11 de Fevereiro, 2026
korafot

A melhor curta portuguesa

A Manuela Matos Monteiro anda pelos festivais de cinema, documentários, curtas…., no caso em Melgaço na 11ª edição do MDOC. Aqui ficam os seus apontamentos esclarecedores e marcados pela sua habitual sensibilidade estética.

por Manuela Matos Monteiro

“Kora” (2024), de Cláudia Varejão, é uma curta-metragem documental com pouco menos de 30 minutos que traça as vivências íntimas e políticas de mulheres refugiadas que vivem agora em Portugal. A preto e branco, o filme acompanha cinco mulheres – Inna, da Ucrânia, Norina, do Afeganistão, Zohra, do Sudão, Margarita, da Rússia, e Lana, da Síria –, que se amarram às fotografias dos familiares e amigos que ficaram nos seus países de origem.

A partir das fotografias em voz off, o filme desenvolve uma narrativa partilhada a assumir a forma de um manifesto contra a guerra e contra a discriminação das mulheres.

É um filme que recorre a uma estética sóbria, minimalista em que domina a palavra acompanhada pelo piano. Juntas, as falas destas mulheres produzem um “texto” em que estão convocadas as grandes questões da humanidade associadas à pertença, memória e identidade.É um filme que dá voz a uma situação que se vive em Portugal e em tantos outros países, portanto, um filme oportuno e comprometido.

Todo o merecimento o prémio Jean Loup Passek da melhor curta metragem portuguesa na 11ª edição do MDOC – Festival Internacional de Documentário de Melgaço

KORA de Cláudia Varejão (2024) – trailer

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