Mercados municipais em rede?
Uma rede com mais de 300 lojas é algo que se possa ignorar?

Por João Barreta
Se o Pingo Doce tem 500 lojas, o Continente 400, o Lidl 275, o Intermarché 270, o Auchan 585, o Aldi 160 e por aí fora, representam o que representam no panorama do retalho em Portugal, o que se poderá (e deverá!) fazer por uma rede de lojas de cerca de 300 unidades.
Estão distribuídas por todo o país, a sua localização é, na maioria dos casos, central e muito valiosa, disponibiliza oferta com muito potencial, não é propriedade privada, é propriedade dos municípios.
Em traços gerais, diria que faltará uma certa visão de conjunto para o seu potencial como formato comercial, impera uma visão algo limitativa que os encara como mais um equipamento municipal.
Refiro-me, como já se percebeu, aos mercados municipais.
Será que a Administração Central não poderá olhar para os Mercados Municipais com uma verdadeira visão de política pública de Observatório, de estudo prospetivo, de apoio, de planeamento estratégico global, de consultoria de gestão, de formação, quiçá, criar uma Rota dos Mercados Municipais com História(s), definindo apoios/incentivos para tal efeito?
Será que as próprias Comunidades Intermunicipais não poderiam promover a definição de estratégias próprias para os mercados municipais no âmbito territorial da sua atuação?
Será que as próprias autarquias não estarão algo necessitadas de sessões de divulgação e sensibilização sobre a relevância dos mercados municipais para estratégias de desenvolvimento da economia local?
O Mercado dos Mercados representará, ainda, um mercado, de enorme potencial, por explorar.
Os Mercados, os outros, estarão atentos.
Talvez seja melhor não os ignorarmos.
Nota: o presente texto foi publicado numa segunda-feira, dia de encerramento de muitos Mercados, mas em que os outros não ignoram tal número e tal realidade.