Kora
A melhor curta portuguesa
A Manuela Matos Monteiro anda pelos festivais de cinema, documentários, curtas…., no caso em Melgaço na 11ª edição do MDOC. Aqui ficam os seus apontamentos esclarecedores e marcados pela sua habitual sensibilidade estética.
“Kora” (2024), de Cláudia Varejão, é uma curta-metragem documental com pouco menos de 30 minutos que traça as vivências íntimas e políticas de mulheres refugiadas que vivem agora em Portugal. A preto e branco, o filme acompanha cinco mulheres – Inna, da Ucrânia, Norina, do Afeganistão, Zohra, do Sudão, Margarita, da Rússia, e Lana, da Síria –, que se amarram às fotografias dos familiares e amigos que ficaram nos seus países de origem.
A partir das fotografias em voz off, o filme desenvolve uma narrativa partilhada a assumir a forma de um manifesto contra a guerra e contra a discriminação das mulheres.
É um filme que recorre a uma estética sóbria, minimalista em que domina a palavra acompanhada pelo piano. Juntas, as falas destas mulheres produzem um “texto” em que estão convocadas as grandes questões da humanidade associadas à pertença, memória e identidade.É um filme que dá voz a uma situação que se vive em Portugal e em tantos outros países, portanto, um filme oportuno e comprometido.
Todo o merecimento o prémio Jean Loup Passek da melhor curta metragem portuguesa na 11ª edição do MDOC – Festival Internacional de Documentário de Melgaço