A Odisseia
Christopher Nolan filma A Odisseia em território ocupado e ajuda Marrocos a normalizar colonização do Saara Ocidental
Com subsídios do governo marroquino, A Odisseia foi filmado em Dakhla, enquanto turismo, hotéis, energia e um novo porto transformam a cidade em vitrine internacional de uma ocupação que reprime ativistas saarauís.
“Há 50 anos, o Marrocos ocupa o Saara Ocidental, expulsando o povo saaraui de suas cidades”.
Fonte: Diálogos do Sul
Luta do povo saarauí
O Saara Ocidental, antiga colónia espanhola com vários recursos naturais, foi ocupado por Marrocos em 1975, desencadeando um conflito armado com a Frente Polisário que terminou com um cessar-fogo em 1991, negociado pelas Nações Unidas.
O acordo previa a realização de um referendo sobre a autodeterminação do território, mas divergências relacionadas com o recenseamento eleitoral e a elegibilidade de colonos marroquinos impediram até hoje a concretização da consulta.
Recentemente, o presidente saarauí, Brahim Ghali, enviou uma carta ao secretário-geral da ONU, António Guterres, defendendo que os ataques da Frente Polisário contra posições marroquinas constituem atos de legítima defesa face ao que classificou como a ruptura, por parte de Rabat, do cessar-fogo estabelecido em 1991, que tem levado à morte e detenção de muitos saarauís.
Nos últimos anos, a Frente Polisário sofreu diversos reveses diplomáticos, à medida que aumentou o apoio internacional ao plano de autonomia proposto por Marrocos para o território, incluindo por parte de Espanha França e Reino Unido, entre outros.
A posição de Portugal, que defendia o direito à autodeterminação do povo saaraui à luz das resoluções da ONU, sofreu alterações em Julho de 2025, com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, a declarar que a proposta de Marrocos — que oferece uma forma de autonomia sob soberania marroquina — como “séria, credível e construtiva”. Embora tenha reiterado que qualquer acordo deve ser alcançado no quadro das Nações Unidas. Estas declarações levaram já ao agradecimento público do rei Mohammed VI de Marrocos.
A proposta é rejeitada pela RASD e pela ONU que continuam a defender a realização de um referendo de autodeterminação. A RASD defende que é Espanha, e não Marrocos, que mantém o estatuto de potência administrante do território
in URAP
