Por uma Nova Ecologia da Indústria
Por uma Nova Ecologia da Indústria: Uma Mudança Rumo à Ecotecnologia e a Novos Pólos Industriais
LIVROS NSF na Biblioteca das ideias
“A inovação parece estar a tropeçar na sua própria incapacidade de superar as alterações climáticas. As recentes metáforas bélicas, quase desesperadas, do Presidente Macron revelam-na como a mensageira impotente do crescimento implacável, quando a catástrofe ecológica deveria ter desencadeado uma mudança civilizacional.” – Sophie Pène
Mas que tipo de mudança seria esta? Sob a direção de Franck Cormerais, Olivier Landau e Vincent Puig, cerca de vinte autores reuniram-se para explorar várias facetas da complexa relação entre a sociedade industrial e os seus ambientes: natural, social, urbano e psicológico. O livro, dividido em cinco secções, explora aspetos que, por vezes, são verdadeiramente surpreendentes:
A primeira secção, “Transição ou Mudança”, oferece uma perspetiva comparativa sobre a história e as políticas industriais, com contributos de Pierre Musso, Pierre Veltz, Sophie Pène e Giuseppe Longo.
De seguida, aborda-se a relação (tensa) entre a indústria e os organismos vivos: Produção e Reprodução, com contributos de Maël Montévil, Marie-Claude Bossière, Noémie Dié, Patrick Johnson e Sébastien Massart.
Uma terceira secção explora a ecotecnologia, o design orientado para o ambiente e as comunidades alternativas, por Ludovic Duhem, Mathieu Triclot e Alexandre Monnin.
A questão da ancoragem e da distribuição no espaço e na geografia é o tema dos contributos agrupados sob o título “Novas Localidades Industriais”, da autoria de Olivier Landau, Véronique Maire, Maryline Filippi e Franck Cormerais.
Finalmente, a tecnologia digital também aspira a uma produção mais frugal, local e ecológica, como demonstram Tristan Nitot, Christophe Masutti, Stéphane Crozat, Olaf Avenati, Pierre-Antoine Chardel e Vincent Puig na secção final, “Design, Formatos e Modelos”.
Fab labs, fábricas distribuídas, cadeias de abastecimento curtas, economia circular, projetos de baixa tecnologia e cooperativas digitais contribuem para uma dinâmica de inovação enraizada na proteção dos ecossistemas. Aproveitar a riqueza e a diversidade destas experiências locais permite-nos compreender melhor os desafios e as tensões, e propor novas abordagens industriais.
Perante uma civilização que faz um mau uso da tecnologia, como podemos vislumbrar uma indústria verdadeiramente eco-responsável e sustentável, mais aberta a novas formas de conhecimento, competências e modos de vida? Cuidar dos ecossistemas industriais é essencial para cuidar verdadeiramente da Terra.