Um exercício de verdade
LIVROS | 2025 Viver inteiro – Entre valores e a vida

por José Mário Cachada
Deixem-me começar com uma pergunta, simples, mas exigente: quantas vezes, no meio do ruído dos nossos dias, paramos verdadeiramente para nos escutar?
Este livro nasceu desse instante raro. Do momento em que o silêncio deixa de ser vazio e passa a ser revelação.
Hoje, mais do que para falar sobre o livro, estou aqui para partilhar um caminho. Um caminho feito de palavras, sim, mas, sobretudo, feito de silêncios, de escolhas, de dúvidas e de esperança.
Este livro não nasceu de um momento. Nasceu de muitos. De dias claros e de noites densas. De certezas frágeis e de perguntas persistentes. Nasceu da vida, como ela é, imperfeita, exigente, e, ainda assim, profundamente digna de ser vivida.
Escrever nunca foi, para mim, um exercício de vaidade. Foi, e continua a ser, um exercício de verdade. Uma tentativa de compreender o mundo, sem nunca perder de vista o essencial, a pessoa humana.
Ao longo das páginas, não procurei respostas fáceis. Procurei, antes, não fugir às perguntas difíceis. Aquelas que nos inquietam. Aquelas que nos obrigam a parar. Aquelas que nos confrontam com aquilo que somos, e com aquilo que podemos vir a ser.
Se há algo que atravessa este livro, é a ética. Não como conceito abstrato, mas como prática diária, como escolha silenciosa, como responsabilidade, mesmo quando ninguém está a ver.
Vivemos tempos rápidos. Tempos onde tudo parece urgente, menos o essencial. E talvez por isso, este livro seja também um convite, um convite a parar, a escutar, a pensar, a sentir. Porque acredito, profundamente, que só com consciência podemos construir um mundo mais justo. E só com humanidade podemos dar sentido àquilo que fazemos.
Este livro é também um testemunho pessoal. De fragilidade, de luta, de resistência, mas, acima de tudo, de esperança. Porque mesmo nos momentos mais difíceis, há algo que não podemos perder, a capacidade de escolher quem somos.
Permitam-me um momento de gratidão. Quero agradecer, de forma sentida, a todos os que tornaram este livro possível, desde a primeira palavra da nota de abertura até à última linha da contracapa, passando pelo design. Cada contributo, cada leitura, cada olhar crítico, cada gesto de apoio ajudou a dar corpo a esta obra.
Quero agradecer, ainda, à ANEIS, pela coragem de editar um livro sobre ética, com o apoio da APEF do Porto. Num mundo em que as questões do desporto, da educação e da cultura são, tantas vezes, bandeira oscilante, a vossa coragem fica, e fica, de forma muito profunda, em mim.
A todos, o meu sincero agradecimento.
Este livro não é meu. É de todos aqueles que, ao lê-lo, se reconhecerem em alguma linha, em alguma dúvida, em alguma esperança.
Não sei quanto tempo fica o que escrevemos. Mas sei que aquilo que vivemos com verdade, isso permanece.
Se este livro nascer em alguém como coragem para viver com mais consciência, com mais humanidade, com mais ética, então não foi apenas um livro.
Foi vida.
