Xi Jinping deu uma lição de poder a Trump
Esta cimeira mostrou duas visões opostas do mundo

Por Luís Vidigal
A visita de Donald Trump à China terminou com pompa, simbolismo e uma mensagem política impossível de ignorar. Em Pequim, Xi Jinping recebeu o presidente norte-americano com todos os rituais de uma potência confiante, deixando claro que Pequim se vê hoje como o centro gravitacional da nova ordem mundial.
O discurso de Xi foi particularmente revelador. Num momento em que Washington insiste numa estratégia de contenção da China, através de sanções tecnológicas, pressões militares sobre Taiwan e uma retórica permanente de confronto, o líder chinês falou de “parceria” em vez de rivalidade. Não foi apenas diplomacia, foi uma demonstração de superioridade estratégica. Xi apresentou-se como estadista paciente, racional e civilizacional, contrastando com a turbulência política e económica que atribui aos Estados Unidos.
Mas o verdadeiro significado da cimeira talvez não tenha estado nas declarações oficiais. Esteve na lista de empresários norte-americanos que acompanharam Trump. Tim Cook, Elon Musk, Jensen Huang e outros gigantes do capitalismo tecnológico deslocaram-se à China não para confrontar Pequim, mas para garantir acesso ao maior mercado industrial e tecnológico do planeta. Depois de anos de discursos sobre “desacoplamento” económico, ficou evidente que as grandes empresas americanas continuam dependentes da máquina produtiva chinesa.
A China percebe isso e joga com essa vantagem. Pequim abre portas apenas onde lhe interessa, mantendo o controlo absoluto dos setores estratégicos. Musk quer proteger a Tesla em Xangai, a NVIDIA gostaria de continuar presente no mercado chinês da inteligência artificial e a BlackRock sonha entrar no sistema financeiro chinês. Porém, todos dependem das condições impostas por Pequim.
Xi Jinping aproveitou ainda para reafirmar a posição chinesa sobre Taiwan, sublinhando que independência taiwanesa e estabilidade regional são incompatíveis. Foi um aviso direto à delegação americana, embora dificilmente altere a política de Washington.
No fundo, esta cimeira mostrou duas visões opostas do mundo. De um lado, uma América impulsiva, tática e marcada pelo confronto permanente. Do outro, uma China que procura projetar estabilidade, continuidade e ambição histórica. Pequim acredita que o século XXI lhe pertence e age como quem já começou a governá-lo.