À mercê do beifeng
A congelar! Pequim | dez 2025

Por Manuela Matos Monteiro
Os dias são sem dúvida lindos: céu limpo, amplo, aberto, ar seco cortante, azul metálico e um frio que trespassa as térmicas com que me visto e que desmentem as promessas da chamada “roupa técnica para o frio”.
Na Praça Tiannamen e na Cidade Proibida temi pelas pontas dos dedos que me doíam de frio. É nestas situações que nos lembramos das preciosidades dos nossos corpos que tomamos por naturalmente evidentes e disponíveis!
Ao meio dia de ontem, a temperatura era de -2º e a sensação térmica de – 6º. Mas as temperaturas podem descer muito abaixo de zero agravadas pelo vento do norte, de seu nome, “beifeng”. Não sei o que quer dizer, mas não gosto porque trespassa as camadas de roupa em modo “cebola”
A população anda muito bem protegida e casas e lojas estão aquecidas. Espaços públicos e transportes são muito confortáveis e as roupas, calçado e acessórios são bons e bonitos, usados pelos mais novos e mais velhos. Partilho algumas imagens que captei ontem numa zona antiga da cidade, nos “hutongs” que são uma espécie de ilhas em tudo semelhantes às do Porto. Aqui, nas ruas estreitas, circulam mais motas – elétricas- que estão apetrechadas com proteções bem eficazes. Tal como no Porto, estes “hutongs” sofrem o efeito da gentrificação e percebem-se bem as mudanças.
Abençoado mar que nos amacia os invernos. O frio atrofia-nos o corpo e tolhe-nos os pensamentos! Está visto que troco a “atmosfera” e a luz peculiar de Pequim por mais uns graus centígrados mesmo que acompanhados pela meiga humidade!
Aproveitem o que têm e saiam!
GALERIA | © MMM [Manuela Matos Monteiro]





