Um comboio vai abalroar 44 casas, a Alta Velocidade!
Nada substituirá as casas onde vivem há dezenas de anos

Manuela Matos Monteiro
Não tem a visibilidade de outros processos mas trata-se de um problema sério que afeta 44 casas de famílias que serão abalroadas pelo traçado da Linha de Alta Velocidade – TGV – em Campanhã.
A Infraestruturas de Portugal e o consórcio responsável pela construção não têm dialogado com estas pessoas que souberam há 3 anos que iam ficar sem casa pelo jornal e pelas redes sociais.
Este processo foi abordado pela jornalista Mariana Correia Pinto em dois artigos no PÚBLICO e é objeto de um projeto coordenado por Ana Miriam que está a dar voz a estas pessoas com o projeto “Entre o LUTO e a LUTA”. Um grupo de moradores tem reunido no MIRA na rua Padre António Vieira e no dia 5 de dezembro o projeto vai ser aí apresentado – livro + exposição fotográfica. Nesse dia, um debate suscitará mais questões alargadas a mais pessoas.
Entretanto, Ana Mota realizou o documentário da s_cities «Na sombra da Linha» que documenta o medo do futuro destes moradores porque desde 2023 têm a vida em suspenso sem saberem para onde vão nem como serão compensados. O documentário foi estreado no MIRA no dia 29 seguido de uma conversa com os moradores e foi projetado na Acampada do Porto, no domingo.
Este processo mostra a importância dos cidadãos organizados em grupos formais ou informais para apoiar franjas da população que veem as suas casas em risco e que não têm meios para fazer valer a sua voz, os seus direitos.
Os moradores sentem que nada substituirá as casas onde vivem há dezenas de anos e pressentem a falta da comunidade de vizinhos que ficará perdida a alta velocidade.
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