Nasceu nas ruas, volta todos os anos às ruas
O 8 de Março no Porto

Manuela Matos Monteiro
Hoje, 8 de Março, esteve muita gente nas ruas do Porto a reivindicar os direitos das mulheres que mais não são do que … direitos humanos básicos!
Gente muito jovem, gente de outras geografias a refletir uma cidade mais diversa e multicultural, muita energia a gritar a reivindicação de direitos. Algumas bandeiras, alguns megafones, muitos cartazes pintados à mão com a exigência mais urgente: contra a violência, pelo direito ao corpo, pela denúncia do assédio tantas vezes normalizado. A transversalidade das reivindicações manifesta-se nas palavras de ordem a exigir o direito de migrar e viver de forma digna, pelo reconhecimento do trabalho doméstico, pelos direitos das trabalhadoras do sexo …
Foi precisamente nas ruas de Nova Iorque que em 1908 as mulheres se manifestaram exigindo melhores condições de trabalho, redução do horário e direito de voto.
A ideia de haver um dia dedicado à reivindicação dos direitos das mulheres foi apresentada por alemã Clara Zetkin na Conferência Internacional das Mulheres Socialistas em Copenhaga.
A data é oficializada em 1975 na ONU.
Nos últimos anos, estas manifestações pautam-se pela alegria ritmada pelo som dos tambores das batucadas de grupos de mulheres, um dos contributos da comunidade brasileira que integra todas aquelas que querem, em volta das batidas, estarem juntas. Os ritmos bem marcados têm qualquer coisa de antigo, de tribal como que a convocar a memória coletiva de sofrimento e de luta. Esta energia coletiva e este ritmo a acompanhar a marcha dão um sentido de corpo coletivo, de força determinada que é, afinal, a necessária para as mulheres fazerem ouvir a sua voz.
Hoje, confirmou-se mais uma vez que a história continua a escrever-se na rua.
Hoje, num tempo de retrocesso civilizacional, mais do que nunca temos de estar vigilantes porque se corre o risco de recuo nos direitos conquistados pelas mulheres.
GALERIA – Fotos © Manuela Matos Monteiro





















