11 de Maio, 2026

Como vamos de esquerda nas autárquicas?

lisboa

Lisboa, a esquerda viva [1]

Iniciamos um ciclo de artigos com opiniões, ideias ou propostas relacionadas com as autárquicas 2025. Falta pouco tempo para as campanhas eleitorais oficiais arrancarem. Importa espreitar e procurar nos diversos territórios os pontos de partida e as expectativas existentes para vitórias da esquerda e derrotas da direita e da extrema-direita no país. Comecemos por Lisboa.

por Carlos V. Ribeiro | NSF

Em termos políticos a disputa eleitoral na capital surge como uma batalha de recuperação da confiança, de resistência contra a direita e a extrema-direita e de afirmação dos valores de Abril depois dos resultados das legislativas do ano corrente que colocaram a AD em primeiro lugar com 31,65% dos votos.  O Chega atingiu a terceira posição com 14,53% correspondendo a quase 50.000 votantes da capital enquanto o PS posicionou-se entre os dois com 23,30%. O Livre conquistou uma nova importância político-partidária nacional com 9,4% dos votos tendo obtido uma votação quase idêntica à da Iniciativa Liberal que se ficou pelos 9,27%. Nesta recuperação dos resultados obtidos em maio 2025 refira-se a votação da CDU que se ficou pelos 3,67%, do Bloco de Esquerda pelos 2,69% e do PAN por 1,68%. 

Nas autárquicas de 2021, que servem apesar de tudo de referência incontornável, a AD venceu com 34,26% dos votos enquanto o PS por uma margem de menos de 1% foi ultrapassado atendendo aos 33,31% alcançados pelos socialistas. A terceira força política neste ato eleitoral foi a CDU que ultrapassou os 10% [10,51%]. O Bloco de Esquerda obteve uma votação correspondente a 6,20%, o Chega a 4,41%, a IL a 4,22% e o PAN a 2,73%. 

A complexidade da situação que está associada à próxima votação autárquica em Lisboa incorpora alguns elementos que pesam desde já na construção do ambiente eleitoral prevendo-se que os acontecimentos do próximo mês e meio venham reforçar ou a enfraquecer alguns em detrimento de outros, sendo de destacar à primeira vista os seguintes: 

  • As eleições autárquicas são diferentes das legislativas, o peso do local é particularmente relevante na opção dos eleitores, mas a votação das legislativas de maio passado revelou tendências fortes no sentido de uma viragem acentuada do eleitorado à direita. Terá sido por razões relacionadas com a conjuntura atribulada ou há de facto uma nova abordagem na votação na extrema-direita que não era assumida até há pouco tempo em grandes centros urbanos como Lisboa? 
  • O quadro de opções eleitorais foi reformulado tendo passado de uma confrontação entre PSD e PS para uma disputa entre coligações com alguma amplitude, dos dois lados. Apenas a CDU fica de fora já que decidiu concorrer separadamente e consequentemente captar votos que potencialmente seriam adicionáveis à coligação de esquerda, mas que irão indiretamente juntar-se-ão aos votos da direita no cômputo geral. 
  • A candidatura central para a Câmara e Assembleia Municipal de Lisboa acaba por influenciar o voto nas freguesias e vice-versa. A dinâmica dos coletivos e dos candidatos escolhidos por cada coligação para as freguesias acaba por ter um peso nas opções de parte dos eleitores, uns não valorizam excessivamente as pessoas concretas que lideram as listas e colocam-se no campo das soluções políticas mais globais, outros relacionam o voto com simpatias ou experiências mais diretas e até pessoais. 
  • O primeiro grande teste aos impactos do NÃO É SIM do PSD/AD que na sua governação mais recente promoveu o Chega a partido respeitável e construiu acordos políticos informais em torno de temas como a imigração vai agora acontecer com a expressão do voto nas urnas. Ou seja, o eleitorado terá oportunidade de clarificar se estabelece ou não algumas linhas vermelhas para a ação política corrente e parlamentar. 
  • A figura mediática de Alexandra Leitão irá certamente ter peso nas opções de voto, é previsível que a coligação de esquerda venha a ser objeto campanhas de difamação ou de tipo lawfare para enfraquecer a sua candidatura. A confrontação não será pacífica e algumas surpresas irão certamente surgir para impedir uma vitória da esquerda em Lisboa. 

Carlos V. Ribeiro

Fotografia de destaque: © Paulo Vaz Henriques | ViverLisboa

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