivos res\u00edduos.<a id=\"_ftnref3\" href=\"#_ftn3\">[3]<\/a><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"866\" height=\"677\" data-id=\"9823\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/pla\u0301sticos-no-Bangladesh.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9823\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/pla\u0301sticos-no-Bangladesh.jpg 866w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/pla\u0301sticos-no-Bangladesh-300x235.jpg 300w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/pla\u0301sticos-no-Bangladesh-768x600.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 866px) 100vw, 866px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A Terra coberta de pl\u00e1stico<\/h2>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, n\u00e3o obstante a inquieta\u00e7\u00e3o que os n\u00fameros acima \u2013 que levaram a que a acumula\u00e7\u00e3o total de res\u00edduos pl\u00e1sticos \u00e0 superf\u00edcie da Terra tenha j\u00e1 atingido, desde os anos 50, mais de 8 mil milh\u00f5es de toneladas (como se a superf\u00edcie do planeta estivesse integralmente coberta por uma pel\u00edcula de meio cent\u00edmetro de pl\u00e1stico) \u2013 s\u00f3 por si j\u00e1 causam nos dom\u00ednios j\u00e1 referidos, h\u00e1 ainda que ter em considera\u00e7\u00e3o os efeitos sobre a sa\u00fade, os quais poder\u00e3o come\u00e7ar por ser conjecturados quando se sabe que as estimativas actuais de ingest\u00e3o individual de micropl\u00e1sticos apontam para 5 gramas semanais (o equivalente a um cart\u00e3o banc\u00e1rio). <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Ora, tendo j\u00e1 sido identificados nos pl\u00e1sticos mais de 13 mil diferentes produtos qu\u00edmicos, sabe-se que em cerca de metade deles h\u00e1 dados toxicol\u00f3gicos que apontam para que em 3,2 milhares haja subst\u00e2ncias altamente preocupantes (faltando saber o que acontece com a outra metade). E da\u00ed problemas cancer\u00edgenos, perturba\u00e7\u00f5es do sistema end\u00f3crino, nascimentos prematuros, infertilidade, obesidade, doen\u00e7as cardiovasculares, \u2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Todos estes problemas levam o PNUA a propor uma <strong>mudan\u00e7a de sistema<\/strong> que promova o desenvolvimento sustent\u00e1vel e passe pela promo\u00e7\u00e3o da <strong>economia circular <\/strong>(a reciclagem). Mas esta \u00e9 uma via contestada pelas organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas e por cientistas, os quais advogam uma solu\u00e7\u00e3o que comece pela redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica do recurso ao pl\u00e1stico. Por seu lado, os defensores da economia circular dizem que j\u00e1 h\u00e1 tecnologia para tal solu\u00e7\u00e3o, apresentando como argumento o caso do M\u00e9xico, onde a taxa de reciclagem subiu de 9% em 2002 para 56% em 2018 (apesar de actualmente, em termos mundiais, n\u00e3o se ter chegado ainda \u00e0 reciclagem de 10% de res\u00edduos).<a id=\"_ftnref4\" href=\"#_ftn4\">[4]<\/a> J\u00e1 noutro caso, extremamente problem\u00e1tico em termos de pl\u00e1sticos, na \u00cdndia, afectada em particular por uma acumula\u00e7\u00e3o brutal de res\u00edduos (num caso, com 45 metros de altura), procura-se \u201cvaloriz\u00e1-los\u201d com a sua transforma\u00e7\u00e3o em energia ou uma reconvers\u00e3o em materiais para construir estradas. Nesse pa\u00eds \u2013 onde a combina\u00e7\u00e3o de calor t\u00f3rrido e de metano provocam fumos t\u00f3xicos agravando uma polui\u00e7\u00e3o que j\u00e1 era uma das mais elevadas no mundo; onde as vacas ingerem pl\u00e1stico contendo restos alimentares dado n\u00e3o conseguirem abrir os sacos; onde os c\u00e3es vomitam o pl\u00e1stico que engolem; onde os humanos veem os pl\u00e1sticos a impedi-los de frequentar as praias, os rios e os lagos \u2013 o governo procurou fazer face ao problema tornando os produtores respons\u00e1veis pela recolha e reciclagem no termo do ciclo de vida \u00fatil dos pl\u00e1sticos, mas com um sucesso (em que avulta as referidas transforma\u00e7\u00e3o em energia e reconvers\u00e3o para as estradas) muito limitado.<a id=\"_ftnref5\" href=\"#_ftn5\">[5]<\/a><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:49px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-5 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"769\" height=\"546\" data-id=\"9825\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Oceanos-e-pla\u0301sticos-3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9825\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Oceanos-e-pla\u0301sticos-3.jpg 769w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Oceanos-e-pla\u0301sticos-3-300x213.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 769px) 100vw, 769px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"452\" height=\"435\" data-id=\"9824\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/COP-2021-Glasgow.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9824\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/COP-2021-Glasgow.jpg 452w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/COP-2021-Glasgow-300x289.