Transbordei, transbordámos!
O 25 de Abril 2026 no Porto

por Manuela Matos Monteiro
52 anos depois, a cidade voltou a abrir-se e a gritar em plenos pulmões pela Liberdade e direitos! Um mar de gente – vivo, pulsante, cheio de energia e alegria – inundou as ruas desde a ex-PIDE até aos Aliados onde desaguou. Há dois anos emocionei-me ao ver tantos jovens a gritar pelo direito à Liberdade. Pensei que tinha atingido um pico de espantação mas hoje, aconteceu um transbordar de gente, de emoção, de alegria incontida. E esta chuva de sentimentos foi partilhada por tanta gente cúmplice como se soubéssemos que estávamos a viver um tempo único!
Não me lembro de ver tantas crianças de cravo na mão e olhos acesos, crianças em ombros e em carrinhos a mostrar o bem estar em partilhar com os mais pequenos aqueles momentos. Gente de todas as idades com cravos ao peito ou erguidos no ar como pequenas bandeiras frágeis e invencíveis. Escolas (Soares dos Reis a abrir!), universitários identificados pelas capas e batinas, associações, sindicatos, bandas que davam ritmo ao passo, coros que atiravam vozes no ar e tantos grupos sem nome mas com urgência de reivindicar direitos – LGBT, Trans, – corpos que reclamam lugar e respeito, grupos organizados a exigir que se cumpra o direito à habitação, associações de imigrantes e também a Palestina esteve presente para que não esqueçamos. Veganos, pessoas portadoras de deficiências várias em cadeiras de rodas a recusarem ficar presos em casa, vidas que insistem em existir com direitos e dignidade. Amantes de bicicletas vieram com elas, animais de estimação também … e isto importa? Importa porque diz desta vontade de estar junto a reclamar direitos. E ficou a alegria, uma alegria combativa, uma energia que não se esquece, uma esperança que não cede aos apertos que abafam. Hoje, a poesia não se escreveu, saiu à rua como dizia o poeta.
A cidade transbordou, a alegria transbordou e eu transbordei de emoção por este dia inesquecível.
25 de Abril, sempre, fascismo nunca mais!
GALERIA – Fotografias de Manuela Matos Monteiro ©


























