Protestos enchem as ruas
Lisboa e Porto confirmaram a vitalidade do movimento pela habitação e a vida digna
CVR-NSF – Lisboa
No Marquês de Pombal pelas 15h a principal fonte de animação era a camioneta dos acampados que debitava um som, a partir de colunas potentes e bem amarradas, bem diferente daquele que durante anos e anos invadiu a Avenida da Liberdade das manifestações da CGTP e dos cortejos do 25 de Abril. Desta vez a gaivota não voava e não se pedia que viessem mais cinco. O hip-hop contemporâneo foi o despertador de emoções para as primeiras centenas de manifestantes que assistiram aos primeiros alinhamentos de grupos e organizações que exibiam as suas faixas e se preparavam para encabeçar o desfile até ao Rossio.
Umas notas iniciais vindas do megafone central dos organizadores exigiam que a área reservada às crianças fosse respeitada por todos e que os partidos políticos se posicionassem na cauda do cortejo. Finalmente um apontamento crítico em relação aos jornalistas pela forma como o movimento tem sido tratado nos diversos órgãos de comunicação social, também com origem na camioneta dos organizadores, suscitou uma reação de alguns repórteres e operadores de câmara que relembraram que se não fossem eles as ações que estão a decorrer seriam completamente ignoradas.
O desfile desceu a avenida com a participação de famílias, jovens, antifascistas de gerações anteriores com cravo ao peito, crianças, casais com cães pela trela, militantes com boinas à Che Guevara, muitos cartões manuscritos com palavras de ordem e sobretudo com humor. Muita descontração e até alguma alegria. Mas também muita combatividade e muita energia nas vozes de protesto.
Algumas referências a uma greve geral e uma ausência preocupante à necessidade da Paz na Europa, que precisa de ser urgentemente negociada com o papel ativo dos dirigentes europeus, para que as principais exigências do desfile – Habitação e Vida digna – possam de facto acontecer.
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