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 452px) 100vw, 452px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Em Portugal<\/h2>\n\n\n\n<p>No nosso pa\u00eds, sem aparentar chegar aos extremos referidos para a \u00cdndia, os problemas com os pl\u00e1sticos tamb\u00e9m s\u00e3o delicados. Muitos pensaram que a separa\u00e7\u00e3o do lixo (que passou a ser obrigat\u00f3ria j\u00e1 h\u00e1 algum tempo) em \u201cindiferenciado\u201d, \u201cpl\u00e1sticos e metais\u201d e \u201cpapel e cart\u00e3o\u201d, com vista a adequada recolha, tratamento e reciclagem, constituiria um passo importante. O que teve sequ\u00eancia com a aprova\u00e7\u00e3o pelo Governo, em Mar\u00e7o do corrente ano, do PERSU (Plano Estrat\u00e9gico para os Res\u00edduos Urbanos 2030), o qual inclui um documento em que se diz que o objectivo desejado para 2030 em termos de \u201cprepara\u00e7\u00e3o para reutiliza\u00e7\u00e3o e reciclagem\u201d \u00e9 chegar a 60% de reciclagem. Sendo esta, contudo, uma meta que o pr\u00f3prio ministro do Ambiente e Ac\u00e7\u00e3o Clim\u00e1tica considera dif\u00edcil de atingir. Considera\u00e7\u00e3o essa que parece apoiar-se no facto de, em 2019, a reciclagem de res\u00edduos n\u00e3o ter passado de 13% (valor em princ\u00edpio resultante de uma m\u00e9trica exigente, o qual contrasta com valores, tamb\u00e9m mencionados no documento, de recupera\u00e7\u00e3o de 42% do lixo produzido, sendo esta uma percentagem anunciada pela Ag\u00eancia Portuguesa do Ambiente e pelas associa\u00e7\u00f5es de produtores de embalagens; isso parece significar que a ind\u00fastria produtora de embalagens est\u00e1 a declarar apenas uma pequena parte do lixo realmente existente). Face aos termos utilizados pelo artigo<a id=\"_ftnref6\" href=\"#_ftn6\">[6]<\/a> que foi consultado para as actuais considera\u00e7\u00f5es, a diferen\u00e7a nos valores das percentagens pode derivar de, por exemplo, num caso se considerar pl\u00e1stico e noutro esse e outros lixos. Esse mesmo artigo d\u00e1 outras refer\u00eancias que \u00e9 conveniente ter presentes no respeitante aos destinos que s\u00e3o dados aos res\u00edduos de pl\u00e1stico (como garrafas, sacos e embalagens de utiliza\u00e7\u00e3o \u00fanica): alguns, com origem em v\u00e1rias partes da Europa, v\u00e3o dar, atrav\u00e9s do mar, \u00e0 Noruega; outros, exportados da Alemanha para a Gr\u00e9cia, s\u00e3o objecto de tentativas de importa\u00e7\u00e3o pela Turquia, pa\u00eds que deseja envi\u00e1-los para o Vietname; noutro caso em que os pl\u00e1sticos t\u00eam origem em Portugal e s\u00e3o exportados para a Espanha, este pa\u00eds poder\u00e1 ainda vend\u00ea-los para outra \u00e1rea (carga que, no caminho, pode ser apanhada por uma lucrativa \u201cm\u00e1fia do lixo\u201d, que as retira da vista e das estat\u00edsticas oficiais). O conjunto de dados que s\u00e3o transmitidos pelo artigo vai, no entanto, muito mais longe, descrevendo a exist\u00eancia de numerosas pr\u00e1ticas criminosas relativas a tais transportes de res\u00edduos face \u00e0s quais n\u00e3o s\u00f3 as legisla\u00e7\u00f5es europeia e nacionais (permissivas para os infractores) s\u00e3o francamente insuficientes como as pr\u00e1ticas de inspec\u00e7\u00e3o existentes sofrem de falta de pessoal adequado. Mas relativamente a desenvolvimentos relativos a estes e outros detalhes fico por aqui, lembrando aos interessados o interesse em consultar os dois artigos referidos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Estas quest\u00f5es e outras de natureza ambiental tendem, conforme j\u00e1 tem sido referido, a agravar-se no futuro e necessitam de ser vistas tamb\u00e9m em perspectivas que as associem aos impactos que o crescimento demogr\u00e1fico n\u00e3o deixar\u00e1 de exercer. E tamb\u00e9m apreciadas em fun\u00e7\u00e3o das decis\u00f5es tomadas (ou n\u00e3o tomadas) pela cimeira acima referida sobre a polui\u00e7\u00e3o pl\u00e1stica de Paris que terminou em 2 do corrente m\u00eas de Junho. \u00c9 algo que ser\u00e1 abordado no pr\u00f3ximo texto.<\/p>\n\n\n\n<p>Algarve, 9 de Junho de 2023<\/p>\n\n\n\n<p>Filipe do Carmo<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Estava prevista a presen\u00e7a na cimeira de negociadores de 175 pa\u00edses e de mais de 1500 cientistas e representantes da sociedade civil e da ind\u00fastria. Ver a tal prop\u00f3sito dois artigos publicados no <em>Le Monde<\/em> de 2023-05-30 da autoria de St\u00e9phane Mandard: \u201cPollution plastique: les enjeux d\u2019un sommet crucial\u201d, p\u00e1gs. 6-7, e \u201cUn danger global pour l\u2019environnement, la sant\u00e9 et le climat\u201d, p\u00e1g. 6.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Diversamente do que tem sido habitual nas COPs em que o que tem preponderado s\u00e3o meras promessas. Tal como continuam a pretender os EUA, pa\u00eds que, sendo primeiro consumidor de pl\u00e1sticos, se op\u00f5e a obriga\u00e7\u00f5es de car\u00e1cter global, defendendo \u201ccompromissos volunt\u00e1rios\u201d do tipo dos do Acordo de Paris sobre o clima. Isso enquanto os pa\u00edses produtores de petr\u00f3leo e de g\u00e1s, n\u00e3o aceitando limita\u00e7\u00f5es \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de pl\u00e1sticos, continuam a investir fortemente nessa \u00e1rea, e a China, o primeiro dos seus produtores, pretende que o Tratado que sair da referida cimeira reconhe\u00e7a o \u201cpapel fundamental dos pl\u00e1sticos para a sociedade e para a economia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> St\u00e9phane Mandard faz tamb\u00e9m refer\u00eancias a custos sociais e ambientais associados \u00e0s polui\u00e7\u00f5es pelos pl\u00e1sticos (doen\u00e7as, emiss\u00f5es de GEE, perdas de biodiversidade e limpeza dos oceanos) que, segundo diferentes estimativas, poder\u00e3o ir de 300 a 600 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares\/ano na escala planet\u00e1ria a 1,5 milh\u00f5es de milh\u00f5es (neste caso s\u00f3 no respeitante aos impactos nos sistemas de sa\u00fade: doen\u00e7as, dias de trabalho perdidos, \u2026). Valores naturalmente bastante preocupantes, mas cuja avalia\u00e7\u00e3o nos tempos que correm exigiria conhecer os crit\u00e9rios utilizados nos c\u00e1lculos.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> Ver outro texto de St\u00e9phane Mandard, \u201cL\u2019ONU appelle \u00e0 \u00abfermer le robinet\u00bb de la pollution plastique\u201d, <em>Le Monde<\/em>, 2023-05-17.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> De acordo com o que \u00e9 referido por Carole Dieterich em \u201cL\u2019Inde empoisonn\u00e9 par le plastique\u201d (<em>Le<\/em> <em>Monde<\/em>, 2023-05-30, p\u00e1g. 7).<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn6\" href=\"#_ftnref6\">[6]<\/a>&nbsp; Ver \u201cO labirinto de pl\u00e1stico\u201d, texto de autoria de Paulo Pena (Investigate Europe) publicado no <em>P\u00fablico (P2)<\/em> (2023-05-14, p\u00e1gs. 4-8). Ver tamb\u00e9m outro texto do mesmo autor (\u201cN\u00fameros de pl\u00e1sticos: quem paga a factura?\u201d) no mesmo jornal e mesmo dia, p\u00e1gs. 8-9.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized is-style-default\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/semfronteiras.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/filipe1-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9826\" width=\"265\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/filipe1-2.jpg 407w, https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/filipe1-2-300x271.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 265px) 100vw, 265px\" \/><figcaption><strong>Filipe do Carmo<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>IV \u2013 A quest\u00e3o dos pl\u00e1sticos Por Filipe do Carmo Dei alguma aten\u00e7\u00e3o, no texto&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":9822,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[238,99],"tags":[359],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Oceanos-e-pla\u0301sticos-4.jpg",1389,928,false],"thumbnail":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Oceanos-e-pla\u0301sticos-4-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Oceanos-e-pla\u0301sticos-4-300x200.jpg",300,200,true],"medium_large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Oceanos-e-pla\u0301sticos-4-768x513.jpg",640,428,true],"large":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Oceanos-e-pla\u0301sticos-4-1024x684.jpg",640,428,true],"1536x1536":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Oceanos-e-pla\u0301sticos-4.jpg",1389,928,false],"2048x2048":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Oceanos-e-pla\u0301sticos-4.jpg",1389,928,false],"covernews-slider-full":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Oceanos-e-pla\u0301sticos-4-1115x715.jpg",1115,715,true],"covernews-slider-center":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Oceanos-e-pla\u0301sticos-4-800x500.jpg",800,500,true],"covernews-featured":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Oceanos-e-pla\u0301sticos-4-1024x684.jpg",1024,684,true],"covernews-medium":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Oceanos-e-pla\u0301sticos-4-540x340.jpg",540,340,true],"covernews-medium-square":["https:\/\/nsf.pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Oceanos-e-pla\u0301sticos-4-400x250.jpg",400,250,true]},"author_info":{"info":["Carlos Ribeiro"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/destaque\/\" rel=\"category tag\">DESTAQUE<\/a> <a href=\"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/category\/opiniao\/\" rel=\"category tag\">OPINI\u00c3O<\/a>","tag_info":"OPINI\u00c3O","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9821"}],"collection":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9821"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9821\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9828,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9821\/revisions\/9828"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9822"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9821"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9821"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nsf.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9821"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}